{"id":26258,"date":"2011-10-19T12:52:51","date_gmt":"2011-10-19T12:52:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26258"},"modified":"2014-09-07T03:02:20","modified_gmt":"2014-09-07T03:02:20","slug":"as-relacoes-ambiguas-do-governo-com-a-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26258","title":{"rendered":"As rela\u00e7\u00f5es amb\u00edguas do governo com a m\u00eddia"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Nesta semana, a revista <em>Veja<\/em> fez mais uma den&uacute;ncia de corrup&ccedil;&atilde;o contra um Ministro de Estado. &Eacute; dif&iacute;cil saber o que h&aacute; de verdade ali, pois a reportagem vale-se apenas do depoimento de uma testemunha, que em entrevista &agrave; <em>Folha de S. Paulo<\/em> diz n&atilde;o ter prova de nada. Mesmo assim, a mat&eacute;ria pauta os principais ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o, com destaque para o <em>Jornal Nacional<\/em>, da Rede Globo. <\/p>\n<p>O Ministro, por sua vez, sai atirando. Responde ao acusador no mesmo calibre. &ldquo;Bandido&rdquo; &eacute; a palavra que ricocheteia em todas as p&aacute;ginas e telas. O caso &eacute; nebuloso. A rela&ccedil;&atilde;o prom&iacute;scua do Estado com ONGs e &ldquo;entidades sem fins lucrativos&rdquo; precisa sempre ser examinada com lupa potente. &Eacute; um dos legados da privatiza&ccedil;&atilde;o esperta dos anos 1990, feita atrav&eacute;s de terceiriza&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os que deveriam ser p&uacute;blicos.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"padrao\">Aliados do governo tentam desqualificar n&atilde;o apenas a den&uacute;ncia, mas o veiculo que a difunde. Volta o debate de que estar&iacute;amos diante de uma imprensa golpista, que n&atilde;o se conforma com a mudan&ccedil;a de rumos operada no pa&iacute;s desde 2003, que quer inviabilizar o governo etc. etc. A grande imprensa, por sua vez viciou-se em acusar todos os que discordam de seus m&eacute;todos de clamarem pela volta da censura. H&aacute; muita fuma&ccedil;a e pouco fogo nisso tudo, mas faz parte do show. Disputa pol&iacute;tica &eacute; assim mesmo.<\/p>\n<p><strong>Manique&iacute;smo<\/p>\n<p><\/strong>&Eacute; preciso colocar racionalidade no debate sobre os meios de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, para que n&atilde;o deslizemos para manique&iacute;smos est&eacute;reis. Vamos antes enunciar um pressuposto.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"padrao\">A grande imprensa brasileira est&aacute; concentrada em poucas m&atilde;os. Oito empresas &ndash; Globo, Bandeirantes, Record, SBT, Abril, Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Rede Brasil Sul (RBS) &ndash; produzem e distribuem a maior parte da informa&ccedil;&atilde;o consumida no Brasil. O espectro vai se abrir um pouco nos pr&oacute;ximos anos, para que as gigantes da telefonia mundial se incorporem ao time, atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para a TV a cabo. Mas o conjunto seguir&aacute; como um dos clubes mais fechados do mundo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"padrao\">As corpora&ccedil;&otilde;es existentes h&aacute; cinco d&eacute;cadas &ndash; Globo, Estado, Folha e Abril &ndash; apoiaram abertamente o golpe de 1964. At&eacute; hoje n&atilde;o explicaram &agrave; sociedade brasileira como realizam a proeza de falar em democracia tendo este feito em sua hist&oacute;ria.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"padrao\">Entre todos os meios, a revista <em>Veja<\/em> se sobressai como o produto mais truculento e parcial da imprensa brasileira.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"padrao\">Sobre golpismo, &eacute; bom ser claro. As classes dominantes brasileiras n&atilde;o se pautam pelas boas maneiras na defesa de seus interesses. Sempre que precisaram, acabaram com o regime democr&aacute;tico. Usaram para isso, &agrave; farta, seus meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><strong><br \/>A imprensa &eacute; golpista?<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><span style=\"font-weight: normal\"><br \/>No entanto, at&eacute; agora n&atilde;o se sabe ao certo porque esta m&iacute;dia daria um golpe nos dias que correm. O sistema financeiro colhe aqui lucros exorbitantes. A reforma agr&aacute;ria emperrou. Grandes empres&aacute;rios possuem assento em postos proeminentes do Estado &ndash; caso de Jorge Gerdau Johannpeter &ndash; ou t&ecirc;m seus interesses mantidos intocados.