{"id":26081,"date":"2011-09-08T15:19:34","date_gmt":"2011-09-08T15:19:34","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26081"},"modified":"2011-09-08T15:19:34","modified_gmt":"2011-09-08T15:19:34","slug":"pessoalmente-acho-que-nao-da-mais-pra-esperar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26081","title":{"rendered":"&#8220;Pessoalmente acho que n\u00e3o d\u00e1 mais pra esperar&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\"><em>[<\/em><em>t&iacute;tulo original: Para pesquisador, governo erra ao n&atilde;o propor marco regulat&oacute;rio da m&iacute;dia]<\/em><\/p>\n<p>A &ldquo;amea&ccedil;a &agrave; liberdade de imprensa&rdquo; voltou a ser pauta nacional nesta semana, depois de o PT ter defendido, em seu 4&ordm; Congresso, o marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o. Debate travado h&aacute; d&eacute;cadas no Brasil, a regula&ccedil;&atilde;o do mercado das comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o avan&ccedil;a pelo interesses das grandes empresas mas, tamb&eacute;m, pela aus&ecirc;ncia de uma proposta concreta do atual governo federal, que debate o tema h&aacute; nove anos. A avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; do soci&oacute;logo e jornalista Ven&iacute;cio Artur de Lima, professor aposentado da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB).<\/p>\n<p>Autor dos livros &ldquo;M&iacute;dia: Teoria e Politica&rdquo; e &ldquo;Regula&ccedil;&atilde;o das Comunica&ccedil;&otilde;es: Hist&oacute;ria, Poder e Direitos&rdquo;, entre outras obras, Ven&iacute;cio Artur de Lima sustenta que o marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; uma regula&ccedil;&atilde;o do mercado, e n&atilde;o uma censura aos ve&iacute;culos de imprensa. Quest&otilde;es como a forma&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios, propriedade cruzada de meios de comunica&ccedil;&atilde;o e controle de emissoras de r&aacute;dio e TV por parlamentares precisam ser regulamentadas.&nbsp; &rdquo;O marco regulat&oacute;rio &eacute; uma regula&ccedil;&atilde;o de mercado e a regula&ccedil;&atilde;o do que j&aacute; existe na Constitui&ccedil;&atilde;o, por exemplo, em rela&ccedil;&atilde;o a princ&iacute;pios e normas de programa&ccedil;&atilde;o, prote&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas como crian&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; publicidade, que existe no mundo inteiro&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>Na entrevista, o pesquisador defende que o governo apresente logo a proposta, gestada pelo ministro Franklin Martins durante o governo Lula e trabalhada, este ano, pelo ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo. Mas v&ecirc; com pessimismo que as mudan&ccedil;as sejam aprovadas no Congresso Nacional. &ldquo;Se voc&ecirc; tomar como refer&ecirc;ncia as duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a possibilidade de haver alguma modifica&ccedil;&atilde;o no Congresso &eacute; muito dif&iacute;cil&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Qual o significado de o PT ter defendido, em seu congresso, o marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o, apesar das not&iacute;cias de que houve um recuo do partido?<\/strong><br \/>Quem recuou na verdade foi o notici&aacute;rio da m&iacute;dia. Aqui em Bras&iacute;lia, provincianamente o Correio Braziliense, por exemplo, deu capa dizendo que o PT ia controlar a m&iacute;dia. Ao inv&eacute;s de sair uma resolu&ccedil;&atilde;o, saiu uma mo&ccedil;&atilde;o. Na resolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, sa&iacute;ram dois par&aacute;grafos, e mais ainda, na fala inicial do Rui Falc&atilde;o (presidente do PT), o discurso de abertura tem um par&aacute;grafo e meio falando da quest&atilde;o da m&iacute;dia. Para a m&iacute;dia, n&atilde;o ter sa&iacute;do a resolu&ccedil;&atilde;o foi um recuo. Eu n&atilde;o sou do partido e n&atilde;o estava presente, mas n&atilde;o vi como recuo nenhum. O PT tirou uma posi&ccedil;&atilde;o do partido priorizando, colocando na agenda pol&iacute;tica a discuss&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia.