{"id":25714,"date":"2011-06-20T16:02:16","date_gmt":"2011-06-20T16:02:16","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25714"},"modified":"2011-06-20T16:02:16","modified_gmt":"2011-06-20T16:02:16","slug":"por-um-marco-regulatorio-que-de-voz-as-feministas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25714","title":{"rendered":"Por um marco regulat\u00f3rio que d\u00ea voz \u00e0s feministas!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O r&aacute;dio, a televis&atilde;o e a internet podem contribuir para a igualdade de g&ecirc;nero: uma nova regulamenta&ccedil;&atilde;o para os meios de comunica&ccedil;&atilde;o pode acelerar a eq&uuml;idade na sociedade como um todo.<\/p>\n<p>No Brasil, quase todo mundo tem televis&atilde;o e r&aacute;dio em casa, mas nem todo mundo se d&aacute; conta do papel que esses meios de comunica&ccedil;&atilde;o exercem sobre nossas vidas. Ser&aacute; que a programa&ccedil;&atilde;o que &eacute; exibida nesses meios &eacute; puro entretenimento, sem maiores conseq&uuml;&ecirc;ncias? Ou ser&aacute; que as imagens e conte&uacute;dos, para al&eacute;m de divertir, influenciam comportamentos sociais que j&aacute; existem na comunidade? Mal nos acostumamos com a cultura da televis&atilde;o e do r&aacute;dio e j&aacute; estamos mergulhando numa outra forma de se comunicar: pela internet, especialmente pelos blogs e redes sociais. E n&oacute;s mulheres, como somos retratadas nesses meios de comunica&ccedil;&atilde;o t&atilde;o complexos?<\/p>\n<p>Entre n&oacute;s, feministas, n&atilde;o restam d&uacute;vidas quanto a essas perguntas: todos esses meios n&atilde;o s&oacute; s&atilde;o influenciados por comportamentos sociais como tamb&eacute;m t&ecirc;m o poder de influenci&aacute;-los, positiva ou negativamente. Por isso &eacute; um poder que precisa ser regulamentado com urg&ecirc;ncia! Precisamos de um novo marco regulat&oacute;rio para os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, que garanta voz para mulheres e homens em igual medida, que garanta eq&uuml;idade de g&ecirc;nero. Essa igualdade deve estar presente no cotidiano de quem produz conte&uacute;dos em televis&atilde;o, r&aacute;dio e internet. Se a gente n&atilde;o aceita o machismo, a misoginia e o preconceito na vida real, por que aceitar&iacute;amos tudo isso numa televis&atilde;o ou num r&aacute;dio, que amplificam tais comportamentos em escala nacional? Por que aceitar&iacute;amos isso na internet, que nos coloca sob os olhos do mundo?<\/p>\n<p>Temos uma cole&ccedil;&atilde;o de exemplos de machismo na m&iacute;dia: todos os dias as mulheres s&atilde;o ofendidas em publicidade, em &ldquo;piadas&rdquo; de programas humor&iacute;sticos, em telejornais, em blogs e portais da internet. E quando n&oacute;s mulheres tentamos exercer nosso direito ao contradit&oacute;rio, &agrave; livre manifesta&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o, ainda sofremos com amea&ccedil;as de processo judicial! Porque a lei que regula essa liberdade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o hoje &eacute; anacr&ocirc;nica, pra dizer o m&iacute;nimo. Al&eacute;m disso, existe uma cultura pol&iacute;tica de se acreditar que a atual legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; inalter&aacute;vel, e qualquer mudan&ccedil;a que inclua eq&uuml;idade de g&ecirc;nero ou qualquer outro direito humano, &eacute; vista como uma limita&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade de express&atilde;o e censura.<\/p>\n<p>Combater o machismo nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; epecialmente estrat&eacute;gico para o feminismo pois &eacute; nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o em que as ideias machistas que colocam a mulher em segundo plano se propagam com mais velocidade e intensidade. &Eacute; na televis&atilde;o, no r&aacute;dio e na internet que se perpetuam as ideias que mant&ecirc;m o ambiente cultural prop&iacute;cio para a desvaloriza&ccedil;&atilde;o das mulheres, para torn&aacute;-las mais vulner&aacute;veis, sujeitas &agrave;s viol&ecirc;ncias psicol&oacute;gica, simb&oacute;lica e f&iacute;sica.<\/p>\n<p><strong>A liberdade folcl&oacute;rica da televis&atilde;o e do r&aacute;dio<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; muito simples ligar uma televis&atilde;o ou ouvir um r&aacute;dio. Dif&iacute;cil &eacute; entender a dimens&atilde;o dessas ferramentas: quando a gente assiste aos programas, filmes, desenhos animados, m&uacute;sicas, entrevistas e tantos conte&uacute;dos distintos a gente nem se d&aacute; conta da estrutura que existe antes de um conte&uacute;do ir para a casa das pessoas. Muita gente acredita que a liberdade de comunica&ccedil;&atilde;o j&aacute; existe no Brasil pelo simples fato de cada emissora poder colocar o conte&uacute;do que desejar.<\/p>\n<p>O fato &eacute; que essa liberdade, ainda que desej&aacute;vel, &eacute; bastante relativa. Para come&ccedil;ar, as emissoras fazem uso de uma concess&atilde;o p&uacute;blica: &eacute; o Estado brasileiro quem define as regras para que uma emissora possa realizar seu trabalho de produzir e\/ou escolher o que vai ou n&atilde;o para a grade de programa&ccedil;&atilde;o. Ou seja, a ideia de uma liberdade irrestrita &eacute; a mais pura fal&aacute;cia: <a href=\"http:\/\/www.intervozes.org.br\/destaque-2\">o que existe no Brasil e nas democracias de outros pa&iacute;ses &eacute; a regulamenta&ccedil;&atilde;o dessa atividade<\/a> , ou seja, um conjunto de regras para que elas cumpram objetivos sociais espec&iacute;ficos.