{"id":25627,"date":"2011-05-23T00:00:00","date_gmt":"2011-05-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25627"},"modified":"2011-05-23T00:00:00","modified_gmt":"2011-05-23T00:00:00","slug":"a-populacao-nao-tem-a-quem-recorrer-para-publicizar-os-seus-problemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25627","title":{"rendered":"\u201cA popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem a quem recorrer para publicizar os seus problemas\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">No dia Internacional da Liberdade de Express&atilde;o, os equipamentos de uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria localizada em uma favela do Rio de Janeiro foram apreendidos pela Pol&iacute;cia Federal e pela Anatel. Dois dos coordenadores da r&aacute;dio foram levados para prestar depoimento.&nbsp; Nesta entrevista, Emerson Claudio dos Santos, mais conhecido como MC Fiell, presidente da R&aacute;dio Comunit&aacute;ria Santa Marta, fala sobre o exerc&iacute;cio do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o em um cen&aacute;rio de legisla&ccedil;&atilde;o restritiva e favorecedora dos interesses das m&iacute;dias comerciais. Como o pr&oacute;prio nome j&aacute; diz, a r&aacute;dio se localiza na favela Santa Marta e atualmente, devido &agrave; apreens&atilde;o dos equipamentos, est&aacute; transmitindo apenas pela internet. Nesta entrevista, Fiell ajuda na reflex&atilde;o sobre o papel das m&iacute;dias que se pretendem contra-hegem&ocirc;nicas &mdash; comunit&aacute;rias, alternativas, populares ou institucionais.<\/p>\n<p><strong>Que desafios as r&aacute;dios comunit&aacute;rias t&ecirc;m hoje?<\/strong><\/p>\n<p>A burocracia da lei de r&aacute;dio &eacute; para voc&ecirc; n&atilde;o ter r&aacute;dio mesmo. Um dos maiores problemas dentro do capitalismo &eacute; grana. &Eacute; uma armadilha, eles mesmos fazem os tr&acirc;mites para o povo n&atilde;o ter o acesso. Mas sabemos dos problemas e vamos avan&ccedil;ando. Em nossa r&aacute;dio, por exemplo, fazemos festa para arrecadar grana, vendemos produtos como as camisetas da r&aacute;dio, dando jeitos sem comercializar a r&aacute;dio. Essa lei precisa ser mudada, sen&atilde;o o povo n&atilde;o ter&aacute; acesso a esse direito. S&oacute; as r&aacute;dios comunit&aacute;rias n&atilde;o podem fazer propaganda. Enquanto isso a maioria das r&aacute;dios comerciais est&atilde;o irregulares, e t&ecirc;m as concess&otilde;es renovadas automaticamente. S&oacute; o povo &eacute; punido e podado dos seus direitos.<\/p>\n<p><strong>Que mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o voc&ecirc; considera como mais fundamentais?<\/strong><\/p>\n<p>A Lei das R&aacute;dios Comunit&aacute;rias tem que ser mudada em tudo, temos que fazer uma nova lei. N&atilde;o tem como uma comunidade, por exemplo, no interior do Cear&aacute;, ter como exig&ecirc;ncia para uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria se legalizar uma associa&ccedil;&atilde;o formada por mais cinco institui&ccedil;&otilde;es no raio de um quil&ocirc;metro. Como ir&aacute; fazer isso? Aqui j&aacute; &eacute; dif&iacute;cil, imagine em outros lugares. &Eacute; preciso outra lei constru&iacute;da com participa&ccedil;&atilde;o dos comunicadores e do povo.<\/p>\n<p><strong>E voc&ecirc; v&ecirc; alguma perspectiva de mudan&ccedil;a da lei?