{"id":26337,"date":"2011-11-10T00:00:00","date_gmt":"2011-11-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26337"},"modified":"2011-11-10T00:00:00","modified_gmt":"2011-11-10T00:00:00","slug":"verba-destinada-ao-ministerio-pode-cair-16-em-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26337","title":{"rendered":"Verba destinada ao Minist\u00e9rio pode cair 16% em 2012"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Os investimentos federais em cultura no Brasil podem ser reduzidos em 2012, o que representaria a segunda queda consecutiva num setor que sempre foi considerado o patinho feio dos governos, mas que ganhou algum prest&iacute;gio durante a presid&ecirc;ncia de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva. Enviado ao Congresso no fim de agosto, o projeto da Lei Or&ccedil;ament&aacute;ria Anual (LOA) de 2012 indica uma redu&ccedil;&atilde;o de 16% nas verbas destinadas ao Minist&eacute;rio da Cultura (MinC), a maior queda dos &uacute;ltimos dez anos.<\/p>\n<p>O or&ccedil;amento da pasta vinha de sete anos seguidos de alta nas duas gest&otilde;es Lula, mas teve uma redu&ccedil;&atilde;o justamente no primeiro or&ccedil;amento feito para o governo de Dilma Rousseff, passando de R$ 2,29 bilh&otilde;es em 2010 para R$ 2,13 bilh&otilde;es em 2011. J&aacute; para o ano que vem, o valor previsto pelo governo para o MinC &eacute; ainda menor: R$ 1,79 bilh&atilde;o. Os respons&aacute;veis pelo minist&eacute;rio acreditam que a verba ser&aacute; aumentada no Congresso pelas emendas parlamentares, mas deputados ouvidos pelo GLOBO lembram que a falta de apoio da ministra Ana de Hollanda junto aos movimentos culturais e a baixa execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria do MinC em 2011 podem dificultar as negocia&ccedil;&otilde;es e prejudicar a Cultura.<\/p>\n<p>O primeiro or&ccedil;amento do MinC no in&iacute;cio da gest&atilde;o petista, em 2003, foi de R$ 397,4 milh&otilde;es. J&aacute; no &uacute;ltimo ano do segundo mandato de Lula, chegou a R$ 2,29 bilh&otilde;es, um valor mais robusto, mas ainda longe da promessa inicial do ex-presidente de que elevaria os investimentos da pasta para 1% do or&ccedil;amento da Uni&atilde;o: incluindo gastos com pessoal, custeio e investimentos, em 2003 o percentual do MinC era de 0,08% do total; em 2010, foi de 0,23%.<\/p>\n<p>Os movimentos culturais esperavam que a tend&ecirc;ncia de alta continuasse no governo Dilma. Sobretudo porque, durante a campanha presidencial de 2010, a ent&atilde;o candidata recebeu apoio p&uacute;blico de artistas e intelectuais num encontro no Teatro Casa Grande, no Rio. Entre outros, estiveram presentes Chico Buarque, Oscar Niemeyer, Elba Ramalho e Alceu Valen&ccedil;a. Mas nem isso evitou a queda.<\/p>\n<p>O MinC, por sua vez, acredita que a rodada de negocia&ccedil;&otilde;es no Congresso para a vota&ccedil;&atilde;o da LOA, em dezembro, aumentar&aacute; a previs&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria da pasta por meio das emendas parlamentares, como tem ocorrido nos &uacute;ltimos anos. Seu secret&aacute;rio-executivo, Vitor Ortiz, fala na possibilidade de emendas entre R$ 300 milh&otilde;es e R$ 600 milh&otilde;es. O problema &eacute; combinar com os parlamentares. O assunto &eacute; tratado com reservas em Bras&iacute;lia, mas os boatos de que Ana de Hollanda n&atilde;o se manter&aacute; no cargo ap&oacute;s a primeira reforma ministerial, esperada para janeiro, devem dificultar as conversas com o Congresso. Al&eacute;m disso, Ana foi bastante criticada no primeiro semestre por frear a condu&ccedil;&atilde;o da reforma da Lei do Direito Autoral.<\/p>\n<p>&mdash; A ministra foi muito maltratada injustamente no in&iacute;cio da gest&atilde;o. Isso a colocou numa situa&ccedil;&atilde;o recuada em rela&ccedil;&atilde;o ao parlamento &mdash; diz o deputado federal Raul Henry (PMDB-PE), integrante da Frente Parlamentar da Cultura. &mdash; A postura defensiva da ministra dificulta na briga por mais investimentos. As bancadas querem ajudar, mas ela precisa mudar de atitude, precisa buscar mais articula&ccedil;&atilde;o. O or&ccedil;amento &eacute; uma guerra, e, se ela n&atilde;o se articular com os movimentos culturais e com os deputados, ela n&atilde;o vai conseguir alterar o valor atual.