{"id":26029,"date":"2011-08-26T16:48:57","date_gmt":"2011-08-26T16:48:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26029"},"modified":"2011-08-26T16:48:57","modified_gmt":"2011-08-26T16:48:57","slug":"entre-a-liberdade-do-marco-civil-e-a-ditadura-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26029","title":{"rendered":"Entre a liberdade do marco civil e a ditadura digital"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Mobilizados contra AI-5 Digital, ativistas seguem pressionando Governo e parlamentares pela garantia da liberdade na internet. Durante a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica nesta quarta (24), organiza&ccedil;&otilde;es sociais representadas pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) entregaram aos deputados Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e &agrave; deputada Luiza Erundina (PSB-SP abaixo-assinado com 350 mil assinaturas repudiando a proposta, que representa &quot;uma amea&ccedil;a aos direitos e liberdades na internet&quot;.<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff apresentou ao Congresso Nacional, na noite desta quarta (24) (24), o projeto de lei para regulamentar o uso da internet no Brasil, conhecido como Marco Civil da Internet.<\/p>\n<p>O PL 2126\/11 prop&otilde;e dez diretrizes para a governan&ccedil;a e uso da internet no pa&iacute;s, definindo regras para garantir os direitos dos usu&aacute;rios, as responsabilidades dos provedores de servi&ccedil;os e a atua&ccedil;&atilde;o do Estado no desenvolvimento e uso da rede. Dentre as propostas est&aacute; que os provedores de acesso guardem os registros de conex&atilde;o sob sigilo por um ano.<\/p>\n<p>O Marco Civil &eacute; uma reivindica&ccedil;&atilde;o de ativistas de m&iacute;dia livre e entidades do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, que defendem que a regulamenta&ccedil;&atilde;o deve ocorrer antes de se propor a puni&ccedil;&atilde;o de crimes na internet, como &eacute; o caso do Projeto de Lei 84\/99. Chamado de &ldquo;AI-5 Digital&rdquo;, o projeto tem causado protestos e &eacute; acusado de tentar restringir a liberdade na rede.<\/p>\n<p>O projeto de lei, que tramita em regime de urg&ecirc;ncia em tr&ecirc;s comiss&otilde;es na C&acirc;mara dos Deputados, foi tema de uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica tamb&eacute;m nesta quarta-feira (24). O encontro, promovido pela Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica, contou com a participa&ccedil;&atilde;o de ativistas, pesquisadores e parlamentares.<\/p>\n<p>Vigil&acirc;ncia<\/p>\n<p>Durante a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica nesta quarta, organiza&ccedil;&otilde;es sociais representadas pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) entregaram aos deputados Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e &agrave; deputada Luiza Erundina (PSB-SP), coordenadora da Frente Parlamentar para a Liberdade de Express&atilde;o, um abaixo-assinado com 350 mil assinaturas repudiando a proposta, que representa, segundo eles, uma amea&ccedil;a aos direitos e liberdades na internet.<\/p>\n<p>Azeredo respondeu &agrave;s cr&iacute;ticas afirmando que a discuss&atilde;o &eacute; v&aacute;lida, mas que a tend&ecirc;ncia &eacute; de que o texto permane&ccedil;a como est&aacute;. &ldquo;O projeto j&aacute; est&aacute; na fase final. A C&acirc;mara aprovou em 2003, o Senado em 2008. Estamos discutindo apenas as altera&ccedil;&otilde;es feitas pelo Senado. Pelo Regimento Interno, nesta altura s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel fazer exclus&otilde;es&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Ativistas de m&iacute;dia livre, pesquisadores e v&aacute;rias entidades da sociedade civil, por&eacute;m, rejeitam o PL e sustentam que seu intuito &eacute; aumentar a vigil&acirc;ncia na rede. Por meio de uma resposta escrita de forma colaborativa para o Brasil de Fato, o <a href=\"http:\/\/noticias.partidopirata.org\/\" target=\"_blank\">Partido Pirata<\/a>  demonstra preocupa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao Projeto de Lei.