{"id":25968,"date":"2011-08-16T16:10:06","date_gmt":"2011-08-16T16:10:06","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25968"},"modified":"2011-08-16T16:10:06","modified_gmt":"2011-08-16T16:10:06","slug":"governo-perdeu-as-redeas-do-processo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25968","title":{"rendered":"&#8220;Governo perdeu as r\u00e9deas do processo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Hoje &eacute; dia de ouvir Luiz Fernando Gomes Soares, o principal pesquisador por tr&aacute;s da especifica&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de intera&ccedil;&atilde;o do SBTVD, o Sistema Brasileiro de TV Digital. A ideia da conversa surgiu a partir <a href=\"http:\/\/bit.ly\/qhenYv\" target=\"_blank\">deste link<\/a> , onde se diz que o SBTVD, lan&ccedil;ado em 2007 [dezembro] tem at&eacute; agora apenas 14 aplica&ccedil;&otilde;es interativas comerciais. A isso, LF (como nosso entrevistado &eacute; conhecido no meio acad&ecirc;mico) acrescenta que n&atilde;o existe nenhuma &quot;narrativa interativa&quot;, comercial, ou seja, o uso da capacidade de intera&ccedil;&atilde;o do SBTVD para constru&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;rias interativas, uma das possibilidades mais interessantes &ndash; inclusive do ponto de vista educacional- do novo ambiente.<\/p>\n<p>Esta entrevista &eacute; um marco. LF fala pouco mas, desta vez, diz muito. conta a hist&oacute;ria do que rolou at&eacute; agora nos bastidores da intera&ccedil;&atilde;o no SBTVD. Seja l&aacute; qual for o futuro do padr&atilde;o brasileiro de TV digital e de seus mecanismos de intera&ccedil;&atilde;o, LF d&aacute; um testemunho marcante, daqueles que entram para a hist&oacute;ria.<\/p>\n<p><strong>Uma curta biografia: quem &eacute; voc&ecirc;, em um par&aacute;grafo, quais s&atilde;o os principais links pra seu trabalho, onde voc&ecirc; pode ser achado?<\/strong><br \/>Sou Professor Titular do Departamento de Inform&aacute;tica da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro. Fui presidente da &aacute;rea de computa&ccedil;&atilde;o na CAPES, membro do Conselho de Assessores de Ci&ecirc;ncia da Computa&ccedil;&atilde;o (CA-CC) do CNPq, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Computa&ccedil;&atilde;o (SBC) e atual membro de seu Conselho, e vice-presidente do Laborat&oacute;rio Nacional de Redes de Computadores (LARC). Fui representante da comunidade cient&iacute;fica no Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil e membro do seu Conselho Administrativo. Fui o respons&aacute;vel pelo desenvolvimento do ambiente Ginga-NCL do Sistema Brasileiro de TV Digital e Recomenda&ccedil;&atilde;o ITU-T para servi&ccedil;os IPTV. Sou o atual representante da academia no M&oacute;dulo T&eacute;cnico da C&acirc;mara Executiva do F&oacute;rum de TV Digital Brasileiro e de seu Conselho Deliberativo. Sou coeditor da Recomenda&ccedil;&atilde;o H.761 no ITU-T e Coordenador do GT de Middleware do F&oacute;rum SBTVD. Meu laborat&oacute;rio est&aacute; <a href=\"http:\/\/www.telemidia.puc-rio.br\/?q=pt-br\/node\/15\" target=\"_blank\">neste link<\/a>  e o e-mail <a href=\"http:\/\/smeira.blog.terra.com.br\/2011\/08\/15\/tv-digital-governo-perdeu-as-rdeas-do-processo\/lfgs@inf.puc-rio.br\" target=\"_blank\">neste outro<\/a> .<\/p>\n<p><strong>Qual a hist&oacute;ria da interatividade no SBTVD at&eacute; agora? quais foram os percal&ccedil;os da partida, da defini&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o?