{"id":26319,"date":"2011-11-03T13:51:21","date_gmt":"2011-11-03T13:51:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26319"},"modified":"2011-11-03T13:51:21","modified_gmt":"2011-11-03T13:51:21","slug":"blogueiros-debatem-papel-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26319","title":{"rendered":"Blogueiros debatem papel da internet"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">&ldquo;Se tiv&eacute;ssemos feito esse encontro h&aacute; cinco anos, estar&iacute;amos falando do Myspace&rdquo;. A afirma&ccedil;&atilde;o de Ignacio Ramonet durante o I Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Igua&ccedil;u entre os dias 27 e 29 de outubro, queria lembrar os participantes da rapidez das mudan&ccedil;as dos &uacute;ltimos anos. Talvez n&atilde;o fosse preciso ir t&atilde;o longe. Um encontro mundial de blogueiros em 2010 seria uma boa oportunidade para discutir como as corpora&ccedil;&otilde;es tentam quebrar a neutralidade de rede ou como alguns pa&iacute;ses censuram blogueiros que se op&otilde;em a regimes autocr&aacute;ticos. Debate interessante para ativistas mais envolvidos e interessados, sem mais.<\/p>\n<p>Em 2011, depois da explos&atilde;o do Wikileaks, pra&ccedil;a Tahrir, pra&ccedil;a da Porta do Sol e Kasbah, o cen&aacute;rio &eacute; outro. A discuss&atilde;o sobre blogueiros, redes sociais e o papel da internet est&aacute; no centro do debate pol&iacute;tico, e o conflito de perspectivas apocal&iacute;pticas e integradas revela mais do que ceticismo e paix&atilde;o. O encontro promovido pelo Centro de Estudos da M&iacute;dia Independente Bar&atilde;o de Itarar&eacute; e pela Altercom, que agrupa pequenos empreendedores da comunica&ccedil;&atilde;o, reuniu cerca de 450 pessoas de 23 pa&iacute;ses, e espelhou bem essas diferentes perspectivas.<\/p>\n<p>A vis&atilde;o c&eacute;tica de alguns ativistas que afirmam veementemente que a luta se d&aacute; nas ruas, e n&atilde;o nas redes, foi contrastada com um outro segmento que v&ecirc; na internet a realiza&ccedil;&atilde;o de ideais libert&aacute;rios e ela pr&oacute;pria realizadora de uma democracia radical. Em meio a uma escala de opini&otilde;es com muitos tons de cinza, ativistas eg&iacute;pcios, sauditas e paquistaneses mostraram, sem precisar muito explicar, que, na disputa pol&iacute;tica real, essa polariza&ccedil;&atilde;o &eacute; o que menos importa.<\/p>\n<p>Os exemplos politizados n&atilde;o vieram s&oacute; do mundo &aacute;rabe. O perfil majorit&aacute;rio dos participantes, em sua maioria latino-americanos, era de ativistas por transforma&ccedil;&atilde;o e justi&ccedil;a social, ressaltando uma liga&ccedil;&atilde;o de internet e pol&iacute;tica que j&aacute; &eacute; dada como natural, mas talvez n&atilde;o o fosse na era do MySpace.<\/p>\n<p><strong>Ocupas, occupy<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Num campo em que as eras s&atilde;o contadas de cinco em cinco anos, um ano pode ser praticamente considerado o equivalente a um per&iacute;odo geol&oacute;gico. Nesse cen&aacute;rio, poucos s&atilde;o os que se arriscam a fazer grandes previs&otilde;es, sob o risco de serem lembrados como jur&aacute;ssicos j&aacute; em 2012. A precau&ccedil;&atilde;o em n&atilde;o fazer muitas previs&otilde;es concretas deixa espa&ccedil;o para an&aacute;lises mais subjetivas, em que coabitam os que preferem ver o copo meio cheio e os que destacam sua parte meio vazia. Na mesa em que debateram, Andr&eacute;s Thomas Conteris, do site norte-americano Demcracy Now e Pascual Serrano, do espanhol Rebeli&oacute;n, assumiram essas duas facetas.<\/p>\n<p>Serrano n&atilde;o poupou a mobiliza&ccedil;&atilde;o da Pra&ccedil;a da Porta do Sol para destacar um car&aacute;ter prec&aacute;rio dos movimentos gerados pelas redes sociais. &ldquo;Que profundidade anal&iacute;tica, que elabora&ccedil;&atilde;o intelectual, que discuss&atilde;o pol&iacute;tica h&aacute; nesses espa&ccedil;os?