{"id":25696,"date":"2011-06-14T18:37:44","date_gmt":"2011-06-14T18:37:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25696"},"modified":"2011-06-14T18:37:44","modified_gmt":"2011-06-14T18:37:44","slug":"ex-presidente-da-telebras-diz-que-governo-esta-cedendo-ao-interesse-das-teles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25696","title":{"rendered":"Ex-presidente da Telebr\u00e1s diz que governo est\u00e1 cedendo ao interesse das teles"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Em 26 de agosto de 2010, a Telebr&aacute;s divulgou uma lista com as cem primeiras cidades que seriam inclu&iacute;das no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). A promessa era j&aacute; naquele ano come&ccedil;ar a cumprir a meta de atender a 1.163 munic&iacute;pios at&eacute; o fim de 2011. N&atilde;o deu certo. S&oacute; depois de quase 10 meses, em 8 de junho, &eacute; que a empresa foi assinar um contrato com o primeiro provedor a ingressar no PNBL, em Santo Ant&ocirc;nio do Descoberto (GO). Com um enxugamento de recursos e um cronograma super atrasado, a Telebr&aacute;s hoje n&atilde;o &eacute; bem aquela que se desenhou como a principal novidade do programa governamental de massifica&ccedil;&atilde;o da internet.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Nesse ritmo, &eacute; bem prov&aacute;vel que o governo n&atilde;o cumpra sua meta, que &eacute; conectar 4.283 munic&iacute;pios de todas as regi&otilde;es, elevando o n&uacute;mero de domic&iacute;lios com banda larga de 12 milh&otilde;es (2009) para 40 milh&otilde;es em 2014. O ex-presidente da Telebr&aacute;s, Rog&eacute;rio Santanna, demitido em 31 de maio deste ano, j&aacute; havia dito que o contingenciamento de recursos inviabilizaria o atendimento das cidades previstas para 2011. Ele trabalhava com um n&uacute;mero de 800 munic&iacute;pios, mas agora, &eacute; ainda mais pessimista. Embora ainda n&atilde;o possa revelar um dado mais concreto, sua previs&atilde;o &eacute; de uma diminui&ccedil;&atilde;o ainda mais dr&aacute;stica. &ldquo; (O governo) N&atilde;o vai conseguir atender as metas se n&atilde;o houver recomposi&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento&rdquo;, afirmou ele, em entrevista a este <em>Observat&oacute;rio<\/em>.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Recompor o or&ccedil;amento n&atilde;o parece estar nos planos do governo, e essa tem sido a justificativa usada pelo ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo, para aumentar cada vez mais a participa&ccedil;&atilde;o do setor privado no PNBL. Nas contas do ministro &eacute; preciso R$ 7 bilh&otilde;es para cumprir a meta do Plano, mas a presidente Dilma Rousseff s&oacute; autorizou a libera&ccedil;&atilde;o de R$ 1 bilh&atilde;o por ano. &Eacute; essa diferen&ccedil;a que Paulo Bernardo est&aacute; negociando com as empresas privadas.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O &uacute;ltimo movimento do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (Minicom) &eacute; tentar preencher essa lacuna com parcerias p&uacute;blico-privadas, criando cotas da rede para empresas. Segundo Paulo Bernardo, um banco privado j&aacute; demonstrou interesse. Na l&oacute;gica do ministro, o fundamental &eacute; cumprir as metas. &ldquo;N&atilde;o importa a cor do gato, contanto que ele cace o rato&rdquo;, j&aacute; manifestou ele.