{"id":26410,"date":"2011-12-02T17:41:11","date_gmt":"2011-12-02T17:41:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26410"},"modified":"2011-12-02T17:41:11","modified_gmt":"2011-12-02T17:41:11","slug":"ministros-do-stf-votam-contra-o-direito-das-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26410","title":{"rendered":"Ministros do STF votam contra o direito das crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">[T&iacute;tulo original: Ministros do STF votam contra a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa e direitos da crian&ccedil;a e do adolescente]<\/p>\n<p>O julgamento do fim vincula&ccedil;&atilde;o hor&aacute;ria da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa, dispositivo que respeita os direitos da crian&ccedil;a e do adolescente, ocorrido nesta quarta-feira (30) em sess&atilde;o no Superior Tribunal Federal, teve quatro votos favor&aacute;veis &agrave; proposta. A sess&atilde;o foi adiada, com pedido de vista feito pelo ministro Joaquim Barbosa e justificado pela necessidade de analisar mais detalhadamente a a&ccedil;&atilde;o proposta pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Junto a Dias Toffoli, ministro relator da proposta, Luiz Fux, C&aacute;rmen Lucia e Carlos Ayres Britto tamb&eacute;m votaram pelo fim da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa.<\/p>\n<p>Organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil entraram com pedido de<em> amicus curiae<\/em>, defendendo a constitucionalidade do artigo 254 do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (que prev&ecirc; multa para os ve&iacute;culos que desrespeitarem a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa). Jo&atilde;o Brant, do Intervozes, explica que, para esses ministros, &ldquo;o Governo n&atilde;o pode definir uma faixa hor&aacute;ria protegida para crian&ccedil;as (por exemplo, a de que programas recomendados para maiores de 18 anos n&atilde;o possam ser exibidos &agrave;s 15h na TV aberta). Se essa perspectiva se confirmar, as emissoras poder&atilde;o veicular qualquer programa, para qualquer faixa et&aacute;ria, em qualquer hor&aacute;rio&rdquo;.<\/p>\n<p>Brant ainda afirma que &ldquo;a constitucionalidade da vincula&ccedil;&atilde;o hor&aacute;ria foi defendida pela Advocacia Geral da Uni&atilde;o e pela Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica, com teses muito pr&oacute;ximas &agrave;s da sociedade civil. Pior do que o resultado em si foi a linha de defesa dos ministros: eles abandonaram qualquer ideia de prote&ccedil;&atilde;o do direito das crian&ccedil;as e adolescentes, n&atilde;o consideraram em nenhum momento que televis&atilde;o &eacute; um servi&ccedil;o p&uacute;blico sob concess&atilde;o e defenderam uma linha ultraliberal de liberdade de imprensa, mais fundamentalista que qualquer outra democracia ocidental&rdquo;.<\/p>\n<p>Para Renata Mielli, do Centro de Estudos Bar&atilde;o de Itarar&eacute;, o relat&oacute;rio do ministro Toffoli mostra como o debate sobre as comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s est&aacute; impregnado de senso comum e de um conte&uacute;do liberal que n&atilde;o atende aos direitos humanos. &ldquo;Insistir em caracterizar a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa como uma m&aacute;scara para praticar censura &eacute; uma tergiversa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o combina com argumentos para sustentar a defesa da inconstitucionalidade do dispositivo em debate no Supremo Tribunal Federal&rdquo;.<\/p>\n<p>De acordo com Mielli, &ldquo;sustentar, como fez o ministro Toffoli, mas tamb&eacute;m Carmen L&uacute;cia e Ayres Britto, que n&atilde;o cabe ao Estado a tutela da fam&iacute;lia ou, como afirmou a ministra do STF, &lsquo;se a programa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o for adequada desliga-se a TV&rsquo;, &eacute; uma forma de ratificar a vis&atilde;o dos concession&aacute;rios p&uacute;blicos de radiodifus&atilde;o de que a eles n&atilde;o cabe nenhuma responsabilidade pelo que &eacute; veiculado em uma concess&atilde;o p&uacute;blica&rdquo;.<\/p>\n<p>Em conson&acirc;ncia com as cr&iacute;ticas ao debate, Veet Vivarta, secret&aacute;rio-executivo da Ag&ecirc;ncia de Not&iacute;cias dos Direitos da Inf&acirc;ncia (Andi), comenta que a discuss&atilde;o n&atilde;o reflete a maturidade da democracia brasileira. &ldquo;O que frustra mais que a possibilidade de um julgamento inadequado &eacute; o tema ser discutido sem profundidade e qualidade. Parece que a complexidade do assunto n&atilde;o foi compreendida&rdquo;, afirma.&nbsp; Vivarta cita os marcos regulat&oacute;rios de diversos pa&iacute;ses, que vinculam o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o aos direitos da crian&ccedil;a e do adolescente, como exemplo da import&acirc;ncia da garantia de ambos. Para ele, a solu&ccedil;&atilde;o encontrada pelo relator (Dias Toffoli) n&atilde;o contempla nem garante tais direitos.&nbsp; &ldquo;A solu&ccedil;&atilde;o apresentada &eacute; de um Brasil da d&eacute;cada de 1960 ou 1970, em &eacute;poca de ditadura, pois &lsquo;qualquer regula&ccedil;&atilde;o &eacute; uma forma de censura&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p>Quanto ao desfecho do julgamento, Vivarta defende que, para reverter o resultado negativo, &eacute; preciso desenvolver um debate mais profundo e traz&ecirc;-lo &agrave; sociedade. &ldquo;Dias Toffoli faz um voto de confian&ccedil;a muito grande na autorregula&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos e, caso a proposta ven&ccedil;a, saberemos se esses realmente criar&atilde;o mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o e se respeitar&atilde;o as faixas hor&aacute;rias uma vez que n&atilde;o exista penalidades no horizonte&rdquo;. Renata Mielli endossa a opini&atilde;o de Vivarta: &ldquo;Para Toffoli, o ideal &eacute; que as emissoras e a sociedade civil promovam uma autorregula&ccedil;&atilde;o do que deve ou n&atilde;o ser exibido em determinada faixa hor&aacute;ria. Esperamos que o pedido de vistas feito pelo ministro Joaquim Barbosa possa dar mais oportunidades para elevar o n&iacute;vel do debate e garantir que o Estatudo da Crian&ccedil;a e do Adolescente seja respeitado&rdquo;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Sociedade civil ainda acredita que &eacute; possivel reverter a vota&ccedil;&atilde;o no Supremo Tribunal Federal. Entidades pedem uma amplia&ccedil;&atilde;o do debate para que seja preservado os direitos previsto no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[111],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26410"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26410"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26410\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}