{"id":26300,"date":"2011-10-26T09:53:34","date_gmt":"2011-10-26T09:53:34","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26300"},"modified":"2011-10-26T09:53:34","modified_gmt":"2011-10-26T09:53:34","slug":"governo-paga-pelo-que-poderia-ser-de-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26300","title":{"rendered":"Governo paga pelo que poderia ser de gra\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Governo Federal vai encaminhar ao Congresso a Medida Provis&oacute;ria que cria um regime especial para implanta&ccedil;&atilde;o de redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s at&eacute; 2016. Em outras palavras, vai subsdiar com dinheiro p&uacute;blico a compra de equipamentos e insumos necess&aacute;rios para a implanta&ccedil;&atilde;o de redes de fibra &oacute;tica. Em contrapartida, vai exigir que as empresas destinem parte de seus or&ccedil;amentos para regi&otilde;es fora do eixo Rio-S&atilde;o Paulo-Bras&iacute;lia, &aacute;reas mais lucrativas. Segundo o pr&oacute;prio governo, a isen&ccedil;&atilde;o pode representar ren&uacute;ncias fiscais de R$ 1,2 bilh&atilde;o por ano.<\/p>\n<p>A medida representa o investimento de uma enorme quantidade de dinheiro p&uacute;blico para que as empresas fa&ccedil;am o que deveria ser sua obriga&ccedil;&atilde;o. Mais do que isso: concretamente, a estrat&eacute;gia atual implica recursos p&uacute;blicos a fundo perdido para a constru&ccedil;&atilde;o de redes totalmente privadas por empresas que n&atilde;o t&ecirc;m dificuldade financeira &ndash; j&aacute; movimentam mais de 200 bilh&otilde;es por ano &ndash; e que reverter&atilde;o esses investimentos p&uacute;blicos em lucros privados.<\/p>\n<p><strong>Regime p&uacute;blico<\/strong><\/p>\n<p>Se o servi&ccedil;o de banda larga fixa nas grandes &aacute;reas fosse prestado em regime p&uacute;blico, o Governo Federal poderia impor obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o &agrave;s empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Isto &eacute;, faria por meio de um decreto, sem &ocirc;nus para os cofres p&uacute;blicos, aquilo pelo que hoje se disp&otilde;e a pagar. E poderia dizer concretamente onde deveriam ser os investimentos, sem ficar &agrave; merc&ecirc; das estrat&eacute;gias comerciais das gigantes do setor e de contrapartidas p&iacute;fias.<\/p>\n<p>O regime p&uacute;blico nada mais &eacute; do que a declara&ccedil;&atilde;o de que o servi&ccedil;o &eacute; essencial e deve estar sujeito a obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o e continuidade. O servi&ccedil;o continua a ser prestado por empresas privadas, mas garantem-se metas de universaliza&ccedil;&atilde;o, controle de tarifas e obriga&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas quanto &agrave; infraestrutura. Hoje, s&oacute; a telefonia fixa &eacute; prestada em regime p&uacute;blico. Celular e banda larga s&atilde;o regimes privados, em que as empresas n&atilde;o t&ecirc;m obriga&ccedil;&otilde;es de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o, o pre&ccedil;o &eacute; livre e n&atilde;o h&aacute; nenhuma garantia de universaliza&ccedil;&atilde;o e continuidade.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es alega dois motivos principais para n&atilde;o impor o regime p&uacute;blico: o primeiro &eacute; que isso poderia prejudicar os pequenos provedores. O segundo &eacute; que n&atilde;o haveria interessados, j&aacute; que teria de haver licita&ccedil;&atilde;o para concess&otilde;es e as empresas prefeririam manter as atuais autoriza&ccedil;&otilde;es. A solu&ccedil;&atilde;o para o primeiro problema &eacute; simples; poderia ser adotado um regime misto de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os: privado para as empresas que querem autoriza&ccedil;&otilde;es para atuar em apenas um ou alguns munic&iacute;pios e p&uacute;blico para as empresas que teriam concess&otilde;es estaduais ou em &aacute;reas maiores.