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Mas n&atilde;o era esse o plano de Rog&eacute;rio Santanna. Para ele, o governo erra ao fazer esse tipo de negocia&ccedil;&atilde;o neste momento. Sua op&ccedil;&atilde;o, se fosse mantido no comando da Telebr&aacute;s, seria fortalec&ecirc;-la (com recursos e profissionais) e expandir sua rede primeiro. &ldquo;Uma coisa &eacute; negociar tendo rede outra &eacute; sem ter nada. O montante faltante n&atilde;o precisaria ser negociado agora. Isso n&atilde;o foi discutido comigo. Ele (Paulo Bernardo) apenas chamou meu diretor (Caio Bonilha, atual presidente da Telebr&aacute;s) e conversou com ele sobre isso&rdquo;, relatou Santanna, claramente aborrecido. Na sua vis&atilde;o, daqui a uns anos a empresa come&ccedil;aria a ter lucros, o que mudaria o cen&aacute;rio. Talvez tenha sido este o motivo central de sua substitui&ccedil;&atilde;o.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>Recursos<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Nas contas de Rog&eacute;rio Santanna s&atilde;o necess&aacute;rios R$ 5,7 bilh&otilde;es para o cumprimento das metas do PNBL e n&atilde;o R$ 7 bilh&otilde;es. Mesmo assim, ser&aacute; preciso uma virada financeira consider&aacute;vel neste momento se o Minist&eacute;rio quiser realmente gastar os R$ 4 bilh&otilde;es prometidos por Dilma (isso se a verba de 2011 for recomposta) para usar os mais de 30 mil quil&ocirc;metros de fibras pertencentes a seus parceiros, como Petrobras, Eletrobr&aacute;s, Furnas e Chesf. At&eacute; agora, a realidade tem sido outra, de contingenciamento.<\/p>\n<p>Inicialmente, a Telebr&aacute;s deveria ter recebido at&eacute; 2011 R$ 1 bilh&atilde;o. O aporte inicial de R$ 600 milh&otilde;es se transformou em R$ 316 milh&otilde;es. Este ano, a empresa esperava receber R$ 400 milh&otilde;es, mas foi contemplada com apenas R$ 226 milh&otilde;es. E ainda assim, com contingenciamento, chegaram aos cofres da empresa apenas R$ 50 milh&otilde;es. Os contratos j&aacute; acordados pela Telebr&aacute;s para a implementa&ccedil;&atilde;o da rede nacional (backbone) e o acesso at&eacute; a sede dos munic&iacute;pios contemplados pelo PNBL (backhaul) somam R$ 207,4 milh&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Mas porque tantos cortes? &ldquo;&Eacute; uma boa pergunta. Talvez o Paulo Bernardo saiba&rdquo;, critica Rog&eacute;rio Santanna. Embora compreenda que tal pol&iacute;tica foi adotada por todo o governo, Santanna defende que a Telebr&aacute;s foi prejudicada. &ldquo;O corte deste ano foi de 75% na Telebr&aacute;s enquanto em todo o Minicom foi de 50%&rdquo;, comparou.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>Diverg&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Oficialmente o ministro Paulo Bernardo disse que a troca na presid&ecirc;ncia da Telebr&aacute;s foi para melhorar as rela&ccedil;&otilde;es institucionais com a empresa. Um modo diplom&aacute;tico de dizer que n&atilde;o havia mais entendimento entre os dois. A entrada de Caio Bonilha, que era diretor comercial da empresa, &eacute; um sinal de que o ministro n&atilde;o via em Santanna um bom administrador. E fazia tempo.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Em entrevista ao Valor Econ&ocirc;mico, em 25 de abril, o ministro deu a seguinte declara&ccedil;&atilde;o sobre um bloqueio que a empresa teve em seu or&ccedil;amento: &ldquo;o Tesouro n&atilde;o vai liberar dinheiro se n&atilde;o h&aacute; nada projetado&rdquo;. O recado era para Santanna. Da mesma forma, Paulo Bernardo atribuiu ao ex-presidente da Telebr&aacute;s a demora para assinar o contrato com a Petrobras e a Eletrobras, para uso de suas fibras. &ldquo;N&atilde;o tinha prioridade dentro dessas empresas. N&atilde;o foi um problema da Telebr&aacute;s&rdquo;, defende-se Santanna.