<\/p>\n<p>Algumas pe&ccedil;as n&atilde;o se encaixam na acusa&ccedil;&atilde;o de golpismo da m&iacute;dia. Voltemos &agrave; revista <\/span><em>Veja<\/em><span style=\"font-weight: normal\">. Os apoiadores do governo precisam explicar porque a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica forra a publica&ccedil;&atilde;o com vultosas verbas publicit&aacute;rias, al&eacute;m de sempre prestigiarem suas iniciativas. Vamos conferir, pois est&aacute; tudo na internet. <\/p>\n<p>Veja tem uma tiragem de 1.198.884 exemplares (<\/span><a href=\"http:\/\/www.publiabril.com.br\/tabelas-gerais\/revistas\/circulacao-geral\" target=\"_blank\">http:\/\/www.publiabril.com.br\/tabelas-gerais\/revistas\/circulacao-geral<\/a>), auditados pelo IVC. Alega ter um total de 8.669.000 leitores. Por conta disso, os pre&ccedil;os de seus espa&ccedil;os publicit&aacute;rios s&atilde;o os mais altos entre a imprensa escrita. Veicular um reclame em uma p&aacute;gina determinada sai por R$ 330.460. J&aacute; em uma p&aacute;gina indeterminada, a dolorosa fica por R$ 242.200 (<a href=\"http:\/\/www.publiabril.com.br\/marcas\/veja\/revista\/precos\" target=\"_blank\">http:\/\/www.publiabril.com.br\/marcas\/veja\/revista\/precos<\/a>).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Quem anuncia em <em>Veja<\/em>? Bancos, a ind&uacute;stria automobil&iacute;stica, gigantes da inform&aacute;tica, monop&oacute;lios do varejo e&#8230; o governo federal. Peguemos um exemplar recente para verificar isso.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Na edi&ccedil;&atilde;o de 12 de outubro &ndash; que noticiou a morte de Steve Jobs &ndash; havia cinco inser&ccedil;&otilde;es do governo federal. <span style=\"font-weight: normal\">Os an&uacute;ncios eram do Banco do Brasil (p&aacute;gina dupla), do BNDES, do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, da Ag&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de e da Empresa Brasileira de Correios e Tel&eacute;grafos. Supondo-se que as propagandas n&atilde;o foram destinadas a p&aacute;ginas determinadas e que os pre&ccedil;os de tabela foram efetivamente cobrados, teremos um total de R$ 1.525.200. <\/span><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"padrao\">Exato: em uma semana apenas, o governo federal destinou R$ 1,5 milh&atilde;o ao seman&aacute;rio dos Civita, a quem seus aliados chamam de &ldquo;golpista&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><strong>Prest&iacute;gio pol&iacute;tico<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><span style=\"font-weight: normal\"><br \/>H&aacute; tamb&eacute;m o prest&iacute;gio pol&iacute;tico que o governo confere ao informativo. <\/span>Prova disso foi o comparecimento maci&ccedil;o de ministros de Estado e parlamentares governistas &agrave; festa de quarenta anos de&nbsp;<em>Veja<\/em>, em setembro de 2008. Nas comemora&ccedil;&otilde;es, estiveram presentes o ent&atilde;o vice-presidente da Rep&uacute;blica, Jos&eacute; Alencar, o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a ent&atilde;o&nbsp;ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o ex-ministro da Justi&ccedil;a, Marcio Thomaz Bastos, o ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Fernando Haddad e a senadora Marta Suplicy (confiram em <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/veja_40anos\/40anos.html\" target=\"_blank\"><font color=\"#0068cf\">http:\/\/veja.abril.com.br\/veja_40anos\/40anos.html<\/font><\/a>).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">E entre julho de 2010 e julho de 2011, nada menos que seis integrantes dos altos escal&otilde;es governamentais concederam entrevista &agrave;s p&aacute;ginas amarelas da revista. S&atilde;o eles: Dilma Rousseff, Aldo Rebelo, C&acirc;ndido Vaccarezza, Antonio Patriota, General Enzo Petri e Luciano Coutinho.  <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal\" class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><span style=\"font-weight: normal\">Nenhum demonstrou o desprendimento e a sensatez do assessor especial da presid&ecirc;ncia, Marco Aur&eacute;lio Garcia (ent&atilde;o presidente interino do PT). Ao ser convidado para conceder uma entrevista a Diogo Mainardi, em novembro de 2006, deu a seguinte resposta: <\/span>&ldquo;Sr. Diogo Mainardi, h&aacute; alguns anos &ndash; da data n&atilde;o me lembro &ndash; o senhor dedicou-me uma coluna com fortes cr&iacute;ticas. Minha resposta n&atilde;o foi publicada pela <em>Veja<\/em>, mas sim, a <span style=\"text-decoration: none\">sua<\/span> resposta &agrave; minha resposta, que, ali&aacute;s, foi republicada em um de seus livros. Desde ent&atilde;o decidi n&atilde;o falar com a sua revista. Seu sintom&aacute;tico compromisso em n&atilde;o cortar minhas declara&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; confi&aacute;vel. Meu infinito apre&ccedil;o pela liberdade de imprensa n&atilde;o vai ao ponto de conceder-lhe uma entrevista&rdquo;. <\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><strong><br \/>RBS, Ol&iacute;vio e Lula<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">As rela&ccedil;&otilde;es amb&iacute;guas do governo e dos partidos da chamada base aliada com a grande m&iacute;dia n&atilde;o se restringem &agrave; <em>Veja<\/em>.