<\/p>\n<p><strong>Diz-se que o governo apresentaria uma proposta no segundo semestre. O senhor acredita nisso?<\/strong><br \/>Passaram-se oito anos do governo Lula e a proposta do marco regulat&oacute;rio n&atilde;o aconteceu. No final do governo Lula, saiu um terceiro decreto pra fazer o projeto do marco regulat&oacute;rio, elaborado sob a coordena&ccedil;&atilde;o do ent&atilde;o ministro da Secretaria da Comunica&ccedil;&atilde;o, Franklin Martins. A expectativa era de que esse projeto fosse divulgado, mas n&atilde;o foi. O que foi dito foi que o projeto foi passado para o novo governo e, desde ent&atilde;o, espera-se que o novo governo divulgue. O atual ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es (Paulo Bernardo) deu declara&ccedil;&otilde;es desencontradas e disse que a partir de julho o projeto seria colocado em consulta p&uacute;blica. N&oacute;s j&aacute; estamos em setembro. As not&iacute;cias que saem do minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es dizem que o projeto, ou pr&eacute;-projeto, que teria sido preparado pelo ministro Franklin Martins, estaria sendo reexaminado por esse governo. Pessoalmente acho que n&atilde;o d&aacute; mais pra esperar. A explica&ccedil;&atilde;o de que isso est&aacute; sendo estudado, quer dizer, se esse governo &eacute; continuidade do outro, j&aacute; s&atilde;o nove anos.<\/span><\/p>\n<p><strong>Segundo informa&ccedil;&otilde;es, o governo quer atualizar a Lei Geral das Telecomunica&ccedil;&otilde;es, para ter o apoio das teles.<\/strong><br \/>Do meu conhecimento, esse foi o &uacute;ltimo sen&atilde;o acrescentado pelo ministro Paulo Bernardo. &ldquo;N&atilde;o, agora est&aacute; demorando porque vamos fazer um plano que vai rever tamb&eacute;m a LGT, de 1997&rdquo;. Eu n&atilde;o sou mais menino, j&aacute; ando velho, e escuto essas coisas a vida inteira. Para uma pessoa como eu, essas explica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o significam nada. Se o projeto existe, a divulga&ccedil;&atilde;o dele est&aacute; sendo protelada pelo governo, porque tempo para estudar e tempo para mudar e tempo para corrigir, &eacute; o tempo de sempre. O Brasil &eacute; totalmente desatualizado nessa &aacute;rea, &eacute; s&oacute; olhar no que est&aacute; acontecendo em volta, na Am&eacute;rica Latina, o que aconteceu em outros pa&iacute;ses de democracia liberal. At&eacute; a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o da grande m&iacute;dia atual revela como n&oacute;s somos atrasados nessa &aacute;rea. Um partido pol&iacute;tico vai reafirmar a posi&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios que est&atilde;o na Constitui&ccedil;&atilde;o, que j&aacute; foi resultado de uma negocia&ccedil;&atilde;o extremamente penosa. Depois de 23 anos um partido reafirma, por exemplo,&nbsp; que &eacute; contra a propriedade cruzada dos meios, que est&aacute; impl&iacute;cita no par&aacute;grafo quinto do artigo 220, que diz que nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ter nenhum oligop&oacute;lio nem monop&oacute;lio, e provoca rea&ccedil;&otilde;es desse tipo. Nessa &aacute;rea h&aacute; um n&oacute; que n&atilde;o consegue ser desatado.<\/p>\n<p><strong>Quais s&atilde;o os principais pontos que o senhor defende no marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o? Seria vetar propriedade cruzada, proibir pol&iacute;ticos de controlar r&aacute;dios e TV? O que &eacute; que mais urgente na regulamenta&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil hoje?