&rdquo; A tese de Serrano &eacute; de que h&aacute; um car&aacute;ter m&iacute;stico e triunfalista na rela&ccedil;&atilde;o com a internet que atrapalha a an&aacute;lise pol&iacute;tica. &ldquo;At&eacute; agora, essas mobiliza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o produziram verdadeiras mudan&ccedil;as nas estruturas de poder&rdquo;, completou o espanhol.<\/p>\n<p>Editor da p&aacute;gina em espanhol do Democracy Now, Andr&eacute;s Thomas Conteris assumiu exatamente a perspectiva criticada por Serrano. Ele tomou como inspira&ccedil;&atilde;o o movimento Ocuppy Wall Street para dizer que h&aacute; uma liga&ccedil;&atilde;o entre mobiliza&ccedil;&otilde;es virtuais e mobiliza&ccedil;&otilde;es reais que permite trazer &agrave; tona os pontos de vista dos 99% da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o est&atilde;o entre os 1% que concentram o poder econ&ocirc;mico. &ldquo;O movimento de &#39;occupy&#39; est&aacute; indo onde est&aacute; o sil&ecirc;ncio&rdquo;, disse Conteris. Para ele, a internet tem um enorme papel nisso, e se relaciona com esses movimentos de ocupa&ccedil;&atilde;o pelos seus valores: transpar&ecirc;ncia, independ&ecirc;ncia, const&acirc;ncia, democracia participativa, horizontalidade e contexto global. &ldquo;Temos de tomar esses pontos como refer&ecirc;ncia para nossa atua&ccedil;&atilde;o na comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, prop&ocirc;s.<\/p>\n<p>Por n&atilde;o deixar de reconhecer o papel de democratiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e o potencial transformador da Internet, Serrano afirmou que os mais cr&iacute;ticos a uma vis&atilde;o triunfalista n&atilde;o devem se afastar da rede. &ldquo;Devemos nos incorporar para poder mud&aacute;-la&rdquo;. O problema, segundo ele, &eacute; que h&aacute; uma simplifica&ccedil;&atilde;o das mensagens ideol&oacute;gicas e pol&iacute;ticas e um risco de construir um jornalismo que n&atilde;o seja suficientemente rigoroso e anal&iacute;tico e n&atilde;o d&ecirc; aten&ccedil;&atilde;o ao contexto. &ldquo;As novas gera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o querem ouvir falar de reportagens, s&oacute; fazem leituras curtas&rdquo;, apontou, preocupado.<\/p>\n<p>Conteris preferiu destacar a possibilidade desses movimentos em trazer mudan&ccedil;as profundas nos EUA e no mundo. A retomada de um processo de mobiliza&ccedil;&atilde;o global, para ele, traz a oportunidade de que venham &agrave; tona as hist&oacute;rias que n&atilde;o s&atilde;o contadas e as perspectivas que n&atilde;o aparecem na velha m&iacute;dia, o que daria espa&ccedil;o a uma verdadeira democracia. &ldquo;A &#39;electocracia&#39; que temos hoje n&atilde;o tem a ver com democracia real&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>A velha m&iacute;dia e a velha pol&iacute;tica<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>Falsa ou n&atilde;o, a polariza&ccedil;&atilde;o entre os c&eacute;ticos e os otimistas desaparece quando o assunto &eacute; a velha m&iacute;dia. &ldquo;Esses monop&oacute;lios transformaram a liberdade de express&atilde;o e o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o num privil&eacute;gio&rdquo;, apontou Serrano. Desta vez em un&iacute;ssono, Conteris destacou que &ldquo;a velha m&iacute;dia s&oacute; fala pelo 1%, n&atilde;o reflete os outros 99%&rdquo;.