{"id":25994,"date":"2011-08-22T16:06:33","date_gmt":"2011-08-22T16:06:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25994"},"modified":"2011-08-22T16:06:33","modified_gmt":"2011-08-22T16:06:33","slug":"expansao-em-ritmo-acelerado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25994","title":{"rendered":"Expans\u00e3o em ritmo acelerado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">Por alto, Sergio Machado calcula que sejam mais de 2 milh&otilde;es de  livros. Isso considerando s&oacute; o excesso, &ldquo;algo de que a gente poderia se  desfazer sem afetar em nada a editora&rdquo;. Est&atilde;o estocados h&aacute; cinco, seis  anos, num armaz&eacute;m alugado pr&oacute;ximo &agrave; sede da Record, grupo editorial que  Machado preside, ali junto ao est&aacute;dio do Vasco, na zona norte do Rio. L&aacute;  seguiriam indefinidamente n&atilde;o fosse o recente pedido de desocupa&ccedil;&atilde;o do  lugar. Agora o dono da maior editora de obras de interesse geral do Pa&iacute;s  tem poucos meses para dar destino &agrave;s pilhas que abarrotam o lugar.  &ldquo;Estamos alugando outro espa&ccedil;o, menor e mais caro, e avaliando  alternativas&rdquo;, diz Machado. &ldquo;&Eacute; prov&aacute;vel que alguma coisa seja  destru&iacute;da.&rdquo;<\/p>\n<p>A elimina&ccedil;&atilde;o de sobras de livros &eacute; tema abordado com cautela por  empres&aacute;rios, mas a pr&aacute;tica de &ldquo;transformar em aparas&rdquo;, como eles  preferem, &eacute; bem menos rara do que se possa pensar, em especial neste  momento em que o mercado editorial brasileiro produz muito mais do que  consegue vender. A mais recente pesquisa de produ&ccedil;&atilde;o e vendas do setor,  realizada pela Funda&ccedil;&atilde;o Instituto de Pesquisas Econ&ocirc;micas (Fipe), d&aacute; a  dimens&atilde;o. Em 2010, as editoras produziram quase 23% mais exemplares de  livros que em 2009, enquanto o crescimento no n&uacute;mero de c&oacute;pias vendidas  foi de apenas 13%. Conforme a estimativa, ao longo do ano foram  produzidos 55 milh&otilde;es de livros a mais do que se comercializou para o  mercado e o governo, mantendo uma tend&ecirc;ncia &agrave; superprodu&ccedil;&atilde;o j&aacute; percebida  nos &uacute;ltimos anos. Num momento em que o digital domina o debate sobre o  futuro do livro, o presente &eacute; feito de encalhe de livros em papel.<\/p>\n<p>Os n&uacute;meros confirmam a percep&ccedil;&atilde;o un&acirc;nime de editores e livreiros  desse fen&ocirc;meno que, mais cedo ou mais tarde, repete-se em v&aacute;rios pa&iacute;ses.  &ldquo;H&aacute; uma superprodu&ccedil;&atilde;o. Trabalho na &aacute;rea desde 1984 e nunca vi coisa  igual. De uns dois anos para c&aacute;, deu um salto&rdquo;, diz Ricardo Schil,  gestor de neg&oacute;cios da Livraria Cultura. Atuando nos dois lados do  segmento, o editor e livreiro Alexandre Martins Fontes diz n&atilde;o ter  d&uacute;vida de que hoje se produz muito mais do que o mercado pode consumir.  &ldquo;E me pergunto onde isso vai parar. Em algum momento o mercado ter&aacute; de  se autorregular. Porque, se voc&ecirc; publica e n&atilde;o vende, uma hora voc&ecirc;  quebra.&rdquo;<\/p>\n<p>O incha&ccedil;o na produ&ccedil;&atilde;o teve como est&iacute;mulos o aumento das compras pelo  governo, o maior poder aquisitivo da classe C e o crescimento de um  p&uacute;blico leitor mais jovem, decorr&ecirc;ncia do sucesso de Harry Potter. Mas,  mais do que o n&uacute;mero de compradores em potencial, o que impulsionou essa  superprodu&ccedil;&atilde;o foram as facilidades tecnol&oacute;gicas. &ldquo;Antigamente, para  editar um livro eram necess&aacute;rios equipamentos caros e sofisticados.  Aquilo era uma esp&eacute;cie de filtro. Com as novas possibilidades de edi&ccedil;&atilde;o e  impress&atilde;o ficou tudo mais vi&aacute;vel&rdquo;, diz S&eacute;rgio Machado.<\/p>\n<p>Entre edi&ccedil;&otilde;es e reedi&ccedil;&otilde;es, publicaram-se em 2010 no Brasil quase 55  mil t&iacute;tulos, numa m&eacute;dia de 210 diferentes obras chegando ao mercado por  dia &uacute;til. S&oacute; o Grupo Record, adepto de uma agressiva estrat&eacute;gia de  publicar muito para que os sucessos compensem os fracassos, coloca no  mercado todo m&ecirc;s 80 novos t&iacute;tulos. Nem uma esfriada nas vendas, como a  percebida nos &uacute;ltimos meses pela diretora editorial da casa, Luciana  Villas-Boas, prejudica a produ&ccedil;&atilde;o do grupo, que imprime 600 mil  exemplares por m&ecirc;s. &ldquo;Se caem as vendas, acabamos publicando mais  t&iacute;tulos, porque as m&aacute;quinas ficam menos tempo ocupadas com  reimpress&otilde;es.