{"id":26325,"date":"2011-11-07T13:48:03","date_gmt":"2011-11-07T13:48:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26325"},"modified":"2011-11-07T13:48:03","modified_gmt":"2011-11-07T13:48:03","slug":"ex-ministro-defende-constituicao-para-democratizar-a-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26325","title":{"rendered":"Ex-ministro defende Constitui\u00e7\u00e3o para democratizar a m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">Publicado originalmente em <a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=18897\" target=\"_blank\">Carta Maior<\/a> . <\/p>\n<p><strong>&ldquo;H&aacute; uma tentativa de interditar o debate sobre o marco regulat&oacute;rio da m&iacute;dia&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">A Constitui&ccedil;&atilde;o pode ser o terreno comum para o debate do marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil&quot;, defendeu o ex-ministro da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o do governo Lula, Franklin Martins, durante debate sobre democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, realizado em Porto Alegre. &quot;Podemos assumir o compromisso de n&atilde;o aprovar nenhuma regra que fira a Constitui&ccedil;&atilde;o e de n&atilde;o deixar de cumprir nenhum preceito constitucional&quot;, disse o jornalista que criticou a tentativa de interditar esse debate no Brasil.<\/p>\n<p>Porto Alegre &#8211; &ldquo;Podemos construir um terreno comum para o debate do marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil: a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. Podemos assumir o compromisso de n&atilde;o aprovar nenhuma regra que fira a Constitui&ccedil;&atilde;o e de n&atilde;o deixar de cumprir nenhum preceito constitucional. Nada aqu&eacute;m, nem nada al&eacute;m da Constitui&ccedil;&atilde;o&rdquo;. A proposta, em tom de provoca&ccedil;&atilde;o, foi feita pelo jornalista Franklin Martins, ex-ministro da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o do governo Lula, durante semin&aacute;rio sobre Democratiza&ccedil;&atilde;o da M&iacute;dia, realizado quinta-feira (3) no audit&oacute;rio da Escola da Associa&ccedil;&atilde;o de Ju&iacute;zes do Rio Grande do Sul (Ajuris). O tom de provoca&ccedil;&atilde;o se deve &agrave; enorme resist&ecirc;ncia que esse debate vem enfrentando junto &agrave;s grandes empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, que procuram, insistentemente, associar a palavra &ldquo;regula&ccedil;&atilde;o&rdquo; &agrave; &ldquo;censura&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Como j&aacute; fez em outras ocasi&otilde;es, Franklin Martins recha&ccedil;ou essa associa&ccedil;&atilde;o, enfatizando que o seu uso tem o &uacute;nico objetivo de interditar o debate sobre um novo marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es. &ldquo;A m&iacute;dia tem que ser respeitada, mas nunca deve ser temida&rdquo;, disse o jornalista, enfatizando que esse debate j&aacute; est&aacute; aberto na sociedade e que n&atilde;o &eacute; mais poss&iacute;vel interdit&aacute;-lo. &ldquo;Se ele for feito com transpar&ecirc;ncia e equil&iacute;brio&rdquo;, melhor. Se, por um lado, Franklin Martins criticou os setores empresariais, especialmente no campo da radiodifus&atilde;o, que tentam interditar a discuss&atilde;o, por outro, advertiu tamb&eacute;m aqueles que cobram mais pressa nesse processo, lembrando que outros pa&iacute;ses como a Argentina j&aacute; aprovaram sua &ldquo;ley de medios&rdquo;. &ldquo;O Brasil n&atilde;o &eacute; a Argentina. L&aacute; eles t&ecirc;m uma tradi&ccedil;&atilde;o de confronto que n&atilde;o faz parte da nossa cultura pol&iacute;tica. &Eacute; preciso compreender isso para poder construir uma maioria em torno da proposta de regula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, defendeu.<\/p>\n<p class=\"padrao\">O ex-ministro foi did&aacute;tico e paciente, desempacotando o conceito de regula&ccedil;&atilde;o e espantando os fantasmas que o cercam. Para que &eacute; que serve mesmo a regula&ccedil;&atilde;o? O que ela tem a ver com a vida das pessoas? Franklin Martins listou algumas das tarefas centrais dessa agenda: democratizar a oferta de informa&ccedil;&atilde;o, garantir a express&atilde;o da diversidade de opini&otilde;es, impedir a concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade, garantir a exist&ecirc;ncia de uma comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e comunit&aacute;ria de qualidade, promover a cultura nacional e regional com o estabelecimento de quotas claras, estimular a produ&ccedil;&atilde;o independente. Ele defendeu que algumas dessas medidas j&aacute; est&atilde;o previstas na legisla&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o s&atilde;o respeitadas. &ldquo;TV e r&aacute;dio, que usam concess&otilde;es p&uacute;blicas, n&atilde;o podem vender hor&aacute;rio para igrejas, por exemplo. Isso j&aacute; &eacute; proibido&rdquo;. E condenou a ofensiva contra ve&iacute;culos comunit&aacute;rios. &ldquo;No mundo inteiro, r&aacute;dio e TV comunit&aacute;ria fazem parte do sistema p&uacute;blico. Aqui s&atilde;o criminalizados&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Essas propostas e ideias comp&otilde;em o marco regulat&oacute;rio da maioria dos pa&iacute;ses apontados como exemplos de democracia e desenvolvimento, tal como ficou evidenciado no Semin&aacute;rio Internacional sobre Converg&ecirc;ncia de M&iacute;dias, realizado por Franklin Martins quando ainda estava no governo, em dezembro de 2010. Ele sugeriu que as pessoas visitem a p&aacute;gina do semin&aacute;rio na internet e leiam o que &eacute; praticado nos Estados Unidos e nos pa&iacute;ses da Europa.