<\/strong><br \/>A hist&oacute;ria da linguagem NCL, e do middleware Ginga, come&ccedil;a em 1991, quando seu modelo de dados, chamado NCM (Nested Context Model), resolveu um problema em aberto na &aacute;rea de Sistemas Hiperm&iacute;dia. No ano de 1992, a solu&ccedil;&atilde;o encontrada foi incorporada ao padr&atilde;o MHEG da ISO, que veio a se tornar o primeiro middleware para TV digital, sendo at&eacute; hoje o middleware adotado no Reino Unido. Em 2005 submetemos a m&aacute;quina de apresenta&ccedil;&atilde;o de aplica&ccedil;&otilde;es NCL (o Ginga-NCL) como proposta para o SBTVD. Na &eacute;poca, o nome Ginga ainda n&atilde;o existia; na proposta se chamava MAESTRO. O Nome Ginga surgiu quando a proposta foi aceita como a &uacute;nica inova&ccedil;&atilde;o, de fato, do SBTVD.<\/p>\n<p>O in&iacute;cio da defini&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o, no entanto, n&atilde;o foi f&aacute;cil. Muitos duvidavam que o Brasil pudesse ter feito uma tecnologia melhor da que a existente nos pa&iacute;ses ditos desenvolvidos. Cheguei a ouvir (em palestra na C&acirc;mara dos Deputados em Bras&iacute;lia) que o Brasil devia se preocupar com a exporta&ccedil;&atilde;o de frango e de laranja, e n&atilde;o com o desenvolvimento de tecnologia.<\/p>\n<p>Tendo sido comprovada como a melhor tecnologia, tivemos, felizmente, apoio do Governo Federal na &eacute;poca, quando fui convidado a fazer o discurso de lan&ccedil;amento do SBTVD, cerim&ocirc;nia na qual o Presidente Lula e o ministro das Telecomunica&ccedil;&otilde;es citaram o Ginga (passou a ser chamado assim poucos dias antes do lan&ccedil;amento oficial) como a grande conquista brasileira.<\/p>\n<p>No entanto, ainda havia resist&ecirc;ncias no setor de radiodifus&atilde;o e na ind&uacute;stria de recep&ccedil;&atilde;o. Apenas quando pesquisadores europeus, japoneses e americanos come&ccedil;aram a elogiar a NCL como a melhor solu&ccedil;&atilde;o existente, salientando que finalmente se tinha uma solu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica adequada para a TV digital, foi que a aceita&ccedil;&atilde;o veio de fato. Ou seja, foi preciso sermos primeiro reconhecidos l&aacute; fora. Para se ter uma ideia, quem prop&ocirc;s a discuss&atilde;o de NCL e Ginga-NCL como Recomenda&ccedil;&atilde;o ITU-T n&atilde;o foi o Brasil, e sim o Jap&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Quais foram os principais problemas do caminho, do lan&ccedil;amento do padr&atilde;o em 2007 at&eacute; agora?<\/strong><br \/>O primeiro problema foi que diziam, em 2007, que n&atilde;o havia implementa&ccedil;&atilde;o comercial do Ginga-NCL e que o GEM (a parte imperativa escolhida, pela compatibilidade com o padr&atilde;o Europeu) tinha problemas de royalties. Quanto a esse &uacute;ltimo ponto, ningu&eacute;m atacava o Ginga-NCL, que incomodava justamente pelo contr&aacute;rio, por ser software livre e sem qualquer royalty. Ou seja, dispon&iacute;vel para absolutamente todos.<\/p>\n<p>Por n&atilde;o necessitar pagamento de royalties e por sua simplicidade, v&aacute;rias empresas de software foram criadas oferecendo a solu&ccedil;&atilde;o Ginga-NCL, ficando o primeiro problema resolvido. Foi ent&atilde;o que alguns fabricantes perceberam que o Ginga-NCL fazia tudo o que o GEM fazia e melhor, de onde surgiu a proposta que se lan&ccedil;asse receptores s&oacute; com o Ginga-NCL; o que chamaram de Ginga 1.0 na &eacute;poca. A ideia foi contestada pelos radiodifusores, que diziam que a presen&ccedil;a do GEM era importante pela interoperabilidade com os outros padr&otilde;es.