{"id":26138,"date":"2011-09-23T15:53:19","date_gmt":"2011-09-23T15:53:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26138"},"modified":"2011-09-23T15:53:19","modified_gmt":"2011-09-23T15:53:19","slug":"governo-e-sociedade-civil-divergem-sobre-rumos-da-banda-larga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26138","title":{"rendered":"Governo e sociedade civil divergem sobre rumos da banda larga"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A presidente Dilma Rousseff deve assinar, em breve, mais um decreto que visa efetivar metas do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), lan&ccedil;ado no fim de junho. Depois de for&ccedil;ar as teles a oferecer conex&atilde;o de um mega a R$ 35 por m&ecirc;s, o governo agora promete obrigar as empresas a entregar velocidades mais pr&oacute;ximas da te&oacute;rica.<\/p>\n<p>&ldquo;Vamos exigir que as operadoras que tenham mais de 50 mil clientes ofere&ccedil;am pelo menos 60% da velocidade contratada pelo usu&aacute;rio, imediatamente, em crescente progress&atilde;o at&eacute; 80%, no prazo de dois anos&rdquo;, anunciou nessa quinta-feira (22) o secret&aacute;rio-executivo do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, Cezar Alvarez, durante semin&aacute;rio que discutiu o PNBL na Universidade de Bras&iacute;lia (UnB).<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio, entretanto, foi insuficiente para acalmar representantes da sociedade civil, que andam descontentes com os rumos do PNBL. &quot;As pol&iacute;ticas deste governo est&atilde;o se afastando cada vez mais do horizonte da universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso&quot;, disse o coordenador do Coletivo Intervozes, Jo&atilde;o Brant. &quot;Nesses nove meses de governo Dilma, o minist&eacute;rio sequer reuniu as entidades para discutir as perspectivas do servi&ccedil;o de banda larga.&quot;<\/p>\n<p>Nos pr&oacute;ximos dias, a C&acirc;mara vai instalar uma subcomiss&atilde;o para acompanhar a execu&ccedil;&atilde;o do plano. Presente ao semin&aacute;rio, o futuro relator da subcomiss&atilde;o, Newton Lima (PT-SP), promete atuar para que o governo ou&ccedil;a os movimentos. &ldquo;A banda larga est&aacute; para a nova economia como a energia el&eacute;trica esteve para a economia do s&eacute;culo passado. &Eacute; uma tecnologia que serve de suporte para o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Mas, at&eacute; que o di&aacute;logo evolua, a sociedade reclama. Uma das principais reivindica&ccedil;&otilde;es &eacute; que o governo troque o objetivo de &quot;massificar&quot; banda larga pelo de &quot;universalizar&quot;. A diferen&ccedil;a &eacute; que, no primeiro caso, vale a l&oacute;gica do mercado e, no segundo, a da cidadania.<\/p>\n<p>&ldquo;Universalizar significa dizer que todos ter&atilde;o determinada qualidade m&iacute;nima, e quem n&atilde;o puder pagar, ser&aacute; subsidiado&rdquo;, afirmou Marcos Dantas, que representou, no semin&aacute;rio, a Uni&atilde;o Latino Americana de Economia Pol&iacute;tica da Informa&ccedil;&atilde;o, da Comunica&ccedil;&atilde;o e da Cultura, Marcos Dantas.<\/p>\n<p>O professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e representante da Casa de Cultural Digital, S&eacute;rgio Amadeu, acrescentou ao rol de cobran&ccedil;as a exig&ecirc;ncia de controle social do plano. &ldquo;O poder das teles &eacute; compar&aacute;vel ao do setor financeiro. Por isso, &eacute; t&atilde;o importante o controle social. Quem controla os cabos n&atilde;o pode ter controle dos conte&uacute;dos, da tecnologia. Isso &eacute; vital para a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica brasileira&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Para eles e outros representantes das dezenas de entidades que assinam a campanha &ldquo;Banda Larga para todos&rdquo;, &eacute; um contra-senso o Brasil oferta de um mega de velocidade, enquanto outros pa&iacute;ses desenvolvidos ou em desenvolvimento planejam universalizar servi&ccedil;os at&eacute; cem vezes mais r&aacute;pidos Al&eacute;m disso, a garantia de que o usu&aacute;rio receber&aacute; 60% da velocidade contratada foi considerada irris&oacute;ria. &ldquo;N&oacute;s estamos travando uma discuss&atilde;o que j&aacute; foi superada no s&eacute;culo passado&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Coordenador do Instituto Telecom e representante da sociedade civil no Conselho Consultivo da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), Marcello Miranda acredita que o governo comete tr&ecirc;s erros principais. Delegar a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o ao setor privado. N&atilde;o regulament&aacute;-lo. E, principalmente, criar dois mundos diferentes: o dos pobres, com acesso a 1 mega, e o dos ricos, que podem pagar por planos mais velozes.