<\/strong><\/p>\n<p>Se n&atilde;o tivermos perspectivas estamos mortos, temos que avan&ccedil;ar. Um dos principais motivos pelos quais n&atilde;o avan&ccedil;amos &eacute; o desconhecimento. Quando voc&ecirc; publiciza alguma coisa, o povo fica sabendo e reage. A mesma coisa acontece com outros direitos, como o direito &agrave; sa&uacute;de, &agrave; moradia. A comunica&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica mant&eacute;m o povo paralisado, engessado. As r&aacute;dios comunit&aacute;rias v&ecirc;m para trocar ideias com o povo, mostrar seus direitos e deveres e tentar caminhar de outras formas, com escolhas. H&aacute; pouco interesse do poder p&uacute;blico em mudar isso. Essa mudan&ccedil;a se dar&aacute; pela luta popular, das organiza&ccedil;&otilde;es em defesa da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e de outros setores da sociedade que v&atilde;o querer dialogar sobre isso e exigir que mude, que o povo tenha realmente acesso &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; na teoria, mas na pr&aacute;tica .<\/p>\n<p>A r&aacute;dio Santa Marta sofreu um fechamento pela pol&iacute;cia federal recentemente. Essa realidade se repete em todo o pa&iacute;s?<\/p>\n<p>A nossa r&aacute;dio estava h&aacute; oito meses no ar, cumpre tudo o que a legisla&ccedil;&atilde;o pede: n&atilde;o comercializamos, n&atilde;o vendemos programas, n&atilde;o temos partido, enfim, n&oacute;s sempre buscamos exercer nossos deveres para conquistarmos nossos direitos. A r&aacute;dio foi fechada de forma ilegal porque a Anatel, junto com a pol&iacute;cia federal, chegou aqui sem nenhum mandado, sem nenhum documento formal no nome da r&aacute;dio Santa Marta e mesmo assim confiscaram o transmissor e nos conduziram &agrave; delegacia para prestar depoimento. Se n&oacute;s estamos ilegais porque n&atilde;o temos a outorga, eles est&atilde;o ilegais por n&atilde;o terem mandado de busca e apreens&atilde;o.<\/p>\n<p>Infelizmente isso &eacute; corriqueiro no Brasil. No pa&iacute;s todo est&aacute; havendo uma grande criminaliza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias: a pr&oacute;pria m&iacute;dia hegem&ocirc;nica publiciza que a r&aacute;dio comunit&aacute;ria &eacute; pirata, que derruba avi&atilde;o, e isso &eacute; pura mentira. A gente costuma brincar que se r&aacute;dio comunit&aacute;ria derrubasse avi&atilde;o, os terroristas montariam r&aacute;dios comunit&aacute;rias e n&atilde;o precisariam mais jogar bombas contra os avi&otilde;es. E muitas pessoas, infelizmente sem informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e sem vis&atilde;o cr&iacute;tica, acreditam, mas essa &eacute; s&oacute; uma forma de criminalizar para n&atilde;o termos acesso a essas ferramentas. H&aacute; dados que mostram que o governo Lula, infelizmente, foi o que mais fechou r&aacute;dios. Mas temos que lutar mesmo porque nada ser&aacute; dado de forma volunt&aacute;ria aqui no Brasil, ter&aacute; que ser conquistado na marra, de forma organizada. Isso tudo s&oacute; ir&aacute; mudar quando entendermos uma coisa: que esses governantes precisam ser subordinados ao povo e n&atilde;o o povo subordinado ao governo. Quando entendermos isso, tudo mudar&aacute;.<\/p>\n<p><strong>Como foi o depoimento que voc&ecirc;s deram na delegacia?<\/strong><\/p>\n<p>Eles perguntaram se a r&aacute;dio &eacute; de pastor, se &eacute; de pol&iacute;tico, se existe comercializa&ccedil;&atilde;o, se eu tenho antecedentes criminais, se tenho marcas no corpo como tatuagem, se tenho bens materiais&#8230; Ter tatuagem n&atilde;o tem nada a ver com comunica&ccedil;&atilde;o. Eu tenho tatuagem. Eu sou livre, eu fa&ccedil;o o que eu quiser com o meu corpo. Eu falei: &lsquo;se para voc&ecirc;s &eacute; crime, o &uacute;nico crime que eu fa&ccedil;o &eacute; fazer r&aacute;dio comunit&aacute;ria. O crime que eu cometo &eacute; prestar servi&ccedil;o &agrave; favela, de forma volunt&aacute;ria&rsquo;. &Eacute; surreal. E isso tudo aconteceu no dia 3 de maio, dia mundial da Liberdade de Express&atilde;o, e o que aconteceu s&oacute; mostra que n&atilde;o temos liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Por que voc&ecirc;s acreditam que ap&oacute;s oito meses de funcionamento da r&aacute;dio a pol&iacute;cia e a Anatel foram at&eacute; l&aacute;?