{"id":26386,"date":"2011-11-25T15:07:20","date_gmt":"2011-11-25T15:07:20","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26386"},"modified":"2011-11-25T15:07:20","modified_gmt":"2011-11-25T15:07:20","slug":"pesquisa-mostra-que-programas-policiais-violam-direito-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26386","title":{"rendered":"Pesquisa mostra que programas policiais violam direito humanos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A chamada entre um comercial e outro &eacute; contundente: &ldquo;tr&ecirc;s bandidos armados, entre eles um pivete com um 38, mataram um policial rodovi&aacute;rio que ia ser pai dentro de poucos dias&rdquo;. Quando o programa come&ccedil;a, o apresentador grita e gesticula inconformado: &ldquo;o que fazer com esses bandidos? Hotel e tr&ecirc;s refei&ccedil;&otilde;es por dia? Porque no nosso pa&iacute;s (indignado) pena de morte pra bandido n&atilde;o pode. Pois ent&atilde;o, porque n&atilde;o tirar a vis&atilde;o de quem pratica crimes hediondos? N&atilde;o precisa prender, &eacute; s&oacute; cegar. Duvido que ele mate mais algu&eacute;m&rdquo;. <\/p>\n<p>Num outro programa do mesmo g&ecirc;nero, o apresentador se esfor&ccedil;a em atenuar o crime de abuso sexual cometido com duas crian&ccedil;as de 13 e 16 anos respectivamente: &ldquo;&eacute; claro que &eacute; crime, que ele t&aacute; errado, mas &eacute; um cidad&atilde;o de 83 anos e tem ficha limpa. Se voc&ecirc; anda pelas ruas, voc&ecirc; v&ecirc; as meninas vendendo o corpo, exibindo-se em troca de drogas. T&aacute; certo ser preso, mas crime hediondo n&atilde;o &eacute;.&rdquo;<\/p>\n<p>Os trechos acima foram transcritos de dois programas policias exibidos diariamente no estado do Cear&aacute;. A viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos e a incita&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia s&atilde;o caracter&iacute;sticas comuns deste tipo de programa&ccedil;&atilde;o que chega a ocupar no estado sete horas di&aacute;rias. Ambos os v&iacute;deos foram exibidos na quarta-feira (23\/11) na Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC), durante o lan&ccedil;amento do livro &ldquo;Televis&otilde;es: viol&ecirc;ncia, criminalidade e inseguran&ccedil;a nos programas policiais do Cear&aacute;&rdquo;.<\/p>\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o &eacute; fruto de um projeto realizado em parceria entre o F&oacute;rum Cearense de Direitos Humanos e o Centro de Defesa das Crian&ccedil;as e dos Adolescentes (Cedeca Cear&aacute;) com o apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos. Durante o lan&ccedil;amento, foi realizado o debate &ldquo;M&iacute;dia e Direitos Humanos: uma an&aacute;lise dos programas policiais no Cear&aacute;&rdquo; com a participa&ccedil;&atilde;o da professora In&ecirc;s Vitorino, doutora em Ci&ecirc;ncias Sociais pela Unicamp e coordenadora do Grupo de Pesquisa da Rela&ccedil;&atilde;o Inf&acirc;ncia, Adolesc&ecirc;ncia e M&iacute;dia (Grim\/UFC) e as jornalistas Aline Baima, assessora do Cedeca, e Helena Martins, integrante do Coletivo Intervozes.<\/p>\n<p>Helena Martins lembra que a rela&ccedil;&atilde;o conflituosa entre as corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia e as entidades que atuam na defesa dos direitos humanos vem de longa &eacute;poca. O debate em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), por exemplo, foi emblem&aacute;tico das posi&ccedil;&otilde;es antag&ocirc;nicas ocupadas por estes campos. &ldquo;Na &eacute;poca, quer&iacute;amos adicionar o respeito aos direitos humanos como condicionante &agrave;s concess&otilde;es p&uacute;blicas de r&aacute;dio e TV, cl&aacute;usula que j&aacute; estava prevista em legisla&ccedil;&otilde;es anteriores, e isso foi tachado de censura, numa press&atilde;o dos meios que acabou surtindo efeitos&rdquo;, recorda.