{"id":26026,"date":"2011-08-25T17:32:51","date_gmt":"2011-08-25T17:32:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26026"},"modified":"2011-08-25T17:32:51","modified_gmt":"2011-08-25T17:32:51","slug":"i-forum-da-internet-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26026","title":{"rendered":"I Forum da Internet no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Por iniciativa do CGI.br &ndash; Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil, ser&aacute; realizado nos dias 13 e 14 de outubro, em S&atilde;o Paulo, o I Forum da Internet brasileira. No momento em que o governo envia proposta de novo marco civil ao congresso, onde diversos PLs de retrocessos na liberdade de express&atilde;o est&atilde;o colocados, &eacute; necess&aacute;ria a mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil.<\/p>\n<p>A mobiliza&ccedil;&atilde;o inicial para a prepara&ccedil;&atilde;o do f&oacute;rum contou com a mesma diversidade que se espera nas discuss&otilde;es dos dias 13 e 14 de outubro. A primeira reuni&atilde;o aberta aconteceu no &uacute;ltimo dia 18, e contou com representantes de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, movimentos sociais, entidades sindicais, academia, governo e empres&aacute;rios. S&eacute;rgio Amadeu, membro do CGI.br pela sociedade civil, conduziu com propriedade o debate sobre o f&oacute;rum, que pretende &ldquo;discutir os principais desafios da internet no Brasil hoje, acompanhar os temas e quest&otilde;es mais relevantes para a consolida&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o da internet no Brasil&rdquo;. Espa&ccedil;o de discuss&atilde;o, n&atilde;o de delibera&ccedil;&atilde;o e vota&ccedil;&atilde;o, o f&oacute;rum deve absorver a participa&ccedil;&atilde;o de todos os segmentos da sociedade, e n&atilde;o apenas dos &ldquo;entendidos&rdquo; no assunto. &ldquo;As decis&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o apenas t&eacute;cnicas, elas interferem na vida do usu&aacute;rio&rdquo;, continuou o professor Amadeu.<\/p>\n<p>N&atilde;o bastasse o &uacute;ltimo acordo do governo com as Teles, que transfere para a iniciativa privada o controle de um setor estrat&eacute;gico, est&aacute; novamente no ar a amea&ccedil;a do &ldquo;AI-5 digital&rdquo;, do senador Azeredo, e da aprova&ccedil;&atilde;o de outros projetos de lei favor&aacute;veis ao capital. Apesar disso, a principal discuss&atilde;o na reuni&atilde;o ampliada do CGI.br foi sobre a oportunidade do semin&aacute;rio. Eduardo Levy , Conselheiro CGI.br, representante dos Provedores de Infraestrutura de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, foi o primeiro a propor o adiamento, por considerar &ldquo;muito apertado o prazo&rdquo; para a organiza&ccedil;&atilde;o do evento. Mas n&atilde;o foi s&oacute; o setor empresarial que defendeu o adiamento, outros segmentos tamb&eacute;m se mostraram divergentes.<\/p>\n<p>Enquanto para Everton Rodrigues, do gabinete do governador do RS, Tarso Genro, o &ldquo;f&oacute;rum chega num bom momento&rdquo;, para R&ocirc;mulo, do Itamaraty, &ldquo;precisamos de mais tempo para fazer evento melhor; ainda n&atilde;o me convenci pelos argumentos da urg&ecirc;ncia do evento&rdquo;. O representante do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores acredita que &ldquo;o governo dever&aacute; estar sub-representado, pois est&aacute; com uma s&eacute;rie de problemas.&rdquo; Everton acredita que todos os temas ter&atilde;o representatividade grande, j&aacute; que a internet exige uma discuss&atilde;o complexa. &ldquo;Os governos querem, muitas vezes, democratizar seus servi&ccedil;os, disponibilizar, mas os estamos sob controle total da qualidade da internet&rdquo;, diz o ga&uacute;cho.<\/p>\n<p>Mil pessoas nas trilhas<\/p>\n<p>Defendendo a proposta inicial do CGI.br, Sergio Amadeu lembra que a internet est&aacute; sendo &ldquo;alvo de propostas de mudan&ccedil;as absurdas&rdquo;, e esses temas estar&atilde;o candentes em todo o mundo no m&ecirc;s de outubro. &ldquo;Liberdade, privacidade, &eacute; importante, mas h&aacute; muitos projetos na C&acirc;mara tentando restringir estes princ&iacute;pios&rdquo;, diz o professor. Amadeu acha que o Brasil tem tido posi&ccedil;&otilde;es interessantes na quest&atilde;o da Governan&ccedil;a da internet, mas precisamos saber &ldquo;como &eacute; feita a governan&ccedil;a, a Anatel pode entrar nisto? Vamos discutir a participa&ccedil;&atilde;o do Brasil na Governan&ccedil;a mundial&rdquo;.<\/p>\n<p>Espera-se entre 600 e 1.000 pessoas no F&oacute;rum, que ser&aacute; realizado no Expo Center Norte, em S&atilde;o Paulo, com estrutura para mil. Os temas foram agrupados no que se chamou de trilhas. A princ&iacute;pio a proposta tinha oito trilhas, mas o comit&ecirc; gestor da internet, no dia seguinte deliberou por reagrup&aacute;-las em seis, a partir de sugest&otilde;es levantadas na reuni&atilde;o aberta. As trilhas est&atilde;o organizadas por categorias e por tags no site do F&oacute;rum, que conter&aacute; tamb&eacute;m documentos que subsidiem a discuss&atilde;o. Cada trilha ter&aacute; uma coordena&ccedil;&atilde;o com um representante de cada um dos quatro setores que comp&otilde;em o CGI.br (governo, empresas, academia, sociedade civil), al&eacute;m daqueles que far&atilde;o as provoca&ccedil;&otilde;es iniciais.