{"id":25709,"date":"2011-06-17T15:32:05","date_gmt":"2011-06-17T15:32:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25709"},"modified":"2011-06-17T15:32:05","modified_gmt":"2011-06-17T15:32:05","slug":"o-governo-nunca-quis-fazer-politica-de-universalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25709","title":{"rendered":"&#8220;O governo nunca quis fazer pol\u00edtica de universaliza\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Lan&ccedil;ado em maio de 2010 o Plano Nacional de Banda Larga ainda gera d&uacute;vidas em diversos de seus quesitos, como a defini&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, o pre&ccedil;o de acesso a massifica&ccedil;&atilde;o ou universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso.<\/p>\n<p>O professor do programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcos Dantas, reconhecido por transitar bem dentro dos movimentos sociais, governos e at&eacute; segmentos empresariais, avalia o desempenho do governo at&eacute; o momento e os novos rumos sinalizados pela nova gest&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>As &uacute;ltimas interven&ccedil;&otilde;es do governo no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) t&ecirc;m frustado a sociedade?<\/strong><\/p>\n<p>Estou sentindo nas pessoas que a expectativa otimista, inicial, caiu bastante. Existe o sentimento que o governo teria recuado nos seus propostos originais. Particularmente, sempre fui cr&iacute;tico de como o PNBL foi formulado. Tenho impress&atilde;o que agora estamos caindo na realidade sobre o plano.<\/p>\n<p>O pessoal ficou muito entusiasmado, o que se justifica. O fato do governo ter uma pol&iacute;tica para ampliar o acesso da banda larga merece aplausos de todos. E acabou por permitir uma articula&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica favor&aacute;vel. Mas o plano tem problemas s&eacute;rios, antes, ainda no governo Lula, e continua tendo.<\/p>\n<p><strong>Quais s&atilde;o os principais problemas?<\/strong><\/p>\n<p>O principal problema &eacute; a n&atilde;o defini&ccedil;&atilde;o do plano em regime p&uacute;blico. Isso &eacute; uma quest&atilde;o estrutural. Minha expectativa &eacute; que do jeito que est&aacute; formulado teremos dois tipos de atendimento a banda larga. Os que podem pagar v&atilde;o ter acesso as melhores condi&ccedil;&otilde;es. E quem s&oacute; pode pagar R$ 35,00 vai acessar um sistema de m&aacute; qualidade. O que &eacute; muito t&iacute;pico de nossa sociedade. &Eacute; a mesma situa&ccedil;&atilde;o que temos na educa&ccedil;&atilde;o. Os pais que podem pagar escola, acreditando que dar&aacute; melhor forma&ccedil;&atilde;o aos filhos, pagam! S&oacute; vai para a p&uacute;blica quem n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es e sabemos que a escola p&uacute;blica no Brasil &eacute; de p&eacute;ssima qualidade.<\/p>\n<p><strong>O ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo, acena para ampliar a concorr&ecirc;ncia no mercado, como forma de acelerar o Plano, quais as consequ&ecirc;ncias desta iniciativa?<\/strong><\/p>\n<p>As iniciativas do Paulo Bernado v&atilde;o resultar num aprofundamento do modelo herdado por FHC. Qual foi o modelo? Tem um servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico (a telefonia fixa) que vai acabar. Uma por&ccedil;&atilde;o de tecnologias est&aacute; nascendo, algumas bem vis&iacute;veis, como o celular e internet, outras coisas v&atilde;o surgir, como o wi-fi. Tudo que surgir daqui pra frente ser&aacute; resolvido pelo mercado por ser regime privado. E o regime p&uacute;blico acaba por morte.