{"id":26320,"date":"2011-11-03T15:53:36","date_gmt":"2011-11-03T15:53:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26320"},"modified":"2011-11-03T15:53:36","modified_gmt":"2011-11-03T15:53:36","slug":"conselho-nacional-de-saude-apoia-acao-contra-cervejarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26320","title":{"rendered":"Conselho Nacional de Sa\u00fade apoia a\u00e7\u00e3o contra cervejarias"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Conselho Nacional de Sa&uacute;de (CNS) aprovou, no &uacute;ltimo m&ecirc;s, uma mo&ccedil;&atilde;o de apoio &agrave; a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica (ACP) movida pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, em 2008, contra tr&ecirc;s grandes empresas de cerveja que atuam no Brasil: Ambev, Schincariol e Femsa (controladora da marca Kaiser). A a&ccedil;&atilde;o pede indeniza&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o dos danos causados pelo aumento do consumo de &aacute;lcool provocado pelo investimento em publicidade de cerveja. Al&eacute;m da quest&atilde;o da sa&uacute;de, a a&ccedil;&atilde;o foca a exposi&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes a esse tipo de publicidade.<\/p>\n<p>A mo&ccedil;&atilde;o, assinada pelo CNS no dia 06 de outubro, fez parte do debate sobre a pol&iacute;tica nacional de combate ao &aacute;lcool e outras drogas. De acordo com a conselheira nacional de sa&uacute;de Lurdinha Rodrigues, representante da Liga Brasileira de L&eacute;sbicas, o Conselho pauta quest&otilde;es que impactam na sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o de forma gradativa, contando inclusive com uma comiss&atilde;o permanente sobre comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de como direito humano e pressuposto do direito &agrave; sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Foram aceitos pela Justi&ccedil;a Federal como assistentes da a&ccedil;&atilde;o o Instituto Alana, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura e o Coletivo Intervozes. O Escrit&oacute;rio Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUC-SP), tamb&eacute;m &eacute; respons&aacute;vel pela ACP, em conv&ecirc;nio com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal. <br \/>&nbsp;<br \/>A advogada Rachel Taveira, do Escrit&oacute;rio Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, explica que atualmente est&aacute; sendo aguardada manifesta&ccedil;&atilde;o da Justi&ccedil;a sobre as provas a produzir com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; a&ccedil;&atilde;o. Caso a ACP seja julgada procedente, as cervejarias podem ser punidas com cobran&ccedil;a de indeniza&ccedil;&atilde;o &agrave; Uni&atilde;o, para ressarcir&nbsp;danos provocados &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica;&nbsp;ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por preju&iacute;zos decorrentes de pagamentos de benef&iacute;cios previdenci&aacute;rios; e ao Fundo Nacional Antidrogas, para ressarcir danos difusos. Os valores da indeniza&ccedil;&atilde;o solicitada foram de mais de dois bilh&otilde;es de reais para a Ambev; quase 450 milh&otilde;es para a Schincariol e mais de 200 milh&otilde;es para a Kaiser. <\/p>\n<p>Segundo Rachel, at&eacute; agora o &uacute;nico retorno das empresas de cerveja foi a manifesta&ccedil;&atilde;o delas no processo. &ldquo;N&atilde;o houve qualquer contato para propor algum acordo&rdquo;, afirmou. Ela lembra que ainda pode haver di&aacute;logo em eventual audi&ecirc;ncia de concilia&ccedil;&atilde;o. Embora seu objetivo n&atilde;o seja regular a publicidade, a advogada acredita que a ACP pode abrir caminho para isso. &ldquo;Como pede indeniza&ccedil;&atilde;o, por entender que as empresas causaram os danos,&nbsp;a a&ccedil;&atilde;o&nbsp;pode lev&aacute;-las a adotar outras posturas&rdquo;, disse. &nbsp;<\/p>\n<p>A assessoria de imprensa da Ambev foi procurada por telefone e por e-mail, mas n&atilde;o deu retorno at&eacute; o fechamento da mat&eacute;ria. A assessoria da Femsa foi procurada por e-mail e tamb&eacute;m