{"id":26338,"date":"2011-11-10T00:00:00","date_gmt":"2011-11-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26338"},"modified":"2011-11-10T00:00:00","modified_gmt":"2011-11-10T00:00:00","slug":"midia-tradicional-tenta-censurar-novas-midias-reformar-leis-e-urgente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26338","title":{"rendered":"M\u00eddia tradicional tenta censurar novas m\u00eddias; reformar leis \u00e9 urgente"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">No Brasil, a exemplo do que ocorre na economia e no social, o cen&aacute;rio &eacute; desigual tamb&eacute;m no campo das comunica&ccedil;&otilde;es. De um lado, os ve&iacute;culos tradicionais da imprensa, comandados por uma meia d&uacute;zia de fam&iacute;lias, se armam de todos os meios poss&iacute;veis para manter o controle exclusivo e absoluto da agenda p&uacute;blica. E, para isso, cometem os mais variados excessos, incluindo a&iacute; alguns crimes, como destruir a reputa&ccedil;&atilde;o de pessoas sem provas ou sequer ind&iacute;cios.<\/p>\n<p>De outro, cidad&atilde;os comuns que s&oacute; recentemente, com a populariza&ccedil;&atilde;o das novas m&iacute;dias, al&ccedil;aram o status de produtores de conte&uacute;do, lutam para consolidarem o leg&iacute;timo direito &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o e pensamento, a despeito das investidas conservadoras que imp&otilde;em multas milion&aacute;rias a blogueiros, tuiteiros e demais internautas produtores de conte&uacute;do mais progressista e irreverente.<\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; uma luta pol&iacute;tica em andamento entre as velhas m&iacute;dias e as novas m&iacute;dias. As velhas m&iacute;dias, que tamb&eacute;m se utilizam das novas e estabelecem a propriedade cruzada em tudo, est&atilde;o profundamente incomodadas com essas &uacute;ltimas&rdquo;, disse o membro da coordena&ccedil;&atilde;o da Frente Parlamentar em Defesa da Liberdade de Express&atilde;o e Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o, o jornalista e deputado Emiliano Jos&eacute; (PT-BA).<\/p>\n<p>Ele foi um dos participantes, nesta quarta (9), da audi&ecirc;ncia p&uacute;blica convocada pela Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias da C&acirc;mara dos Deputados para debater as decis&otilde;es e disputas judiciais que afetam a liberdade de express&atilde;o, especialmente dos comunicadores que atuam nas novas m&iacute;dias. As velhas m&iacute;dias s&atilde;o os meios tradicionais, como os jornais, revistas, TVs e r&aacute;dios. As novas s&atilde;o as que nasceram no bojo da internet: sites, blogs e microblogs, dentre outras.<\/p>\n<p>O professor da Universidade Federal de Minas Gerais T&uacute;lio Vianna, iniciou a discuss&atilde;o lembrando aos presentes que n&atilde;o existe direito absoluto. &ldquo;O modelo brasileiro tende a tolerar opini&otilde;es divergentes, mas imp&otilde;e limites. N&atilde;o h&aacute; liberdade plena de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>Entretanto, segundo ele, o que a pr&aacute;tica vem demonstrando &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o de leis criadas para outros fins para penalizar cidad&atilde;os comuns que est&atilde;o apenas exercendo seu leg&iacute;timo direito &agrave; opini&atilde;o. Exemplo &eacute; o processo contra os dois jornalistas que criaram o site de s&aacute;tira ao jornal Folha de S. Paulo, chamado &ldquo;Falha de S. Paulo&rdquo;.<\/p>\n<p>A Folha acionou judicialmente esses internautas, com base na Lei de Patentes, que deveria servir para a defesa da propriedade intelectual. &ldquo;Essa lei n&atilde;o foi criada para impedir a liberdade de express&atilde;o, muito menos a par&oacute;dia, a s&aacute;tira, a cr&iacute;tica, mas foi acatada para penalizar os jornalistas&rdquo;, critica o professor.<\/p>\n<p>Outro exemplo, segundo ele, &eacute; a lei de apologia ao crime, utilizada para criminalizar os defensores da legaliza&ccedil;&atilde;o da maconha que, al&eacute;m de uma marcha, na cidade de S&atilde;o Paulo, matinham um site da campanha. &ldquo;Reivindicar a modifica&ccedil;&atilde;o de uma lei n&atilde;o &eacute; incita&ccedil;&atilde;o ao crime, mas nem sempre a Justi&ccedil;a entende isso corretamente&rdquo;.