<\/p>\n<p>Em 2008, como j&aacute; mencionei, a NCL e o Ginga-NCL foram propostos como Recomenda&ccedil;&atilde;o ITU-T para servi&ccedil;os IPTV. Aprovada em abril de 2009, pela primeira vez na hist&oacute;ria das TICs o Brasil contribuiu com um padr&atilde;o mundial, na &iacute;ntegra. Um marco que a imprensa ignorou. Como fato curioso, um jornalista, muito renomado, que evito dizer o nome, at&eacute; por vergonha, de um dos ve&iacute;culos mais lidos do Rio de Janeiro, ao ser apresentado ao fato, disse para seu rep&oacute;rter trazer uma not&iacute;cia do Adriano (que acabava de ser contratado pelo Flamengo) em alguma balada, pois era isso que trazia leitores.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que at&eacute; hoje o ambiente Ginga-NCL &eacute; o &uacute;nico ambiente de middleware padr&atilde;o para todas as plataformas IPTV, TV a cabo, TV broadband (TV conectada) e TV terrestre (TV aberta). Mesmo dentro do SBTVD, &eacute; o &uacute;nico padr&atilde;o para todas as plataformas (receptores fixos, m&oacute;veis e port&aacute;teis).<\/p>\n<p>Ainda em 2009, iniciou-se um movimento para substitui&ccedil;&atilde;o do GEM por uma nova solu&ccedil;&atilde;o da Sun, que seria incorporada como Ginga-J, a princ&iacute;pio, livre de royalties. O movimento cresceu e em uma reuni&atilde;o do Conselho Deliberativo do F&oacute;rum foi dada a decis&atilde;o final. Na &eacute;poca, o Ginga-NCL j&aacute; pertencia &agrave; comunidade de software livre, tendo recebido contribui&ccedil;&otilde;es de mais de uma dezena de universidades e outras institui&ccedil;&otilde;es; v&aacute;rias empresas foram tamb&eacute;m criadas sobre essa solu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A academia, por quase unanimidade (com exce&ccedil;&atilde;o apenas do LSITec da USP, entre as 17 institui&ccedil;&otilde;es ligadas ao F&oacute;rum do SBTVD), votou por n&atilde;o adotar a nova solu&ccedil;&atilde;o, proposta pela Sun e apadrinhada pelos radiodifusores, uma vez que a NCL, com sua linguagem de script Lua, fazia absolutamente tudo o que fazia a nova solu&ccedil;&atilde;o e com vantagens. A perda da interoperabilidade (t&atilde;o propalada) vinda pela n&atilde;o ado&ccedil;&atilde;o do GEM, n&atilde;o justificava mais a presen&ccedil;a do Java nas esta&ccedil;&otilde;es clientes.<\/p>\n<p>Na &eacute;poca, a ind&uacute;stria de recep&ccedil;&atilde;o concordava com a academia, mas, devido a um acordo feito nos bastidores, a academia ficou isolada e perdeu a vota&ccedil;&atilde;o por 12 a 1 (s&oacute; os radiodifusores mais a ind&uacute;stria de recep&ccedil;&atilde;o somam 8 votos no F&oacute;rum do SBTVD).<\/p>\n<p>Com o imbr&oacute;glio do Ginga-J resolvido, come&ccedil;aram as reclama&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o podia haver nenhum produto sem antes ter uma su&iacute;te de testes para o Ginga. Deve ser ressaltado, no entanto, que a su&iacute;te de testes para o Ginga-NCL existe e tamb&eacute;m j&aacute; &eacute; hoje um projeto ITU-T. Mais ainda, pela primeira vez, uma Quest&atilde;o ITU-T endossou oficialmente um trabalho colaborativo por meio de servi&ccedil;os web para a concep&ccedil;&atilde;o dessa su&iacute;te.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, o padr&atilde;o brasileiro foi adotado em mais 10 pa&iacute;ses latino-americanos e come&ccedil;a a ser adotado em alguns pa&iacute;ses da &Aacute;frica, e tudo tendo a interatividade do Ginga como carro chefe. Mais ainda, alguns desses pa&iacute;ses, como &eacute; o caso da Argentina, resolveram come&ccedil;ar s&oacute; com o Ginga-NCL, o que deveria ter sido feito no Brasil, na opini&atilde;o derrotada da academia.<\/p>\n<p>&Eacute; bom ressaltar, para melhor entendimento, que, para ser Ginga, obrigatoriamente deve-se ter o Ginga-NCL. Outras partes opcionais podem ser agregadas, como o Ginga-J (obrigat&oacute;rio apenas no caso do SBTVD para receptores fixos), ou outros servi&ccedil;os, como aqueles oferecidos pelas TVs conectadas.