<\/p>\n<p>O jornalista e blogueiro brasileiro Lu&iacute;s Nassif preferiu um olhar hist&oacute;rico na tentativa de explicar o lugar da grande m&iacute;dia. &ldquo;Temos uma hist&oacute;ria de movimentos pendulares de altern&acirc;ncia de poder entre for&ccedil;as constitu&iacute;das. Nesse processo, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o sempre representam o poder anterior&rdquo;, afirmou. Nassif destaca como os jornais abriram m&atilde;o da efici&ecirc;ncia estrat&eacute;gia da objetividade jornal&iacute;stica. &ldquo;Quando a linguagem tem essa cara, voc&ecirc; ganha mais credibilidade. Mas os jornais viraram os mais agressivos&rdquo;, observou. &ldquo;Hoje o grande propagador de intoler&acirc;ncia &eacute; a velha m&iacute;dia&rdquo;, diz Nassif. Ignacio Ramonet destacou a crise de identidade da velha m&iacute;dia. &ldquo;Os meios tradicionais n&atilde;o sabem muito bem para que existem&rdquo;, afirmou o criador do Le Monde Diplomatique.<\/p>\n<p>Ainda sobre o lugar dos meios tradicionais, em diversas falas do encontro, transpareceu a ideia de que o poder da velha m&iacute;dia est&aacute; caduco e de que sua derrocada seria um fato positivo que dependeria apenas de tempo. Essa vis&atilde;o parte da ideia de que os sites, blogs e redes sociais j&aacute; teriam autonomia e suficiente capacidade de produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria de informa&ccedil;&atilde;o. Martin Becerra, argentino, pesquisador de pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, contestou essa vis&atilde;o. Para ele, as redes sociais t&ecirc;m agenda subsidi&aacute;ria dos grandes meios comerciais, que ainda s&atilde;o, em suas vers&otilde;es tradicionais ou eletr&ocirc;nicas, as principais fontes de informa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria.<\/p>\n<p>A principal preocupa&ccedil;&atilde;o de Becerra &eacute; com dois riscos trazidos pelo triunfalismo da internet. O primeiro &eacute; o que ele chama de risco meton&iacute;mico. &ldquo;Algumas pessoas acreditam que a temperatura da sociedade est&aacute; bem medida pelas redes sociais, mas n&atilde;o d&aacute; para traduzir o todo por essa parte&rdquo;, disse. O segundo risco vem do fato de que blogs e redes sociais tendem a agrupar aqueles que pensam parecido. O problema a&iacute; &eacute; que essa configura&ccedil;&atilde;o tende a expulsar daquele espa&ccedil;o os que n&atilde;o t&ecirc;m acordo b&aacute;sico com determinados grupos, e criar uma forte homogeneidade interna. &ldquo;Em termos de pluralismo, isso cria um perigo real. A exist&ecirc;ncia atomizada de muitos blogs que reagem aos que pensam diferente pode criar ilus&atilde;o de que na sociedade h&aacute; pluralismo, mas essa ilus&atilde;o debilita muito a no&ccedil;&atilde;o de pluralismo&rdquo;, completou Becerra.<\/p>\n<p>Com a mesma preocupa&ccedil;&atilde;o, Nassif reconhece a import&acirc;ncia da milit&acirc;ncia da Internet, mas afirma a necessidade de reconhecer o surgimento dos mediadores, diferentes daqueles da velha m&iacute;dia. &ldquo;Os mediadores de todos os campos v&atilde;o pegar aquele conjunto de informa&ccedil;&otilde;es e tentar estabelecer &aacute;reas de democratiza&ccedil;&atilde;o, com confronto de ideias, mas sem a selvageria&rdquo;. Para ele, &eacute; preciso entender o processo de forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica para se compreender como as novas m&iacute;dias podem disputar espa&ccedil;o com a velha. &ldquo;O que define o poder da m&iacute;dia &eacute; a capacidade de multiplicar estere&oacute;tipos e slogans&rdquo;, disse. O jornalista explica que esse processo se d&aacute; por c&iacute;rculos &ndash; informa&ccedil;&otilde;es de intelectuais e formadores de opini&atilde;o s&atilde;o processadas pelo jornalismo especializado, que influencia jornalistas mais populares que alcan&ccedil;am os formadores de opini&atilde;o nas fam&iacute;lias. &ldquo;O risco a&iacute; &eacute; que o leitor m&eacute;dio s&oacute; absorve a manchete, o que pode criar o efeito manada, em que o grande p&uacute;blico acompanha a posi&ccedil;&atilde;o de meia d&uacute;zia de l&iacute;deres de opini&atilde;o sem uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica&rdquo;, destaca.