{"id":26056,"date":"2011-09-01T17:25:27","date_gmt":"2011-09-01T17:25:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26056"},"modified":"2011-09-01T17:25:27","modified_gmt":"2011-09-01T17:25:27","slug":"projeto-de-lei-sobre-tv-por-assinatura-poe-em-risco-as-tvs-comunitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26056","title":{"rendered":"Projeto de lei sobre TV por assinatura p\u00f5e em risco as TVs comunit\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A aprova&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei n&ordm; 116 (PL 116), que cria uma nova regula&ccedil;&atilde;o para a TV por assinatura no pa&iacute;s, pode comprometer a exist&ecirc;ncia das TVs comunit&aacute;rias brasileiras. Essa &eacute; a avalia&ccedil;&atilde;o das duas entidades que organizam esse setor, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Canais Comunit&aacute;rios (ABCCOM) e a Frente Nacional pela Valoriza&ccedil;&atilde;o das TVs do Campo P&uacute;blico (Frenavatec). Ambas est&atilde;o solicitando &agrave; presidenta Dilma Rousseff o veto a alguns par&aacute;grafos do artigo 32 do projeto de lei, que tratam principalmente da publicidade nesses canais e da obrigatoriedade de serem disponibilizados pelos prestadores do servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Um dos problemas centrais est&aacute; no par&aacute;grafo 8&ordm; do artigo 32. Nele est&aacute; dito que &ldquo;em caso de inviabilidade t&eacute;cnica ou econ&ocirc;mica comprovada, a Anatel determinar&aacute; a n&atilde;o obrigatoriedade da distribui&ccedil;&atilde;o de parte ou da totalidade dos canais de que trata este artigo nos meios de distribui&ccedil;&atilde;o considerados inapropriados para o transporte desses canais em parte ou na totalidade das localidades servidas pela distribuidora&rdquo;. Os canais em quest&atilde;o s&atilde;o o da C&acirc;mara, o do Senado, o da Justi&ccedil;a, TV Brasil, Canal NBR, dos legislativos locais, os comunit&aacute;rios, os universit&aacute;rios, um canal educativo-cultural e o canal da cidadania. Esses dois &uacute;ltimos foram criados por lei, em 2008, mas ainda n&atilde;o existem.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, o referido par&aacute;grafo abre uma brecha para as empresas (NET, Sky, TVA, etc) n&atilde;o distribu&iacute;rem esses canais. N&atilde;o fica claro no projeto de lei como seria aferida essa inviabilidade t&eacute;cnica ou econ&ocirc;mica. Na atual lei que regula o cabo (n&ordm; 8.977, 95), apenas as empresas que operam nas outras duas tecnologias (MMDS e DTH) n&atilde;o s&atilde;o obrigadas a distribuir esses canais, mas as que atuam no cabo precisam disponibiliz&aacute;-los. J&aacute; o PLC 116\/2010, amplia a transmiss&atilde;o dos canais do campo p&uacute;blico para todas as tecnologias, mas cria essa regra de exce&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil conseguir esse veto por parte da presidenta, j&aacute; que o PLC 116 foi resultado de um dif&iacute;cil acerto que durou mais de tr&ecirc;s anos no Congresso. Al&eacute;m disso, outros grupos como as programadoras internacionais tamb&eacute;m est&atilde;o pedindo vetos de outros artigos da lei &agrave; Dilma e o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es j&aacute; afirmou que deseja a san&ccedil;&atilde;o do projeto sem vetos. No entanto, sobre o par&aacute;grafo 8&ordm; do artigo 32, as TVs comunit&aacute;rias contam com um apoiador importante dentro do planalto. &ldquo;&Eacute; um absurdo tirar essa conquista da Lei do Cabo (da distribui&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria ou must carry). A TV p&uacute;blica digital saiu perdendo&rdquo;, criticou o assessor especial da Casa Civil, Andr&eacute; Barbosa Filho.<\/p>\n<p><strong>Financiamento<\/strong><\/p>\n<p>O outro ponto bastante questionado pelas entidades que representam as TVs comunit&aacute;rias est&aacute; no par&aacute;grafo 5&ordm; do mesmo artigo 32 que pro&iacute;be &ldquo;a veicula&ccedil;&atilde;o remunerada de an&uacute;ncios e outras pr&aacute;ticas que configurem comercializa&ccedil;&atilde;o de seus intervalos, assim como a transmiss&atilde;o de publicidade comercial, ressalvados os casos de patroc&iacute;nio de programas, eventos e projetos veiculados sob a forma de apoio cultural&rdquo;. <\/p>\n<p>Essa &eacute; uma briga antiga das emissoras comunit&aacute;rias. A Lei do Cabo, de 1995, n&atilde;o pro&iacute;be diretamente a publicidade nesses canais. Por isso, as emissoras comerciais fizeram press&atilde;o e conseguiram que a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) institu&iacute;sse em 1997 a Norma 13, que deixa expressa a proibi&ccedil;&atilde;o. Desde ent&atilde;o as televis&otilde;es comunit&aacute;rias v&ecirc;m questionando tal regra at&eacute; que por meio de uma a&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria dos Canais Comunit&aacute;rios de S&atilde;o Paulo (ACESP) a Justi&ccedil;a Federal entendeu que as emissoras podem sim colocar publicidade em suas programa&ccedil;&otilde;es. No entanto, uma decis&atilde;o ainda n&atilde;o definitiva.<\/p>\n<p>Se aprovado o PLC 116, as emissoras comunit&aacute;rias v&atilde;o ter que passar a questionar uma lei em vez de uma norma da Anatel, o que vai dificultar sua luta. &ldquo;S&oacute; quem pode utilizar o canal &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos, mas ela precisa se manter. Sem publicidade e sem recursos p&uacute;blicos, qual seria a forma de sustenta&ccedil;&atilde;o financeira dos canais comunit&aacute;rios de televis&atilde;o?&rdquo;, questiona o presidente da ABCCOM, Edivaldo Farias. A cria&ccedil;&atilde;o de um fundo de fomento para esses canais tamb&eacute;m &eacute; uma reivindica&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;A quem interessa que as TVs Comunit&aacute;rias n&atilde;o tenha publicidade? Ao governo? Claro que n&atilde;o, e sim as empresas da m&iacute;dia perversa que n&atilde;o quer perder seus quinh&otilde;es para um trabalho &aacute;rduo que vem sendo realizada pelas 68 emissoras comunit&aacute;rias espalhadas por todo o Brasil&rdquo;, diz carta da Frenavatec endere&ccedil;ada &agrave; presidenta.<\/p>\n<p>A presidenta Dilma Rousseff tem at&eacute; a semana que vem para se manifestar sobre o PLC 116. Caso o sancione sem vetos, as duas organiza&ccedil;&otilde;es das TVs comunit&aacute;rias estudam entrar com uma A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto aprovado pelo Congresso e enviado para a assinatura da presidenta pro&iacute;be a ve&iacute;cula&ccedil;&atilde;o de publicidade e abre brecha para a n&atilde;o veicula&ccedil;&atilde;o desses canais por parte das operadoras<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1445],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26056"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26056"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26056\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}