<\/p>\n<p><strong>Na sua avalia&ccedil;&atilde;o, qual &eacute; o atual estado de coisas? quais s&atilde;o as perspectivas de uso pr&aacute;tico, em escala comercial, de interatividade no SBTVD? voc&ecirc; acha que as emissoras &quot;deixaram interatividade pra l&aacute;&quot;, depois de ter conseguido v&aacute;rios de seus objetivos na transi&ccedil;&atilde;o do anal&oacute;gico para o digital, inclusive evitando a fragmenta&ccedil;&atilde;o do espectro para entrada de mais esta&ccedil;&otilde;es de TV?<\/strong><br \/>Pois &eacute;, eu ainda n&atilde;o quero acreditar que as emissoras tinham apenas como objetivo impedir a entrada de mais esta&ccedil;&otilde;es de TV. Ainda sonho que haja algum compromisso p&uacute;blico por parte daqueles que ganharam concess&otilde;es p&uacute;blicas. Talvez seja apenas um sonho&hellip;. Mas n&atilde;o pensem que a academia foi ing&ecirc;nua.<\/p>\n<p>O ideal da inclus&atilde;o digital, da democratiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m do processo de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, nos levou ao projeto da NCL e sua linguagem de script Lua. Sab&iacute;amos da dificuldade da transmiss&atilde;o, a terceira perna do processo de democratiza&ccedil;&atilde;o, mas cont&aacute;vamos com o sucesso da TV p&uacute;blica e, principalmente, com a entrada futura dos servi&ccedil;os de IPTV.<\/p>\n<p>N&atilde;o acho que as emissoras tenham deixado a interatividade para l&aacute;. Creio apenas que, por incompet&ecirc;ncia ou lentid&atilde;o, n&atilde;o encontraram um modelo de neg&oacute;cio para a interatividade. O que as emissoras fazem hoje de interatividade &eacute; muito pobre. N&atilde;o explora nem 10% do que o Ginga-NCL possibilita. A produ&ccedil;&atilde;o ainda est&aacute; nas m&atilde;os de engenheiros, que s&atilde;o bons engenheiros, mas produtores de conte&uacute;do sem qualquer criatividade. Ainda n&atilde;o deixaram a interatividade chegar &agrave;s m&atilde;os de quem realmente poderia criar as aplica&ccedil;&otilde;es &ldquo;campe&atilde;s&rdquo;.<\/p>\n<p>Ainda se pensa na interatividade como widgets acoplados a programas da TV convencional. Nesse sentido, o Ginga acrescenta pouco a mais do que os servi&ccedil;os das TVs conectadas, em termos de desempenho e expressividade. S&oacute; ganha por ser padr&atilde;o e de c&oacute;digo aberto. Entretanto, isso &eacute; muito importante. O grande problema das TVs conectadas atuais &eacute; que cada fabricante adotou sua solu&ccedil;&atilde;o propriet&aacute;ria, desde a linguagem de desenvolvimento dos widgets at&eacute; a distribui&ccedil;&atilde;o por meio de sua pr&oacute;pria loja. Mesmo que se queira padronizar uma dessas formas propriet&aacute;rias, basta fazer uma ponte com a NCL. Mais uma vez, NCL &eacute; uma linguagem cola, que n&atilde;o substitui, mas agrega facilidades. Com NCL, os fabricantes de receptores ainda poderiam controlar a distribui&ccedil;&atilde;o de widgets, ainda controlariam totalmente o neg&oacute;cio, mas com a vantagem adicional de permitir a quem cria o conte&uacute;do escrever um &uacute;nico c&oacute;digo para todas as plataformas. Hoje, como est&aacute;, o c&oacute;digo tem que ser portado de um fabricante para outro.<\/p>\n<p>A interatividade, no entanto, &eacute; muito mais do que widgets. S&atilde;o narrativas interativas, aplica&ccedil;&otilde;es de interatividade geradas ao vivo, explora&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos dispositivos de exibi&ccedil;&atilde;o, personaliza&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, etc., tudo o que a NCL pode oferecer a mais para complementar o que existe nas TVs conectadas.