<\/strong><\/p>\n<p>Temos diversas possibilidades para isso, mas temos pensado que &eacute; porque come&ccedil;amos a incomodar, temos feito um bom trabalho de alfabetiza&ccedil;&atilde;o e de forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para o povo. O povo est&aacute; se apoderando de seus direitos. Infelizmente, no Brasil, quando voc&ecirc; fala a verdade, &eacute; criminalizado e tirado de circula&ccedil;&atilde;o. Quando voc&ecirc; se organiza, alguma coisa acontece, e sempre ter&aacute; repress&otilde;es. Quando buscamos um coletivo, o poder para o coletivo, isso desagrada muita gente, e o pr&oacute;prio governo. Porque vivemos em um pa&iacute;s capitalista onde a l&oacute;gica &eacute; individual e da competi&ccedil;&atilde;o e conosco aqui a l&oacute;gica &eacute; coletiva, todo mundo tem voz, todo mundo &eacute; igual e todo mundo pode fazer. Ent&atilde;o, isso incomoda a quem n&atilde;o adere a essa filosofia. Por mais que tentem, nunca v&atilde;o calar a voz do povo.<\/p>\n<p><strong>A m&iacute;dia comercial esteve bastante presente no Santa Marta cobrindo a instala&ccedil;&atilde;o e primeiras a&ccedil;&otilde;es da Unidade de Pol&iacute;cia Pacificadora (UPP). Qual a diferen&ccedil;a no enfoque dado ao Santa Marta antes e depois da UPP?<\/strong><\/p>\n<p>Desde a primeira favela, esses espa&ccedil;os sempre apareceram na m&iacute;dia de uma forma &iacute;nfima, violenta, mostrando o povo da favela como mau e violento. O Santa Marta n&atilde;o &eacute; diferente, o seu povo sempre apareceu nas p&aacute;ginas da grande m&iacute;dia sendo tratado como traficante, e o morro como um lugar de perigo. Depois, em 2009, com a entrada da UPP, essa mesma m&iacute;dia que relacionava toda a popula&ccedil;&atilde;o com o tr&aacute;fico de drogas, agora fala que essa popula&ccedil;&atilde;o tem voz. &Eacute; uma jogada de interesses. Essa pr&oacute;pria m&iacute;dia, no caso a Globo, ineditamente fica 30 dias dentro do Santa Marta, cobrindo, fazendo&nbsp; link ao vivo, mas, na real, n&atilde;o deu voz ao povo. Esteve aqui para fazer uma jogada de marketing e mostrar o que ela queria, n&atilde;o mostrava os problemas da favela, n&atilde;o dava voz &agrave;s lideran&ccedil;as cr&iacute;ticas da favela, ela continua mostrando o que ela quer. E isso mostra que o poder est&aacute; nas m&atilde;os deles.<\/p>\n<p><strong>A r&aacute;dio comunit&aacute;ria Santa Marta tamb&eacute;m mostra o que quer, no entanto, sabemos que a constru&ccedil;&atilde;o do que sai na r&aacute;dio &eacute; diferente. Qual &eacute; essa diferen&ccedil;a?<\/strong><\/p>\n<p>A r&aacute;dio Santa Marta mostra o direito do povo, ela &eacute; plural, isso &eacute; que &eacute; diferente. Uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria nasce para dar voz &agrave; popula&ccedil;&atilde;o dessa favela; ela j&aacute; come&ccedil;a diferente porque tem gest&atilde;o, mas n&atilde;o tem dono,o dono &eacute; o povo. Quando o povo necessita, ela &eacute; acess&iacute;vel, fala dos problemas locais, da cidade, tamb&eacute;m do mundo. Mas as prioridades s&atilde;o os problemas, os projetos e os acontecimentos da localidade. O povo do Santa Marta nunca teve uma m&iacute;dia que falasse dela igual a R&aacute;dio Santa Marta faz. Esse &eacute; o diferencial de uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria quando ela est&aacute; a servi&ccedil;o do povo. Porque &eacute; importante salientar tamb&eacute;m que algumas outras r&aacute;dios est&atilde;o a servi&ccedil;o do lucro. A nossa, desde o princ&iacute;pio, est&aacute; a servi&ccedil;o dos interesses do povo dessa favela.