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Entraram para a hist&oacute;ria a campanha de den&uacute;ncias e desgaste sistem&aacute;tico que os ve&iacute;culos da RBS moveram contra o governo de Ol&iacute;vio Dutra (1999-2003), do PT, no Rio Grande do Sul. Ataques sem provas, cal&uacute;nias, mentiras e todo tipo de baixaria foi utilizada para inviabilizar uma gest&atilde;o que buscou inverter prioridades administrativas. No auge dos ataques, em 2000, o jornal <em>Zero Hora<\/em>, do grupo, fez um ousado lance de <em>marketing<\/em>. Convidou Lu&iacute;s In&aacute;cio Lula da Silva para ser colunista regular. At&eacute; a campanha de 2002, o futuro presidente da Rep&uacute;blica escreveu semanalmente no jornal, como se n&atilde;o tivesse rela&ccedil;&atilde;o com as ocorr&ecirc;ncias locais. Quando abriu m&atilde;o da colabora&ccedil;&atilde;o, Lula afirmou que o jornal prejudicava seu c ompanheiro ga&uacute;cho (<a href=\"http:\/\/noticias.terra.com.br\/imprime\/0,85198,OI38721-EI342,00.html\" target=\"_blank\">http:\/\/noticias.terra.com.br\/imprime\/0,85198,OI38721-EI342,00.html<\/a>). O jornal ganhou muito mais que o ex-metal&uacute;rgico nessa parceria. Ficou com a imagem de um ve&iacute;culo plural e tolerante.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">No mesmo ano, o ex-Ministro Jos&eacute; Dirceu foi entrevistado pelo <em>Pasquim 21<\/em>, jornal lan&ccedil;ado pelo cartunista Ziraldo. Naqueles tempos, as empresas de m&iacute;dia enfrentavam aguda crise, por terem se endividado em d&oacute;lares nos anos 1990. Com a quebra do real no final da d&eacute;cada, os d&eacute;bitos ficaram impag&aacute;veis. L&aacute; pelas tantas, Dirceu afirmou que salvar a Globo seria uma &ldquo;quest&atilde;o de seguran&ccedil;a nacional&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Comemorando juntos<br \/><\/strong><br \/><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><span style=\"font-weight: normal\">As boas rela&ccedil;&otilde;es com a grande m&iacute;dia se mantiveram ainda nas comemora&ccedil;&otilde;es dos 90 anos da <\/span><em>Folha de S. Paulo<\/em><span style=\"font-weight: normal\">, em janeiro deste ano. Estiveram presentes &agrave; festa (<\/span><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha90anos\/879061-politicos-e-personalidades-defendem-a-liberdade-de-imprensa.shtml\" target=\"_blank\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha90anos\/879061-politicos-e-personalidades-defendem-a-liberdade-de-imprensa.shtml<\/a><span style=\"font-weight: normal\">) a presidente Dilma Rousseff &ndash; convidada de honra, que proferiu discurso recheado de elogios ao jornal &ndash; a senadora Marta Suplicy, colunista do mesmo, Candido Vaccarezza, l&iacute;der do governo na C&acirc;mara, os ex-Ministros Jos&eacute; Dirceu e Marcio Thoma z Bastos e o prefeito de S&atilde;o Bernardo, Luiz Marinho. A <\/span><em>Folha<\/em><span style=\"font-weight: normal\"> tamb&eacute;m recebe farta publicidade governamental, do Banco do Brasil, da Petrobr&aacute;s, da Caixa Econ&ocirc;mica federal, entre outras. <\/span><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Nos momentos de dificuldade, dirigentes do governo procuram sempre a grande imprensa para exporem suas id&eacute;ias. Foi o caso de Antonio Pallocci, em 3 de junho &uacute;ltimo. Acossado por den&uacute;ncias de enriquecimento il&iacute;cito, o ex-Chefe da Casa Civil convocou o <em>Jornal Nacional<\/em>, para dar suas explica&ccedil;&otilde;es ao p&uacute;blico (<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Y5m_wyahXjY\" target=\"_blank\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Y5m_wyahXjY<\/a>).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O mesmo Antonio Palocci &ndash; colunista da <em>Folha de S. Paulo<\/em> entre 2009 e 2010 &#8211; dividiu mesas com Roberto Civita, Reinaldo Azevedo, Demetrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Otavio Frias Filho e outros, em palestra no afamado Instituto Millenium, em mar&ccedil;o de 2010 (<a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=16432\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=16432<\/a>). A entidade congrega empres&aacute;rios do ramo e seus funcion&aacute;rios e se op&otilde;e a qualquer tipo de regula&ccedil;&atilde;o em suas atividades.