<\/p>\n<p>&Eacute; bom repetir que NCL &eacute; uma linguagem de cola. Ela n&atilde;o substitui, mas complementa o que pode ser oferecido nas TVs conectadas. O Ginga-NCL pode conviver em completa harmonia com os servi&ccedil;os da TV conectada, agregando outros servi&ccedil;os, como os de IPTV e TV terrestre (VoD, V&iacute;deos interativos ao vivo, narrativas interativas, etc.). Ginga-NCL &eacute; o ambiente escolhido pelo ITU-T para possibilitar essa interoperabilidade e converg&ecirc;ncia total, quando ent&atilde;o pararemos de ficar classificando as TVs digitais pelos seus modelos de neg&oacute;cio (TVs broadband, TVs broadcast, WebTV, IPTV), mas a consideraremos apenas como TV digital, com todos os seus servi&ccedil;os oferecidos agregados.<\/p>\n<p>&Eacute; muito preocupante a situa&ccedil;&atilde;o de hoje. Quem vai desenvolver conte&uacute;do interativo tem que usar N padr&otilde;es diferentes nas N redes de distribui&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;veis? NET, TVA, Telef&ocirc;nica, ViaEmbratel, Oi, Sky, SBTVD, Samsung, LG, Sony, Philips, TOTVS&hellip; Quem vai pagar pelo trabalho de portar o conte&uacute;do interativo para as m&uacute;ltiplas plataformas?<\/p>\n<p>A solu&ccedil;&atilde;o para isso &eacute; o que se persegue hoje nos &oacute;rg&atilde;os de padroniza&ccedil;&atilde;o e &eacute; nesse ponto que o Brasil est&aacute; muito &agrave; frente e &eacute; invejado em todo o mundo, por ser o &uacute;nico local onde esse modelo pode come&ccedil;ar j&aacute;.<\/p>\n<p>Infelizmente, a falta de conhecimento dos dirigentes de nossas &ldquo;filiais&rdquo; das ind&uacute;strias de recep&ccedil;&atilde;o e dos nossos radiodifusores os impedem de ver um futuro diferenciado para o pa&iacute;s e para seus neg&oacute;cios.<\/p>\n<p><strong>O governo e os &oacute;rg&atilde;os reguladores brasileiros poderiam ter feito mais por interatividade no SBTVD? mais do que? se tivessem feito, e o que deveriam ter feito, qual poderia ter sido o impacto?<\/strong><br \/>O governo come&ccedil;ou muito bem quando viu na TV digital n&atilde;o apenas um neg&oacute;cio para a ind&uacute;stria de recep&ccedil;&atilde;o, que no pa&iacute;s ainda n&atilde;o passa de montadoras, e para o setor de radiodifus&atilde;o.<\/p>\n<p>A inclus&atilde;o social pelo acesso e gera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, o fortalecimento das TVs P&uacute;blicas, a cria&ccedil;&atilde;o de empresas, de software e outras, a gera&ccedil;&atilde;o de empregos de qualidade, tanto na &aacute;rea tecnol&oacute;gica quanto nas artes e cultura, foram o carro chefe inicial do SBTVD.<\/p>\n<p>Foi com esse enfoque que a NCL foi projetada: uma linguagem simples e f&aacute;cil de ser usada por n&atilde;o especialistas. Uma linguagem simples, a ponto de permitir receptores de baixo custo sem, no entanto, perder sua expressividade, sem limitar em nada a criatividade. Uma linguagem simples, mas muito mais expressiva do que todas as outras linguagens declarativas usadas em qualquer middleware para TV digital existente at&eacute; os dias de hoje. Tamb&eacute;m com essa concep&ccedil;&atilde;o, foram criadas as bibliotecas NCLua. Lua &eacute; hoje a linguagem mais usada no mundo na &aacute;rea de jogos e entretenimento, mas parte de nossa ind&uacute;stria de conte&uacute;dos parece ainda ignorar isso.<\/p>\n<p>Ginga-NCL foi desenvolvido como software livre, e desse software mais de uma dezena de pequenas empresas foram criadas, empresas de m&eacute;dio a grande porte, e centenas ou talvez milhares de empregos de alto n&iacute;vel tecnol&oacute;gico.