{"id":26324,"date":"2011-11-04T16:16:14","date_gmt":"2011-11-04T16:16:14","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26324"},"modified":"2011-11-04T16:16:14","modified_gmt":"2011-11-04T16:16:14","slug":"ex-ministro-venezuelano-defende-direito-a-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26324","title":{"rendered":"Ex-ministro venezuelano defende direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Informa&ccedil;&atilde;o: direito ou mercado? Esse foi o tema central que conduziu a fala de Jesse Chac&oacute;n, ex-ministro das comunica&ccedil;&otilde;es da Venezuela. Para ele, essa quest&atilde;o est&aacute; diretamente relacionada com a liberdade de express&atilde;o e de pensamento. No entanto, as empresas de m&iacute;dia que se posicionam como garantidoras desses direitos, exercem apenas a liberdade de imprensa.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>O direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, defendido pela Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos do Homem, foi adaptado por cada sociedade de acordo com a realidade hist&oacute;rica e social. &ldquo;As pessoas foram ensinadas a cuidar do excesso de poder do Estado, mas n&atilde;o est&atilde;o atentas ao avan&ccedil;o do mercado. No in&iacute;cio da imprensa ela, de fato, posicionou-se como um contrapoder, por&eacute;m hoje se caracteriza como o pr&oacute;prio poder, em algumas sociedades, at&eacute; mesmo amea&ccedil;a os demais&rdquo;, relatou Chac&oacute;n, destacando a l&oacute;gica mercantilista que prevalece nos sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o em boa parte do mundo, especialmente na Am&eacute;rica Latina.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Para ele, ocorreu uma privatiza&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. A autonomia que existe &eacute; apenas do dono da m&iacute;dia. Diversos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina passaram nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990 pela privatiza&ccedil;&atilde;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es, transformando o que antes era um servi&ccedil;o p&uacute;blico em mercadoria. A internet surge nesse contexto, entendida n&atilde;o como um direito, um bem comum, mas como um produto: se n&atilde;o posso pagar, n&atilde;o posso me conectar. As novas tecnologias n&atilde;o alteram, assim, o sistema midi&aacute;tico dominante e permanece um fluxo desigual de informa&ccedil;&otilde;es, quando poucas grandes corpora&ccedil;&otilde;es controlam o que chega &agrave; sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&nbsp;<br \/>O caso venezuelano<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Chac&oacute;n apresentou e defendeu o modelo de comunica&ccedil;&atilde;o adotado pela Venezuela no governo Hugo Chaves, regulado pela Lei Org&acirc;nica das Telecomunica&ccedil;&otilde;es e pela Lei de Responsabilidade Social, ambas de 2006. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Entre as principais caracter&iacute;sticas do novo modelo, o ex-ministro destacou a regula&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios e TVs comunit&aacute;rias, que chegam a alcan&ccedil;ar raios de cobertura municipais e s&atilde;o comandadas por diretorias eleitas pela popula&ccedil;&atilde;o a cada dois anos. As m&iacute;dias alternativas, sem lucratividade, tamb&eacute;m foram inclu&iacute;das no novo sistema.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>&ldquo;Entendemos a internet como servi&ccedil;o universal e, com isso, conseguimos ampliar a penetra&ccedil;&atilde;o na popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s de 3% para 37% em 2010, considerando apenas as redes fixas&rdquo;, defendeu Chac&oacute;n. De acordo com a experi&ecirc;ncia venezuelana, outra importante iniciativa foi a instala&ccedil;&atilde;o de toda infraestrutura de rede por parte da empresa p&uacute;blica de telecomunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Com isso, conseguimos adotar um modelo que permitiu um sistema complementar: nem todo o espectro est&aacute; nas m&atilde;os das empresas privadas&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Outro ponto apresentado &eacute; a separa&ccedil;&atilde;o entre o meio e a mensagem. Nesse sentido, o modelo venezuelano implantou a figura dos produtores nacionais independentes, respons&aacute;veis por 20% da programa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;N&atilde;o queremos que 24 horas dos conte&uacute;dos veiculado fiquem nas m&atilde;os de um &uacute;nico dono. Para uma informa&ccedil;&atilde;o mais plural s&atilde;o necess&aacute;rias diversas &oacute;ticas&rdquo;, afirmou. Segundo ele, a sociedade deve desenvolver mecanismos de controle e fiscaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas do Estado, mas tamb&eacute;m do mercado, participando do sistema de concess&atilde;o e tamb&eacute;m da programa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>A proposta de Chac&oacute;n &eacute; a de entender a comunica&ccedil;&atilde;o como um direito, e n&atilde;o como uma mercadoria. Da mesma forma, &eacute; preciso entender a internet como um servi&ccedil;o p&uacute;blico. &ldquo;Somente um sistema plural &eacute; capaz de refletir uma sociedade plural&rdquo;, concluiu.<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Convidado no  debate <\/span><span class=\"padrao\">&quot;O papel dos meios de  comunica&ccedil;&atilde;o no  contexto da crise mundial&quot;,<\/span><span class=\"padrao\"> organizado pela  <\/span><span class=\"padrao\">Embaixada da Venezuela, Jesse Chac&oacute;n questionou qual o lugar da informa&ccedil;&atilde;o: direito ou mercado. <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1601],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26324"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26324"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26324\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}