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Mas alguns fatos demonstram que a demiss&atilde;o n&atilde;o aconteceu apenas por problemas administrativos. Toda vez que tem oportunidade, o ministro Paulo Bernardo refor&ccedil;a que o papel da Telebr&aacute;s n&atilde;o &eacute; competir com as teles. Para Santanna, a rede p&uacute;blica devia privilegiar locais n&atilde;o atendidos, mas n&atilde;o se restringir a eles. &ldquo;Periferia das grandes cidades n&atilde;o s&atilde;o atendidas e tem mercado&rdquo;, pontou ele, frisando que o problema central a ser atacado pelo PNBL &eacute; a falta de concorr&ecirc;ncia: &ldquo;Embratel\/Net, Telef&ocirc;nica, Oi, CTBC e GVT controlam 95% do mercado de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de banda larga no pa&iacute;s porque det&eacute;m as redes de transporte da informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>PGMU<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Depois da aprova&ccedil;&atilde;o do Plano Geral de Metas de Universaliza&ccedil;&atilde;o (PGMU) III, em 2 de junho pelo Conselho da Anatel, o PNBL tornou-se ainda mais central para o governo. No come&ccedil;o da gest&atilde;o Dilma, ainda havia uma vontade de que as teles fossem obrigadas a expandir suas redes por meio do plano de universaliza&ccedil;&atilde;o, mas as empresas foram contra e no fim das contas levaram &ndash; ou negociaram &ndash; a batalha. Basicamente o PGMU III cria um programa especial de telefone fixo mais barato para pessoas do Bolsa Fam&iacute;lia (Aice) e reorganiza a distribui&ccedil;&atilde;o de orelh&otilde;es no pa&iacute;s.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Em contrapartida, o governo pediu que as operadoras fizessem ofertas para baratear e melhorar o servi&ccedil;o onde ele j&aacute; existe. As teles t&ecirc;m feito propostas tacanhas. De antem&atilde;o, j&aacute; manifestaram a possibilidade de oferecer a banda larga no pre&ccedil;o que o PNBL estipula (1megabite por R$ 35) apenas em locais menos populosos, de baixo &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano e ainda assim fazendo a venda casada com outros servi&ccedil;os. Especula-se que essa negocia&ccedil;&atilde;o foi respons&aacute;vel pela queda de Nelson Fujimoto da Secretaria de Telecomunica&ccedil;&otilde;es do Minicom.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O ex-presidente da Telebr&aacute;s acredita que acordo do PGMU III foi ruim. &ldquo;Deviam (as empresas) ampliar o backhaul. H&aacute; uma clara aproxima&ccedil;&atilde;o do governo com as teles. O PGMU &eacute; um dos elementos&rdquo;, sentencia Santanna, que tamb&eacute;m foi secret&aacute;rio de Log&iacute;stica e Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio do Planejamento do governo Lula.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>Demiss&atilde;o  <\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Rog&eacute;rio Santanna n&atilde;o esconde a insatisfa&ccedil;&atilde;o com a forma como foi conduzida sua substitui&ccedil;&atilde;o. Segundo ele, nada havia sido conversado antes &ndash; e tamb&eacute;m n&atilde;o foi at&eacute; agora &#8211; e diz que foi informado por jornais. &ldquo;Foi um procedimento deselegante no m&iacute;nimo&rdquo;, diz. Ele afirma tamb&eacute;m que at&eacute; hoje n&atilde;o sabe ao certo o motivo de sua sa&iacute;da. &ldquo;N&atilde;o houve debate sobre o que era divergente. O minist&eacute;rio nunca se reuniu comigo presente&rdquo;, reclama. Na sua vers&atilde;o, ele estaria contrariando o interesses de algumas operadoras. Ele vai cumprir quatro meses de quarentena e depois diz que estar&aacute; aberto a propostas de trabalho. As substitui&ccedil;&otilde;es de Santanna e de Fujimoto s&atilde;o um indicativo de que mais mudan&ccedil;as de rumo no projeto do governo para massificar a internet devem estar a caminho.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-presidente da Telebr&aacute;s, Rog&eacute;rio Santanna, diz que as metas da Telebr&aacute;s n&atilde;o devem ser cumpridas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[545],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25696"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25696\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}