<\/p>\n<p>Mais um ponto que deve prejudicar a atua&ccedil;&atilde;o de MinC junto ao Congresso &eacute; a taxa de execu&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento da pasta. Os n&uacute;meros consolidados do Sistema Integrado de Administra&ccedil;&atilde;o Financeira do Governo Federal indicam que o MinC empenhou apenas 20,9% de seu or&ccedil;amento para custeio e investimentos at&eacute; o fim de setembro. O percentual &eacute; o menor da pasta nos &uacute;ltimos cinco anos para o mesmo per&iacute;odo, e fica bem abaixo da m&eacute;dia do Poder Executivo em 2011, que at&eacute; setembro estava em 66%.<\/p>\n<p>&mdash; A gest&atilde;o atual do MinC &eacute; in&aacute;bil e n&atilde;o consegue visualizar quais campos podem crescer. Falta solidez pol&iacute;tica e h&aacute; incapacidade de gest&atilde;o &mdash; diz Pablo Capil&eacute;, do grupo Fora do Eixo, uma rede de coletivos de cultura. &mdash; Al&eacute;m disso, a rela&ccedil;&atilde;o com a sociedade civil &eacute; ruim. O di&aacute;logo &eacute; fraco. Vamos entrar em 2012 com o cen&aacute;rio de um MinC fragilizado, de um or&ccedil;amento menor e com a sociedade civil insatisfeita.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio-executivo do MinC, contudo, espera n&atilde;o apenas que o or&ccedil;amento cres&ccedil;a no Congresso como atribui a redu&ccedil;&atilde;o no projeto da LOA a um novo modelo de gest&atilde;o do governo.<\/p>\n<p>&mdash; Embora o n&uacute;mero que temos agora para 2012 seja inferior ao n&uacute;mero deste ano, eu garanto que &eacute; um or&ccedil;amento melhor. Acontece que o or&ccedil;amento do ano que vem vai passar por uma nova metodologia de gest&atilde;o do governo federal &mdash; argumenta Ortiz. &mdash; A gente trabalhava com mais folgas no or&ccedil;amento, superestimando as receitas federais. Agora vamos trabalhar dentro de um quadro mais realista.<\/p>\n<p>Outros minist&eacute;rios, por&eacute;m, mesmo com o novo modelo de gest&atilde;o indicado por Ortiz, tiveram alta na LOA para 2012. O projeto prev&ecirc;, por exemplo, aumento de 13% na Educa&ccedil;&atilde;o e de 11% na Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>&mdash; Todo governo tem prioridades, e &eacute; da&iacute; que v&ecirc;m as varia&ccedil;&otilde;es de cada pasta &mdash; diz Ortiz. &mdash; Sobre a execu&ccedil;&atilde;o do MinC em 2011, acontece que a maior parte de nossos investimentos &eacute; feita a partir de editais. Eles est&atilde;o lan&ccedil;ados, mas os empenhos s&oacute; podem ser feitos depois que houver todo o processo de licita&ccedil;&atilde;o, o que costuma ocorrer em novembro e dezembro. Em 2010, a execu&ccedil;&atilde;o deve ter sido acelerada por causa das elei&ccedil;&otilde;es. Hoje estamos num fluxo normal e vamos chegar at&eacute; dezembro com 90% do or&ccedil;amento empenhados.<\/p>\n<p>A elabora&ccedil;&atilde;o do projeto da LOA de 2012 tamb&eacute;m traz uma novidade para o MinC: R$ 300 milh&otilde;es, 16% do total, est&atilde;o reservados para pra&ccedil;as esportivas e culturais do Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento (PAC).<\/p>\n<p>&mdash; As pra&ccedil;as ter&atilde;o equipamentos de esporte, mas tamb&eacute;m ter&atilde;o bibliotecas, salas de espet&aacute;culo e &aacute;reas de oficina. A meta &eacute; implantar 800 delas at&eacute; 2014 &mdash; afirma Ortiz. &mdash; A gente est&aacute; preocupado em qualificar a gest&atilde;o. Ningu&eacute;m mais reclama que o MinC n&atilde;o paga isso ou aquilo. N&atilde;o h&aacute; um edital na rua que n&atilde;o tenha recurso guardado para pagar todo mundo. Isso vai fazer diferen&ccedil;a na qualifica&ccedil;&atilde;o do resultado final. N&atilde;o d&aacute; para se ter uma ideia maravilhosa, idealista do que s&atilde;o os investimentos na Cultura e depois o resultado n&atilde;o ser o prometido.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os investimentos federais em cultura no Brasil podem ser reduzidos em 2012, o que representaria a segunda queda consecutiva num setor que sempre foi considerado o patinho feio dos governos, mas que ganhou algum prest&iacute;gio durante a presid&ecirc;ncia de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva. 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