<\/p>\n<p>Projeto em constru&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>Cezar Alvarez rebateu as cr&iacute;ticas. &ldquo;Temos um projeto estrat&eacute;gico em constru&ccedil;&atilde;o. A afirma&ccedil;&atilde;o da banda larga para todos como direito &eacute; um projeto a ser disputado&rdquo;, acrescentou, lembrando que a press&atilde;o das operadoras para evitar a regula&ccedil;&atilde;o do setor tem sido forte e constante. &ldquo;N&atilde;o podemos subestimar a oferta de 1Mbps a R$ 35, que melhorar&aacute; o acesso para todos. Quem paga hoje R$ 45 por 1 MB, passar&aacute; a pagar por 2.&quot;<\/p>\n<p>Segundo ele, a implanta&ccedil;&atilde;o do PNBL tem sido bastante positiva. &ldquo;Todas as escolas das &aacute;reas urbanas brasileiras j&aacute; possuem servi&ccedil;o de internet r&aacute;pida&rdquo;, exemplificou. Informou tamb&eacute;m que, at&eacute; 2014, as doze cidades sedes da Copa oferecer&atilde;o servi&ccedil;os de internet com velocidade de 4 megas.<\/p>\n<p>O presidente da Telebr&aacute;s, Caio Bonilha, corroborou a vis&atilde;o otimista. &ldquo;Os custos da banda larga ca&iacute;ram quase 50% desde que a Telebr&aacute;s foi reativada, e passou a promover a concorr&ecirc;ncia do setor&rdquo;, observou. Para ele, s&oacute; a competi&ccedil;&atilde;o leva &agrave; expans&atilde;o &#8211; enquanto a telefonia fixa, que &eacute; fortemente regulada, estagnou, disse, a telefonia m&oacute;vel, que &eacute; aberta, cresce sem parar.<\/p>\n<p>Marcos Dantas contestou. &ldquo;Os brasileiros t&ecirc;m mais 200 milh&otilde;es de celulares, mas s&atilde;o celulares pela metade, que apenas recebem liga&ccedil;&otilde;es, porque seus usu&aacute;rios n&atilde;o t&ecirc;m como pagar pelas tarifas&rdquo;, rebateu. Para o professor, n&atilde;o foi a competi&ccedil;&atilde;o que provocou a expans&atilde;o dos servi&ccedil;os de telefonia m&oacute;vel, mas sim os contratos impondo planos de metas &agrave;s operadoras.<\/p>\n<p><strong>Caro, ruim e desigual<\/strong><\/p>\n<p>Governo e sociedade civil concordam em pelo menos um ponto: o atual sistema de banda larga brasileiro &eacute; caro, ruim e desigual. O pre&ccedil;o m&eacute;dio para um mega &eacute; de R$ 45. E o usu&aacute;rio, na maioria das vezes, navega com inferior &agrave; metada da contratada, j&aacute; que ainda n&atilde;o &eacute; exigido das operadoras o cumprimento de metas de qualidade.<\/p>\n<p>Conforme a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domic&iacute;lios de 2009 do IBGE, apenas 27,4% dos lares t&ecirc;m acesso &agrave; internet.&nbsp; Na faixa dos que recebem mais de cinco sal&aacute;rios m&iacute;nimos per capita, 75,6% navegavam na rede mundial. Entre os sem rendimentos at&eacute; um quarto do sal&aacute;rio m&iacute;nimo, eram apenas 13%.<\/p>\n<p>O presidente da Telebr&aacute;s acrescentou que, segundo do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (IPEA), apenas 12% dos domic&iacute;lios brasileiros s&atilde;o atendidos por banda larga. E, disse Bonilha, 30% dos brasileiros, que vivem em &aacute;reas mais pobres e pouco povoadas, s&oacute; ter&atilde;o banda larga se o governo assumir sozinho, em fun&ccedil;&atilde;o de custos altos e baixo retorno que n&atilde;o estimulam as teles.<\/p>\n<p>Ele mostrou tamb&eacute;m que as desigualdades regionais no acesso &agrave; internet r&aacute;pida s&atilde;o imensas. Sul e Sudeste concentram 80% das conex&otilde;es, enquanto Nordeste e Centro-Oeste possuem 9% cada e, o Norte, apenas 2%. A desigualdade afeta, ainda, a oferta. Dois grandes provedores dominam 90% do mercado. &ldquo;S&atilde;o os pequenos que promovem a Banda Larga nas &#39;franjas&#39; das cidades, onde as grandes operadoras n&atilde;o t&ecirc;m interesse de atuar&rdquo;, afirmou Bonilha.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff deve assinar, em breve, mais um decreto que visa efetivar metas do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), lan&ccedil;ado no fim de junho. 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