{"id":26400,"date":"2011-11-30T17:04:25","date_gmt":"2011-11-30T17:04:25","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26400"},"modified":"2011-11-30T17:04:25","modified_gmt":"2011-11-30T17:04:25","slug":"por-um-efetivo-marco-regulatorio-da-midia-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26400","title":{"rendered":"Por um efetivo marco regulat\u00f3rio da m\u00eddia no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Para modificar uma legisla&ccedil;&atilde;o de 1962, totalmente defasada em termos pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos, tecnol&oacute;gicos e culturais, quando nem a l&iacute;der do oligop&oacute;lio midi&aacute;tico existia, movimentos sociais e pesquisadores v&ecirc;m travando h&aacute; algumas d&eacute;cadas batalhas por mais espa&ccedil;o para discuss&otilde;es. A luta, materializada na busca da substitui&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (j&aacute; revogado quanto &agrave; telefonia), visa, ao menos, a uma difus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es pelo espectro eletromagn&eacute;tico de modo mais parecido com uma verdadeira comunica&ccedil;&atilde;o: algo dial&oacute;gico que permita a pluralidade de tipos de conte&uacute;do e uma maior participa&ccedil;&atilde;o social na produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o, considerando a diversidade do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s muita espera e mobiliza&ccedil;&atilde;o, quase no apagar das luzes de sua gest&atilde;o, o ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva assinou a cria&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom). Mesmo com v&aacute;rios problemas, a iniciativa permitiu discuss&otilde;es municipais e estaduais, com o &aacute;pice ocorrido em Bras&iacute;lia, na realiza&ccedil;&atilde;o da I Confecom, realizada em dezembro de 2009. Foram aprovadas mais de 600 propostas, que deveriam ser discutidas no Congresso Nacional, balizando a constru&ccedil;&atilde;o de um marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil, sintonizado com os princ&iacute;pios democr&aacute;ticos.<\/p>\n<p>Quase dois anos depois, o atual ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo, demonstra ter esquecido disso. Em reuni&atilde;o realizada em outubro &uacute;ltimo, com entidades sociais que trazem como uma de suas principais bandeiras a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, ele prometeu abrir em consulta p&uacute;blica o novo marco regulat&oacute;rio da m&iacute;dia eletr&ocirc;nica ainda em dezembro deste ano. O que poderia ser visto como um avan&ccedil;o sinaliza a discuss&atilde;o apenas de pontos espec&iacute;ficos da proposta, evitando ao m&aacute;ximo um maior confronto com os grandes grupos midi&aacute;ticos. As entidades apresentaram a Bernardo 20 pontos principais, que foram constru&iacute;dos em consulta p&uacute;blica atrav&eacute;s do site http:\/\/www.comunicacaodemocratica.org.br.<\/p>\n<p><strong>Construir propostas espec&iacute;ficas<\/strong><\/p>\n<p>Questiona-se aqui a falta de interesse em se reivindicar a apresenta&ccedil;&atilde;o das discuss&otilde;es sobre as propostas da Confecom e, al&eacute;m disso, o pr&oacute;prio formato de consulta p&uacute;blica. Quantas pessoas t&ecirc;m acesso a discuss&otilde;es sobre o assunto para al&eacute;m de alguns setores da academia e de determinados movimentos sociais? Quantas pessoas t&ecirc;m acesso &agrave; internet e, al&eacute;m disso, como poderiam saber sobre esta consulta e sobre a situa&ccedil;&atilde;o atual da comunica&ccedil;&atilde;o? Vale lembrar que o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), prioridade do governo federal, reflete a necessidade de um maior acesso &agrave; internet. Por&eacute;m, n&atilde;o h&aacute; um planejamento sobre como se deve dar este acesso para que o uso da rede v&aacute; al&eacute;m do simples entretenimento, com o ambiente digital servindo para conscientiza&ccedil;&otilde;es sobre assuntos que n&atilde;o passam na grade m&iacute;dia ou que poucas vezes geram repercuss&atilde;o nas redes sociais.