{"id":26099,"date":"2011-09-13T16:30:55","date_gmt":"2011-09-13T16:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26099"},"modified":"2011-09-13T16:30:55","modified_gmt":"2011-09-13T16:30:55","slug":"o-conteudo-precisa-estar-livre-para-circular-por-todos-os-canais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26099","title":{"rendered":"&#8220;O conte\u00fado precisa estar livre para circular por todos os canais&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>[T&iacute;tulo original: Ancine j&aacute; prepara regras para as cotas e coliga&ccedil;&atilde;o entre programadores e empacotadores]<\/em><\/p>\n<p>A Ancine tem muito a fazer. Com a san&ccedil;&atilde;o de ontem do PLC 116 &#8211; que agora &eacute; a Lei 12.485, publicada no Di&aacute;rio Oficial de hoje e que unifica as regras de TV paga -, o presidente da Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema, Manoel Rangel, tamb&eacute;m tem muito a comemorar.&nbsp; Afinal, o ingresso da ag&ecirc;ncia do cinema na regula&ccedil;&atilde;o deste mercado provocou grandes resist&ecirc;ncias dos radiodifusores e operadores de cabo.&nbsp; Sem&nbsp; abrir m&atilde;o de seu novo papel conferido pela Lei, Rangel assinala que a Ancine j&aacute; come&ccedil;a a trabalhar na regula&ccedil;&atilde;o das cotas do conte&uacute;do nacional,e nas regras que ir&atilde;o apurar as coliga&ccedil;&otilde;es entre programadores e empacotadores. &quot;Tudo ir&aacute; para consulta p&uacute;blica, e iremos entregar as propostas antes dos 180 estipulados pela lei&quot;, avisa.<\/p>\n<p><strong>Fa&ccedil;a uma avalia&ccedil;&atilde;o sobre a nova lei que muda as regras do mercado de TV por assinatura<\/strong><br \/>A aprova&ccedil;&atilde;o do PLC 116 tem v&aacute;rios significados. O primeiro deles, &eacute; ser o primeiro marco regulat&oacute;rio convergente, efetivamente.&nbsp; Abrindo a cadeia de valor e conseguindo distinguir as condicionantes regulat&oacute;rias de cada uma das atividades. Isso &eacute; importante, particularmente porque d&aacute; maior evid&ecirc;ncia aos dois universos que est&atilde;o ligados neste ambiente da converg&ecirc;ncia, (de telecom e o audiovisual) e vai jogar luz sobre os entraves espec&iacute;ficos de cada uma dessas &aacute;reas.<\/p>\n<p><strong>Quando voc&ecirc; fala de converg&ecirc;ncia, o que voc&ecirc; est&aacute; se referindo? Aos servi&ccedil;os? &Agrave;s plataformas?<\/strong><br \/>As tecnologias j&aacute; passaram a servir a presta&ccedil;&atilde;o de qualquer servi&ccedil;o. A plataforma IP, por exemplo, &eacute; o ve&iacute;culo ideal para a transmiss&atilde;o de qualquer servi&ccedil;o. Isto tem algumas consequ&ecirc;ncias econ&ocirc;micas, pois uma mesma empresa poder&aacute; prestar todo e qualquer tipo de servi&ccedil;o salvo os condicionantes de natureza econ&ocirc;mica, cultural e pol&iacute;tica para cada um desses dispositivos. At&eacute; onde uma determinada empresa pode atuar, at&eacute; onde ela n&atilde;o deve atuar, as condicionantes de presta&ccedil;&atilde;o de cada tipo de servi&ccedil;o passa a ser um debate de conveni&ecirc;ncia e melhor organiza&ccedil;&atilde;o do mercado.<\/p>\n<p><strong>Quais s&atilde;o os reflexos imediatos da aprova&ccedil;&atilde;o da lei para o setor de conte&uacute;do?<\/strong><br \/>A mais not&aacute;vel delas ainda est&aacute; no territ&oacute;rio da infraestrutura, que &eacute; a libera&ccedil;&atilde;o da competi&ccedil;&atilde;o e unifica&ccedil;&atilde;o dos condicionantes &agrave; libera&ccedil;&atilde;o da presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de TV por assinatura a qualquer operador que assim o queira e a entrada das teles com a sua rede de infraestrutura e a sua for&ccedil;a em termos de capital no sentido da expans&atilde;o mais r&aacute;pida do servi&ccedil;o. O segundo fator &eacute; que existe a necessidade de se prestar aten&ccedil;&atilde;o nas condi&ccedil;&otilde;es em que se d&aacute; a competi&ccedil;&atilde;o pelo conte&uacute;do, pela programa&ccedil;&atilde;o a ser veiculada e o conjunto dos reflexos da disputa no mercado por este conte&uacute;do, ou seja, o risco de pr&aacute;ticas anticoncorrenciais, a necessidade que o conte&uacute;do esteja livre para circular por todos os canais de escoamento.