{"id":25805,"date":"2011-07-11T15:22:40","date_gmt":"2011-07-11T15:22:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25805"},"modified":"2011-07-11T15:22:40","modified_gmt":"2011-07-11T15:22:40","slug":"professor-diz-que-substitutivo-de-azeredo-prejudica-a-privacidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25805","title":{"rendered":"Professor diz que substitutivo de Azeredo prejudica a privacidade"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Os ativistas da internet livre afirmam que o Projeto de Lei 84\/99, que tipifica os crimes cometidos pela rede, prejudica a privacidade. Al&eacute;m disso, dizem que a proposta poder&aacute; criminalizar pr&aacute;ticas corriqueiras e cotidianas de usu&aacute;rios. Por outro lado, alguns advogados defendem a aprova&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida do texto, na medida em que alguns crimes que v&ecirc;m sendo cometidos pela internet seguem sem puni&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Segundo o advogado especialista em crimes cibern&eacute;ticos Alexandre Atheniense, a proposta permitir&aacute; a puni&ccedil;&atilde;o de crimes como inser&ccedil;&atilde;o de v&iacute;rus, acesso n&atilde;o autorizado a sistema inform&aacute;tico e dano a sistema. &ldquo;O cidad&atilde;o e o empres&aacute;rio hoje n&atilde;o est&atilde;o protegidos&rdquo;, destaca. Por&eacute;m, segundo ele, a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica j&aacute; instituiu algumas regras para se proteger, por exemplo, para punir o peculato eletr&ocirc;nico.<\/p>\n<p><strong>Guarda de dados<\/strong><\/p>\n<p>O soci&oacute;logo e professor S&eacute;rgio Amadeu, integrante do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), critica especialmente o artigo do substitutivo ao PL 84\/99 que obriga os provedores de acesso de manter em ambiente controlado e de seguran&ccedil;a, pelo prazo de tr&ecirc;s anos, os dados de conex&atilde;o dos usu&aacute;rios. Segundo ele, os cidad&atilde;os passar&atilde;o a ter seu &ldquo;rastro digital&rdquo; identificado, beneficiando &ldquo;as grandes corpora&ccedil;&otilde;es que rastreiam perfis dos cidad&atilde;os&rdquo; e a &ldquo;ind&uacute;stria da intermedia&ccedil;&atilde;o (gravadoras, editoras), que quer amea&ccedil;ar os jovens que compartilham arquivos digitais&rdquo;.<\/p>\n<p>J&aacute; Atheniense acredita que a pol&ecirc;mica em torno do artigo n&atilde;o tem fundamento. &ldquo;V&atilde;o ser guardados apenas os dados de conex&atilde;o, e n&atilde;o os dados pessoais&rdquo;, ressalta. &ldquo;Esses dados s&atilde;o indispens&aacute;veis para a investiga&ccedil;&atilde;o da autoria dos crimes&rdquo;, explica. Segundo ele, hoje os provedores n&atilde;o s&atilde;o obrigados por lei a guardar os dados.<\/p>\n<p>Para Amadeu, o problema &eacute; que as condi&ccedil;&otilde;es de armazenamento dos dados ser&atilde;o definidas apenas em regulamento do Poder Executivo. Conforme a proposta, os dados a serem armazenados pelo provedor, as condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a de sua guarda e o processo de auditoria &agrave; qual ser&atilde;o submetidos ser&atilde;o definidos em regulamento. &ldquo;Esse regulamento poder&aacute; prever, por exemplo, o cadastro obrigat&oacute;rio do usu&aacute;rio, para navegar&rdquo;, disse. Para Amadeu, h&aacute; riscos de se acabar com a navega&ccedil;&atilde;o an&ocirc;nima, implantando o &ldquo;vigilantismo&rdquo;. &ldquo;Al&eacute;m disso, a proposta vai criar um &ldquo;mercado de auditoria&rdquo;, completou.<\/p>\n<p><strong>Pr&aacute;ticas cotidianas<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Amadeu, a proposta tamb&eacute;m abre caminho para &ldquo;a ind&uacute;stria do copyright agir&rdquo; a partir da criminaliza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas corriqueiras na rede. &ldquo;O projeto permite criminalizar jovens que copiam v&iacute;deos de TVs a cabo, m&uacute;sicas de CDs, DVDs, i-Pjosdireitoaco etc.&rdquo;, afirma. Isso porque o substitutivo torna crime a obten&ccedil;&atilde;o e a transfer&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o em desconformidade sem a autoriza&ccedil;&atilde;o do titular da rede.<\/p>\n<p>O relator da proposta na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica, deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), alterou o substitutivo do Senado &agrave; mat&eacute;ria, retirando as express&otilde;es &ldquo;rede de computadores, ou&rdquo; e &ldquo;dispositivos de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; deste artigo e de outros. O objetivo &eacute; que os crimes tipificados pela proposta valham apenas para &ldquo;sistemas informatizados&rdquo; (qualquer sistema capaz de processar, capturar, armazenar ou transmitir dados eletr&ocirc;nica ou digitalmente).<\/p>\n<p>Por&eacute;m, para Amadeu, o artigo continua praticamente igual: &ldquo;Pen drive &eacute; sistema informatizado; TV Digital, reprodutor de DVD, computador, laptop e tablet tamb&eacute;m s&atilde;o&rdquo;, disse. &ldquo;O projeto continua criminalizando pr&aacute;ticas cotidianas na rede&rdquo;, complementou. J&aacute; Atheninese acredita que, com as recentes mudan&ccedil;as, o artigo foi adequado, para &ldquo;evitar a banaliza&ccedil;&atilde;o de crimes de menor potencial ofensivo&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Penas<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o professor Sergio Amadeu, Azeredo tamb&eacute;m exagera nas penas. &ldquo;As penas de acesso indevido a sistemas informatizados v&atilde;o de 1 a 3 anos de reclus&atilde;o enquanto a invas&atilde;o de domic&iacute;lio no C&oacute;digo Penal tem pena mais branda&rdquo;, destaca. Alexandre Atheninese, por sua vez, afirma que penas de um a tr&ecirc;s anos &ldquo;n&atilde;o levam ningu&eacute;m &agrave; cadeia&rdquo;, sendo geralmente substitu&iacute;das por penas alternativas. Ele considera adequadas as penas previstas no substitutivo &ndash; que v&atilde;o de reclus&atilde;o de um a seis anos, conforme o crime, mais multa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ativistas da internet livre afirmam que o Projeto de Lei 84\/99, que tipifica os crimes cometidos pela rede, prejudica a privacidade. Al&eacute;m disso, dizem que a proposta poder&aacute; criminalizar pr&aacute;ticas corriqueiras e cotidianas de usu&aacute;rios. 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