<\/p>\n<p><strong>Enquanto isso, no Cairo<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>A despeito da repercuss&atilde;o do ver&atilde;o espanhol e do outono em Wall Street, foi a primavera &aacute;rabe que assistiu &agrave; integra&ccedil;&atilde;o mais potente entre a mobiliza&ccedil;&atilde;o das ruas e as estrat&eacute;gias de mobiliza&ccedil;&atilde;o virtual. O relato de Ahmed Bahgat, blogueiro e ativista digital eg&iacute;pcio, foi uma prova de que a integra&ccedil;&atilde;o entre a luta das ruas e a luta das redes tende a fortalecer as duas. Bahgat narrou as in&uacute;meras estrat&eacute;gias assumidas desde 2005 para tentar furar o bloqueio do governo de Mubarak, que se articularam com slogans, ideias, cartoons e v&iacute;deos que ganhavam as ruas.<\/p>\n<p>As condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas de falta de democracia, de liberdade, de justi&ccedil;a e altas taxas de desigualdade geravam um quadro insustent&aacute;vel havia anos, mas a liga&ccedil;&atilde;o em rede dos cidad&atilde;os eg&iacute;pcios deu condi&ccedil;&otilde;es para que o processo de revolta eclodisse a partir de alguns fatos detonadores. Bahgat mostrou a integra&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias, o que torna dif&iacute;cil tentar separar a mobiliza&ccedil;&atilde;o nas ruas da mobiliza&ccedil;&atilde;o virtual.<\/p>\n<p>A inspira&ccedil;&atilde;o chegava a ser direta. No processo de ocupa&ccedil;&atilde;o das ruas do Cairo, os ativistas adotaram sinais baseados nas interfaces digitais. &ldquo;Nas manifesta&ccedil;&otilde;es, inspirados no twitter, cada um tinha 140 segundos para falar. Inspirados no Facebook, os participantes reagiam com sinais de &#39;curtir&#39; feito com as m&atilde;os&rdquo;, contou Bahgat. Assim como na rede social, n&atilde;o havia sinais de descurtir. &ldquo;O que indicava a desaprova&ccedil;&atilde;o era o sil&ecirc;ncio&rdquo;, diz. O reconhecimento das interfaces com as redes sociais n&atilde;o o fez afirmar que o que se passou no Egito foi uma revolu&ccedil;&atilde;o do twitter ou do facebook, mas para ele n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que a mobiliza&ccedil;&atilde;o virtual fortaleceu as condi&ccedil;&otilde;es de derrubada do regime Mubarak.<\/p>\n<p>Seria um erro, contudo, isolar a an&aacute;lise das tecnologias de seu contexto geopol&iacute;tico, com bem exemplifica o caso saudita. &ldquo;Na Ar&aacute;bia Saudita, temos condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas parecidas com o Egito e a Tun&iacute;sia, mas estamos falando de um pa&iacute;s muito rico e com muito petr&oacute;leo&rdquo;, disse o blogueiro Ahmed Al Omran. Na pr&aacute;tica, a instabilidade naquela regi&atilde;o afeta diretamente toda geopol&iacute;tica mundial. &ldquo;N&atilde;o &agrave; toa, a Ar&aacute;bia buscou parar a revolu&ccedil;&atilde;o ali dentro, mas tamb&eacute;m interferiu diretamente em outras manifesta&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o, como foi o caso do Bahrein&rdquo;, afirmou Al Omran.<strong><\/p>\n<p>Democracia exclusiva<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><br \/>As arbitrariedades do mundo &aacute;rabe s&atilde;o ilustrativas, mas est&atilde;o longe de resumir as exclus&otilde;es que afetam o potencial transformador da rede. Uma das organiza&ccedil;&otilde;es que sentiu isso na pele no &uacute;ltimo ano foi o Wikileaks. Seu porta-voz, o island&ecirc;s Kristinn Hrafnsson, descreveu o caso como um ataque violento das corpora&ccedil;&otilde;es e dos governos ocidentais &agrave; liberdade de express&atilde;o e ao direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;N&atilde;o fomos condenados por nenhum crime em nenhuma jurisdi&ccedil;&atilde;o, mas sofremos repres&aacute;lias e persegui&ccedil;&otilde;es de corpora&ccedil;&otilde;es e governos&rdquo;, contestou.