<\/p>\n<p>In&ecirc;s Vitorino avalia que, comparado a outros pa&iacute;ses como o Canad&aacute;, o Brasil est&aacute; muito atrasado no que diz respeito &agrave;s pol&iacute;ticas de regula&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Precisamos avan&ccedil;ar numa perspectiva de regulamenta&ccedil;&atilde;o co-gestionada pelo Estado e pela sociedade civil. Enquanto n&atilde;o fizermos isso, a press&atilde;o dos anunciantes e a briga pela audi&ecirc;ncia ir&atilde;o continuar resultando em programa&ccedil;&otilde;es absurdas como estas&rdquo;, analisa.<\/p>\n<p><strong>A pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>Em 19 cap&iacute;tulos, o livro analisa as abordagens dos programas policiais sob diversos aspectos, desde os crit&eacute;rios jornal&iacute;sticos ao tratamento de temas relacionados aos direitos humanos. O trabalho envolveu a grava&ccedil;&atilde;o de mais de uma centena de edi&ccedil;&otilde;es dos cinco programas policiais de veicula&ccedil;&atilde;o local entre 6 de abril e 19 de junho de 2010. Do total, foram analisadas 42 edi&ccedil;&otilde;es na &iacute;ntegra, entre os quatro programas di&aacute;rios e um semanal exibidos em Fortaleza. A pesquisa analisou os seguintes programas: &ldquo;Barra Pesada&rdquo; &#8211; transmitido pela TV Jangadeiro, afiliada do SBT; &ldquo;Cidade 190&rdquo; &#8211; programa da TV Cidade, afiliada da TV Record; &ldquo;Comando 22&rdquo;, &ldquo;Rota 22&rdquo; e &ldquo;Os Malas e A Lei&rdquo; &#8211; ambos transmitidos pela TV Di&aacute;rio, emissora que faz parte do Sistema Verdes Mares, grupo de comunica&ccedil;&atilde;o afiliado &agrave; Rede Globo. O material ainda conta com entrevistas realizadas com quatro apresentadores de programas policias locais.<\/p>\n<p>Os textos foram escritos pelo jornalista Raimundo Madeira, em di&aacute;logo com integrantes do F&oacute;rum Cearense de Direitos Humanos. O monitoramento dos programas policiais tamb&eacute;m contou com a participa&ccedil;&atilde;o de quatro jovens, representantes do F&oacute;rum Cearense de Mulheres, Movimento dos Conselhos Populares, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e da Rede OPA, que acompanharam a an&aacute;lise dos programas e discutiram temas como controle social, g&ecirc;nero, ra&ccedil;a, sistema carcer&aacute;rio, m&iacute;dia e viol&ecirc;ncia, entre outros.<\/p>\n<p>Segundo Madeira, o principal objetivo da publica&ccedil;&atilde;o &eacute; promover o debate sobre os direitos humanos e a abordagem destes programas entre os mais diversos setores da sociedade. &rdquo;&Eacute; preciso envolver todos os personagens. O Estado, as ONGs, os movimentos sociais e, principalmente, os profissionais que fazem esse tipo de cobertura para que a gente possa efetivamente mudar alguma coisa&rdquo;, defende.<\/p>\n<p>Jeferson Mendes, jovem integrante da Rede Opa, diz que a pesquisa o fez perceber que a m&iacute;dia n&atilde;o &eacute; uma entidade intoc&aacute;vel. &ldquo;A comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fica para al&eacute;m da gente. Ela est&aacute; em todos os lugares, todos os dias, por isso &eacute; necess&aacute;rio a gente encar&aacute;-la como direito humano&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p><em>Para adquirir &ldquo;Televis&otilde;es: viol&ecirc;ncia, criminalidade e inseguran&ccedil;a nos programas policiais do Cear&aacute;&rdquo; entrar em contato com o CEDECA pelo telefone (85) 3252.4202. A publica&ccedil;&atilde;o tem 238 p&aacute;ginas e custa R$ 35,00.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">F&oacute;rum Cearense de Direitos Humanos e o Centro de Defesa das Crian&ccedil;as e dos Adolescentes lan&ccedil;am livro que discute <\/span><span class=\"padrao\">viol&ecirc;ncia, criminalidade e inseguran&ccedil;a na televis&atilde;o. <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[393],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26386"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26386"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26386\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}