<\/p>\n<p>&quot;No caso do AI-5 Digital, o vigilantismo estaria na ado&ccedil;&atilde;o da regra de que todo mundo que usa a Internet teria seus dados registrados automaticamente e armazenados obrigatoriamente por tr&ecirc;s anos&quot;, diz o Partido.<\/p>\n<p>O professor e integrante do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) S&eacute;rgio Amadeu tem opini&atilde;o semelhante e avalia que a proposta n&atilde;o servir&aacute; para punir quem pratica crimes na internet.<\/p>\n<p>&quot;O cidad&atilde;o comum &eacute; muito f&aacute;cil de ser identificado. Mas para fazer crimes na internet precisa usar proxies an&ocirc;nimos, embaralhadores de texto. Por isso que a lei do Azeredo &eacute; in&oacute;cua contra os verdadeiros criminosos, s&oacute; visa a criar uma situa&ccedil;&atilde;o de vigil&acirc;ncia&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Interesses<\/p>\n<p>O objetivo principal do PL, para Amadeu, &eacute; atender aos interesses de setores econ&ocirc;micos, como o dos bancos. Atualmente, os bancos s&atilde;o responsabilizados por eventuais ataques e estariam tentando, segundo o professor, se eximir de suas obriga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;O banco ganha muito dinheiro e n&atilde;o pode querer se desresponsabilizar pela guarda do dinheiro dos seus correntistas. Mas com a mudan&ccedil;a da lei do Azeredo, ele vai tentar repassar essa possibilidade desses crimes de roubos, dos furtos eletr&ocirc;nicos, para outros agentes, como provedores de internet&quot;, explica.<\/p>\n<p>O interesse pelo Projeto de Lei, de acordo com Amadeu, tamb&eacute;m parte da ind&uacute;stria internacional do copyright, que quer criminalizar, em todo o mundo, pr&aacute;ticas de compartilhamento de arquivos na rede.<\/p>\n<p>&quot;O Azeredo insiste que o projeto dele n&atilde;o tem nada a ver com copyright, e n&oacute;s sabemos que tem, porque toda a reda&ccedil;&atilde;o dele [do PL] &eacute; t&atilde;o gen&eacute;rica para poder transformar pr&aacute;ticas cotidianas de internautas em crime&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Alternativa<\/p>\n<p>Como alternativa &agrave; mat&eacute;ria de Azeredo, um grupo de deputados apresentou, no in&iacute;cio de julho, uma proposta alternativa para a puni&ccedil;&atilde;o de crimes cometidos na internet. <a href=\"http:\/\/edemocracia.camara.gov.br\/web\/seguranca-da-internet\/inicio\" target=\"_blank\">O documento<\/a>  est&aacute; em consulta p&uacute;blica no portal e-Democracia, da C&acirc;mara.<\/p>\n<p>Elaborado pelas deputadas Manuela D&#39;&Aacute;vila (PCdoB-RS) e Luiza Erundina (PSB-SP) e pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Jo&atilde;o Arruda (PMDB-PR), Brizola Neto (PDT-RJ) e Emiliano Jos&eacute; (PT-BA), o texto substitutivo acrescenta ao C&oacute;digo penal tr&ecirc;s tipos de crimes na internet: o acesso indevido a sistemas informatizados; a inser&ccedil;&atilde;o ou difus&atilde;o de c&oacute;digo malicioso (v&iacute;rus) e inser&ccedil;&atilde;o ou difus&atilde;o de c&oacute;digo malicioso seguido de dano. No documento inicial de Azeredo havia a tipifica&ccedil;&atilde;o de 20 crimes; atualmente s&atilde;o 12.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, diferente do PL 84\/99, a proposta dos deputados n&atilde;o prev&ecirc; nenhum tipo de armazenamento dos logs [rastros deixados pelos usu&aacute;rios da internet enquanto navegam].<\/p>\n<p>&quot;O texto de Azeredo carrega claramente uma inten&ccedil;&atilde;o de exercer um controle sobre a internet na medida em que amea&ccedil;a frontalmente a privacidade dos internautas. J&aacute; a nossa proposta intenta apenas combater os crimes digitais e proteger os cidad&atilde;os&quot;, afirma o deputado Paulo Teixeira.