{"id":26040,"date":"2011-08-30T14:51:57","date_gmt":"2011-08-30T14:51:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26040"},"modified":"2011-08-30T14:51:57","modified_gmt":"2011-08-30T14:51:57","slug":"producao-de-conteudo-audiovisual-pode-dobrar-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26040","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado audiovisual pode dobrar no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O publicit&aacute;rio Dulcidio Caldeira poder&aacute; ser chamado de &ldquo;vision&aacute;rio&rdquo; no seu meio se a lei que regulamenta o setor de produ&ccedil;&atilde;o audiovisual no Brasil &ndash; e cria a cotas para veicula&ccedil;&atilde;o de programa&ccedil;&atilde;o nacional &ndash; for sancionada em duas semanas pela presidente Dilma Rousseff. Com ela, a produ&ccedil;&atilde;o independente de conte&uacute;do no pa&iacute;s deve crescer significativamente nos pr&oacute;ximo anos. H&aacute; proje&ccedil;&otilde;es de que venha a dobrar de tamanho. &Eacute; o que nos conta a mat&eacute;ria da Ag&ecirc;ncia Estado.<\/p>\n<p>Depois de 22 anos trabalhando em ag&ecirc;ncias de propaganda, Caldeira empreendeu uma mudan&ccedil;a substancial em seu curr&iacute;culo ao trocar a dire&ccedil;&atilde;o de cria&ccedil;&atilde;o da AlmapBBDO por cargo semelhante na produtora Paranoid BR, h&aacute; cerca de um ano. Uma atitude impens&aacute;vel, j&aacute; que as melhores remunera&ccedil;&otilde;es e oportunidades de neg&oacute;cios ainda est&atilde;o nas ag&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>&ldquo;Fiz esse movimento pensando exatamente na abertura desse mercado. A implanta&ccedil;&atilde;o da obrigatoriedade de cotas vai fortalecer o mercado de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do&rdquo;, explica Caldeira. &ldquo;Ser&aacute; um grande est&iacute;mulo para que apare&ccedil;am os nossos Dr. House e Friends. Fora que o papel da mensagem publicit&aacute;ria est&aacute; cada vez mais se misturando &agrave; programa&ccedil;&atilde;o na sociedade digital. Com isso, os anunciantes esperam formatos diferentes para investir as suas verbas de marketing. Criar conte&uacute;dos integrados &eacute; o futuro.&rdquo;<\/p>\n<p>A refer&ecirc;ncia &agrave;s famosas s&eacute;ries americanas se justifica porque l&aacute; houve, desde 1970 at&eacute; 1995, leis de prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s produtoras de conte&uacute;do independentes para as emissoras. Essa pol&iacute;tica garantiu a profissionais como roteiristas, diretores de cinema e artistas um mercado cativo, al&eacute;m de fazer dos Estados Unidos um dos maiores exportadores de enlatados televisivos. A reserva s&oacute; deixou de existir quando o segmento se consolidou. Hoje a grande maioria dos programas de televis&atilde;o do pa&iacute;s &eacute; realizada por produtoras independentes.<\/p>\n<p>A for&ccedil;a da televis&atilde;o aberta no Brasil, somada aos interesses dos canais estrangeiros em veicular seus pacotes de programa&ccedil;&atilde;o vindos prontos de fora, al&eacute;m da acirrada disputa entre operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es e emissoras de televis&atilde;o pelo direito &agrave; exclusividade na transmiss&atilde;o de conte&uacute;do, arrastou por anos a discuss&atilde;o em torno da implanta&ccedil;&atilde;o do marco regulat&oacute;rio no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>H&aacute; dez dias, o Congresso aprovou o Projeto de Lei 116, que separa claramente as atividades de produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o e empacotamento dos conte&uacute;dos das atividades de transporte e distribui&ccedil;&atilde;o. Os principais aspectos da nova lei s&atilde;o a cria&ccedil;&atilde;o de cotas para produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nacional nos canais de televis&atilde;o estrangeiros e a abertura do mercado de TV por assinatura para as operadoras de telefonia e para as empresas de capital estrangeiro.<\/p>\n<p>Roberto Moreira, presidente do Sindicato da Industria do Audiovisual do Estado de S&atilde;o Paulo, acredita que o risco de n&atilde;o aprova&ccedil;&atilde;o da Lei &eacute; remoto, porque o projeto &eacute; resultado de um acordo negociado ao longo de quatro anos e que envolveu toda a cadeia produtiva do setor. &ldquo;Pode haver veto a algum artigo, mas n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para retrocesso&rdquo;, diz ele. &ldquo;A Lei desencadeia um processo econ&ocirc;mico virtuoso para o Pa&iacute;s e n&atilde;o contempla interesses particulares&rdquo;, refor&ccedil;a Moreira.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; o que pensam empresas como Sky, do magnata da m&iacute;dia Rupert Murdoch. Ali&aacute;s, executivos de canais estrangeiros t&ecirc;m sugerido que a lei seria um atraso. &ldquo;Est&atilde;o esbravejando por conta das cotas para produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, que &eacute; uma parte menor dessa mudan&ccedil;a que vai movimentar a economia com impacto positivo na cria&ccedil;&atilde;o de empregos e na oportunidade de novos neg&oacute;cios na cadeia de produ&ccedil;&atilde;o audiovisual&rdquo;, diz Luiz Noronha, s&oacute;cio do Grupo Conspira&ccedil;&atilde;o, uma das maiores produtoras do Brasil.<\/p>\n<p>A cota semanal de tr&ecirc;s horas e meia de programa&ccedil;&atilde;o no hor&aacute;rio nobre da TV paga vem sendo criticada com insinua&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o h&aacute; produ&ccedil;&atilde;o de qualidade para atender &agrave; demanda obrigat&oacute;ria. Diante disso, os canais teriam de p&ocirc;r no ar programa&ccedil;&atilde;o sem qualidade ou reprises, o que geraria insatisfa&ccedil;&atilde;o dos assinantes. Noronha rebate o argumento lembrando que &ldquo;ningu&eacute;m &eacute; maluco de colocar porcaria no ar s&oacute; para cobrir cota e prejudicar audi&ecirc;ncia no hor&aacute;rio nobre&rdquo;.<\/p>\n<p>Embora incipiente, j&aacute; existe produ&ccedil;&atilde;o independente no Pa&iacute;s sendo transmitida. Ainda &eacute; um mercado pequeno, mas que, mesmo sem amparo da lei, encontrou brechas para se estabelecer. &Eacute; encabe&ccedil;ado por produtoras como a pr&oacute;pria Conspira&ccedil;&atilde;o e a O2 Filmes, que tem entre os s&oacute;cios o cineasta Fernando Meirelles.<\/p>\n<p>As duas produtoras, por exemplo, s&atilde;o autoras de s&eacute;ries brasileiras de sucesso, como Mandrake, da Conspira&ccedil;&atilde;o, veiculada na HBO, ou ent&atilde;o as miniss&eacute;ries Som e F&uacute;ria e Cidade dos Homens, produzidas pela O2 para a Rede Globo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O publicit&aacute;rio Dulcidio Caldeira poder&aacute; ser chamado de &ldquo;vision&aacute;rio&rdquo; no seu meio se a lei que regulamenta o setor de produ&ccedil;&atilde;o audiovisual no Brasil &ndash; e cria a cotas para veicula&ccedil;&atilde;o de programa&ccedil;&atilde;o nacional &ndash; for sancionada em duas semanas pela presidente Dilma Rousseff. 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