<\/p>\n<p>Poder&iacute;amos esperar que os governos Lula e Dilma restaurassem o princ&iacute;pio do regime p&uacute;blico. Mesmo que continuasse o regime privado em muitas &aacute;reas, as que fossem consideradas essenciais para sociedade ou estrat&eacute;gicas para o pa&iacute;s, serem de regime p&uacute;blico. O celular &eacute; um exemplo: hoje ele n&atilde;o &eacute; mais apenas de elite. Mas a maioria das pessoas usa pela metade. Como os celulares pr&eacute;-pagos t&ecirc;m tarifas proporcionalmente mais caras que os p&oacute;s-pago, acaba fazendo com que o rico pague menos que o pobre. Numa situa&ccedil;&atilde;o dessa &eacute; preciso uma pol&iacute;tica que aponte regime p&uacute;blico, tarif&aacute;rio, universalize e acabe a necessidade ter tr&ecirc;s ou quatro telefones para receber liga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>A Telebr&aacute;s n&atilde;o est&aacute; citada no documento &ldquo;Brasil Conectado&rdquo; &ndash; publica&ccedil;&atilde;o do Governo com o diagn&oacute;stico e estrat&eacute;gias do PNBL. Por&eacute;m ocupa espa&ccedil;o relevante na agenda pol&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o aos rumos do Plano. Como voc&ecirc; enxerga o papel da Telebr&aacute;s?<\/strong><\/p>\n<p>A Telebr&aacute;s, por ser ferramenta que criaria essa dicotomia (usu&aacute;rios que podem pagar acesso de qualidade x usu&aacute;rios com internet de m&aacute; qualidade por falta de renda) j&aacute; &eacute; pass&iacute;vel de questionamento. Qual o principio dela? Fomentar a concorr&ecirc;ncia. Primeiro, n&atilde;o se faz pol&iacute;tica de universaliza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de concorr&ecirc;ncia. O governo nunca quis fazer pol&iacute;tica de universaliza&ccedil;&atilde;o: ele prop&otilde;e massifica&ccedil;&atilde;o, amplia&ccedil;&atilde;o do acesso. Ao permitir essa massifica&ccedil;&atilde;o, a Telebr&aacute;s teria um papel de dar acesso a quem s&oacute; pode pagar R$ 35,00.<\/p>\n<p><strong>Quais os impactos da sa&iacute;da do Rog&eacute;rio Santana da Telebr&aacute;s?<\/strong><\/p>\n<p>Isso &eacute; disputa de poder. N&atilde;o &eacute; essencial. &Eacute; muito mais aquela coisa: &ldquo;dois bicudos n&atilde;o se beijam&rdquo;. O mais importante nessa hist&oacute;ria &eacute; manuten&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o de que &eacute; preciso aumentar a concorr&ecirc;ncia para gerar massifica&ccedil;&atilde;o e a repulsa do governo em discutir o regime p&uacute;blico para a banda larga.<\/p>\n<p><strong>A decis&atilde;o da Anatel de considerar o backhaul um bem revers&iacute;vel &eacute; demonstra&ccedil;&atilde;o de que a Ag&ecirc;ncia tem avan&ccedil;ado para a&ccedil;&otilde;es mais progressistas?<\/strong><\/p>\n<p>Lamento, acho que n&atilde;o. Todas as cr&iacute;ticas que a sociedade faz &agrave;s concession&aacute;rias s&atilde;o justas, mas elas deviam ser endere&ccedil;adas a Anatel. A concession&aacute;ria &eacute; uma empresa privada que det&eacute;m concess&atilde;o do Estado para executar determinadas tarefas. O conceito &eacute; de uma empresa que est&aacute; fazendo algo por delega&ccedil;&atilde;o do Estado. Cabe ao Estado, que tem o poder de delegar, acompanhar pra saber se os concession&aacute;rios est&atilde;o cumprindo as tarefas.<\/p>\n<p><strong>Havia hipertrofia no papel da Anatel, ao formular e executar a pol&iacute;tica, isso tem sido atenuado pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (Minicom)?