<\/p>\n<p class=\"padrao\">A resist&ecirc;ncia imposta a esse debate e a tentativa de interdit&aacute;-lo ocorre, na avalia&ccedil;&atilde;o do ex-ministro, em um momento onde estamos saindo de uma era do jornalismo e entrando em outra. &ldquo;A era do aqu&aacute;rio est&aacute; chegando ao fim&rdquo;, disse Franklin, referindo-se &agrave;s salas envidra&ccedil;adas que abrigam os comandos das reda&ccedil;&otilde;es. Para ele, o caso da bolinha de papel, envolvendo o ex-candidato &agrave; presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Jos&eacute; Serra, na campanha de 2010 foi uma revolu&ccedil;&atilde;o e mostrou o poder da blogosfera. &ldquo;A blogosfera &eacute; hoje o grilo falante da imprensa&rdquo;, afirmou, lembrando como a cena montada para mostrar uma suposta agress&atilde;o ao candidato do PSDB acabou sendo desmontada por um professor de jornalismo no interior do Rio Grande do Sul. Franklin Martins reconheceu que h&aacute; excessos eventualmente por parte da blogosfera, mas lembrou que eles s&atilde;o, em boa medida, reflexo dos excessos praticados pela chamada grande imprensa. Essa resist&ecirc;ncia poderia estar ligada, assim, ao crep&uacute;sculo de um modelo de comunica&ccedil;&atilde;o que est&aacute; chegando ao fim no Brasil.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>O que separa as telecomunica&ccedil;&otilde;es da radiodifus&atilde;o est&aacute; acabando<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong><br \/><\/strong>Franklin Martins repetiu em Porto Alegre uma tese que vem defendendo h&aacute; bastante tempo: a defini&ccedil;&atilde;o de um novo marco regulat&oacute;rio &eacute; uma exig&ecirc;ncia, entre outras coisas, do desenvolvimento tecnol&oacute;gico do setor das comunica&ccedil;&otilde;es. &ldquo;O que separa as telecomunica&ccedil;&otilde;es da radiodifus&atilde;o est&aacute; acabando e esse processo precisa ser regulado&rdquo;, afirmou, lembrando que hoje um telefone celular n&atilde;o &eacute; mais simplesmente um telefone, mas tamb&eacute;m um transmissor e mesmo produtor de conte&uacute;do. Ele voltou a destacar tamb&eacute;m que essa regulamenta&ccedil;&atilde;o interessa diretamente ao setor de radiodifus&atilde;o. &ldquo;Em 2009, o setor das teles faturou 13 vezes mais que o da radiodifus&atilde;o. Se n&atilde;o houver regulamenta&ccedil;&atilde;o, quem vai ganhar &eacute; o setor das telecomunica&ccedil;&otilde;es. A radiodifus&atilde;o ser&aacute; atropelada por uma jamanta&rdquo;, observou, repetindo imagem que j&aacute; havia feito no semin&aacute;rio sobre Converg&ecirc;ncia de M&iacute;dias, realizado no final de 2010, em Bras&iacute;lia. <\/p>\n<p>O ex-ministro foi en&eacute;rgico ao rebater as cr&iacute;ticas que apontam, por tr&aacute;s da proposta da regula&ccedil;&atilde;o, a exist&ecirc;ncia de uma suposta tentativa de censura. &ldquo;Um dia destes recebi, estupefato, um convite da OAB para discutir &lsquo;controle&rsquo; da imprensa. Perguntei se eles estavam se referindo ao Estado Novo. &Eacute; um absurdo total. N&atilde;o h&aacute; nenhum controle da imprensa no Brasil. Lutei contra a ditadura do primeiro ao &uacute;ltimo dia e sou visceralmente contra censura. O governo Lula comeu o p&atilde;o que o diabo amassou nas m&atilde;os da imprensa e nunca praticou censura. O que Lula fez foi criticar a cobertura da imprensa em algumas situa&ccedil;&otilde;es e isso foi chamado de &lsquo;ataque&rsquo;. A m&iacute;dia n&atilde;o pode ser criticada?&rdquo;, perguntou. O que existe, na verdade, defendeu, &eacute; uma tentativa de interditar o debate sobre o marco regulat&oacute;rio num momento estrat&eacute;gico para o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Indagado sobre quais foram as raz&otilde;es que impediram que o novo marco regulat&oacute;rio fosse aprovado no governo Lula, Franklin Martins reconheceu as dificuldades, mas defendeu que o governo passado deu um grande passo ao colocar esse tema na agenda pol&iacute;tica do pa&iacute;s. Esse debate, sustentou, est&aacute; aberto e vai avan&ccedil;ar. Na conclus&atilde;o de sua fala, repetiu o que, para ele, deve ser o tom dessa discuss&atilde;o: &ldquo;se for feito com transpar&ecirc;ncia e equil&iacute;brio ser&aacute; melhor para todos&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o pode ser o terreno comum para o debate do marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil&quot;, defendeu o ex-ministro da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o do governo Lula, Franklin Martins<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1602],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26325"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26325"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26325\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}