n&atilde;o enviou resposta. J&aacute; a Schincariol, atrav&eacute;s de sua assessoria, informou que, como o processo ainda est&aacute; em tr&acirc;mite, a pol&iacute;tica interna da empresa &eacute; n&atilde;o comentar o assunto. <\/p>\n<p>As p&aacute;ginas na internet das empresas citadas fazem refer&ecirc;ncia &agrave; responsabilidade social. A Ambev diz ter firmado, com outras 23 empresas, Compromisso P&uacute;blico de Publicidade Respons&aacute;vel, em 2010. Uma das normas &eacute; n&atilde;o inserir &ldquo;an&uacute;ncios publicit&aacute;rios de seus produtos em programas de televis&atilde;o, de r&aacute;dio, m&iacute;dia impressa ou sites de internet que tenham 50% ou mais da audi&ecirc;ncia constitu&iacute;da de crian&ccedil;as&rdquo;. A Schincariol mant&eacute;m uma se&ccedil;&atilde;o intitulada &ldquo;Responsabilidade socioambiental&rdquo;, na qual afirma que &ldquo;a empresa considera como premissas a honestidade, lealdade, respeito ao pr&oacute;ximo, ao meio ambiente e &agrave; sociedade, promovendo, sempre, o comportamento &eacute;tico e respons&aacute;vel&rdquo;. J&aacute; a mexicana &ldquo;Femsa&rdquo; apresenta um espa&ccedil;o reservado para sua pol&iacute;tica de &ldquo;responsabilidad social&rdquo;, o que inclui programas de sa&uacute;de voltados para os funcion&aacute;rios, seus familiares e comunidades, al&eacute;m de cuidados com o meio ambiente. <\/p>\n<p><strong>A&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>A a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica parte do pressuposto de que a publicidade de cerveja aumenta o consumo de &aacute;lcool, causando danos &agrave; sa&uacute;de e estimulando o uso por crian&ccedil;as e adolescentes. Para isso, cerca-se de uma s&eacute;rie de pesquisas. Uma delas mostra que 80% dos 106 milh&otilde;es de d&oacute;lares em publicidade de &aacute;lcool no Brasil, em 2001, foram referentes &agrave; cerveja. Em 2006, esse valor teria ultrapassado as cifras dos R$ 700 milh&otilde;es. <\/p>\n<p>Segundo informa&ccedil;&otilde;es do I Levantamento Nacional sobre os Padr&otilde;es de Consumo de &Aacute;lcool na Popula&ccedil;&atilde;o Brasileira, organizado pela Secretaria Nacional Antidrogas, a cerveja &eacute; a bebida mais consumida pelos brasileiros que bebem em grande quantidade, ou seja, aqueles que bebem excessivamente em um curto espa&ccedil;o de tempo.<\/p>\n<p>Quanto &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre publicidade e aumento do consumo, a pesquisa Vigitel 2009, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, constatou a queda do consumo de tabaco entre os jovens: em 1989, o percentual era de 29% de jovens entre 18 e 24 anos contra 14,8% em 2009, quando a publicidade de tabaco n&atilde;o era mais permitida. <\/p>\n<p>As crian&ccedil;as e adolescentes s&atilde;o alvo de publicidades que mostram situa&ccedil;&otilde;es prazerosas e utilizam o humor, mesmo que o produto n&atilde;o seja adequado para seu consumo. Explica&ccedil;&otilde;es para isso seriam a forma&ccedil;&atilde;o de um p&uacute;blico consumidor cada vez mais cedo e a influ&ecirc;ncia das crian&ccedil;as nas compras familiares. De acordo com pesquisa do TNS (Custom Market Research Company), de 2003, as crian&ccedil;as brasileiras influenciam 80% das decis&otilde;es de compra de uma fam&iacute;lia.<\/p>\n<p><strong>O que dizem as leis e o Conar<\/strong><\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, de 1988, prev&ecirc; a restri&ccedil;&atilde;o de publicidade de &aacute;lcool e cigarro em seu artigo 220. A regulamenta&ccedil;&atilde;o dessa restri&ccedil;&atilde;o foi feita em 1996, a partir da san&ccedil;&atilde;o da Lei n&ordm; 9.294, por&eacute;m essa lei considera como bebida alco&oacute;lica apenas aquelas com teor alco&oacute;lico superior a treze graus Gay Lussac, o que exclui as cervejas.