{"id":26133,"date":"2011-09-22T14:30:50","date_gmt":"2011-09-22T14:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26133"},"modified":"2011-09-22T14:30:50","modified_gmt":"2011-09-22T14:30:50","slug":"celular-brasileiro-continua-o-mais-caro-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26133","title":{"rendered":"Celular brasileiro continua o mais caro do mundo"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Brasil &eacute; mesmo um pa&iacute;s contradit&oacute;rio, tamb&eacute;m no mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Ao mesmo tempo em que pode comemorar a&nbsp; queda no pre&ccedil;o da banda larga fixa, continua a ostentar o vergonhoso primeiro lugar no que se refere ao pre&ccedil;o das liga&ccedil;&otilde;es do celular. Esta constata&ccedil;&atilde;o pode ser recolhida no amplo estudo realizado a cada dois anos pela Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (UIT), intitulado &ldquo;Measuring Information Society&rdquo;, que acompanha o desempenho, avan&ccedil;os e derrotas de 165 pa&iacute;ses na constru&ccedil;&atilde;o da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Pois est&aacute; l&aacute; no estudo. O pre&ccedil;o da cesta de celular (que inclui 30 chamadas saintes e 100 SMS) do Brasil era, em 2010,&nbsp; US$ 57,1, ou US$ 64,6 se considerado o PPP (paridade com poder de compra). Em valores absolutos, o brasileiro paga para falar no celular e mandar 100 torpedos por m&ecirc;s t&atilde;o caro quanto os ricos&nbsp; Sui&ccedil;os (que pagam pela mesma cesta US$ 57) ou japoneses (US$ 55,9). Mas para esses mesmos su&iacute;&ccedil;os e japoneses esses valores caem para US$ 38,7 e US$ 42,7 se considerado o poder de compra. No Brasil, aumenta.<\/p>\n<p>No index geral da institui&ccedil;&atilde;o, embora o Brasil tenha a tarifa de telefonia m&oacute;vel mais alta do mundo, n&atilde;o fica na &uacute;ltima posi&ccedil;&atilde;o, mas na 125&ordf; coloca&ccedil;&atilde;o, pois o pre&ccedil;o &eacute; comparado com a renda per capta, o que faz com que o brasileiro comprometa 8,5% de sua renda com a telefonia celular. Se for somada a cesta de telefone celular, telefone fixo e banda larga, o comprometimento da renda do brasileiro cai para 4,8% da renda, porque outros servi&ccedil;os est&atilde;o mais baratos.<\/p>\n<p>E a&iacute; entra o bom desempenho da banda larga fixa no Brasil. &Eacute; bem verdade que no mundo o pre&ccedil;o da banda larga caiu 52,2% entre 2008 e 2010, conforme o estudo, mas&nbsp; no Brasil ela teve uma queda relativa maior, de 64%. A cesta medida em todos os pa&iacute;ses &eacute;&nbsp; formada pelo pre&ccedil;o de uma assinatura para o pacote baseado no download de 1 Gbps e ela s&oacute; apura o valor da banda larga fixa. O pre&ccedil;o da banda larga m&oacute;vel, por variar muito, a UIT prefere n&atilde;o mensurar (por enquanto).<\/p>\n<p>A banda larga fixa custava para o brasileiro, em 2010, US$ 16,9, ou US$ 19,1 pelo PPP. Isso significa um comprometimento de 2,5% da renda para acessar a internet a velocidade mais r&aacute;pida. O dram&aacute;tico &eacute; que em muitos pa&iacute;ses subdesenvolvidos a banda larga chega a comprometer 2,5 mil por cento a renda per capta, como em Guin&eacute; ( 2.594%).<\/p>\n<p><strong>Como explicar a contradi&ccedil;&atilde;o brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>Mas, como explicar que o celular &ndash; que est&aacute; em um mercado competitivo, com cinco grupos distintos disputando palmo a palmo os clientes em todo o pa&iacute;s &ndash; cobre&nbsp; um pre&ccedil;o t&atilde;o alto? E a banda larga, servi&ccedil;o cuja competi&ccedil;&atilde;o s&oacute; se instalou em pouco mais de 200 cidades, tenha apresentado quedas significativas nos seus pre&ccedil;os?<\/p>\n<p>Alguns poder&atilde;o argumentar que, na banda larga, o ICMS (que &eacute; efetivamente muito alto) foi retirado. O que &eacute; uma verdade parcial, visto que no ano de 2010, base do estudo, somente o estado de S&atilde;o Paulo tinha aderido &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do imposto e o n&uacute;mero de acessos banda larga vendidos sem este imposto estadual era ainda bem pequeno, n&atilde;o sendo capaz de afetar de maneira t&atilde;o significativa&nbsp; a queda no pre&ccedil;o do servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Acho que os especialistas t&ecirc;m que encontrar as explica&ccedil;&otilde;es. Mas ouso arriscar algumas opini&otilde;es. Na banda larga, o governo resolveu agir como indutor e regulador. Criou a Telebras, lan&ccedil;ou o PNBL. O mercado reagiu. E o pre&ccedil;o caiu.<\/p>\n<p>E no celular? No celular, este pre&ccedil;o t&atilde;o fora da curva tem embutida a VU-M (tarifa de interconex&atilde;o), tarifa monopolista para remunerar as redes. Mesmo mudando todo dia de operadora, o cliente n&atilde;o pode escapar dela, nem pagar valor diferente. E onde est&aacute; a proposta da Anatel, que previa uma redu&ccedil;&atilde;o gradual e t&iacute;mida desta tarifa? Mais um ano vai acabar e a tentativa de redu&ccedil;&atilde;o desta tarifa mais uma vez sumiu nos escaninhos da ag&ecirc;ncia. E assim continuamos pagando o celular mais caro do mundo. Pre&ccedil;o sui&ccedil;o. E a qualidade? <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil &eacute; mesmo um pa&iacute;s contradit&oacute;rio, tamb&eacute;m no mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es. 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