<\/p>\n<p>Para o Partido Pirata, a proposta dos deputados tem pontos positivos, como a valoriza&ccedil;&atilde;o do debate p&uacute;blico como forma de constru&ccedil;&atilde;o legislativa e o fato de limitar-se a prever tipos penais, e n&atilde;o tenta prever novos mecanismos ou procedimentos de investiga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Isso &eacute; crucial, porque &eacute; exatamente por tratar todo usu&aacute;rio de Internet como suspeito a ser vigiado que o projeto original (n&ordm; 84\/99) foi apelidado de AI-5 Digital&quot;, destaca o Partido.<\/p>\n<p>Entretanto, a tipifica&ccedil;&atilde;o dos crimes ainda &eacute; considerada um problema. &quot;[O texto] tipifica crimes na internet de forma mais perversiva que em casos fora da internet&quot;, diz a nota. Como exemplo, citam que o crime de invas&atilde;o de computador prev&ecirc; penas de tr&ecirc;s meses a um de pris&atilde;o e multa, enquanto a invas&atilde;o de domic&iacute;lio, de acordo com o C&oacute;digo Penal prev&ecirc; deten&ccedil;&atilde;o de um a tr&ecirc;s meses ou uma multa.<\/p>\n<p>Sergio Amadeu, por&eacute;m, avalia que a proposta dos deputados ainda cont&eacute;m muitas falhas, como a manuten&ccedil;&atilde;o de express&otilde;es gen&eacute;ricas como &quot;dispositivo de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;. Para o especialista, o intuito dos deputados ao apresentar a proposta era frear a press&atilde;o de Azeredo e de setores interessados na aprova&ccedil;&atilde;o do PL 84\/99.<\/p>\n<p>&quot;O projeto dos deputados &eacute; uma tentativa honesta, mas ainda ruim, porque eles deveriam ter insistido com o governo para mandar o Marco Civil da Internet, n&atilde;o querer fazer uma lei com alguns artigos que poderiam ser menos graves do que a proposta do Azeredo&quot;, analisa.<\/p>\n<p>Marco Civil<\/p>\n<p>A minuta dos deputados ficar&aacute; em consulta p&uacute;blica por prazo indeterminado, j&aacute; que a inten&ccedil;&atilde;o dos parlamentares &eacute; vot&aacute;-la depois da aprova&ccedil;&atilde;o do Marco Civil da Internet. Constru&iacute;do de forma colaborativa em uma plataforma aberta na internet, o Marco Civil estabelece direitos e responsabilidades dos usu&aacute;rios e provedores na rede. &ldquo;Antes de pensar em punir quaisquer cidad&atilde;os, &eacute; preciso assegurar seus direitos b&aacute;sicos&rdquo;, avalia o deputado Paulo Teixeira.<\/p>\n<p>Para S&eacute;rgio Amadeu, a aprova&ccedil;&atilde;o do Marco Civil colocar&aacute; o Brasil na vanguarda dos direitos humanos e de comunica&ccedil;&atilde;o na rede. &quot;Ent&atilde;o enquanto pa&iacute;ses conservadores como Espanha, Inglaterra e Fran&ccedil;a tentam fazer criminaliza&ccedil;&otilde;es e mudar a l&oacute;gica da internet, o Brasil iria fazer uma lei para regulamentar a liberdade, a privacidade e a cidadania na internet, isso &eacute; muito importante&quot;, avalia S&eacute;rgio Amadeu.<\/p>\n<p>O Partido Pirata tamb&eacute;m ressalta a import&acirc;ncia do Marco Civil, lembrando que, com a regulamenta&ccedil;&atilde;o da rede, ser&aacute; poss&iacute;vel impulsionar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas como expans&atilde;o do uso da Internet na Regi&atilde;o Norte ou a garantia de acesso para pessoas pobres. &quot;O Marco Civil tem a incumb&ecirc;ncia de garantir em texto que os direitos fundamentais da popula&ccedil;&atilde;o valham tamb&eacute;m na Internet e de impor ao Estado que empenhe esfor&ccedil;os para fazer da rede uma ferramenta p&uacute;blica de exerc&iacute;cio da cidadania e da cultura&quot;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mobilizados contra AI-5 Digital, ativistas seguem pressionando Governo e parlamentares pela garantia da liberdade na internet. 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