<\/p>\n<p>Mas o governo parou nesse primeiro momento, perdendo as r&eacute;deas do processo, que passou para os radiodifusores e mais recentemente para a ind&uacute;stria de recep&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ao n&atilde;o incentivar set-top boxes com o Ginga-NCL (e no primeiro momento era s&oacute; o que poderia ser feito, pois a discuss&atilde;o do Java permanecia) e deixar o aparecimento de &ldquo;zappers&rdquo; (set-top boxes sem interatividade Ginga); ao permitir que a ind&uacute;stria de recep&ccedil;&atilde;o se concentrasse apenas nas classes A e B com suas TVs de alta defini&ccedil;&atilde;o com conversores embutidos, impediu o acesso das classes menos privilegiadas a essa nova tecnologia.<\/p>\n<p>A TV P&uacute;blica ainda est&aacute; patinando, e o incentivo ao desenvolvimento de aplica&ccedil;&otilde;es (narrativas) interativas esbarrou na falta de capacidade dessas emissoras (na verdade, as emissoras privadas tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m tal conhecimento).<\/p>\n<p>De fato, faltou uma pol&iacute;tica para gera&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do.<\/p>\n<p>A academia vem fazendo sua parte, o Programa Ginga Brasil &eacute; mais um exemplo, formando produtores de conte&uacute;do, apoiando e incentivando a cria&ccedil;&atilde;o de empregos e empresas (inclusive de grande porte), apoiando &oacute;rg&atilde;os do governo, como DATAPREV e PRODERJ no desenvolvimento de conte&uacute;dos de inclus&atilde;o social.<\/p>\n<p>Entretanto, produzir para ser transmitido por quem? Sem essa perna de inclus&atilde;o, as duas outras (acesso e produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o) n&atilde;o operam. Temos que operacionalizar a TV p&uacute;blica.<\/p>\n<p>O Plano Nacional de Banda Larga traz nova esperan&ccedil;a. &Eacute; mais uma chance que temos de levar tudo adiante. Temos de ver o plano tamb&eacute;m como propiciador de servi&ccedil;os. E a TV digital &eacute; um dos mais importantes, principalmente no que tange &agrave; inclus&atilde;o social. Temos de tratar a IPTV, Web TV, broadband e broadcast TV n&atilde;o como solu&ccedil;&otilde;es antag&ocirc;nicas (porque n&atilde;o s&atilde;o nem no modelo de neg&oacute;cios), mas complementares. O Brasil lidera esse processo mundialmente, reconhecidamente, no ITU-T. Todos esperam e vigiam nossos movimentos. O Ginga-NCL &eacute; visto como a ferramenta de integra&ccedil;&atilde;o (e a&iacute; vai um recado para a ind&uacute;stria de recep&ccedil;&atilde;o mal informada: ferramenta de integra&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o de substitui&ccedil;&atilde;o de suas aplica&ccedil;&otilde;es residentes, como as que conferem acesso a suas lojas de widgets).<\/p>\n<p>Tomara que o governo retome as r&eacute;deas do processo.<\/p>\n<p>Mas a sociedade civil n&atilde;o est&aacute; parada. Atrav&eacute;s das TVs Comunit&aacute;rias, TVs Universit&aacute;rias, Pontos de Cultura e outros coletivos audiovisuais, ela n&atilde;o vai deixar a peteca cair. Quem viver ver&aacute;. N&atilde;o subestimem esse movimento.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; acha que a TV digital interativa aberta est&aacute; perdendo espa&ccedil;o para interatividade via IP e padr&otilde;es globais propostos por for&ccedil;as h&aacute; tempos dominantes no mercado mundial, como mostrado <a href=\"http:\/\/bit.ly\/qhenYv\" target=\"_blank\">neste link<\/a>? pensando bem&hellip; era poss&iacute;vel prever isso h&aacute; uma ou meia d&eacute;cada, nos est&aacute;gios de discuss&atilde;o e desenho e, depois, de lan&ccedil;amento do SBTVD?