{"id":25822,"date":"2011-07-14T17:02:12","date_gmt":"2011-07-14T17:02:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25822"},"modified":"2011-07-14T17:02:12","modified_gmt":"2011-07-14T17:02:12","slug":"a-ley-de-medios-ja-vale-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25822","title":{"rendered":"A Ley de M\u00e9dios j\u00e1 vale na Argentina"},"content":{"rendered":"<p>Passou desapercebido por aqui. N&atilde;o fosse a men&ccedil;&atilde;o feita pelo jornalista Eric Nepomuceno, na revista Carta Capital, poucos ficariam sabendo que a Ley de M&eacute;dios argentina est&aacute; sendo implantada, apesar da oposi&ccedil;&atilde;o feroz dos grandes grupos de comunica&ccedil;&atilde;o locais.<\/p>\n<p>Na noite de 21 de junho, a presidenta Cristina Kirchner apareceu em rede nacional de televis&atilde;o para fazer um an&uacute;ncio capaz de tirar o sono dos controladores monopolistas da radiodifus&atilde;o. O governo abria, naquela data, uma licita&ccedil;&atilde;o para a concess&atilde;o de 220 novas licen&ccedil;as de servi&ccedil;o de audiovisual no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Como determina a lei metade dessas concess&otilde;es ser&aacute; destinada a emissoras privadas e a outra metade dividida entre os governos estaduais, o federal e as organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos. F&oacute;rmula encontrada para romper com oligop&oacute;lio existente hoje na comunica&ccedil;&atilde;o argentina.<\/p>\n<p>Claro que a m&iacute;dia comercial brasileira esconde esses avan&ccedil;os e quando fala da Ley de M&eacute;dios argentina &eacute; para atac&aacute;-la, chegando habitualmente a tach&aacute;-la de censura, quando trata-se exatamente do oposto. Seu papel &eacute; o de permitir o acesso aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero muito maior de atores sociais, hoje sem voz.<\/p>\n<p>Mas aos que se op&otilde;em &agrave; lei interessa a omiss&atilde;o e a desinforma&ccedil;&atilde;o. Para isso usam uma estrat&eacute;gia eficiente: apropriam-se de um s&iacute;mbolo facilmente compreens&iacute;vel, como &eacute; a censura, e com ele carimbam a lei, interditando o debate de forma liminar.<\/p>\n<p>A legisla&ccedil;&atilde;o argentina mereceria no Brasil estudos e debates mais s&eacute;rios e aprofundados. As criticas feitas por aqui s&atilde;o superficiais, ecoando apenas o temor dos controladores da m&iacute;dia nativa com o poss&iacute;vel cont&aacute;gio da experi&ecirc;ncia vizinha.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; levado em conta o formid&aacute;vel trabalho de pesquisa realizado para se chegar ao texto final. Seus 166 artigos n&atilde;o ca&iacute;ram do c&eacute;u. S&atilde;o resultado de um levantamento minucioso daquilo que existe de mais avan&ccedil;ado no mundo, em termos de legisla&ccedil;&atilde;o para &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Dos meios comerciais n&atilde;o se pode esperar nada, al&eacute;m das cr&iacute;ticas habituais. Os meios p&uacute;blicos pouco se dedicam ao tema e a internet o trata de forma espor&aacute;dica. Mesmo as redes sociais, com conte&uacute;dos mais cr&iacute;ticos, n&atilde;o tem como aprofundar a discuss&atilde;o e acabam, em determinados momentos, dialogando com os grandes meios nos mesmos n&iacute;veis por eles impostos.<\/p>\n<p>Resta como alternativa a Universidade, teoricamente menos sujeita &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es externas. Mas parece que, no geral, ela n&atilde;o despertou ou n&atilde;o se interessou pelo assunto. Falo, obviamente, dos setores universit&aacute;rios ainda n&atilde;o cooptados pela grande m&iacute;dia, propiciadora de cursos e eventos destinados ao conformismo e a aliena&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Fico a pensar na riqueza de um debate n&atilde;o s&oacute; da Ley de M&eacute;dios argentina, mas das experi&ecirc;ncias de democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es que v&ecirc;m sendo articuladas na Venezuela, Bol&iacute;via, Equador, Paraguai e Uruguai, por exemplo.<\/p>\n<p>Ao inv&eacute;s de infind&aacute;veis e insossas discuss&otilde;es sobre &ldquo;teorias da recep&ccedil;&atilde;o&rdquo;, t&atilde;o ao gosto dos acad&ecirc;micos alinhados com &ldquo;status quo&rdquo; da comunica&ccedil;&atilde;o, ter&iacute;amos o pulsar da vida real das nossas sociedades.<\/p>\n<p>A Universidade &ndash; p&uacute;blica ou privada &ndash; repousa sob um trip&eacute; formado pelo ensino, a pesquisa e a extens&atilde;o. Um tema como o aqui proposto atenderia com desenvoltura esses tr&ecirc;s objetivos.<\/p>\n<p>Colocaria o aluno em contato com a disputa que se trava no continente em torno do papel social da comunica&ccedil;&atilde;o, deixando mais claro o cen&aacute;rio onde se dar&aacute;, no futuro, sua atua&ccedil;&atilde;o profissional.<\/p>\n<p>Propiciaria uma amplia&ccedil;&atilde;o no campo das pesquisas, necessitadas cada vez mais de interdisciplinaridade. O estudo da comunica&ccedil;&atilde;o s&oacute; ganha concretude quando dialoga com o Direito e as Ci&ecirc;ncias Sociais em geral.<\/p>\n<p>E finalmente, a extens&atilde;o se daria com a formula&ccedil;&atilde;o de projetos e propostas capazes de contribuir para o debate pol&iacute;tico que se trava na sociedade em torno das novas leis para a comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A fundamenta&ccedil;&atilde;o existente na Ley dos M&eacute;dios argentinos tem grande contribui&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica e poderia servir como refer&ecirc;ncia para a Universidade brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> A presidenta Cristina Kirchner apareceu em rede nacional de televis&atilde;o  para fazer um an&uacute;ncio capaz de tirar o sono dos controladores  monopolistas da radiodifus&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1547],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25822"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25822\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}