<\/strong><br \/>A primeira coisa, quando se fala&nbsp; em marco regulat&oacute;rio, e isso &eacute; absolutamente claro nas declara&ccedil;&otilde;es de governo, &eacute; uma regula&ccedil;&atilde;o do mercado, porque o mercado brasileiro dessa &aacute;rea &eacute; oligopolizado ou monopolizado em algumas regi&otilde;es. Ent&atilde;o, mesmo as regras que existem, por exemplo, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade, que est&atilde;o no decreto 236 de 1967, n&atilde;o s&atilde;o obedecidas. E h&aacute; casos gritantes de oligop&oacute;lio que t&ecirc;m sido inclusive judicialmente confirmados, em fun&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es no Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, porque os ju&iacute;zes que tratam disso alegam que h&aacute; decis&otilde;es administrativas do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica), que n&atilde;o reconhecem a exist&ecirc;ncia do monop&oacute;lio. H&aacute; uma conduta do minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es que faz de conta que n&atilde;o existe um grupo que, em rede, controle um n&uacute;mero grande de concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o, porque as empresas individuais est&atilde;o em nomes de pessoas, de indiv&iacute;duos, s&atilde;o pessoas jur&iacute;dicas distintas. No resto do mundo, h&aacute; controle sobre a forma&ccedil;&atilde;o de redes. No Brasil n&atilde;o tem nada. O caso da RBS no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina &eacute; o mais evidente. Acabou de haver uma resolu&ccedil;&atilde;o legal, tomada em mar&ccedil;o desse ano por um juiz federal em Florian&oacute;polis, que n&atilde;o reconhece a exist&ecirc;ncia de um oligop&oacute;lio em Florian&oacute;polis. E da propriedade cruzada, que alega que o CADE n&atilde;o reconheceu e fala que as normas do artigo 221 e 220 da Constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foram regulamentadas. O marco regulat&oacute;rio &eacute; uma regula&ccedil;&atilde;o de mercado e a regula&ccedil;&atilde;o do que j&aacute; existe na Constitui&ccedil;&atilde;o, por exemplo, em rela&ccedil;&atilde;o a princ&iacute;pios e normas de programa&ccedil;&atilde;o, prote&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas como crian&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; publicidade, normas para publicidade de alimentos nocivos &agrave; sa&uacute;de, que existe no mundo inteiro.<\/p>\n<p><strong>Cotas de produ&ccedil;&atilde;o regional e independente tamb&eacute;m.<\/strong><br \/>S&atilde;o esses tipos de quest&otilde;es, e as mais recentes ligadas ao desenvolvimento tecnol&oacute;gico. O PL 116, que foi aprovado outro dia no Senado, &eacute; complicado porque trata de um quest&atilde;o espec&iacute;fica, a TV paga, num contexto muito mais amplo das transforma&ccedil;&otilde;es que hoje unem telecomunica&ccedil;&otilde;es com radiodifus&atilde;o e t&ecirc;m as suas diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es na TV paga, na TV aberta. H&aacute; as quest&otilde;es das r&aacute;dios comunit&aacute;rias. H&aacute; outras quest&otilde;es que tamb&eacute;m est&atilde;o na Constitui&ccedil;&atilde;o. Essa, de em exerc&iacute;cio de mandato n&atilde;o poder ser concession&aacute;rio, est&aacute; no artigo 54. Mas tem interpreta&ccedil;&otilde;es diferentes, pol&ecirc;micas, inclusive do judici&aacute;rio. Essas coisas que precisam ser assentadas. Marco regulat&oacute;rio no Brasil &eacute; isso. E, no entanto, n&atilde;o consegue avan&ccedil;ar.<\/p>\n<p><strong>Quais s&atilde;o as chances do marco regulat&oacute;rio avan&ccedil;ar no Congresso, sendo que muitos parlamentares possuem concess&atilde;o de r&aacute;dio e TV, al&eacute;m de haver press&atilde;o das grandes empresas? E por que o governo n&atilde;o apresenta a proposta?<\/strong><br \/>Nos &uacute;ltimos anos, se voc&ecirc; tomar como refer&ecirc;ncia o processo da Constituinte, que vai fazer 23 anos, n&atilde;o conseguimos avan&ccedil;ar em nada em rela&ccedil;&atilde;o ao que j&aacute; est&aacute; na Constitui&ccedil;&atilde;o. Teve a decis&atilde;o sobre a TV digital, que no meu ponto de vista foi um retrocesso, houve de positivo a cria&ccedil;&atilde;o da EBC, a realiza&ccedil;&atilde;o da primeira Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Mas avan&ccedil;o mesmo, n&atilde;o houve nada. Se voc&ecirc; tomar como refer&ecirc;ncia as duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a possibilidade de haver alguma modifica&ccedil;&atilde;o no Congresso &eacute; muito dif&iacute;cil. A esperan&ccedil;a sempre foi que um governo, um Executivo eleito com apoio popular, tivesse condi&ccedil;&otilde;es de mobilizar parcelas significativas da sociedade, mostrar a import&acirc;ncia da quest&atilde;o, em ultima an&aacute;lise, do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, e conseguir fazer modifica&ccedil;&otilde;es tipo o marco regulat&oacute;rio. Eu n&atilde;o vejo essa vontade expressa, por exemplo, nas falas do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es. Vejo com muita simpatia, como algo muito positivo, as decis&otilde;es do 4&ordm; Congresso do PT, porque mostram que h&aacute; uma diferen&ccedil;a entre o PT e o governo. Quer dizer, o PT est&aacute; no governo mas o PT tem que ter, como partido, as suas pr&oacute;prias posi&ccedil;&otilde;es e metas e lutar por elas. Nesse sentido, o PT reiterar posi&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o t&ecirc;m nada de extraordin&aacute;rio&hellip; Eu n&atilde;o sou um otimista, em rela&ccedil;&atilde;o a estas quest&otilde;es, at&eacute; porque eu j&aacute; estou h&aacute; muito tempo nesse neg&oacute;cio e n&atilde;o vejo luz no fim do t&uacute;nel.<\/p>\n<p><strong>Algo que assusta a m&iacute;dia &eacute; o controle social sobre a comunica&ccedil;&atilde;o. O que significa esse controle social?<\/strong><br \/>A Constitui&ccedil;&atilde;o fala na quest&atilde;o do controle social nas v&aacute;rias &aacute;reas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, assist&ecirc;ncia social. O controle social &eacute; uma forma de descentraliza&ccedil;&atilde;o administrativa e de amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o direta da popula&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o, acompanhamento, e at&eacute; mesmo na gest&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. No caso da sa&uacute;de, h&aacute; mais de 40 anos existem no Brasil os conselhos. Porto Alegre &eacute; pioneira na experi&ecirc;ncia de controle social dos or&ccedil;amentos, os chamados Or&ccedil;amentos Participativos. Agora, na medida em que o governo federal n&atilde;o coloca na rua um projeto de marco regulat&oacute;rio, ele pr&oacute;prio d&aacute; margem a que os interesses contr&aacute;rios a qualquer forma de regula&ccedil;&atilde;o, ou a qualquer coisa que seja diferente ao status quo, fa&ccedil;am as mais estapaf&uacute;rdias acusa&ccedil;&otilde;es, porque n&atilde;o se tem um texto de refer&ecirc;ncia para fazer a discuss&atilde;o. Se voc&ecirc; tiver um texto de refer&ecirc;ncia de uma proposta do marco regulat&oacute;rio, vai ter que ser discutido o que est&aacute; l&aacute;. O sujeito fala em conselhos estaduais de comunica&ccedil;&atilde;o, por exemplo, como acontece aqui em Bras&iacute;lia. V&aacute;rios setores dizem que se trata de censura. Mas na lei org&acirc;nica do Distrito Federal est&aacute; aprovado desde 1993, tem um artigo que fala na cria&ccedil;&atilde;o de um conselho e tem que regulamentar. &Eacute; um &oacute;rg&atilde;o de assessoramento do poder executivo para a formula&ccedil;&atilde;o dos planos regionais de comunica&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc; v&ecirc; que isso n&atilde;o tem nada a ver com censura, ent&atilde;o a discuss&atilde;o fica mais f&aacute;cil de ser feita, porque voc&ecirc; tem um projeto.<\/p>\n<p><strong>Mas um dos exemplos que se tem &eacute; a Argentina, onde h&aacute; uma disputa entre a presidenta Cristina Kirchner e o Grupo Clar&iacute;n.<\/strong><br \/>Mas, mesmo na Argentina, tem censura? O debate &eacute; falso, &eacute; porque existem certas bandeiras que s&atilde;o universais e uma forma de defender interesses &eacute; empunh&aacute;-las, mesmo quando voc&ecirc; faz exatamente ao contr&aacute;rio. Quem faz censura na Argentina e no Brasil s&atilde;o os oligop&oacute;lios de m&iacute;dia. Porque a partir do momento em que s&atilde;o oligop&oacute;lios, impedem que vozes se expressem. Eles n&atilde;o deixam que haja liberdade de express&atilde;o.