<\/p>\n<p><strong>Mas hoje j&aacute; n&atilde;o &eacute; assim?<\/strong><br \/>Hoje, da forma que o mercado est&aacute; organizado, se identificam um conjunto de travas. Problemas que dizem respeito a pre&ccedil;os discriminat&oacute;rios, que dizem respeito &agrave; dificuldade de entrada de um determinado canal no line up de determinada operadora. Fruto de uma situa&ccedil;&atilde;o onde se tem poucos operadoras com muita for&ccedil;a, ou dois operadores concentrando 80% do mercado. Em um cen&aacute;rio onde a for&ccedil;a entre operadores se distribua melhor entre iguais, a decis&atilde;o sobre os canais em geral a serem carregados, n&atilde;o s&oacute; canais nacionais, mas tamb&eacute;m estrangeiros, passa a ter maior possibilidade de se equacionar.<\/p>\n<p><strong>Essa rela&ccedil;&atilde;o precisa ser regulada?<\/strong><br \/>Precisa de acompanhamento fino. E a maneira como o PLC 116 traz esta quest&atilde;o &eacute; a&nbsp; plena articula&ccedil;&atilde;o entre Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema com o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorr&ecirc;ncia, procurando acompanhar o conjunto dos elementos que organizam o mercado audiovisual.<\/p>\n<p><strong>Qual o impacto do projeto para o conte&uacute;do brasileiro?<\/strong><br \/>Teremos est&iacute;mulo objetivo de surgimento de canais brasileiros, programados por empresas brasileiras, e teremos est&iacute;mulo para produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do&nbsp; brasileiro de maior valor agregado como filmes, obras seriada para televis&atilde;o, document&aacute;rios, anima&ccedil;&atilde;o. As cotas cumprir&atilde;o&nbsp; uma importante fun&ccedil;&atilde;o no sentido de criar la&ccedil;os entre os programadores, emissoras de TV e produtores de conte&uacute;do. Isso vai criar mercado de trabalho para roteiristas, diretores,&nbsp; produtores, t&eacute;cnicos, atrizes atores. Abre janela para circula&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do l&aacute; fora, pois os canais internacionais ter&atilde;o que carregar este conte&uacute;do tamb&eacute;m para outros pa&iacute;ses, como forma de amortiza&ccedil;&atilde;o do custo de&nbsp; produ&ccedil;&atilde;o, e cria condi&ccedil;&otilde;es para que os canais brasileiros surgidos para atender a demanda do mercado interno brasileiro possa tamb&eacute;m trabalhar com a perspectiva de internacionaliza&ccedil;&atilde;o.&nbsp; E aqui reside uma quest&atilde;o que dedicaremos aten&ccedil;&atilde;o especial: criar condi&ccedil;&otilde;es para que os canais brasileiros que surjam para atender esta demanda possam circular na Am&eacute;rica Latina, na &Aacute;sia, na Europa.<\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; o tamanho do mercado hoje?<\/strong><br \/>De cerca de R$ 25 bilh&otilde;es, se considerarmos TV aberta, TV por assinatura, cinema.<\/p>\n<p><strong>E qual a expectativa com o PLC 116?<\/strong><br \/>&Eacute; preciso trabalhar melhor o n&uacute;mero, mas se imagina que os assinantes de TV passem para 35 milh&otilde;es (hoje s&atilde;o 11,3 milh&otilde;es) at&eacute; 2016,&nbsp; o que elevaria o faturamento dos setor para R$ 35 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>E quanto ao pre&ccedil;o? A Ancine chegou a fazer um estudo de pre&ccedil;o,&nbsp; n&atilde;o?<\/strong><br \/>N&oacute;s fizemos uma levantamento em 2007&nbsp; e um novo em 2010. Houve&nbsp; efetivamente uma redu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o com o ingresso de novos agentes &ndash; as teles, como DTH- no mercado. Para se ter uma ideia, sempre levando em conta o segundo pacote mais barato e excluindo os canais obrigat&oacute;rios, o maior pre&ccedil;o por canal dentro dos pacotes era de R$ 6,00 em 2007 de algumas operadoras. Este maior pre&ccedil;o caiu para R$ 2,80 em 2010. A lei vai induzir a redu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o geral das assinaturas, o que vai induzir o valor pago por canal.