{"id":26323,"date":"2011-11-04T16:07:26","date_gmt":"2011-11-04T16:07:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26323"},"modified":"2011-11-04T16:07:26","modified_gmt":"2011-11-04T16:07:26","slug":"ramonet-acredita-que-jornalismo-vive-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26323","title":{"rendered":"Ramonet acredita que jornalismo vive crise"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A Embaixada da Rep&uacute;blica Bolivariana da Venezuela realizou na ter&ccedil;a-feira (1), a confer&ecirc;ncia &quot;O papel dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o no contexto da crise mundial&quot;, com a presen&ccedil;a do jornalista Ignacio Ramonet, pesquisador e ex-diretor do jornal Le Monde Diplomatique, e do ex-ministro das comunica&ccedil;&otilde;es da Venezuela, Jesse Chac&oacute;n. O evento, que aconteceu no Memorial Darcy Ribeiro, na Universidade de Bras&iacute;lia, fez parte das iniciativas para integra&ccedil;&atilde;o das na&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;em a Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra Am&eacute;rica (ALBA). A mesa foi presidida pelo Embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien S&aacute;nchez Arvel&aacute;iz.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Ignacio Ramonet levantou reflex&otilde;es sobre a revolu&ccedil;&atilde;o promovida pelas novas tecnologias, que est&atilde;o mudando o panorama das comunica&ccedil;&otilde;es em todo o mundo. Nesse contexto, a imprensa vivencia a maior crise desde o surgimento do chamado jornalismo de massa, h&aacute; apenas 150 anos. A atmosfera midi&aacute;tica &eacute; diferente de 20 anos atr&aacute;s.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>O jornalista explica isso por uma met&aacute;fora: h&aacute; milh&otilde;es de anos, no fim da Era Jur&aacute;ssica, uma chuva de meteoros que atingiu a Terra, extinguindo os dinossauros e mudando o ecossistema do planeta. &ldquo;A internet &eacute; o novo meteoro que vem alterar o ecossistema midi&aacute;tico&rdquo;, afirmou. A consequ&ecirc;ncia inevit&aacute;vel &eacute; a extin&ccedil;&atilde;o de alguns tipos de m&iacute;dia, principalmente no meio impresso, como j&aacute; vem ocorrendo &ndash; muitos jornais desaparecer&atilde;o. A crise j&aacute; se mostra mais intensa nos Estados Unidos, onde, na &uacute;ltima d&eacute;cada, mais de 150 jornais fecharam e houve a redu&ccedil;&atilde;o de cerca de 20 mil empregos.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Ramonet alerta que o impacto da internet n&atilde;o ocorre apenas no meio impresso. Os canais de TV com not&iacute;cias 24 horas, como a CNN, tamb&eacute;m enfrentam uma greve crise econ&ocirc;mica, muito diferente do sistema de televis&atilde;o que vivia seu auge no final da d&eacute;cada de 1990. &ldquo;Os canais de informa&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua est&atilde;o com dificuldades de concorrer com a internet. O principal canal da Espanha fechou, por exemplo&rdquo;, contou o jornalista.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Por outro lado, o desenvolvimento das redes sociais e dos blogs representa um avan&ccedil;o imposs&iacute;vel de ser freado: h&aacute; novos atores no processo de comunica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o podem ser ignorados. &ldquo;Tamb&eacute;m n&atilde;o quer dizer que esse cen&aacute;rio ir&aacute; se estabilizar. H&aacute; 20 anos, o fen&ocirc;meno era a CNN. Se esse nosso encontro fosse h&aacute; tr&ecirc;s anos, possivelmente n&atilde;o falar&iacute;amos de Twitter ou de Facebook. A principal caracter&iacute;stica da realidade contempor&acirc;nea &eacute; o movimento constante&rdquo;, explicou Ramonet.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&nbsp;<strong><br \/><\/strong>Ramonet tamb&eacute;m comentou sobre o tema de um de seus livros publicados: &ldquo;Vivemos num estado de inseguran&ccedil;a da informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o podemos confiar nem no que &eacute; publicado na primeira p&aacute;gina de um jornal&rdquo;. Mas ele fez um alerta: &ldquo;nunca foi feito esse tal &lsquo;bom jornalismo&rsquo;, nunca houve essa &lsquo;era de ouro&rsquo;, sempre foi dif&iacute;cil realizar esse jornalismo de qualidade&rdquo;. Os desafios de antes &ndash; e de agora &ndash; &eacute; a permanente negocia&ccedil;&atilde;o entre a imprensa e os poderes pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico estabelecidos.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Um fato &eacute; incontest&aacute;vel: o jornalismo perdeu o monop&oacute;lio da informa&ccedil;&atilde;o. Todos podem, hoje, consultar, acessar e produzir informa&ccedil;&otilde;es. Para Ramonet, &ldquo;todos podemos ser jornalistas. Talvez n&atilde;o &lsquo;bons&rsquo; jornalistas, mas com certeza n&atilde;o existe mais os receptores passivos. Informar-se &eacute; um processo ativo&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&nbsp;<br \/><strong>Crise de identidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Uma das principais consequ&ecirc;ncias desse cen&aacute;rio &eacute; a crise de identidade vivida pelos jornalistas, pois n&atilde;o se sabe mais qual &eacute; a sua especificidade. &ldquo;Qual a fun&ccedil;&atilde;o do jornalismo na sociedade contempor&acirc;nea? Qual a diferen&ccedil;a entre um jornalista de O Estado de S. Paulo e um blogueiro que pode me dar uma informa&ccedil;&atilde;o mais trabalhada?