<\/p>\n<p>N&atilde;o se discorda da exist&ecirc;ncia desta consulta p&uacute;blica sobre os determinados pontos &ndash; por mais que se saiba como elas (n&atilde;o) funcionam no Brasil. Mas se houve uma Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que estabeleceu uma s&eacute;rie de propostas aprovadas em diferentes n&iacute;veis da &ldquo;sociedade civil&rdquo;, por que construir outro documento que, al&eacute;m do mais, reduz as necessidades do setor? Toda consulta e iniciativa de abertura ao di&aacute;logo &eacute; v&aacute;lida; n&atilde;o obstante, maior consulta foi a pr&oacute;pria Confecom que, de forma descentralizada, permitiu que todos os setores interessados se manifestassem sobre a tem&aacute;tica. Lamentavelmente, isso se deu sem a presen&ccedil;a de grande parte dos radiodifusores, a come&ccedil;ar pelas Organiza&ccedil;&otilde;es Globo, mas isto n&atilde;o chega a ser novidade, j&aacute; que via de regra esses grupos negam-se a participar de espa&ccedil;os abertos, preferindo a negocia&ccedil;&atilde;o de bastidor.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, sob a gest&atilde;o de Paulo Bernardo, conseguiu dar celeridade na libera&ccedil;&atilde;o de algumas informa&ccedil;&otilde;es sobre as concess&otilde;es, como a lista dos congressistas s&oacute;cios de r&aacute;dios e TVs. Por&eacute;m, est&aacute; apagando de vez qualquer conquista da Confecom e se prop&otilde;e a construir propostas espec&iacute;ficas, que n&atilde;o avancem tanto. Mesmo dentre estas poucas que ele aceite colocar em consulta p&uacute;blica, se n&atilde;o houver concord&acirc;ncia dos grandes meios, o governo n&atilde;o parece que vai tensionar, tendo em vista sua depend&ecirc;ncia da aprova&ccedil;&atilde;o das ind&uacute;strias midi&aacute;ticas, na falta de um sistema alternativo, que permita uma aproxima&ccedil;&atilde;o mais franca com os diversos setores sociais.<\/p>\n<p><strong>Aproveitar as brechas<\/strong><\/p>\n<p>Como o ministro sempre deixa claro em suas entrevistas, ele sabe que um marco regulat&oacute;rio atualizado &eacute; necess&aacute;rio. Entretanto, a regra &eacute; que o auge do processo fique s&oacute; na consulta em si, na qual o governo abre espa&ccedil;o, entrando verdadeiramente no conflito os movimentos sociais com preocupa&ccedil;&atilde;o no setor, mais ao estilo Davi X Golias. Afinal, h&aacute; uma imensa for&ccedil;a pol&iacute;tico-institucional contr&aacute;ria &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o, liderada pelos grandes grupos comunicacionais, inclusive com alguns deputados federais e senadores legislando em causa pr&oacute;pria, por serem donos de TVs e r&aacute;dios. O PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer e do presidente do Senado Jos&eacute; Sarney &ndash; dono de muitos meios de comunica&ccedil;&atilde;o no Maranh&atilde;o &ndash;, j&aacute; deixou claro que &eacute; contra qualquer regula&ccedil;&atilde;o no setor.<\/p>\n<p>Enfim, o foco deste texto n&atilde;o &eacute; desestimular os movimentos que lutam em prol de uma democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, mas destacar quest&otilde;es importantes sobre o assunto. N&atilde;o se pode esquecer tratar-se da terceira gest&atilde;o de um partido que ainda pouco fez para efetivamente mudar a realidade do setor em prol de uma comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Se o espa&ccedil;o for dado, o interessante &eacute; observar os pontos pedidos por estes movimentos que participaram da reuni&atilde;o, confrontando-os de forma criteriosa com o que foi aprovado na Confecom. Devem-se aproveitar todas as brechas at&eacute; esta nova consulta p&uacute;blica, mas com a consci&ecirc;ncia sobre poss&iacute;veis limites no debate. Afinal, se a sociedade j&aacute; disse o que quer, n&atilde;o seria a hora de implementar tais projetos e n&atilde;o seguir insistindo em perguntas que j&aacute; foram respondidas?<\/p>\n<p><em>Val&eacute;rio Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos s&atilde;o, respectivamente, professor titular no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos, e mestrando no mesmo programa.<br \/><\/em><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas se houve uma Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que estabeleceu uma s&eacute;rie de propostas aprovadas em diferentes n&iacute;veis da &ldquo;sociedade civil&rdquo;, por que construir outro documento? <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26400"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26400"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26400\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}