<\/p>\n<p><strong>Alguns setores alegam que, com o ingresso das operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es no mercado de TV a cabo, o risco da concentra&ccedil;&atilde;o &eacute; maior.<\/strong><br \/>Em um primeiro momento, vai haver uma expans&atilde;o para &aacute;reas onde o servi&ccedil;o n&atilde;o estava chegando. &Eacute; verdade que nos &uacute;ltimos anos j&aacute; estava em curso o processo de aquisi&ccedil;&atilde;o de&nbsp; pequenas operadoras no Brasil inteiro. J&aacute; estava em curso por conta da dificuldade de as operadoras de receberem a programa&ccedil;&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas satisfat&oacute;rias. O processo de aquisi&ccedil;&otilde;es vem ocorrendo sistematicamente, mas n&atilde;o &eacute; o PLC 116 que induzir&aacute; &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o. Ao contr&aacute;rio, ele vai criar condi&ccedil;&otilde;es para que este processo de concentra&ccedil;&atilde;o que vinha ocorrendo n&atilde;o se d&ecirc; apenas em torno de duas grandes operadoras.<\/p>\n<p><strong>Quais ser&atilde;o as primeiras provid&ecirc;ncias regulat&oacute;rias da Ancine?<\/strong><br \/>O gesto inaugural do PLC 116 na esfera da Ancine &eacute; o processo de regulamenta&ccedil;&atilde;o das cotas e a sua entrada em vigor. Regularemos tamb&eacute;m a implementa&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de aferi&ccedil;&atilde;o de coliga&ccedil;&atilde;o e controle, para fazer cumprir os dispositivos de segrega&ccedil;&atilde;o das atividades que o PLC 116 traz. Esta atua&ccedil;&atilde;o relativa ao acompanhamento das rela&ccedil;&otilde;es de controle se far&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o aos programadoras e na rela&ccedil;&atilde;o das programadoras&nbsp; com as empacotadoras.<\/p>\n<p><strong>Qual ag&ecirc;ncia vai fiscalizar a m&aacute;xima do projeto que expressa que &ldquo;quem produz n&atilde;o distribui, e vice-versa&rdquo;?<\/strong><br \/>A Ancine e a Anatel. Todas as operadoras de TV por assinatura, na condi&ccedil;&atilde;o de empacotadoras, ter&atilde;o que se credenciar na Ancine, e hoje significa grande parte do mercado.&nbsp; &Eacute; empacotador todo aquele que exerce a fun&ccedil;&atilde;o de aglutina&ccedil;&atilde;o de canais para a forma&ccedil;&atilde;o de pacotes. Hoje, a maioria das operadoras &eacute; distribuidora e empacotadora&nbsp; de sua programa&ccedil;&atilde;o. A Sky, por exemplo,&nbsp; &eacute; tamb&eacute;m empacotadora.<\/p>\n<p><strong>Qual a diferen&ccedil;a para a Net ou o Via Embratel?<\/strong><br \/>A Net Servi&ccedil;os tem uma empresa separada, a&nbsp; Net Brasil, que faz o empacotamente para a Net Servi&ccedil;os. A Embratel, ao contr&aacute;rio, tamb&eacute;m empacota, ent&atilde;o, ela vai ter que se cadastrar na Ancine.<\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o, para a Ancine, a Globosat tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; empacotadora de canais?<\/strong><br \/>N&atilde;o, pois ela s&oacute; vende os canais dela. Ela &eacute; s&oacute;cia do Telecine, dos est&uacute;dios Universal. Ela n&atilde;o agrega os canais da B&eacute;lgica, no ESPN ou da HBO, ela s&oacute; administra os canais 100% dela e os canais em que ela tem sociedade e controle.<\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o n&atilde;o existe esta figura do empacotador?<\/strong><br \/>Existem empresas que atuam como empacotadores, mas n&atilde;o exclusivamente. Um operadora quando faz a distribui&ccedil;&atilde;o, antes disso precisa tomar as suas decis&otilde;es&nbsp; sobre a forma&ccedil;&atilde;o dos pacotes.<\/p>\n<p><strong>Afirmam que h&aacute; v&aacute;rias inconstitucionalidades no projeto. A primeira delas refere-se &agrave; pr&oacute;pria atribui&ccedil;&atilde;o da Ancine..