&rdquo;, provocou Ramonet.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Com os blogs, segundo ele, ganhamos em liberdade, mas &eacute; importante observar que nem todos os blogueiros s&atilde;o revolucion&aacute;rios, ao contr&aacute;rio, muitos s&atilde;o reacion&aacute;rios, conservadores. Mas o fato &eacute; que o grande volume de informa&ccedil;&otilde;es que a blogosfera produz pode sim derrubar os profissionais de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um trabalho proletariado, mas, ao mesmo tempo, nunca se produziu tanta informa&ccedil;&atilde;o e t&atilde;o facilmente&rdquo;, disse. Entre os fatores negativos, o jornalista destaca que, com a multiplica&ccedil;&atilde;o das fontes, recebemos cada vez mais informa&ccedil;&otilde;es fragmentadas e n&atilde;o somos capazes de reconstitu&iacute;-las em um contexto, compreendendo a dimens&atilde;o pol&iacute;tica, social ou cultural dessa sociedade cada vez mais complexa. &ldquo;Sentimos uma certa saudade de uma informa&ccedil;&atilde;o mais aprofundada, anal&iacute;tica&rdquo;, lamentou.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&nbsp;<br \/><strong>Estados autorit&aacute;rios<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Os estados autorit&aacute;rios n&atilde;o controlam mais a circula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e as recentes revolu&ccedil;&otilde;es no mundo &aacute;rabe ilustram bem esse momento. &ldquo;Cortar a internet significa parar os bancos, os minist&eacute;rios, os servi&ccedil;os b&aacute;sicos do pa&iacute;s. E ainda assim n&atilde;o impede que outros meios funcionem, como a telefonia e a televis&atilde;o&rdquo;, explicou Ramonet. Para ele, hoje, a circula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o funciona como um enxame, vem de todos os lados. &ldquo;N&atilde;o foi o Twitter ou qualquer outra rede social que derrubaram os governos na Tun&iacute;sia ou no Egito, foi o movimento social, mas o ponto de partida foi, sem d&uacute;vida, a estrat&eacute;gia de enxame&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">&nbsp;<strong><br \/><\/strong>Utilizando um conceito do fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Pierre Levy, Ramonet destacou que o potencial da intelig&ecirc;ncia coletiva &eacute; maior que a individual, como se caracteriza pelos modelos chamados wiki, mas ainda &eacute; um ideal. Segundo o jornalista, o desenvolvimento das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o traz uma ilus&atilde;o de avan&ccedil;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Manter-se informado &eacute; muito mais dif&iacute;cil do que usar o Twitter ou o Facebook&rdquo;, alerta.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Esse &eacute; um fen&ocirc;meno que est&aacute; apenas no in&iacute;cio, n&atilde;o sabemos o que haver&aacute; daqui a cinco anos. Somos testemunhas de que novas tecnologias e novas fun&ccedil;&otilde;es surgem em pouco tempo. Para Ramonet, o que sabemos, com certeza, &eacute; que os cidad&atilde;os ter&atilde;o um papel muito importante para a informa&ccedil;&atilde;o e para debater a comunica&ccedil;&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>O acesso &agrave;s tecnologias da comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; entendido como um direito, uma garantia de bem estar, assim como foi a energia el&eacute;trica no final do s&eacute;culo XIX. Ter acesso est&aacute; cada vez mais relacionado a um grau superior de cidadania. Independente das tecnologias, esse ser&aacute; o aspecto mais importante. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>&ldquo;S&oacute; n&atilde;o podemos acreditar que acessando as redes sociais estamos fugindo do controle dos grandes conglomerados de m&iacute;dia. Essas s&atilde;o formas de comunica&ccedil;&atilde;o do velho sistema de comunica&ccedil;&atilde;o, que est&atilde;o em crise, mas que n&atilde;o ir&atilde;o desaparecer como que por milagre. Quando fazemos uma liga&ccedil;&atilde;o, enviamos uma mensagem de texto, usamos o Twitter, o Facebook ou o Google, estamos contribuindo para o enriquecimento dessas companhias&rdquo;, ressaltou Ramonet. A comunica&ccedil;&atilde;o se torna uma mat&eacute;ria-prima estrat&eacute;gia e o importante n&atilde;o &eacute; mais o conte&uacute;do, mas a circula&ccedil;&atilde;o de mensagens &ndash; &eacute; isso que gera receitas. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Por fim, Ramonet conclui: &ldquo;A democracia da comunica&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; uma ilus&atilde;o. As novas tecnologias, que proporcionam a multiplica&ccedil;&atilde;o de fontes e a facilidade da circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, nos tornam tamb&eacute;m mais pregui&ccedil;osos. Informar-se n&atilde;o &eacute; mais um ato passivo e n&atilde;o podemos nos contentar com a quest&atilde;o do acesso. Se n&atilde;o fizermos o esfor&ccedil;o de procurar e reunir as informa&ccedil;&otilde;es de qualidade, elas n&atilde;o vir&atilde;o ao nosso encontro&rdquo;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista, <span class=\"padrao\">pesquisador e ex-diretor do jornal Le Monde  Diplomatique, Ignacio Ramonet, esteve presente em debate <\/span><span class=\"padrao\">organizado pela <\/span><span class=\"padrao\">Embaixada da Venezuela. 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