<\/p>\n<p><strong>Como isso se expressa na programa&ccedil;&atilde;o da r&aacute;dio?<\/strong><\/p>\n<p>N&oacute;s temos uma programa&ccedil;&atilde;o plural, toda a diversidade cultural do Santa Marta est&aacute; na r&aacute;dio. S&atilde;o mais de 20 programas, come&ccedil;a &agrave;s 6 horas e vai at&eacute; meia noite. E tem programas jornal&iacute;sticos, musicais, mas todos s&atilde;o informativos, porque a todo momento chegam not&iacute;cias, e em todos eles a popula&ccedil;&atilde;o tem linha direta: ela liga e participa e se, quer falar, &eacute; colocada ao vivo. Tem programas de entrevista sobre diversos assuntos &ndash; direito &agrave; moradia, alimenta&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o no Brasil, vida do trabalhador,&nbsp; programas que contam a hist&oacute;ria de imigrantes, como o &lsquo;Saudades da minha terra&rsquo;. N&oacute;s pedimos para as pessoas enviarem emails com cr&iacute;ticas, ideias e fazemos nossa reuni&atilde;o quinzenal principalmente para isso, para ficar sabendo como est&atilde;o os programas. A popula&ccedil;&atilde;o pode participar da reuni&atilde;o, &eacute; aberta. Inclu&iacute;mos sempre o povo nas a&ccedil;&otilde;es da r&aacute;dio, n&atilde;o decidimos nada sozinhos, &eacute; tudo pelo interesse do povo.<\/p>\n<p><strong>Existe uma pol&ecirc;mica sobre a participa&ccedil;&atilde;o de partidos e religi&otilde;es nas r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Alguns acreditam que a r&aacute;dio pode abrir espa&ccedil;os para essas institui&ccedil;&otilde;es desde que seja contemplada a pluralidade local. J&aacute; outros acham que isso n&atilde;o deve acontecer. Como voc&ecirc;s pensam essas quest&otilde;es?<\/strong><\/p>\n<p>Aqui tem um programa gospel. O que pedimos &eacute; que o locutor n&atilde;o fique pregando e nem condicionando o povo. Partido pol&iacute;tico n&atilde;o tem mesmo, n&atilde;o queremos isso, cada um tem o seu e temos que usar o espa&ccedil;o da r&aacute;dio para outras coisas. Agora, religi&atilde;o, se tiver v&aacute;rias, elas precisam ter espa&ccedil;o para que possam divulgar os seus eventos, por exemplo, mas sem pregar. No caso desse programa gospel, ele n&atilde;o &eacute; de nenhuma igreja, &eacute; um morador que &eacute; evang&eacute;lico e faz o programa. As pessoas pedem m&uacute;sicas gospel, mas ele tamb&eacute;m fala o que est&aacute; acontecendo no Santa Marta. &Eacute; um programa igual ao de hip hop, s&oacute; que &eacute; gospel, porque as pessoas tamb&eacute;m gostam desse tipo de m&uacute;sica.<\/p>\n<p><strong>Como a r&aacute;dio comunit&aacute;ria tenta responder a esse desafio de cativar um p&uacute;blico j&aacute; acostumado com a est&eacute;tica da m&iacute;dia comercial para passar outro tipo de mensagem?<\/strong><\/p>\n<p>A popula&ccedil;&atilde;o aprova a r&aacute;dio, inclusive estamos numa campanha de um abaixo-assinado [em defesa da r&aacute;dio] e a popula&ccedil;&atilde;o vem assinar, traz a fam&iacute;lia. Por ser r&aacute;dio comunit&aacute;ria, n&atilde;o se configura que seja uma r&aacute;dio menor. A programa&ccedil;&atilde;o tem o mesmo potencial de qualquer outra r&aacute;dio, tem vinhetas de qualidade, programadores de qualidade, porque tamb&eacute;m fazemos capacita&ccedil;&atilde;o de locu&ccedil;&atilde;o, de jornalismo dentro da r&aacute;dio. Ent&atilde;o, ela n&atilde;o deixa nada a&nbsp; desejar, a &uacute;nica coisa diferente &eacute; que ela n&atilde;o abrange o Rio de Janeiro, mas apenas o raio de um quil&ocirc;metro &mdash; Santa Marta e uma pequena parte de Botafogo &mdash;, com uma programa&ccedil;&atilde;o de alt&iacute;ssima qualidade.