<\/strong><\/p>\n<p>O Minicom est&aacute; querendo assumir o protagonismo na formula&ccedil;&atilde;o. Para isso, ele precisa ter capacidade de pensar, coisa que rigorosamente n&atilde;o tem. Porque foi esvaziado no governo Fernando Henrique Cardoso e n&atilde;o foi reconstru&iacute;do no governo Lula. Ent&atilde;o a Anatel acaba cumprindo esse papel. A Ag&ecirc;ncia, tem hoje, mal ou bem, uma equipe t&eacute;cnica que lhe permite pensar em algumas coisas.<\/p>\n<p>Atualmente n&atilde;o d&aacute; pra afirmar que o Minicom ir&aacute; se reconstruir e assumir o papel formulador, parece que tem essa inten&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o d&aacute; para afirmar. Daqui um ou dois meses, ser&aacute; poss&iacute;vel um diagn&oacute;stico melhor.<\/p>\n<p>Esse problema n&atilde;o est&aacute; ligado apenas ao esvaziamento do Minicom, o problema tamb&eacute;m est&aacute; na lei (Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) criada no governo Fernando Henrique. Ela d&aacute; ao Executivo poder de fazer decretos sob algumas minimas quest&otilde;es, como criar uma modalidade de servi&ccedil;o p&uacute;blico. Na verdade, nas condi&ccedil;&otilde;es que a lei est&aacute;, o poder executivo s&oacute; pode baixar o decreto se receber da Anatel um estudo necess&aacute;rio. O que deixa o Minicom ref&eacute;m da iniciativa da Ag&ecirc;ncia, quando deveria depender apenas dele. Deveria ter a m&aacute;quina trabalhando para formular pol&iacute;tica. Infelizmente no governo Lula n&atilde;o se avan&ccedil;ou nisso. Vamos ver o que a Dilma pretende fazer de fato.<br \/><strong><br \/>O PNBL tem realmente revitalizado o parque tecnol&oacute;gico brasileiro na ind&uacute;stria das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>Isso foi o grande positivo deste projeto: utilizar o poder de compra do Estado brasileiro para desenvolver a industria nacional. Nas primeiras licita&ccedil;&otilde;es da Telebr&aacute;s, tentou-se aplicar esse princ&iacute;pio: isso &eacute; fato. Tentou-se organizar os remanescente dos antigos membros da &aacute;rea, para que pudessem entrar na disputa. At&eacute; onde eu saiba, existe um esfor&ccedil;o nesse sentido. Se esse esfor&ccedil;o vai pra frente, &eacute; uma quest&atilde;o a se avaliar mais pra frente. Mas tenho expectativa que isso avance.<\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--<span class=\"padrao\">Lan&ccedil;ado em maio de 2010 o Plano Nacional de Banda Larga ainda gera d&uacute;vidas em diversos de seus quesitos, como a defini&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, o pre&ccedil;o de acesso a massifica&ccedil;&atilde;o ou universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso.\n\n<\/span>O professor do programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcos Dantas, reconhecido por transitar bem dentro dos movimentos sociais, governos e at&eacute; seguimentos empresariais, avalia o desempenho do governo at&eacute; o momento e os novos rumos sinalizados pela nova gest&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es.\n\nA<b>s &uacute;ltimas interven&ccedil;&otilde;es do governo no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) t&ecirc;m frustado a sociedade?<\/b>\n\nEstou sentindo nas pessoas que a expectativa otimista, inicial, caiu bastante. Existe o sentimento que o governo teria recuado nos seus propostos originais. Particularmente, sempre fui cr&iacute;tico como o PNBL foi formulado. Tenho impress&atilde;o que agora estamos caindo na realidade sobre o PNBL.\n\nO pessoal ficou muito entusiasmado, o que se justifica. O fato do governo ter uma pol&iacute;tica para ampliar o acesso da banda larga merece aplausos de todos. E acabou por permitir uma articula&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica favor&aacute;vel. Mas o Plano tem problemas s&eacute;rios, antes, ainda no governo Lula, e continua tendo.