{"id":25789,"date":"2011-07-07T11:02:12","date_gmt":"2011-07-07T11:02:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25789"},"modified":"2011-07-07T11:02:12","modified_gmt":"2011-07-07T11:02:12","slug":"e-melhor-ter-milhoes-reclamando-da-internet-do-que-milhoes-sem-acesso-diz-ministro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25789","title":{"rendered":"\u00c9 melhor ter milh\u00f5es reclamando da internet do que milh\u00f5es sem acesso, diz ministro"},"content":{"rendered":"<p>O PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) tem o objetivo de oferecer internet r&aacute;pida em larga escala, para todo o pa&iacute;s, nos pr&oacute;ximos anos. A partir de setembro, seis operadoras devem dar in&iacute;cio &agrave; oferta da conex&atilde;o de 1 Mbps (megabit por segundo) a R$ 35 mensais. Questionado se essa massifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve piorar ainda mais a qualidade do servi&ccedil;o que est&aacute; entre os l&iacute;deres de reclama&ccedil;&otilde;es, o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo, afirmou: &ldquo;esperar [o servi&ccedil;o] melhorar para distribuir ao povo me parece injusto&rdquo;. E complementou: &ldquo;&eacute; melhor ter milh&otilde;es reclamando da internet do que milh&otilde;es sem saber como ela funciona para poder reclamar&rdquo;.<\/p>\n<p>Bernardo ponderou que, se considerada a telefonia m&oacute;vel e fixa, s&atilde;o mais de 250 milh&otilde;es de usu&aacute;rios em todo o pa&iacute;s. &ldquo;&Eacute; mais do que a popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Parece natural ter muita reclama&ccedil;&atilde;o, at&eacute; porque o servi&ccedil;o apresenta defici&ecirc;ncia mesmo.&rdquo; Mas, segundo ele, o caminho n&atilde;o &eacute; esperar at&eacute; que o problema se resolva, para s&oacute; ent&atilde;o oferecer a banda larga popular. &ldquo;Por que s&oacute; eu posso reclamar da minha internet? Por que o rapaz que serve o cafezinho aqui n&atilde;o pode fazer isso?&rdquo; questionou em seu gabinete, onde recebeu a equipe de reportagem do UOL.<\/p>\n<p>Isso n&atilde;o significa, segundo ele, que n&atilde;o haver&aacute; metas de qualidade para a internet r&aacute;pida oferecida dentro do plano do governo. A partir de 31 de outubro, disse Bernardo, a Anatel (Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) ter&aacute; a defini&ccedil;&atilde;o da qualidade m&iacute;nima oferecida nos servi&ccedil;os de telefonia fixa e m&oacute;vel. &ldquo;A Anatel est&aacute; come&ccedil;ando com 30% [de entrega da velocidade da conex&atilde;o contratada] e isso vai aumentando gradativamente. A exig&ecirc;ncia me parece imperativa, fundamental.&rdquo; Hoje, quando um usu&aacute;rio contrata um plano de banda larga, tem a garantia de que 10% do valor total lhe ser&aacute; entregue.<\/p>\n<p>At&eacute; setembro, as empresas de telefonia fixa dever&atilde;o iniciar a oferta da banda larga popular. Antes disso, outros prazos haviam sido dados para o in&iacute;cio do plano, sem serem cumpridos: julho, abril e dezembro de 2010 &ndash; a promessa inicial era que 100 cidades estariam conectadas &agrave; internet r&aacute;pida pelo PNBL at&eacute; o final do ano passado.<\/p>\n<p>O objetivo do PNBL &eacute; fazer com que 40 milh&otilde;es de domic&iacute;lios tenha conex&atilde;o r&aacute;pida at&eacute; 2014. Segundo dados da Telebrasil (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Telecomunica&ccedil;&otilde;es), esse n&uacute;mero hoje gira em torno de 17,4 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Copa<\/p>\n<p>Bernardo tamb&eacute;m afirmou que as 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 receber&atilde;o do governo investimentos de pelo menos R$ 200 milh&otilde;es para contarem com conex&otilde;es ultrarr&aacute;pidas de internet, de at&eacute; 100 Mbps (megabits por segundo), durante o Mundial. Ele tamb&eacute;m prev&ecirc; investimentos privados para instalar no Brasil um servi&ccedil;o de internet t&atilde;o r&aacute;pido quanto na Europa ou nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ao UOL, o ministro afirmou que Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Bras&iacute;lia, Salvador e Porto Alegre receber&atilde;o um &ldquo;laborat&oacute;rio&rdquo; para o servi&ccedil;o durante a Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es, em 2013. O teto de 100 mega n&atilde;o significa, no entanto, que essa ser&aacute; necessariamente a velocidade das conex&otilde;es. Trata-se, segundo o ministro, de uma refer&ecirc;ncia. &ldquo;N&atilde;o estamos fazendo plano para continuar atrasados. A ideia &eacute; tirar esse atraso neste governo&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das sedes da Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es, Manaus, Fortaleza, Recife, Natal, Cuiab&aacute;, S&atilde;o Paulo e Curitiba foram escolhidas para abrigar a pr&oacute;xima Copa do Mundo. Questionado se um europeu ter&aacute; nessas cidades em 2014 a mesma velocidade de conex&atilde;o de internet do Velho Continente, Bernardo respondeu: &ldquo;Com certeza&rdquo;. Pa&iacute;ses menores, como Su&eacute;cia e Finl&acirc;ndia, j&aacute; visam cobrir todo o seu territ&oacute;rio com conex&otilde;es dessa velocidade nos pr&oacute;ximos anos.<\/p>\n<p>&ldquo;Depois da Copa, vamos ter uma estrutura que comporta projetos que qualquer pa&iacute;s do mundo tem hoje&rdquo;, afirmou Bernardo, que tamb&eacute;m capitaneia o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Essa iniciativa, que busca baratear o custo da internet no Brasil para at&eacute; R$ 35 ao m&ecirc;s, sofreu seguidos atrasos e tem previs&atilde;o para acelerar seu processo em setembro deste ano. A empreitada custar&aacute; R$ 75 bilh&otilde;es ao governo.<\/p>\n<p>Defasagem brasileira<\/p>\n<p>Uma s&eacute;rie de estudos recentes da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domic&iacute;lios) de 2008, do IBGE, CGI (Comit&ecirc; Gestor da Internet) e do Sistema de Coleta de Informa&ccedil;&otilde;es (Sici) da Anatel demonstram o alto grau de concentra&ccedil;&atilde;o da internet banda larga nas regi&otilde;es mais ricas.<\/p>\n<p>O alto custo da banda larga &eacute; um dos fatores para o atraso brasileiro. O gasto m&eacute;dio com internet r&aacute;pida representa 4,58% da renda mensal per capita no Brasil enquanto na R&uacute;ssia esse &iacute;ndice &eacute; menos da metade: 1,68%. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses desenvolvidos, essa mesma rela&ccedil;&atilde;o fica em torno de 0,5%, ou seja, o brasileiro gasta proporcionalmente quase dez vezes mais para ter acesso &agrave; internet r&aacute;pida.<\/p>\n<p>Dos 58 milh&otilde;es de domic&iacute;lios existentes no Brasil, 79% n&atilde;o tinham acesso &agrave; internet (46 milh&otilde;es). O acesso &agrave; banda larga &eacute; extremamente desigual em termos regionais no pa&iacute;s: em alguns Estados mais isolados, como Roraima e Amap&aacute;, o acesso nos domic&iacute;lios &eacute; praticamente inexistente. Enquanto S&atilde;o Paulo tem 3,8 milh&otilde;es de domic&iacute;lios com banda larga (29,4%), Roraima tem apenas 347 (0,3%) e o Amap&aacute;, 1.044 (0,6%). Nos estados do Nordeste, os acessos em banda larga n&atilde;o chegam a 15% dos domic&iacute;lios. J&aacute; nos estados do Sul e Sudeste, a penetra&ccedil;&atilde;o varia entre 20% e 30% dos domic&iacute;lios.<\/p>\n<p>Dos 8,6 milh&otilde;es de domic&iacute;lios rurais, apenas 266 mil t&ecirc;m acesso &agrave; internet em banda larga (3,1% do total). A faixa dos pequenos munic&iacute;pios concentra mais de 92% da popula&ccedil;&atilde;o sem acesso, equivalentes a 39,2 milh&otilde;es de pessoas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, nos domic&iacute;lios que contam com banda larga, a velocidade de acesso domiciliar &eacute; ainda muito baixa: predominantemente menor ou igual a 1 Mbps, o que representa 54% de todo o pa&iacute;s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) tem o objetivo de oferecer internet r&aacute;pida em larga escala, para todo o pa&iacute;s, nos pr&oacute;ximos anos. A partir de setembro, seis operadoras devem dar in&iacute;cio &agrave; oferta da conex&atilde;o de 1 Mbps (megabit por segundo) a R$ 35 mensais. 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