{"id":25838,"date":"2011-07-19T14:38:03","date_gmt":"2011-07-19T14:38:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25838"},"modified":"2011-07-19T14:38:03","modified_gmt":"2011-07-19T14:38:03","slug":"onu-fortalece-a-web","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25838","title":{"rendered":"ONU fortalece a web"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">N&atilde;o precisa fazer muito esfor&ccedil;o para se lembrar de momentos em que a car&ecirc;ncia de tecnologia atrapalhou o dia a dia. Basta pensar nas situa&ccedil;&otilde;es em que o sistema estava fora do ar ou quando ficou imposs&iacute;vel falar com algu&eacute;m porque n&atilde;o havia cobertura de celular, por exemplo. Cenas assim s&atilde;o cada vez mais comuns e levaram as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas a reconhecer a import&acirc;ncia desses recursos para a vida das pessoas. No m&ecirc;s passado, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) declarou o acesso &agrave; internet como um direito humano e, no Brasil, entidades j&aacute; come&ccedil;am a decidir casos em que aparelhos eletr&ocirc;nicos s&atilde;o considerados bens essenciais. Os especialistas dizem, por&eacute;m, que ainda falta muito para ser feito.<\/p>\n<p>Para entender o novo cen&aacute;rio, &eacute; preciso voltar alguns anos. A sociedade digital come&ccedil;ou a se formar na d&eacute;cada de 1980, quando surgiram os primeiros softwares amig&aacute;veis ao usu&aacute;rio comum. Foram os programas de computador que inauguraram a ideia de ativos n&atilde;o materiais, promovendo uma transforma&ccedil;&atilde;o radical na economia e nas rela&ccedil;&otilde;es. &ldquo;As pessoas passaram a exigir, cada vez mais, respostas instant&acirc;neas. Houve uma mudan&ccedil;a de comportamento e todos come&ccedil;aram a utilizar os recursos tecnol&oacute;gicos para se relacionar, se desenvolver, para trabalhar&rdquo;, enumera a advogada Patr&iacute;cia Peck Pinheiro, especialista em direito digital.<\/p>\n<p>Esse movimento ficou ainda mais forte com a populariza&ccedil;&atilde;o da internet. Sem fronteiras f&iacute;sicas para a troca de informa&ccedil;&otilde;es, as no&ccedil;&otilde;es de imediatismo e desmaterializa&ccedil;&atilde;o ganharam ainda mais valor. Nesse contexto, n&atilde;o h&aacute; mais separa&ccedil;&atilde;o entre a vida real e a vida digital, uma vez que tudo pode acontecer no ambiente on-line. &ldquo;Se o Facebook sai do ar por algumas horas, para muitas pessoas &eacute; como se o site matasse todos os seus amigos. O mesmo ocorre com algu&eacute;m que perde o celular com agenda e becape. A pessoa passa a se sentir como se tivesse perdido um verdadeiro hist&oacute;rico de vida&rdquo;, exemplifica Patr&iacute;cia.<\/p>\n<p>A tradutora B&aacute;rbara Soares, 30 anos, faz parte da gera&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o vive sem tecnologia. Dona de um laptop e de um iPhone, ela fica conectada 24 horas por dia e fez da internet uma ferramenta que facilita seu cotidiano. Al&eacute;m de manter contato com amigos e alimentar seu blog, a web tamb&eacute;m serve para que B&aacute;rbara compre tudo o que precisa. Na lista de aquisi&ccedil;&otilde;es on-line, est&atilde;o eletr&ocirc;nicos, cosm&eacute;ticos, um jogo de panelas e, at&eacute; mesmo, uma estante.<\/p>\n<p>&ldquo;Consigo pre&ccedil;os muito melhores em locais fora de Bras&iacute;lia e, hoje, procuro comprar tudo desse jeito&rdquo;, justifica. A necessidade da tradutora &eacute; tamanha, que ela faz de tudo para n&atilde;o ficar sem a rede de computadores. &ldquo;Quando me mudei, o pessoal do provedor disse que demoraria at&eacute; sete dias para fazer a migra&ccedil;&atilde;o da internet. A&iacute; eu contratei uma conex&atilde;o a r&aacute;dio durante esse per&iacute;odo&rdquo;, conta.<\/p>\n<p>Assim como B&aacute;rbara, outras pessoas tamb&eacute;m n&atilde;o conseguem ficar distantes da web e dos eletr&ocirc;nicos. A estudante &Iacute;sis Moreira, 23 anos, ainda n&atilde;o tem um smartphone, mas n&atilde;o passa menos que seis horas por dia on-line. Na web, a jovem procura se atualizar quanto &agrave;s novidades da &aacute;rea de seu curso, nutri&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de fortalecer o contato com amigos. &ldquo;Minha melhor amiga mora em Uberl&acirc;ndia. N&oacute;s nunca vivemos na mesma cidade, mas se n&atilde;o fosse a internet, certamente, n&atilde;o ser&iacute;amos t&atilde;o pr&oacute;ximas&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>No caso do t&eacute;cnico em inform&aacute;tica Denilson Kleber dos Santos, 31 anos, o grande companheiro &eacute; o celular. &ldquo;Eu trabalho sozinho e atendo clientes em domic&iacute;lio. O telefone &eacute; meu instrumento de trabalho.&rdquo; Santos comprou um smartphone recentemente e j&aacute; come&ccedil;ou a atender pessoas via e-mail, MSN e Skype.