<\/strong><br \/>Tudo era previs&iacute;vel desde o in&iacute;cio. A academia presente no processo nunca foi ing&ecirc;nua. O Brasil se destaca na pesquisa na &aacute;rea h&aacute; mais de 20 anos. O que acontece &eacute; que tudo est&aacute; sendo visto de forma errada. Felizmente, l&aacute; fora isso est&aacute; mudando, basta ver os esfor&ccedil;os do ITU-T nos v&aacute;rios eventos de interoperabilidade e tamb&eacute;m os esfor&ccedil;os do W3C. Ali&aacute;s, o &uacute;ltimo evento de interoperabilidade foi conjunto e no Brasil (&hellip;e a imprensa nem noticiou, n&atilde;o &eacute;?).<\/p>\n<p>Mas vamos l&aacute;. Os radiodifusores europeus se basearam em uma tecnologia ruim, o MHP, que nunca pegou e nunca foi padr&atilde;o. A Europa era uma bagun&ccedil;a com v&aacute;rias implementa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o compat&iacute;veis. Com isso, e por falta de escalabilidade, fizeram pouca coisa de interessante (tirando o Reino Unido, que usava outro padr&atilde;o, o j&aacute; mencionado MHEG). Por falta de escala, n&atilde;o conseguiram definir um modelo de neg&oacute;cios. O Brasil, ou melhor, a Am&eacute;rica Latina, &eacute; vista como a grande chance de se ter um padr&atilde;o de fato. Na PUC-Rio, somos constantemente assediados por cons&oacute;rcios europeus querendo fazer testes no Brasil, pois n&atilde;o se v&ecirc; chance de execut&aacute;-los em uma Europa fragmentada.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a ind&uacute;stria de recep&ccedil;&atilde;o conseguiu encontrar seu &ldquo;neg&oacute;cio de interatividade&rdquo; atrav&eacute;s de lojas, propriet&aacute;rias, de widgets. Nesse momento a TV broadband (ou TV Conectada) passou a chamar aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>J&aacute; os servi&ccedil;os de IPTV eram oferecidos sempre como propriet&aacute;rios, e corriam, e ainda correm, por fora dessa briga.<\/p>\n<p>Acontece que tudo vai se unir, quer queiram quer n&atilde;o. &Eacute; s&oacute; uma quest&atilde;o de tempo. For&ccedil;as retr&oacute;gradas podem atrasar o processo, mas n&atilde;o v&atilde;o par&aacute;-lo. Quanto mais cedo perceberem que as coisas s&atilde;o complementares, todos v&atilde;o ganhar, os neg&oacute;cios e a inclus&atilde;o social, que foi o motor do SBTVD.<\/p>\n<p>A TV h&iacute;brida (como gostam de chamar os europeus) vai chegar. Ali&aacute;s, mencionando os europeus, o principal fabricante do principal padr&atilde;o h&iacute;brido l&aacute; proposto incorpora o Ginga-NCL interoperando com sua solu&ccedil;&atilde;o. Mais um exemplo&hellip;, solu&ccedil;&otilde;es interoperando o Ginga-NCL e LIME (padr&atilde;o japon&ecirc;s) j&aacute; est&atilde;o prontas nos fabricantes de set-top boxes h&iacute;bridos. Note que sempre com o Ginga-NCL. Por que s&oacute; n&oacute;s brasileiros &eacute; que n&atilde;o vemos nosso potencial?<\/p>\n<p><strong>Considerando uma penetra&ccedil;&atilde;o cada vez maior de conectividade m&oacute;vel, por um lado, e TV a cabo, por outro, qual &eacute;, na sua opini&atilde;o, o futuro do SBTVD? v&ecirc; o futuro da interatividade, na TV digital, dentro do SBTVD, como uma op&ccedil;&atilde;o economicamente vi&aacute;vel? em que termos?<\/strong><br \/>Bem a resposta a essa pergunta resume todas as outras.<\/p>\n<p>No SBTVD, o Ginga-NCL &eacute; o &uacute;nico ambiente obrigat&oacute;rio tanto para dispositivos fixos, quanto para os m&oacute;veis e port&aacute;teis da TV terrestre. No ITU-T &eacute; o ambiente padronizado para servi&ccedil;os IPTV. O ITU-T tamb&eacute;m trata de widgets e, embora ainda n&atilde;o definitivamente aprovado, o Ginga-NCL &eacute; visto como a solu&ccedil;&atilde;o para interoperar com as v&aacute;rias solu&ccedil;&otilde;es propriet&aacute;rias existentes.