&rdquo;<\/p>\n<p>Esse tipo de pensamento incomoda editoras menores. &ldquo;Se por um lado  essa variedade de t&iacute;tulos parece boa, ao final, quando o gargalo &eacute; a  distribui&ccedil;&atilde;o, o problema fica ainda maior. A disputa por espa&ccedil;o nas  livrarias torna-se invi&aacute;vel&rdquo;, diz Cristina Warth, editora da Pallas.<\/p>\n<p>Com cerca de cem associadas, a Libre, entidade que re&uacute;ne pequenas e  m&eacute;dias editoras, entende que o excesso de oferta prejudica a  bibliodiversidade. Foi o que constatou tamb&eacute;m uma recente pesquisa  divulgada na Espanha pela FGEE, a maior entidade editorial local:  naquele pa&iacute;s, um novo t&iacute;tulo tem no m&aacute;ximo 30 dias para chamar a aten&ccedil;&atilde;o  do p&uacute;blico leitor antes de dar lugar a t&iacute;tulos ainda mais novos nas  estantes das livrarias.<\/p>\n<p>O excesso de oferta pode parecer positivo para o leitor, mas n&atilde;o &eacute;  bem assim. No Brasil, desde 2004 as pesquisas apontam para uma queda no  pre&ccedil;o do livro, mas mais lenta do que fariam supor as facilidades de  impress&atilde;o e a concorr&ecirc;ncia acirrada. Como as editoras publicam muito  mais do que as livrarias conseguem estocar, os gastos com marketing e  estrat&eacute;gias de exposi&ccedil;&atilde;o aumentam os custos o investimento. &ldquo;Com o  exagero na produ&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulos, algumas coisas boas, autores ou t&iacute;tulos,  j&aacute; nascem mortas, pois n&atilde;o conseguir&atilde;o o mesmo espa&ccedil;o para divulga&ccedil;&atilde;o  na imprensa ou nas livrarias&rdquo;, diz Warth, da Pallas.<strong><\/p>\n<p>Estocagem<\/strong><\/p>\n<p>H&aacute; algum tempo, o escritor amazonense  M&aacute;rcio Souza recebeu do governo do Par&aacute; a sobra de uma HQ baseada em seu  romance Galvez, o Imperador do Acre, editada com financiamento p&uacute;blico.  Era algo em torno de 300 exemplares, que Souza come&ccedil;ou a distribuir  entre amigos. &ldquo;Acho que seria mais f&aacute;cil eu me livrar de um cad&aacute;ver do  que dessa sobra. Ainda tenho aqui uns cem. Ningu&eacute;m tem tanto amigo.&rdquo;<\/p>\n<p>Doar &eacute; sin&ocirc;nimo de dor de cabe&ccedil;a. Para editoras, preparar kits com  poucos exemplares de cada livro e distribuir entre institui&ccedil;&otilde;es sairia  mais caro que estocar e n&atilde;o resolveria a quest&atilde;o da quantidade; tampouco  interessa &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es receber mil exemplares de um livro s&oacute;. &ldquo;A  doa&ccedil;&atilde;o existe, mas n&atilde;o resolve. Al&eacute;m disso, dependendo do contrato, voc&ecirc;  n&atilde;o consegue doar sem pagar direitos autorais. Da&iacute; precisa de  documenta&ccedil;&atilde;o para fins de doa&ccedil;&atilde;o do autor e do governo&rdquo;, diz Roberto  Feith, diretor da Objetiva.<\/p>\n<p>Maria Zenita Monteiro, coordenadora do Sistema Municipal de  Bibliotecas de S&atilde;o Paulo, respons&aacute;vel por mais de cem pontos na cidade,  diz que iniciativas de doa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o rar&iacute;ssimas. &ldquo;Quase 100% dos livros  que as bibliotecas t&ecirc;m s&atilde;o comprados. Este ano, recebemos uma &uacute;nica  doa&ccedil;&atilde;o de uma editora, a 34, que teve uma sobra de livros que publicaram  pelo governo.&rdquo;<\/p>\n<p>Junta-se a isso o fato de que estocar &eacute; muito mais caro que destruir o  encalhe, mesmo que a destrui&ccedil;&atilde;o implique perder o dinheiro da edi&ccedil;&atilde;o.  No caso dos 2 milh&otilde;es de livros para os quais a Record precisa achar uma  solu&ccedil;&atilde;o, at&eacute; fazer um sald&atilde;o seria dif&iacute;cil, j&aacute; que, segundo Machado, os  autores teriam de autorizar os descontos. Logisticamente seria  complicado. S&oacute; de autores nacionais, ele imagina, s&atilde;o cerca de 1.200,  num universo de 3 mil t&iacute;tulos que figuram no armaz&eacute;m.<\/p>\n<p>Feith acredita que a sele&ccedil;&atilde;o cada vez maior de t&iacute;tulos ser&aacute;  imprescind&iacute;vel. &ldquo;Tudo tem o seu ponto de equil&iacute;brio, o mercado editorial  precisa descobrir o seu. Vamos ter de descobrir quando come&ccedil;ar a  existir preju&iacute;zo.&rdquo; &Eacute; claro que, no mercado editorial, at&eacute; o conceito de  ponto de equil&iacute;brio &eacute; de dif&iacute;cil defini&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que um &uacute;nico best-seller  sempre poder&aacute; compensar toda a aposta em t&iacute;tulos que encalham.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por alto, Sergio Machado calcula que sejam mais de 2 milh&otilde;es de livros. Isso considerando s&oacute; o excesso, &ldquo;algo de que a gente poderia se desfazer sem afetar em nada a editora&rdquo;. 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