<\/p>\n<p>A jornalista e secret&aacute;ria-geral do Centro de Estudos da M&iacute;dia Alternativa Bar&atilde;o de Itarar&eacute;, Renata Vicentini Mielli, afirmou que as novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o criaram um novo paradigma na sociedade atual. &ldquo;At&eacute; bem pouco tempo atr&aacute;s, o agente social respons&aacute;vel por fazer a media&ccedil;&atilde;o da agenda p&uacute;blica eram os grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Agora, um novo agente entrou em jogo. As novas m&iacute;dias permitiram mais pluralidade, mais diversidade na discuss&atilde;o da esfera p&uacute;blica&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>S&atilde;o blogs, microblogs, redes sociais, pequenos sites e uma s&eacute;rie de atores que atuam na internet permitindo a distribui&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o de forma mais &aacute;gil e democr&aacute;tica. &ldquo;Isso, de alguma maneira, diminuiu o monop&oacute;lio das grandes empresas de comunica&ccedil;&atilde;o como mediadores da agenda p&uacute;blica. O poder dos grandes ve&iacute;culos n&atilde;o foi sepultado, mas foi dilu&iacute;do. E eles n&atilde;o querem perder esse poder. Por isso, desqualificam esse p&oacute;lo alternativo de comunica&ccedil;&atilde;o ou exercem press&atilde;o econ&ocirc;mica sobre eles, atrav&eacute;s da judicializa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ela, o fen&ocirc;meno &eacute; mundial. Nos EUA, s&oacute; em 2007, processos contra blogueiros movimentaram US$ 17,4 milh&otilde;es. No Brasil, os valores tamb&eacute;m assutam. No caso do site &ldquo;Falha de S. Paulo&rdquo;, a justi&ccedil;a estipulou multa di&aacute;ria de R$ 5 mil. &ldquo;Como dois jornalistas, assalariados, v&atilde;o pagar uma multa dessas? O objetivo &eacute; calar as vozes dissonantes&rdquo;, questiona ela.<\/p>\n<p>A jornalista afirma que processos civis e criminais contra blogueiros est&atilde;o pipocando em todo o Brasil. S&oacute; o jornalista Paulo Henrique Amorim &eacute; alvo de 37 processos. &ldquo;&Eacute; preciso cuidado para n&atilde;o virarmos sociedade do patrulhamento, do policiamento. Devemos ser uma sociedade da liberdade. E a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito humano&rdquo;, acrescenta.<\/p>\n<p>Para ela, &eacute; urgente que se aprove o marco civil da internet. O projeto de lei est&aacute; parado justamente na C&acirc;mara dos Deputados, esperando a constitui&ccedil;&atilde;o de comiss&atilde;o especial para avaliar o tema. A jornalista avalia que &eacute; urgente tamb&eacute;m a defini&ccedil;&atilde;o de um novo marco regulat&oacute;rio para a radiofus&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel que se discuta as quest&otilde;es da comunica&ccedil;&atilde;o de forma fatiada. Isso permite que as empresas coloquem no movimento social, que sempre defendeu a liberdade de express&atilde;o, a pecha de serem novos censores da sociedade. Regra n&atilde;o &eacute; censura. A sociedade precisa entender isso.&quot;<\/p>\n<p>O deputado Emiliano Jos&eacute; acrescentou que a distin&ccedil;&atilde;o entre fatos e opini&otilde;es n&atilde;o &eacute; algo muito simples: n&atilde;o h&aacute; jornalismo sem interpreta&ccedil;&atilde;o em nenhum momento. &ldquo;A organiza&ccedil;&atilde;o do fato comporta opini&atilde;o, mas h&aacute; alguma diferencia&ccedil;&atilde;o entre as duas coisas, e o jornalismo brasileiro tem caminhado numa dire&ccedil;&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p>Ele lembrou que as novas m&iacute;dias, ao mesmo tempo que permitem maior democratiza&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos, tamb&eacute;m ajudam a trazer &agrave; tona velhos preconceitos que resistem nas entranhas da sociedade brasileira, com ocorreu no epis&oacute;dio do c&acirc;ncer do ex-presidente Lula. Ele acha que a velha m&iacute;dia brasileira &eacute; um partido pol&iacute;tico que conspira contra os governos petistas, de car&aacute;ter popular e democr&aacute;tico.<\/p>\n<p>Segundo o deputado, a velha m&iacute;dia demite jornalistas que usam as novas m&iacute;dias para manifestar suas opini&otilde;es, como aconteceu, por exemplo com Maria Rita Khel, que elogiou o impacto do bolsa fam&iacute;lia na vida das fam&iacute;lias pobres brasileiras e acabou demitida do jornal O Estado de S. Paulo. &ldquo;Isto sim &eacute; censura&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Ele defendeu a regulamenta&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, incluindo novas e velhas. &ldquo;As novas m&iacute;dias t&ecirc;m uma responsabilidade social e pol&iacute;tica muito grande porque representam novas vozes, novos atores pol&iacute;ticos. Ningu&eacute;m faz o que quer. Precisamos ter direito de resposta. A sociedade tamb&eacute;m precisa ser protegida dos erros dos jornalistas, sejam elas das novas e velhas m&iacute;dias.&rdquo;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a exemplo do que ocorre na economia e no social, o cen&aacute;rio &eacute; desigual tamb&eacute;m no campo das comunica&ccedil;&otilde;es. De um lado, os ve&iacute;culos tradicionais da imprensa, comandados por uma meia d&uacute;zia de fam&iacute;lias, se armam de todos os meios poss&iacute;veis para manter o controle exclusivo e absoluto da agenda p&uacute;blica. 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