<\/strong><br \/>N&atilde;o h&aacute; inconstitucionalidade no projeto. Quem definiu a Ancine como ag&ecirc;ncia reguladora deste mercado foi a Medida Provis&oacute;ria 2228. O PLC 116&nbsp; agrega atribui&ccedil;&otilde;es pontuais a uma fun&ccedil;&atilde;o original pr&eacute;-estabelecida na MP. N&atilde;o h&aacute; v&iacute;cio de iniciativa. A Constitui&ccedil;&atilde;o diz que &eacute; privativo do Poder Executivo&nbsp; a cria&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os&nbsp; e de despesas. Nem uma coisa nem outra foi&nbsp; estabelecida no PLC 116.<\/p>\n<p><strong>E quanto &agrave;s cotas?<\/strong><br \/>O argumento que questiona a constitucionalidade das cotas ignora os artigos 221, 215 e 216 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.<\/p>\n<p><strong>E em rela&ccedil;&atilde;o ao dinheiro? J&aacute; que s&atilde;o recursos do Fistel (Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es) que passam para o fundo do cinema. Esse mesmo mecanismo foi criado para a TV p&uacute;blica, mas as teles depositam o dinheiro em ju&iacute;zo, deixando a EBC na pen&uacute;ria.<\/strong><br \/>N&atilde;o conhe&ccedil;o o processo da EBC, mas no caso do PLC 116, n&atilde;o acredito que&nbsp; v&aacute; haver questionamento por parte das teles. O projeto foi constru&iacute;do num amplo acordo. O princ&iacute;pio que rege a CID (Contribui&ccedil;&atilde;o de Interven&ccedil;&atilde;o sobre o Dom&iacute;nio Econ&ocirc;mico) &eacute; que o recurso recolhido na pr&oacute;pria atividade precisa ser devolvido na pr&oacute;pria atividade.&nbsp; &Eacute; bom lembrar que este projeto tem como&nbsp; base&nbsp; um grande acordo constru&iacute;do no setor. Ele foi feito em torno de sua integralidade &ndash; as cotas, o ingresso das operadoras no mercado, a segrega&ccedil;&atilde;o de atividades, e a cria&ccedil;&atilde;o do fundo p&uacute;blico. Este acordo foi legitimado pelo debate no Congresso e est&aacute; constru&iacute;do solidamente. N&atilde;o receio que haver&aacute; resist&ecirc;ncia ao fundo, porque entendo que os negociadores fecharam o acordo de boa f&eacute;.<\/p>\n<p><strong>&Eacute; poss&iacute;vel regulamentar as cotas sem os recursos do fundo para a produ&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>Claro. As cotas n&atilde;o t&ecirc;m v&iacute;nculo direto com o fundo. Fundo e cotas correm paralelas. As cotas s&atilde;o obriga&ccedil;&otilde;es dos canais, dos empacotadores. O fundo vai apoaiar o processo de produ&ccedil;&atilde;o, com reflexo na pol&iacute;tica de compra dos canais. Mas s&atilde;o dois mecanismos segregados.<\/p>\n<p><strong>No setor de telecom, h&aacute; a portaria 101 que regula a rela&ccedil;&atilde;o de controle e &eacute; bem mais r&iacute;gida do que a lei das sociedades an&ocirc;nimas, pois configura rela&ccedil;&atilde;o de controle a partir de 5% das a&ccedil;&otilde;es em poder de um grupo econ&ocirc;mico. Como a Ancine vai tratar disso?<\/strong><br \/>A Ancine vai precisar estabelecer uma regra de coliga&ccedil;&atilde;o e controle clara. utilizamos, por analogia, apenas para conhecimento da estrutura societ&aacute;ria, princ&iacute;pios muitos similiares ao da resolu&ccedil;&atilde;o 101 da Anatel. E a nossa inten&ccedil;&atilde;o &eacute; manter o padr&atilde;o de alinhamento com a Anatel nesta mat&eacute;ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Onde a Ancine ter&aacute; que examinar a rela&ccedil;&atilde;o de controle. Somente para assegurar a m&aacute;xima de &ldquo;quem produz n&atilde;o distribui?&rdquo;<\/strong><br \/>Sim, mas poderemos ter que vir a analisar tamb&eacute;m para as pol&iacute;ticas concorrenciais, ou seja, h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es hipot&eacute;ticas onde um determinado operador pode estar recebendo programa&ccedil;&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es mais vantajosas do que um outro operador. Nesta situa&ccedil;&atilde;o, o sistema de defesa da concorr&ecirc;ncia e a Ancine teriam que conhecer as rela&ccedil;&otilde;es de controle mantidas entre programadores e distribuidores. Ou no caso&nbsp; inverso, onde um determinado canal n&atilde;o consegue entrar no line up de determinada distribuidora.