<\/p>\n<p>Partindo do pressuposto que todos os servi&ccedil;os s&atilde;o complementares, o middleware brasileiro (adotado hoje j&aacute; em 13 pa&iacute;ses), ou pelo menos o Ginga-NCL, tem um enorme potencial de suporte global, e isso pode muito bem ser explorado.<\/p>\n<p>O setor de radiodifus&atilde;o deve procurar seu nicho. As emissoras precisam come&ccedil;ar a fazer aplica&ccedil;&otilde;es reais de TV interativa terrestre, e n&atilde;o s&oacute; de widgets incorporados a seus programas. Isso eles podem at&eacute; fazer tamb&eacute;m, e vender nas diversas lojas de fabricantes de receptores. Mas ser&aacute; que a&iacute; est&aacute; seu neg&oacute;cio?<\/p>\n<p>Que tal explorar as narrativas interativas, os programas ao vivo, como eventos esportivos com a interatividade (a aplica&ccedil;&atilde;o) gerada ao vivo? Propagandas personalizadas com narrativas interativas (vejam que come&ccedil;am a aparecer v&aacute;rias muito interessantes no YouTube) s&atilde;o sensacionais.<\/p>\n<p>A TV P&uacute;blica tamb&eacute;m tem de ocupar o seu lugar. O conte&uacute;do gerado pelos v&aacute;rios coletivos de audiovisual s&oacute; v&atilde;o encontrar nelas os seus transmissores (e hoje posso garantir que tais coletivos j&aacute; t&ecirc;m uma interatividade muito, mas muito mais interessante do que a produzida nas grandes emissoras). Os servi&ccedil;os de IPTV (e WebTV) devem ser vistos como complementares, bem como os da TV conectadas. Assim teremos, de fato, uma solu&ccedil;&atilde;o invej&aacute;vel, e o SBTVD poder&aacute; ser visto como um todo (e a Argentina j&aacute; est&aacute; fazendo isso).<\/p>\n<p>Temos dois problemas: ser&aacute; que o pessoal do setor de radiodifus&atilde;o e da &ldquo;nossa&rdquo; ind&uacute;stria (montadora) de recep&ccedil;&atilde;o vai conseguir enxergar t&atilde;o longe e pensar um pouco tamb&eacute;m na sua miss&atilde;o para o pa&iacute;s? Ser&aacute; que o governo vai reassumir as r&eacute;deas do processo e propor uma pol&iacute;tica para o setor e para o pa&iacute;s, como &eacute; seu papel, ou vai deixar as coisas acontecerem ao acaso?<\/p>\n<p><strong>Neste &uacute;ltimo par&aacute;grafo, LF deixa no ar a grande pergunta sobre o SBTVD: ser&aacute; que vamos ter uma pol&iacute;tica, de novo [como o brasil queria ter no come&ccedil;o&#8230;] para TV digital?<\/strong><br \/>TV, desta vez, n&atilde;o era simplesmente definir como a imagem era montada e transmitida, e como deveriam ser os sistemas de codifica&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o, recep&ccedil;&atilde;o, decodifica&ccedil;&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o. depois que tudo isso foi decidido, o pa&iacute;s resolveu [?] inovar e incluiu um padr&atilde;o para intera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Depois, como bem diz LF, o brasil &quot;perdeu as r&eacute;deas do processo&quot;. a d&uacute;vida, agora, &eacute; se h&aacute; coes&atilde;o e energia para dar dire&ccedil;&atilde;o e sentido a um esfor&ccedil;o que vem, por mais que seus principais atores tentem, se arrastando h&aacute; quase quatro anos e mostrando, como quase sempre, como &eacute; que se inova no brasil. ou, a bem dizer, como &eacute; que n&atilde;o se inova no brasil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Pesquisador que participou da defini&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de intera&ccedil;&atilde;o do SBTVD aponta <\/span><span class=\"padrao\">inger&ecirc;ncia dos radiodifusores<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1562,1561],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25968"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25968\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}