{"id":25685,"date":"2011-06-09T18:24:21","date_gmt":"2011-06-09T18:24:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25685"},"modified":"2011-06-09T18:24:21","modified_gmt":"2011-06-09T18:24:21","slug":"o-inventario-e-uma-peca-essencial-ao-contrato-de-concessao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25685","title":{"rendered":"\u201cO invent\u00e1rio \u00e9 uma pe\u00e7a essencial ao contrato de concess\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Defesa do Consumidor (<\/span><span class=\"padrao\">Proteste) <\/span><span class=\"padrao\">, entrou, no dia 23 de maio, com uma a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica contra a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) e a Uni&atilde;o Federal. O processo pede, principalmente, a apresenta&ccedil;&atilde;o dos invent&aacute;rios dos bens revers&iacute;veis sob responsabilidade das teles e a anula&ccedil;&atilde;o da Consulta P&uacute;blica n&ordm; 52\/2010, que flexibiliza o tratamento dado aos bens das concession&aacute;rias de telefonia fixa.<\/p>\n<p>Em janeiro, a associa&ccedil;&atilde;o j&aacute; havia pedido &agrave; Anatel o acesso &agrave; lista de bens de 1998, apurada em 2005 &ndash; quando foi feita a primeira prorroga&ccedil;&atilde;o contratual. A ag&ecirc;ncia, por&eacute;m, se negou a atender &agrave; solicita&ccedil;&atilde;o, alegando que a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; sigilosa.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, a advogada da entidade, Fl&aacute;via Lef&egrave;vre, explica melhor os motivos que levaram &agrave; a&ccedil;&atilde;o judicial e detalha a quest&atilde;o dos bens revers&iacute;veis &agrave; Uni&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Quais as finalidades da a&ccedil;&atilde;o que a Proteste ingressou na Justi&ccedil;a Federal em maio?<\/strong><\/p>\n<p>Os pedidos da Proteste na a&ccedil;&atilde;o judicial s&atilde;o dois.<\/p>\n<p>Primeiro, a declara&ccedil;&atilde;o de nulidade da Consulta P&uacute;blica 52\/2010, que prop&otilde;e a altera&ccedil;&atilde;o do regulamento de bens revers&iacute;veis para autorizar que as concession&aacute;rias vendam ou doem bens revers&iacute;veis com valor at&eacute; R$ 1.500.000,00 sem pr&eacute;via autoriza&ccedil;&atilde;o da Anatel, bem como o que denomina como bens em desuso; isto porque a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT) determina que, em qualquer hip&oacute;tese, n&atilde;o s&oacute; para vender, mas tamb&eacute;m para comprar e usar bens de terceiros, a concession&aacute;ria deve pedir consentimento pr&eacute;vio para a ag&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>E segundo, a apresenta&ccedil;&atilde;o dos invent&aacute;rios dos bens revers&iacute;veis e sua inclus&atilde;o como anexos aos contratos de concess&atilde;o assinados em junho de 1998 e dezembro de 2005.<\/p>\n<p><strong>Por que &eacute; importante comparar o que existia na &eacute;poca da privatiza&ccedil;&atilde;o com as listas que devem ser apresentadas pelas teles e anexadas aos contratos para propiciar o controle na revis&atilde;o da concess&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>A import&acirc;ncia de haver o invent&aacute;rio como anexo aos contratos de concess&atilde;o &eacute; garantir que bens essenciais para a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o n&atilde;o ser&atilde;o perdidos e saber quais bens foram substitu&iacute;dos pelo qu&ecirc;. Ou seja, &eacute; fundamental para garantir que a concess&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; esvaziada e que n&atilde;o ser&atilde;o necess&aacute;rios investimentos duplicados, quando a Uni&atilde;o tiver de retomar a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o ou conced&ecirc;-la a outra concession&aacute;ria.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o &oacute;rg&atilde;o regulador deve ter o controle de tudo o quanto gera renda para as concession&aacute;rias, a fim de garantir que eventuais ganhos sejam compartilhados com os consumidores, revertendo em modicidade tarif&aacute;ria.<\/p>\n<p><strong>E por que a lista dos bens revers&iacute;veis deve constar obrigatoriamente como anexa ao contrato de concess&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>A LGT determina expressamente que &eacute; pe&ccedil;a obrigat&oacute;ria dos contratos de concess&atilde;o a lista dos bens revers&iacute;veis. E n&atilde;o poderia ser diferente, pois se trata de bens p&uacute;blicos de uso especial, j&aacute; que est&atilde;o destinados &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es cuja responsabilidade &eacute; da Uni&atilde;o, seu principal titular. Portanto, n&atilde;o se poderia celebrar um contrato sem tornar p&uacute;blico o acervo de bens vinculados &agrave;s concess&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Existe um invent&aacute;rio preciso sobre todos esses bens?