&nbsp; Eles dificultam a consolida&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Eles &eacute; que s&atilde;o os agentes da censura, mas empunham essa bandeira da censura e da liberdade. Isso &eacute; um recurso pol&iacute;tico hist&oacute;rico. Quem &eacute; contra a liberdade? Quem &eacute; contra a censura? Eles promovem a censura e impedem a liberdade de express&atilde;o da grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o, mas empunham a sua bandeira. Como t&ecirc;m o poder de gest&atilde;o da agenda de debate p&uacute;blico, isso passa a ser verdade para muita gente. Esse &eacute; o problema, por isso que essa &aacute;rea &eacute; t&atilde;o dif&iacute;cil. Mas o que acontece na Argentina, com todas as letras, &eacute; uma regula&ccedil;&atilde;o de mercado. Inclusive atribui cotas de participa&ccedil;&atilde;o no mercado, para vozes que n&atilde;o tinham voz. E regula &aacute;reas como a transmiss&atilde;o esportiva, que &eacute; uma forma de entretenimento vinculada a cultura desses pa&iacute;ses, Argentina e Brasil.<\/p>\n<p><strong>Em resumo, o senhor defende que haja um texto para que o debate seja feito em cima de algo concreto.<\/strong><span class=\"padrao\"><br \/>Eu falo isso h&aacute; d&eacute;cadas. No governo Lula, h&aacute; v&aacute;rios casos de projetos que nunca se materializaram, sequer na forma de projeto, e que foram combatidos com vers&otilde;es que foram vazadas, e ningu&eacute;m assumia a paternidade. O exemplo mais &oacute;bvio &eacute; o da transforma&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine) em Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav). Faz um projeto, bota na rua e vamos ver as coisas que est&atilde;o l&aacute;. O equ&iacute;voco maior, no meu ponto de vista, foi a quest&atilde;o do Conselho Federal de Jornalismo. Os fatos mais recentes da conduta &eacute;tica e profissional de alguns jornalistas de ve&iacute;culos da editora Abril mostram a necessidade de um conselho, tipo a Ordem dos Advogados do Brasil, que funcione como forma de acompanhamento do exerc&iacute;cio profissional dentro de normas da pr&oacute;pria profiss&atilde;o. Normas &eacute;ticas, morais, de conduta. Isso est&aacute; acontecendo no mundo inteiro. Na Inglaterra, com o caso do News of the World, mas no Brasil n&atilde;o tem nada, n&atilde;o tem autorregula&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem absolutamente nada. O Brasil s&oacute; regula o que &eacute; do interesse da radiodifus&atilde;o. Regula as concess&otilde;es, fala que para poder renovar as concess&otilde;es precisa de dois ter&ccedil;os do Congresso. Para cancelar, precisa de decis&atilde;o judicial. Regula as r&aacute;dios comunit&aacute;rias pra impedir que elas tenham autonomia e ameacem essas emissoras comerciais. Agora, o que interessa mesmo, a propriedade cruzada, a quest&atilde;o das normas de regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, prioridade pra produ&ccedil;&atilde;o independente, tudo que est&aacute; na Constitui&ccedil;&atilde;o, nada disso &eacute; regulamentado. Mesmo o Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, como &oacute;rg&atilde;o auxiliar do Congresso Nacional, &eacute; regulamentado mas n&atilde;o &eacute; cumprido. O conselho funcionou durante menos de quatro anos e depois n&atilde;o funcionou mais porque o Congresso n&atilde;o convoca os seus membros pra instal&aacute;-lo novamente. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; essa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador defende que o governo apresente logo a proposta, gestada  durante o governo Lula e trabalhada, este ano, pelo ministro Paulo Bernardo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1576],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26081"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26081"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26081\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}