<b>\n\nQuais s&atilde;o os principais problemas?<\/b>\n\nO principal problema &eacute; a n&atilde;o defini&ccedil;&atilde;o do plano em regime p&uacute;blico. Isso &eacute; uma quest&atilde;o estrutural. Minha expectativa &eacute; que do jeito que est&aacute; formulado teremos dois tipos de atendimento a banda larga. Os que podem pagar v&atilde;o ter acesso as melhores condi&ccedil;&otilde;es. E quem s&oacute; pode pagar R$ 35,00 vai acessar um sistema de m&aacute; qualidade. O que &eacute; muito t&iacute;pico de nossa sociedade. &Eacute; a mesma situa&ccedil;&atilde;o que temos na educa&ccedil;&atilde;o. Os pais que podem pagar escola, na qual acreditam que dar&aacute; melhor forma&ccedil;&atilde;o aos filhos, pagam! S&oacute; vai para a p&uacute;blica quem n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es e sabemos que a escola p&uacute;blica no Brasil &eacute; de p&eacute;ssima qualidade.<b>\n\nPaulo Bernardo acena para ampliar a concorr&ecirc;ncia no mercado, como forma de acelerar o Plano, quais as consequ&ecirc;ncias desta iniciativa?<\/b>\n\nAs iniciativas do Paulo Bernado v&atilde;o resultar num aprofundamento do modelo herdado por FHC. Qual foi o modelo? Tem um servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico (<i>a telefonia fixa<\/i>) que vai acabar. Uma por&ccedil;&atilde;o de tecnologias nascendo, algumas bem vis&iacute;veis, como o celular e internet, outras coisas v&atilde;o surgir, como o <i>wi-fi<\/i>. Tudo que surgir daqui pra frente ser&aacute; resolvido pelo mercado por ser regime privado. E o regime p&uacute;blico acaba por morte. \n\nPoder&iacute;amos esperar que os governos Lula e Dilma restaurassem o princ&iacute;pio do regime p&uacute;blico. Mesmo que continuasse o regime privado em muitas &aacute;reas, as que fossem consideradas essenciais para sociedade ou estrat&eacute;gicas para o pa&iacute;s, serem de regime p&uacute;blico. O celular &eacute; um exemplo, hoje ele n&atilde;o &eacute; mais apenas de elite. Mas a maioria das pessoas usa pela metade. Como os celulares pr&eacute;-pagos t&ecirc;m tarifas proporcionalmente mais caras que os p&oacute;s-pago, acaba fazendo com que o rico pague menos que o pobre. Numa situa&ccedil;&atilde;o dessa &eacute; preciso uma pol&iacute;tica que aponte regime p&uacute;blico, tarif&aacute;rio, universalize e acabe a necessidade ter tr&ecirc;s ou quatro telefones para receber liga&ccedil;&atilde;o.\n\n<b>A Telebr&aacute;s n&atilde;o est&aacute; citada no documento &quot;Brasil Conectado&quot; - publica&ccedil;&atilde;o do Governo com o diagn&oacute;stico e estrat&eacute;gias do PNBL. Por&eacute;m ocupa espa&ccedil;o relevante na agenda pol&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o aos rumos do Plano. Como voc&ecirc; enxerga o papel da Telebr&aacute;s?\n\n<\/b>A Telebr&aacute;s, por ser ferramenta que criaria essa dicotomia (<i>usu&aacute;rios que podem pagar acesso de qualidade x usu&aacute;rios com internet de m&aacute; qualidade pro falta de renda<\/i>) j&aacute; &eacute; pass&iacute;vel de questionamento. Qual o principio dela? Fomentar a concorr&ecirc;ncia. Primeiro, n&atilde;o se faz pol&iacute;tica de universaliza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de concorr&ecirc;ncia. O governo nunca quis fazer pol&iacute;tica de universaliza&ccedil;&atilde;o, ele prop&otilde;e massifica&ccedil;&atilde;o, amplia&ccedil;&atilde;o do acesso. Ao permitir essa massifica&ccedil;&atilde;o, a Telebr&aacute;s teria um papel de dar acesso a quem s&oacute; pode pagar R$ 35,00.