<\/p>\n<p>O t&eacute;cnico em inform&aacute;tica faz parte de um contingente de pessoas que passaram a ficar mais protegidas com a &uacute;ltima decis&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF) sobre o direito do consumidor que adquire um celular. No fim do m&ecirc;s passado, o &oacute;rg&atilde;o detgerminou que os fabricantes s&atilde;o obrigados a trocar o aparelho imediatamente, caso ele apresente defeito, ou reembolsar o valor pago. &ldquo;Hoje, eu resolvo minha vida toda por telefone. Algumas pessoas n&atilde;o se importam se o equipamento quebra ou se &eacute; perdido, mas, para mim, ele &eacute; essencial&rdquo;, refor&ccedil;a Denilson dos Santos.<\/p>\n<p><strong>Novos problemas<\/strong><\/p>\n<p>A determina&ccedil;&atilde;o do MPF foi mais uma na batalha sobre o assunto, levada aos tribunais por consumidores contra a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira da Ind&uacute;stria El&eacute;trica e Eletr&ocirc;nica (Abinee), representante dos fabricantes de celulares. O caso ilustra uma situa&ccedil;&atilde;o que, sem regras legais definidas, acaba sendo decidida na Justi&ccedil;a. Em quest&otilde;es relativas &agrave; internet, a coisa fica ainda pior, uma vez que h&aacute; muitas brechas na legisla&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Os primeiros registros de crimes eletr&ocirc;nicos surgiram h&aacute; 15 anos. O problema &eacute; que essa mat&eacute;ria n&atilde;o &eacute; ensinada pelas faculdades de direito, o meio acad&ecirc;mico quase n&atilde;o discute esse tema e n&oacute;s ficamos sem prote&ccedil;&atilde;o legal&rdquo;, lamenta a advogada Patr&iacute;cia Peck.<\/p>\n<p>Uma das maiores lacunas vem da falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o de algo j&aacute; previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988. A Carta Magna diz que qualquer um pode manifestar seu pensamento, mas o anonimato est&aacute; proibido. No mundo digital, contudo, investiga&ccedil;&otilde;es sobre a identidade de criminosos dependem da colabora&ccedil;&atilde;o dos provedores. &ldquo;&Eacute; preciso determinar por quanto tempo as empresas precisam preservar os dados de conex&atilde;o. Como isso ainda n&atilde;o foi colocado em uma regra espec&iacute;fica, h&aacute; um impasse jur&iacute;dico&rdquo;, esclarece a especialista em direito digital.<\/p>\n<p><strong>Liberdade preservada<\/strong><\/p>\n<p>A ca&ccedil;a ao inimigo, por&eacute;m, n&atilde;o pode passar por cima da liberdade dos usu&aacute;rios da internet. E a&iacute; est&aacute; outro furo na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira no que diz respeito &agrave; tecnologia. Atualmente, n&atilde;o h&aacute; nenhuma lei que proteja a privacidade dos cidad&atilde;os. &ldquo;Muitos bancos, por exemplo, obrigam que o internauta instale plugins no computador para fazer opera&ccedil;&otilde;es de internet banking. O problema &eacute; que esses programas acabam monitorando toda a navega&ccedil;&atilde;o da pessoa, que nem sequer sabe o que est&aacute; acontecendo&rdquo;, denuncia o professor S&eacute;rgio Amadeu, da Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o C&aacute;sper L&iacute;bero.<\/p>\n<p>Usu&aacute;rios da rede de computadores e especialistas da &aacute;rea elaboraram um projeto de lei para tentar resolver a situa&ccedil;&atilde;o. O chamado Marco Civil da Internet visa garantir a liberdade, a privacidade e a seguran&ccedil;a das pessoas no ambiente on-line. Ap&oacute;s muitas discuss&otilde;es, o material ficou pronto, mas est&aacute; empacado no Pal&aacute;cio do Planalto. &ldquo;Estamos, agora, propondo que algum deputado abrace a causa, caso o governo n&atilde;o tome nenhuma medida at&eacute; agosto&rdquo;, conta Amadeu. &ldquo;N&atilde;o podemos criminalizar nenhuma pr&aacute;tica na internet sem antes definir quais s&atilde;o os direitos das pessoas&rdquo;, defende.<\/p>\n<p><strong>O melhor termo<\/strong><\/p>\n<p>A &aacute;rea jur&iacute;dica que discute quest&otilde;es relativas &agrave; internet j&aacute; teve v&aacute;rios nomes. Nos anos 1990, ela chegou a ser chamada de lei cibern&eacute;tica, &ldquo;como se a web n&atilde;o existisse, fosse uma esp&eacute;cie de alter ego das pessoas&rdquo;, diz Patr&iacute;cia Peck. Depois, surgiu o termo &ldquo;direito eletr&ocirc;nico&rdquo;, tamb&eacute;m inadequado, porque a eletr&ocirc;nica existe h&aacute; 100 anos. Agora, est&aacute; estabelecida a express&atilde;o &ldquo;direito digital&rdquo;, mas n&atilde;o como um novo ramo do direito, e sim como uma evolu&ccedil;&atilde;o da disciplina.<\/p>\n<p><strong>Apoio essencial<\/strong><\/p>\n<p>Desde 3 de junho, entrar na internet &eacute; um direito t&atilde;o humano quanto o de ir e vir. A ONU editou um documento de 20 p&aacute;ginas em que ressalta o car&aacute;ter &ldquo;transformador e &uacute;nico&rdquo; da rede de computadores. Para usu&aacute;rios brasileiros, o texto pode n&atilde;o ter feito grande diferen&ccedil;a, mas, para quem vive em pa&iacute;ses ditatoriais, como a China e a L&iacute;bia, o apoio da organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial na luta pela liberdade de express&atilde;o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&atilde;o precisa fazer muito esfor&ccedil;o para se lembrar de momentos em que a car&ecirc;ncia de tecnologia atrapalhou o dia a dia. 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