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o interrompeu suas atividades para fazer uma campanha de capta&ccedil;&atilde;o de recursos. O Wikileaks prev&ecirc; que precise de 3,2 milh&otilde;es de d&oacute;lares para o ano de 2012, boa parte disso para abrir processos em v&aacute;rias jurisdi&ccedil;&otilde;es contra as institui&ccedil;&otilde;es financeiras que impedem o recebimento de recursos pela organiza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Mastercard, Visa, PayPal e Western Union permitem que voc&ecirc; transfira dinheiro do tr&aacute;fico de drogas, doe para a Ku Klux Klan ou pague por pornografia infantil, mas n&atilde;o que voc&ecirc; doe ao Wikileaks&rdquo;, constatou Hrafnsson.<\/p>\n<p>Para ele, contudo, o problema maior &eacute; pol&iacute;tico. &ldquo;A m&iacute;dia est&aacute; mais interessada em transformar o Julien Assange em celebridade e em falar do fato de as informa&ccedil;&otilde;es terem vazado do que propriamente no conte&uacute;do dos vazamentos&rdquo;, ressaltou. &ldquo;O problema &eacute; que, sem transpar&ecirc;ncia, democracia &eacute; uma palavra vazia&rdquo;, disse o porta-voz do Wikileaks.<\/p>\n<p>De fato, modelos democr&aacute;ticos podem ser extremamente excludentes. Um elemento de exclus&atilde;o evidente se d&aacute; pelas diferentes condi&ccedil;&otilde;es de acesso &agrave; rede, bastante desigual entre pa&iacute;ses desenvolvidos e em desenvolvimento, e internamente a esses pa&iacute;ses. Outro aspecto &eacute; o problema das diferentes condi&ccedil;&otilde;es de cada cidad&atilde;o em processar as informa&ccedil;&otilde;es recebidas. Ignacio Ramonet assinala que esses s&atilde;o dois motivos para reconhecer o car&aacute;ter limitado dessa democracia digital. &ldquo;N&atilde;o se pode falar em democracia digital se permanece viva uma esp&eacute;cie de voto censit&aacute;rio, em que n&atilde;o s&atilde;o todas as pessoas que t&ecirc;m o estatuto de cidad&atilde;o. E mesmo se todos tiverem acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o significa que democratizamos o conhecimento&rdquo;, lembrou Ramonet.<\/p>\n<p>Em meio a progn&oacute;sticos mais ou menos otimistas, a maior converg&ecirc;ncia do encontro foi a identidade entre aqueles que est&atilde;o experimentando e buscando cotidianamente gerar transforma&ccedil;&atilde;o por meio da atua&ccedil;&atilde;o nas redes, blogs e sites. Pelo reconhecimento dessa identidade, foi formada uma comiss&atilde;o internacional com pessoas de todos as regi&otilde;es do globo, que vai preparar o pr&oacute;ximo encontro, em novembro de 2012, tamb&eacute;m em Foz do Igua&ccedil;u. Algu&eacute;m se arrisca a dizer quais ser&atilde;o os temas em debate daqui a um ano?<\/p>\n<p>Observa&ccedil;&atilde;o: a an&aacute;lise geopol&iacute;tica feita durante o encontroe pelo jornalista brasileiro Pepe Escobar, que escreve para o Asian Times, daria um texto &agrave; parte. Vale pelo menos assistir sua <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=G5oTAruUwJs\" target=\"_blank\">avalia&ccedil;&atilde;o sobre o caso da L&iacute;bia<\/a> .<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O ceticismo e a paix&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao papel da internet foram debatidos no I Encontro Mundial de Blogueiros, que aconteceu entre os dias 27 e 29 de outubro em Foz do Igua&ccedil;u (PR). Especialistas apontaram o monop&oacute;lio da velha m&iacute;dia como cerceador da liberdade de express&atilde;o e o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[952],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26319"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26319\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}