<\/strong><\/p>\n<p>Sabemos que deve existir um invent&aacute;rio desses bens. Mas o certo &eacute; que a Anatel, depois de nossa a&ccedil;&atilde;o e de verificar que obtivemos documento interno de auditoria da ag&ecirc;ncia, resolveu assumir que n&atilde;o tem essa lista. Tanto assim, que publicou dois atos no in&iacute;cio deste ano determinando que as concession&aacute;rias apresentassem a lista dos bens. Ora, a Anatel est&aacute; ref&eacute;m do interesse privado das empresas. Deveria ir buscar nos documentos que originaram as concess&otilde;es, a lista dos bens que integram os acervos de cada uma das concess&otilde;es.<\/p>\n<p>Atrav&eacute;s do relat&oacute;rio ao qual tivemos acesso, pudemos verificar que a pr&oacute;pria Anatel constata o fato grave de que a privatiza&ccedil;&atilde;o ocorreu sem que o invent&aacute;rio constasse dos contratos. Outra comprova&ccedil;&atilde;o feita pela ag&ecirc;ncia na auditoria &eacute; que ela ficou nove anos sem editar o regulamento de bens revers&iacute;veis e sem fiscaliz&aacute;-los. A primeira resolu&ccedil;&atilde;o &eacute; de outubro de 2006 e s&oacute; entrou em vigor em 2007. E, depois da confus&atilde;o com a cl&aacute;usula de reversibilidade do backhaul e da fiscaliza&ccedil;&atilde;o do TCU, que constatou a inefici&ecirc;ncia da ag&ecirc;ncia em resguardar os bens p&uacute;blicos de uso especial, resolveu alterar o primeiro regulamento aprovado com a Resolu&ccedil;&atilde;o 447\/2006, para &ldquo;acabar com a vis&atilde;o patrimonialista&rdquo;. Por isso a Consulta P&uacute;blica 52\/2010.<\/p>\n<p><strong>Quanto &agrave; anula&ccedil;&atilde;o da Consulta P&uacute;blica n&ordm; 52\/2010, quais as maiores conseq&uuml;&ecirc;ncias que a entidade enxerga com essa nova proposta em tramita&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>H&aacute; grande risco de que, aprovada a resolu&ccedil;&atilde;o, as concession&aacute;rias, para chancelar o descontrole e a venda ilegal de bens de uso p&uacute;blico, saiam por a&iacute; alienando os bens com o respaldo desta poss&iacute;vel norma. Foi por esse motivo que pedimos, em car&aacute;ter liminar, a suspens&atilde;o dos efeitos da CP 52\/2010.<\/p>\n<p><strong>Existiu algum di&aacute;logo com a Anatel antes de entrar com a a&ccedil;&atilde;o na Justi&ccedil;a Federal? Qual o argumento da ag&ecirc;ncia para n&atilde;o listar esses bens?<\/strong><\/p>\n<p>No in&iacute;cio deste ano, pedimos oficialmente &agrave; Anatel a apresenta&ccedil;&atilde;o da lista de bens revers&iacute;veis, mas ela se negou a apresentar, alegando que o invent&aacute;rio deve estar protegido por sigilo. Discordamos totalmente dessa afirma&ccedil;&atilde;o, que est&aacute; desconforme com a LGT. Se o invent&aacute;rio &eacute; uma pe&ccedil;a essencial ao contrato de concess&atilde;o, ele deve ser p&uacute;blico. Deveria, inclusive, ter sido publicado junto com o Edital de Privatiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Os bens s&atilde;o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico que apenas est&atilde;o sob a tutela das empresas concession&aacute;ria? Outro &oacute;rg&atilde;o faz esse acompanhamento ou apenas a Anatel?<\/strong><\/p>\n<p>A lei estabelece que, independente da titularidade da propriedade de determinados bens ser p&uacute;blica ou privada, o que importa &eacute; que, estando eles afetos &agrave; presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, s&atilde;o considerados bens de uso especial e submetidos ao regime p&uacute;blico. Portanto, para serem alienados &eacute; essencial a aprova&ccedil;&atilde;o do Poder P&uacute;blico competente.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o se justifica a alega&ccedil;&atilde;o de que muitos dos bens perderam a utilidade para a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, pois, para desafetar um bem destinado a determinado fim, &eacute; tamb&eacute;m essencial a atua&ccedil;&atilde;o do Poder P&uacute;blico competente.<\/p>\n<p><strong>Todos os bens s&atilde;o classificados como revers&iacute;veis? Existe algum que deveria ser e n&atilde;o &eacute;?<\/strong><\/p>\n<p>A princ&iacute;pio, todos os bens que foram transferidos para a posse das concession&aacute;rias eram destinados &agrave; presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es e, portanto, revers&iacute;veis. Isto porque uma concession&aacute;ria n&atilde;o poderia utilizar recursos p&uacute;blicos para a aquisi&ccedil;&atilde;o de bens que n&atilde;o fossem utilizados para a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, sob pena de estarem atentando contra o princ&iacute;pio da modicidade tarif&aacute;ria.