<\/p>\n<p>Os debates nas trilhas ocorrer&atilde;o concomitantemente durante os dois dias de evento. S&atilde;o elas:<\/p>\n<p>1. Liberdade, privacidade e direitos humanos<br \/>2. Governan&ccedil;a democr&aacute;tica e colaborativa<br \/>3. Universalidade<br \/>4. Diversidade e Conte&uacute;do<br \/>5. Padroniza&ccedil;&atilde;o, interoperabilidade, neutralidade e Inova&ccedil;&atilde;o<br \/>6. Ambiente legal, regulat&oacute;rio, seguran&ccedil;a e Inimputabilidade da rede<\/p>\n<p>&ldquo;Os temas se baseiam nos princ&iacute;pios da governan&ccedil;a da internet no Brasil&rdquo;, diz Veridiana Alimonti, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). &ldquo;O f&oacute;rum &eacute; um trabalho para aprofundar estas quest&otilde;es nas entidades, entre os ativistas, e lev&aacute;-las para quem ainda n&atilde;o tem proximidade. Este &eacute; o in&iacute;cio de um debate, de um processo, outubro ser&aacute; o in&iacute;cio desse processo&rdquo;. Para Sergio Rosa, diretor da Cobra Tecnologia, o momento &eacute; bom inclusive para maior institucionaliza&ccedil;&atilde;o e novo papel para o CGI.br. &ldquo;Ontem os canais lamentavam a aprova&ccedil;&atilde;o do PL 116, porque as teles poder&atilde;o transmitir os programas de TV e eles est&atilde;o perdendo mercado&rdquo;, disse o executivo, &ldquo;&eacute; o momento em que o Brasil discute o PNBL, prop&iacute;cio para maior empoderamento do Comit&ecirc;. Queremos que tenha mais poderes deliberativos sobre os assuntos da internet, comunica&ccedil;&atilde;o, conte&uacute;do e similares&rdquo;.<\/p>\n<p>Falando em conte&uacute;do, esta tem&aacute;tica n&atilde;o fora prevista a princ&iacute;pio, mas foi levantada por duas ativistas. Sueli Schiavo, do Conselho Regional de Psicologia, destacou que &ldquo;a quest&atilde;o de conte&uacute;dos n&atilde;o est&aacute; considerada e com a converg&ecirc;ncia de m&iacute;dias hoje na internet se faz necess&aacute;rio&rdquo;. A psic&oacute;loga criticou o PL 116, que aguarda san&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia, sobre a falta de clareza no tipo de conte&uacute;dos propostos. &ldquo;Falta no pa&iacute;s educa&ccedil;&atilde;o para a m&iacute;dia, as pessoas n&atilde;o sabem receber a m&iacute;dia com a devida cr&iacute;tica&rdquo;. Tamb&eacute;m Odete Cruz, da ABPITV &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Produtoras Independentes de Televis&atilde;o, reivindicou o tema conte&uacute;do. &ldquo;A ABPI vem trabalhando a quest&atilde;o do conte&uacute;do, muito importante; internet &eacute; outra plataforma de distribui&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; entretenimento, deve ter conte&uacute;dos educativos e informativos&rdquo;.<\/p>\n<p>Os empres&aacute;rios est&atilde;o ainda de olho nos 9 bilh&otilde;es do FUST &ndash; Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, criado em 2000 com o objetivo de desenvolver a inclus&atilde;o digital em regime p&uacute;blico. O FUST &eacute; disputado pelas operadoras desde sua institui&ccedil;&atilde;o, as teles prometem sempre universalizar o servi&ccedil;o se receberem este dinheiro. Mas, se elas n&atilde;o fizeram isso nem cobrando alto? N&oacute;s todos sabemos como est&aacute; inacess&iacute;vel a telefonia e a internet em muitos lugares do Brasil. E se formos pensar na qualidade ent&atilde;o&#8230; quem pode pagar hoje, mesmo nos grandes centros, por uma banda larga larga e de qualidade? Com o &ldquo;pacote de bondades&rdquo; assinado pelo Governo, as empresas poder&atilde;o colocar o servi&ccedil;o apenas onde &eacute; mais lucrativo, expande-se em quantidade sem cuidar da qualidade.<\/p>\n<p>Como diz Jo&atilde;o Brant, do Intervozes, &ldquo;a id&eacute;ia de um pacote popular, que poderia ser o in&iacute;cio, a base de um plano, tornou-se o pr&oacute;prio plano&rdquo;. A Telebr&aacute;s deveria ter papel estrat&eacute;gico, mas aqui o governo n&atilde;o quer que o Estado atue nesse servi&ccedil;o essencial, n&atilde;o est&aacute; vendo a internet como direito de cidadania. Brant acha que o f&oacute;rum ajuda inclusive a visibilizar o CGI.br, e defende a publica&ccedil;&atilde;o no site de teses sobre quaisquer das tem&aacute;ticas e que possam ser colocadas por qualquer participante. Para Pedro Markun, da Transpar&ecirc;ncia Hacker, o f&oacute;rum deve ser para os internautas em primeiro lugar. &ldquo;Sou internauta, e estamos absolutamente preocupados com liberdade e privacidade na rede. O internauta est&aacute; completamente &lsquo;desempoderado&rsquo; nessa discuss&atilde;o. N&atilde;o somos 3&ordm; setor, somos uma comunidade de internautas, o processo deve ser constru&iacute;do coletivamente na rede&rdquo;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por iniciativa do CGI.br &ndash; Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil, ser&aacute; realizado nos dias 13 e 14 de outubro, em S&atilde;o Paulo, o I Forum da Internet brasileira. 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