<b>\n\nQuais os impactos da sa&iacute;da do Rog&eacute;rio Santana da Telebr&aacute;s?<\/b>\n\nIsso &eacute; disputa de poder. N&atilde;o &eacute; essencial. &Eacute; muito mais aquela coisa: &quot;dois bicudos n&atilde;o se beijam&quot;. O mais importante nessa hist&oacute;ria &eacute; manuten&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o de que &eacute; preciso aumentar a concorr&ecirc;ncia para gerar massifica&ccedil;&atilde;o e a repulsa do governo em discutir o regime p&uacute;blico para a banda larga.\n\n<b>A decis&atilde;o da Anatel de considerar o backhaul um bem revers&iacute;vel &eacute; demonstra&ccedil;&atilde;o de que a Ag&ecirc;ncia tem avan&ccedil;ado para a&ccedil;&otilde;es mais progressistas?<\/b>\n\nLamento, acho que n&atilde;o. Todas as cr&iacute;ticas que a sociedade faz as concession&aacute;rias s&atilde;o justas, mas elas deviam ser endere&ccedil;adas a Anatel. A concession&aacute;ria &eacute; uma empresa privada que det&eacute;m concess&atilde;o do Estado para executar determinadas tarefas. O conceito &eacute; de uma empresa que est&aacute; fazendo algo por delega&ccedil;&atilde;o do estado. Cabe ao Estado, que tem o poder de delegar, acompanhar pra saber se os concession&aacute;rios est&atilde;o cumprindo as tarefas.\n\n<b>Havia hipertrofia no papel da Anatel, ao formular e executar a pol&iacute;tica, isso tem sido atenuado pelo Minicom?<\/b>\n\nO Minicom est&aacute; querendo assumir o protagonismo na formula&ccedil;&atilde;o. Para o Minicom fazer isso, ele precisa ter capacidade de pensar, coisa que rigorosamente, ele n&atilde;o tem. Porque foi esvaziado no governo Fernando Henrique Cardoso e n&atilde;o foi reconstru&iacute;do no governo Lula. Ent&atilde;o a Anatel acaba cumprindo esse papel. A Ag&ecirc;ncia, tem hoje, mal ou bem, uma equipe t&eacute;cnica que lhe permite pensar em algumas coisas.\n\nAtualmente n&atilde;o d&aacute; pra afirmar que o Minicom ir&aacute; se reconstruir e assumir o papel formulador, parece que tem essa intens&atilde;o, mas n&atilde;o d&aacute; para afirmar. daqui um ou dois ser&aacute; poss&iacute;vel um diagn&oacute;stico melhor.\n\nEsse problema n&atilde;o est&aacute; ligado apenas ao esvaziamento do Minicom, o problema tamb&eacute;m est&aacute; na lei (Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) criada no governo Fernando Henrique. Ela d&aacute; ao executivo poder de fazer decretos sob algumas minimas quest&otilde;es como criar uma modalidade de servi&ccedil;o p&uacute;blico. Na verdade, nas condi&ccedil;&otilde;es que a Lei est&aacute;, o poder executivo s&oacute; pode baixar o decreto se receber da Anatel um estudo necess&aacute;rio. O que deixa o Minicom ref&eacute;m da iniciativa da Ag&ecirc;ncia, quando deveria depender apenas dele. Deveria ter a m&aacute;quina trabalhando para formular pol&iacute;tica. Infelizmente no governo Lula n&atilde;o se avan&ccedil;ou nisso. Vamos ver o que a Dilma pretende fazer de fato.\n\n<b>O PNBL tem realmente revitalizado o parque tecnol&oacute;gico brasileiro na ind&uacute;stria das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o?\n\n<\/b>Isso foi o grande positivo deste projeto: utilizar o poder de compra do estado brasileiro para desenvolver a industria nacional. Nas primeiras licita&ccedil;&otilde;es da Telebr&aacute;s, tentou-se aplicar esse princ&iacute;pio: isso &eacute; fato. Tentou organizar os remanescente dos antigos membros da &aacute;rea, para que pudessem entrar na disputa. At&eacute; onde eu saiba, existe um esfor&ccedil;o nesse sentido. Se esse esfor&ccedil;o vai pra frente, &eacute; uma quest&atilde;o a se avaliar mais pra frente. 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