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Os casos de proximidade do governo e seus partidos com a imprensa s&atilde;o extensos. Uma das balizas dessas rela&ccedil;&otilde;es &eacute; o bolo da publicidade oficial. Segundo a Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (Secom <a href=\"http:\/\/www.secom.gov.br\/sobre-a-secom\/publicidade\/midia\/acoes-programadas-em-r\/copy3_of_total-geral-administracao-direta-todos-os-orgaos-indireta-todas-as-empresas\" target=\"_blank\">http:\/\/www.secom.gov.br\/sobre-a-secom\/publicidade\/midia\/acoes-programadas-em-r\/copy3_of_total-geral-administracao-direta-todos-os-orgaos-indireta-todas-as-empresas<\/a>), a receita publicit&aacute;ria oficial em 2010 foi de <span style=\"font-weight: normal\">R$ 1.628.920.472,60. Incluem-se a&iacute; os custos de produ&ccedil;&atilde;o e veicula&ccedil;&atilde;o de campanhas, tanto da administra&ccedil;&atilde;o direta quanto indireta. Ressalte-se aqui um ponto: &eacute; leg&iacute;timo o governo federal valer-se da publicidade para se comunicar com a popula&ccedil;&atilde;o. A maior parte do bolo vai para os grandes grupos do setor.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><span style=\"font-weight: normal\"><br \/>No caso das compras de livros did&aacute;ticos feitos pelo MEC, para as escolas p&uacute;blicas, o grande benefici&aacute;rio &eacute; o Grupo Abril, que edita <\/span><em>Veja<\/em><span style=\"font-weight: normal\"> (<\/span><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=20737\" target=\"_blank\">http:\/\/www.horadopovo.com.br\/2010\/dezembro\/2921-08-12-2010\/P4\/pag4a.htm<\/a>)<span style=\"font-weight: normal\">. <br \/><\/span><br \/><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><strong>Reclama&ccedil;&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Apesar do PT, partido do governo, ter feito uma mo&ccedil;&atilde;o sobre a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es em seu &uacute;ltimo Congresso e do ex-ministro Jos&eacute; Dirceu ter sido injustamente atacado recentemente pela <em>Veja<\/em>, &eacute; dif&iacute;cil saber exatamente que tipo de rela&ccedil;&atilde;o governo e partidos aliados desejam manter com os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. De um lado, como se v&ecirc;, acusam a m&iacute;dia de ser golpista. De outro, lhe d&atilde;o todo o apoio.  <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Pode ser que tenham medo da imprensa. Mas o que n&atilde;o se pode &eacute; ter um duplo comportamento no caso. Diante da opini&atilde;o p&uacute;blica falam uma coisa, enquanto agem de forma distinta na pr&aacute;tica.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/>O ex-presidente Lula reclamou muito da imprensa em seu &uacute;ltimo ano de mandato. No entanto, &ldquo;N&atilde;o houve qualquer altera&ccedil;&atilde;o fundamental no quadro de concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade da m&iacute;dia no Brasil entre 2003 e 2010&rdquo;. Essa constata&ccedil;&atilde;o &eacute; feita pelo professor Ven&iacute;cio Lima em brilhante artigo, publicado no final de 2010 (<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=22705\" target=\"_blank\"><font color=\"#0068cf\">http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4902<\/font><\/a>). <\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">As resolu&ccedil;&otilde;es da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, realizada em 2009, mofam em algum escaninho do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. O Plano Nacional de Banda Larga, que deveria fazer frente ao monop&oacute;lio das operadoras privadas, acabou incorporando todas as demandas empresariais. O projeto de regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins desapareceu da agenda.  <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Como se pode ver, o governo e seus partidos de sustenta&ccedil;&atilde;o convivem muito bem com a m&iacute;dia como ela &eacute;. T&ecirc;m muita proximidade e pontos de contato, apesar de existirem vozes isoladas dentro deles, que n&atilde;o compactuam com a vis&atilde;o majorit&aacute;ria.  <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Nenhum dos lados tem moral para reclamar do outro&#8230;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><em>* Gilberto Maringoni &eacute; jornalista e cartunista, &eacute; doutor em Hist&oacute;ria pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e autor de &ldquo;A Venezuela que se inventa &ndash; poder, petr&oacute;leo e intriga nos tempos de Ch&aacute;vez&rdquo; (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo)<\/em><\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp; <\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Enquanto seus apoiadores acusam a m&iacute;dia de ser golpista, governo prestigia e destina farta publicidade aos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1594],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26258"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26258"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28274,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26258\/revisions\/28274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}