<\/p>\n<p><strong>Nesses dois casos, a quem o interessado deve recorrer? Ao Cade ou &agrave; Ancine?<\/strong><br \/>Hoje recorre ao sistema de defesa da concorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>Mas o Cade e a SDE s&oacute; agem ex-post. A Ancine poder&aacute; agir ex-ante, como a Anatel?<\/strong><br \/>Estas s&atilde;o quest&otilde;es que ainda teremos que examinar. A lei pediu que&nbsp; fa&ccedil;amos um acompanhamento fino das atividades de programa&ccedil;&atilde;o e empacotamento, com a finalidade de manter o tr&acirc;nsito desobstru&iacute;do entre programa&ccedil;&atilde;o e empacotamento e atividade de distribui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>H&aacute; problemas deste tipo no mercado?<\/strong><br \/>Recebemos informa&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o foram traziadas para serem apuradas, pois n&atilde;o t&iacute;nhamos esta fun&ccedil;&atilde;o, de que h&aacute; pr&aacute;tica de pre&ccedil;o discriminat&oacute;ria, que h&aacute; dificuldades colocadas em rela&ccedil;&atilde;o a entrada de canais no line up das operadoras.<\/p>\n<p><strong>E quanto &agrave;s cotas?<\/strong><br \/>Passaremos por um processo de di&aacute;logo intenso com os programadores nacionais e estrangeiros; ouviremos os produtores, os empacotadores, num processo de constru&ccedil;&atilde;o de norma que permita a mais suave&nbsp; poss&iacute;vel implementa&ccedil;&atilde;o das cotas.<\/p>\n<p><strong>A lei acaba com o papel do must carry para os canais digitais. N&aacute;o &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o desproporcional para os canais p&uacute;blicos, de cidadania, etc.?<\/strong><br \/>A regra dos canais digitais se aplica apenas aos radiodifusores. N&atilde;o se aplica aos canais comunit&aacute;rios, de cidania, universit&aacute;rios. Estes s&atilde;o obrigat&oacute;rios em qualquer tecnologia. O PLC 116 traz tamb&eacute;m uma cl&aacute;usula de inviabilidade t&eacute;cnica ou econ&ocirc;mica que permite que um determinado distribuidor argumente junte &agrave; Anatel sobre a inviabilidade t&eacute;cnica de carregar tantos canais. Esta cl&aacute;usua est&aacute; mais voltada para a tecnologia MMDS, que sem o sistema de compress&atilde;o digital trabalha com apenas 30 canais, ou seja, h&aacute; um limite objetivo. No territ&oacute;rio do sat&eacute;lite n&atilde;o h&aacute; qualquer problema t&eacute;cnico.<\/p>\n<p><strong>N&atilde;o acha a aprova&ccedil;&atilde;o deste projeo meio atrasada, visto que uma distribuidora de v&iacute;deo como a Netflix anuncia sua chegada no pa&iacute;s sem qualquer compromisso de cota?<\/strong><br \/>Evidentemente, o melhor para o pa&iacute;s seria que o PL 116 fosse aprovado bem antes. Mas, mesmo no momento em que foi aprovado, traz uma base conceitual que organiza a maneira de lidar com as rela&ccedil;&otilde;es relativas a camada de telecom e a camada de audiovisual. Esta base consistente que a lei traz vai permitir uma evolu&ccedil;&atilde;o do acompanhamento do mercado. Entendo que o servi&ccedil;o de v&iacute;deo por demanda vai ter que ser observado levando em conta esses regramentos do PL. N&atilde;o h&aacute; um condicionante espec&iacute;fico para o servi&ccedil;o de v&iacute;deo sob demanda, mas h&aacute; uma base conceitual que permite fazer um acompanhamento deste servi&ccedil;o de entrega de conte&uacute;do audiovisual. &Eacute; preciso que o servi&ccedil;o se instale para que possamos verificar qual tipo de problemas ele pode ter gerado. N&atilde;o cabe ao Estado se antecipar a estrutura&ccedil;&atilde;o do mercado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova lei de TV a cabo ampliar&aacute; as fun&ccedil;&otilde;es da Ancine na regula&ccedil;&atilde;o deste mercado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[819],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26099"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26099"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26099\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}