<\/p>\n<p>O Conselho Nacional de Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria (Conar), em seu C&oacute;digo de &Eacute;tica, estabelece algumas regras para esse tipo de bebida. O Conar &eacute; uma entidade privada que zela pelo cumprimento de um C&oacute;digo de &Eacute;tica pactuado entre associa&ccedil;&otilde;es de ag&ecirc;ncias de publicidade e de ve&iacute;culos de divulga&ccedil;&atilde;o, como jornais, emissoras de r&aacute;dio e de TV. Suas decis&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m valor de lei, mas podem guiar a produ&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria brasileira.<\/p>\n<p>De acordo com o C&oacute;digo de &Eacute;tica do Conar, a publicidade de cerveja deve seguir os princ&iacute;pios de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a e ao adolescente e tamb&eacute;m ao consumo com responsabilidade social. Isso inclui n&atilde;o produzir pe&ccedil;as que induzam ao consumo excessivo, que tenha modelos com apar&ecirc;ncia de menos de 25 anos de idade nem que adotem linguagem que possa despertar interesse em crian&ccedil;as, como uso de anima&ccedil;&otilde;es e animais humanizados.<\/p>\n<p>Essas regras foram adicionadas ao C&oacute;digo em 2008, depois de campanha da Brahma (marca que faz parte da Ambev), em 2002, que usava como mascote uma tartaruga que fazia dribles, dava carona a mo&ccedil;as sensuais e bebia cerveja. Ainda de acordo com o Conar, a publicidade de bebida alco&oacute;lica deveria ser limitada ao per&iacute;odo de 21h30 &agrave;s 6h, com exce&ccedil;&atilde;o para os patroc&iacute;nios, como os de eventos esportivos, quando deveria apenas ser mencionada a marca e o slogan.<\/p>\n<p>Para Juliana Ferreira, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), &ldquo;infelizmente, a autorregula&ccedil;&atilde;o e a atua&ccedil;&atilde;o do Conar n&atilde;o s&atilde;o suficientes no caso de publicidade de cerveja&rdquo;. Ela menciona um estudo realizado pela Unifesp (Universidade Federal de S&atilde;o Paulo), em 2008, demonstrando que as propagandas de cerveja veiculadas na TV n&atilde;o respeitam v&aacute;rias determina&ccedil;&otilde;es do c&oacute;digo de autorregulamenta&ccedil;&atilde;o da publicidade. &ldquo;Elas t&ecirc;m apelo imperativo ao consumo, despertam a aten&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes, mostram pessoas que aparentam ter menos de 25 anos, exploram o erotismo, n&atilde;o s&atilde;o veiculadas apenas em programas de TV destinados ao p&uacute;blico adulto e mostram a cerveja relacionada ao sucesso profissional, social ou sexual&rdquo;, explica Juliana, citando os resultados da pesquisa. &nbsp;<\/p>\n<p>O C&oacute;digo Brasileiro de Defesa do Consumidor, de 1990, legisla tamb&eacute;m sobre publicidade, uma vez que considera que o an&uacute;ncio de um produto ou servi&ccedil;o pressup&otilde;e uma esp&eacute;cie de pr&eacute;-contrato entre empresa anunciante e p&uacute;blico que tenha acesso &agrave;s &ldquo;promessas&rdquo; divulgadas, independente de efetiva&ccedil;&atilde;o da compra. De acordo com essa lei, s&atilde;o abusivas publicidades que promovam comportamentos danosos &agrave; sa&uacute;de ou se aproveitem da defici&ecirc;ncia de julgamento de crian&ccedil;as e adolescentes, entre outros crit&eacute;rios. Com base no cap&iacute;tulo IV do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, a advogada Juliana Ferreira aponta que &ldquo;a repara&ccedil;&atilde;o pelos danos decorrentes do consumo de bebida alco&oacute;lica &eacute; responsabilidade de empresas que comercializam e incentivam o uso destes produtos nocivos&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mo&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a<span class=\"padrao\"> a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica (ACP) movida pelo  Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos contra cervejarias e pede indeniza&ccedil;&atilde;o de mais de R$ 2 bilh&otilde;es pelos danos causados pelo aumento do consumo de &aacute;lcool provocado pela publicidade <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[390],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26320"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26320"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26320\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}