<\/p>\n<p>De qualquer forma, como nunca tivemos acesso &agrave; lista dos bens revers&iacute;veis n&atilde;o podemos afirmar nada quanto &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o dos bens realizada pelas concession&aacute;rias e Anatel.<\/p>\n<p><strong>E existem falhas da Anatel no controle desses bens revers&iacute;veis? Se sim, quais s&atilde;o elas?<\/strong><\/p>\n<p>A Anatel n&atilde;o tem o menor controle dos bens revers&iacute;veis. Ainda que estivesse rec&eacute;m constitu&iacute;da quando da assinatura dos primeiros contratos de concess&atilde;o, em 1998, o certo &eacute; que assinou a prorroga&ccedil;&atilde;o desses contratos por mais vinte anos sem que, sequer, o regulamento de controle de bens revers&iacute;veis estivesse em vigor. Agora, ao inv&eacute;s de ir ao BNDES e &agrave; Telebr&aacute;s &ndash; que era a concession&aacute;ria geral dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es e holding das subsidi&aacute;rias estaduais prestadoras de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; pede para as empresas apresentarem a lista de bens revers&iacute;veis. Trata-se de desrespeito claro ao art. 37 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que implica em malbaratamento (desperd&iacute;cio) de patrim&ocirc;nio p&uacute;blico, nos termos da Lei de Improbidade Administrativa.<\/p>\n<p><strong>Os bens revers&iacute;veis, como as redes, devem ser devolvidos exatamente nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es que foram adquiridas pelas teles?<\/strong><\/p>\n<p>As centrais telef&ocirc;nicas, as redes etc., que tenham sido atualizadas, passam a ser classificadas como bens revers&iacute;veis, pois s&atilde;o necess&aacute;rios para a presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os. Por isso, a LGT determina que a compra de novos bens depende de aprova&ccedil;&atilde;o da ag&ecirc;ncia e, ainda, que, extinta a concess&atilde;o, a POSSE dos bens &eacute; revertida automaticamente para a Uni&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>A Proteste argumenta que centenas de im&oacute;veis das antigas empresas estatais de telefonia podem estar sendo vendidos ilegalmente pelas empresas privadas. Como foi feito este levantamento?<\/strong><\/p>\n<p>Fizemos alguns levantamentos por amostragem e constatamos isso. Talvez sejam mais do que centenas&#8230; Talvez estejamos falando de milhares. O preju&iacute;zo &eacute; muito grande. Significa que os investimentos que o Brasil fez desde 1972 at&eacute; 1998, na Telebr&aacute;s e suas subsidi&aacute;rias, muito possivelmente est&atilde;o sendo apropriados pelos grupos privados que adquiriram o controle acion&aacute;rio daquelas empresas. Ou seja, pode ser que, ao inv&eacute;s de receber pela transfer&ecirc;ncia do controle acion&aacute;rio, a Uni&atilde;o esteja pagando para as concession&aacute;rias.<\/p>\n<p><strong>Hoje, como funcionam as vendas autorizadas? Esse dinheiro &eacute; divido entre a concession&aacute;ria e a Uni&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>A previs&atilde;o de autoriza&ccedil;&atilde;o de venda, compra e utiliza&ccedil;&atilde;o de bens de terceiro se justifica em dois pilares.<\/p>\n<p>O primeiro &eacute; garantir que a Uni&atilde;o, ao final do contrato de concess&atilde;o, ter&aacute; como prestar ou contratar com outra empresa a presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os;<\/p>\n<p>E o segundo &eacute; garantir que os ganhos decorrentes da venda dos bens p&uacute;blicos de uso especial ir&atilde;o reverter para a modicidade tarif&aacute;ria.<\/p>\n<p><strong>A Proteste possui uma estimativa de valores em rela&ccedil;&atilde;o a essas negocia&ccedil;&otilde;es?<\/strong><\/p>\n<p>Nossa estimativa &eacute; que os acervos devam custar, em valores hist&oacute;ricos, mais de R$ 30 bilh&otilde;es. Trata-se de patrim&ocirc;nio constru&iacute;do com receita p&uacute;blica (Fundo de Investimento de Telecomunica&ccedil;&otilde;es e planos de expans&atilde;o por meio dos quais se recolhia recursos da economia popular para promover os investimentos necess&aacute;rios). Os assinantes eram, tamb&eacute;m, acionistas das empresas concession&aacute;rias.<\/p>\n<p>Ou seja, ao contr&aacute;rio do que falou o Secret&aacute;rio Cezar Alvarez, n&atilde;o estamos falando de fuscas 68 e computadores 386.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A <\/span><span class=\"padrao\">Proteste<\/span><span class=\"padrao\"> protocolou a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica contra a Anatel e a Uni&atilde;o Federal para ter acesso a lista dos bens  revers&iacute;veis sob responsabilidade das teles.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1529],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25685"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25685"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25685\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}