<\/p>\n<p>Para resolver o segundo problema, bastaria aplicar o que est&aacute; no artigo 141 da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, ou seja, estabelecer o decaimento das atuais autoriza&ccedil;&otilde;es em cinco anos. Com isso, n&atilde;o haveria mais a possibilidade de se prover o servi&ccedil;o em &aacute;reas maiores do que um estado sem concess&atilde;o espec&iacute;fica. Na pr&aacute;tica, n&atilde;o haveria op&ccedil;&atilde;o: se quiser continuar prestando servi&ccedil;o de banda larga em grandes &aacute;reas, tem de se adaptar ao regime p&uacute;blico.<\/p>\n<p>E como fazer para que isso n&atilde;o favore&ccedil;a apenas as empresas hoje mono ou duopolistas? Isso depende da modelagem adotada. Em princ&iacute;pio, poderiam ser definidas m&uacute;ltiplas licen&ccedil;as por regi&atilde;o, com diferentes cadernos de encargos (lista de obriga&ccedil;&otilde;es a que se comprometem os vencedores das licita&ccedil;&otilde;es), estipulando obriga&ccedil;&otilde;es proporcionais &agrave; capacidade t&eacute;cnica e financeira de cada empresa. A defini&ccedil;&atilde;o de um plano geral de outorgas e desses cadernos de encargos deveria levar em conta, inclusive, o atual mapa de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, dividindo as obriga&ccedil;&otilde;es entre diferentes prestadoras.<\/p>\n<p><strong>Desprivatiza&ccedil;&atilde;o da Anatel<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; claro que a defini&ccedil;&atilde;o de que o servi&ccedil;o de banda larga fixa passa a ser prestado em regime p&uacute;blico n&atilde;o resolve automaticamente os problemas atuais do servi&ccedil;o, que &eacute; caro, lento e de alcance limitado. A telefonia fixa &eacute; um exemplo de como o regime p&uacute;blico ajuda a induzir investimentos (n&atilde;o foi por vontade pr&oacute;pria que as empresas investiram bilh&otilde;es de reais no per&iacute;odo p&oacute;s-privatiza&ccedil;&atilde;o) e a universalizar a oferta (a telefonia fixa est&aacute; dispon&iacute;vel em todas as localidades de mais de 100 habitantes, porque as empresas foram obrigadas a isso), mas &eacute; tamb&eacute;m exemplo de como se depende de uma a&ccedil;&atilde;o firme do &oacute;rg&atilde;o regulador para poder garantir universaliza&ccedil;&atilde;o e modicidade tarif&aacute;ria.<\/p>\n<p>A assinatura fixa, por exemplo, impede o acesso de milh&otilde;es de brasileiros ao servi&ccedil;o, e j&aacute; poderia ser quatro vezes menor do que o valor atual, se a Anatel n&atilde;o fosse t&atilde;o leniente e protetora dos interesses das empresas. Em suma, a ado&ccedil;&atilde;o de um regime misto (p&uacute;blico e privado) &eacute; um primeiro passo necess&aacute;rio para que o Governo Federal n&atilde;o pague para sustentar um monop&oacute;lio privado que presta um servi&ccedil;o p&uacute;blico essencial. Mas para fazer prevalecer de fato o interesse p&uacute;blico &eacute; preciso tamb&eacute;m desprivatizar a Anatel e garantir que ela utilize todos os instrumentos regulat&oacute;rios que t&ecirc;m a seu dispor no regime p&uacute;blico, sem se dobrar &agrave;s chantagens das grandes empresas.<br \/><em><br \/><strong>Jo&atilde;o Brant<\/strong> &eacute; integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<br \/><strong>Veridiana Alimonti<\/strong> &eacute; advogada do Idec &ndash; Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es pretende diminuir impostos para investimento em infraestrutura para banda larga sem contrapartidas espec&iacute;ficas das empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[363],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26300"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26300"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26300\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}