<\/p>\n<p>Em segundo lugar todo conte&uacute;do gerado por uma emissora &eacute; sempre uma escolha: publica-se um filme em detrimento de outro, uma not&iacute;cia em detrimento de outra, um programa humor&iacute;stico, em detrimento de outro. S&atilde;o escolhas cujos crit&eacute;rios nem sempre levam em considera&ccedil;&atilde;o o interesse p&uacute;blico, apesar da emissora, &eacute; bom lembrar, utilizar um espa&ccedil;o que &eacute; uma concess&atilde;o p&uacute;blica. Como, ent&atilde;o, regrar esse espa&ccedil;o para que as vozes das mulheres apare&ccedil;am tanto quanto as vozes dos homens? Como se d&aacute; a eq&uuml;idade nesses espa&ccedil;os?<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, a televis&atilde;o amplia a voz de um sobre a voz de outros. Falar pela televis&atilde;o &eacute; falar ao mesmo tempo para um n&uacute;mero elevado de pessoas que por outro lado n&atilde;o est&atilde;o no mesmo patamar do di&aacute;logo. No Brasil, nove fam&iacute;lias controlam 85% do que &eacute; produzido nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa. Se voc&ecirc; n&atilde;o gosta da programa&ccedil;&atilde;o, desligue a TV &ndash; esse &eacute; o tipo de democracia defendido ingenuamente por algumas pessoas!<\/p>\n<p>&Eacute; importante termos essa dimens&atilde;o do fazer televis&atilde;o. Por que na hora em que somos atingidos por uma programa&ccedil;&atilde;o de piadas racistas, misoginia, cal&uacute;nia, difama&ccedil;&atilde;o, inj&uacute;rias e toda a sorte de conte&uacute;do indesej&aacute;vel e ofensivo ficamos at&ocirc;nitos, perplexos, n&atilde;o sabemos a quem recorrer. O sentimento de injusti&ccedil;a &eacute; algo que nossas leis hoje n&atilde;o conseguem alcan&ccedil;ar! A gente grita, debate, conversa com o vizinho, conversa nas esquinas, escreve blogs, cartas, e-mails, abaixo- assinados, mas parece que nossa defesa nunca tem o mesmo espa&ccedil;o alcan&ccedil;ado pelo conte&uacute;do que n&oacute;s repudiamos.<\/p>\n<p>Por tudo isso alguns <a href=\"http:\/\/www.intervozes.org.br\/noticias\/seminario-avanca-nas-discussoes-do-marco-regulatorio-da-comunicacao\">movimentos sociais est&atilde;o lutando por um novo marco regulat&oacute;rio para os meios de comunica&ccedil;&atilde;o<\/a>! &Eacute; preciso defender uma televis&atilde;o mais participativa, com mecanismos que possam incluir mais pessoas no fazer televis&atilde;o.<\/p>\n<p>Precisamos ter no m&iacute;nimo o direito de se defender, na televis&atilde;o, caso a honra das mulheres tenha sido atingida! Precisamos no m&iacute;nimo fazer o debate acontecer porque hoje quando a gente manifesta alguma cr&iacute;tica sobre algo que foi publicado <a href=\"http:\/\/escrevalolaescreva.blogspot.com\/2011\/06\/liberdade-relativa-marcelo-tas-quer-me.html\">querem nos calar com processos judiciais<\/a>!&nbsp; Existem pessoas que, quando falamos em fazer uma lei decente, que possa trazer mais pessoas para o fazer televis&atilde;o, com conte&uacute;do mais diversificado, apontam o dedo na nossa cara e dizem: censura! &Eacute; um absurdo que a simples discuss&atilde;o desse tema possa ser rotulada de censura, de regime comunista cubano e ideias ultrapassadas desse tipo. Fazem piadas com mulheres estupradas, por que n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para responder a esse tipo de coisa? Por que n&atilde;o &eacute; dado o mesmo espa&ccedil;o para se tratar seriamente sobre esse problema social que atinge um n&uacute;mero grande de mulheres e que a televis&atilde;o poderia ajudar a diminuir a incid&ecirc;ncia?<\/p>\n<p>Esse debate deve ser levado por n&oacute;s, mulheres, ao II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Por mais que o modelo de televis&atilde;o como n&oacute;s o conhecemos hoje se modifique devido aos avan&ccedil;os digitais (tudo caminha para a transmiss&atilde;o digital\/ilimitada), &eacute; importante fazer o debate pois tamb&eacute;m &eacute; uma forma de preparar o terreno para a discuss&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o via internet.<\/p>\n<p><em>*<strong>Amanda Vieira<\/strong>, blogueira, <\/em><\/span>gosta de futebol de v&aacute;rzea, de cinema, de poesia, de pol&iacute;tica e de  m&uacute;sica, mas principalmente de deitar na rede e esquecer isso tudo<span class=\"padrao\"><em>. Texto retirado do portal <a href=\"http:\/\/blogueirasfeministas.com\/2011\/marco-regulatorio-voz-as-feministas\/\">Blogueiras Feministas<\/a><\/em>  <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O novo marco regulat&oacute;rio para os  meios de comunica&ccedil;&atilde;o precisa garantir eq&uuml;idade de g&ecirc;nero e estar  presente no cotidiano de quem produz conte&uacute;dos em televis&atilde;o, r&aacute;dio e  internet.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1538],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25714"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25714"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25714\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}