<\/p>\n<p>O povo percebeu e aprovou que a r&aacute;dio comunit&aacute;ria &eacute; ao mesmo tempo igual a qualquer outra e diferente porque fala dos nossos assuntos e do nosso povo e as outras n&atilde;o falam, a n&atilde;o ser quando &eacute; de interesse delas. Desde o in&iacute;cio n&atilde;o nos preocupamos em fazer uma r&eacute;plica de programas das r&aacute;dios comerciais, falamos em nossa linguagem coloquial, n&atilde;o somos acad&ecirc;micos e isso n&atilde;o tem nenhum problema, o que importa &eacute; o povo entender a mensagem. Mas trazemos mensalmente algum curso de comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, de opera&ccedil;&atilde;o de som, para todos n&oacute;s avan&ccedil;armos juntos, continuarmos melhorando a programa&ccedil;&atilde;o e a pr&oacute;pria r&aacute;dio, entendendo sempre que a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; falar para o nosso povo. Infelizmente nosso povo n&atilde;o est&aacute; nos devidos lugares, como as faculdades e escolas, &eacute; um povo escravizado de carteira assinada. Ent&atilde;o, avan&ccedil;amos, mas sabendo que tem que ser sem muros na linguagem. &lsquo;O parceiro&rsquo; e &lsquo;a parceira&rsquo; n&atilde;o podemos perder, a linguagem da favela n&atilde;o podemos esquecer, a Dona Maria n&atilde;o vai sair da nossa linguagem. Ent&atilde;o, avan&ccedil;amos sem perder identidade.<\/p>\n<p><strong>Como a r&aacute;dio consegue se manter e tamb&eacute;m garantir essa forma&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>Atrav&eacute;s de parcerias com movimentos sociais, sindicatos, institui&ccedil;&otilde;es, que fazem um trabalho volunt&aacute;rio. Vamos buscando juntos o entendimento de que a r&aacute;dio &eacute; importante para os sete mil moradores do Santa Marta. Como a r&aacute;dio n&atilde;o pode fazer propaganda, vender comercial, os amigos da r&aacute;dio doam algum valor financeiro, os locutores todos doam tamb&eacute;m, porque todos t&ecirc;m um trabalho volunt&aacute;rio na r&aacute;dio e outros trabalhos remunerados fora da r&aacute;dio. Todos n&oacute;s entendemos que juntos manter&iacute;amos a r&aacute;dio para continuar com a nossa voz viva e calorosa no Santa Marta.<\/span><br \/><strong><br \/>Como um dos coordenadores da r&aacute;dio, voc&ecirc; percebe a comunica&ccedil;&atilde;o hoje de uma forma diferente?<\/strong><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">Para n&oacute;s h&aacute; duas maneiras de entender a comunica&ccedil;&atilde;o. Uma comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; a que a classe dominante usa, para poder educar e dominar um povo. E a nossa &eacute; a que usamos para esclarecer o povo, para levar mais informa&ccedil;&otilde;es sobre a sua realidade de vida. Sempre houve essas duas maneiras de comunica&ccedil;&atilde;o, uma hegem&ocirc;nica e outra da classe popular, que tenta de alguma forma esclarecer o povo. Infelizmente nem todos os trabalhadores t&ecirc;m essa clareza, quando vamos participando de alguns momentos de forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; que vamos percebendo. Eu pude perceber isso quando fiz um curso de comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria com o N&uacute;cleo Piratininga de Comunica&ccedil;&atilde;o: at&eacute; ent&atilde;o eu sabia que existia desigualdade tamb&eacute;m na comunica&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o da forma como eu entendo hoje.<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Presidente da R&aacute;dio Comunit&aacute;ria Santa  Marta fala sobre o exerc&iacute;cio do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1527,1526],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25627"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25627"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25627\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}