{"id":25611,"date":"2011-05-18T16:49:31","date_gmt":"2011-05-18T16:49:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25611"},"modified":"2011-05-18T16:49:31","modified_gmt":"2011-05-18T16:49:31","slug":"curso-de-comunicacao-social-retomando-o-debate-esquecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25611","title":{"rendered":"Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social: retomando o debate esquecido"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Daqui a menos de dois meses, precisamente no dia 5 de julho, todos os conselheiros do Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (CNE) voltam a se reunir e, embora a pauta ainda n&atilde;o esteja definida, &eacute; prov&aacute;vel que as Diretrizes Curriculares Nacionais de Jornalismo entrem na discuss&atilde;o. O tema &eacute; pol&ecirc;mico, pois a proposta elaborada por uma comiss&atilde;o de nove especialistas, e chancelada pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC), prev&ecirc; a transforma&ccedil;&atilde;o da habilita&ccedil;&atilde;o de Jornalismo em um curso espec&iacute;fico, o que pode culminar com a extin&ccedil;&atilde;o do curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Al&eacute;m disso, a comiss&atilde;o tamb&eacute;m prop&otilde;e algumas mudan&ccedil;as que inclinam substancialmente este &quot;novo&quot; curso na dire&ccedil;&atilde;o das demandas do mercado de trabalho. E pior: para um mercado em constante transforma&ccedil;&atilde;o, que j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais aquilo que foi nas d&eacute;cadas passadas e, muito provavelmente, continuar&aacute; mudando nas pr&oacute;ximas.<\/p>\n<p>&Eacute; indiscut&iacute;vel o direito de uma categoria profissional ou de um campo acad&ecirc;mico, atrav&eacute;s de suas entidades, reivindicar mudan&ccedil;as no curso respons&aacute;vel por formar os profissionais daquela &aacute;rea. Assim como tamb&eacute;m &eacute; leg&iacute;tima a defesa da manuten&ccedil;&atilde;o de um curso que pode fornecer m&atilde;o de obra qualificada para as novas fun&ccedil;&otilde;es, atribui&ccedil;&otilde;es e profiss&otilde;es da &aacute;rea da Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Profissionais estes que assimilem as transforma&ccedil;&otilde;es pelas quais este campo profissional, pol&iacute;tico e acad&ecirc;mico v&ecirc;m passando nos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p>O longo sil&ecirc;ncio do MEC e dos conselheiros do CNE s&atilde;o motivos de preocupa&ccedil;&atilde;o. Nenhuma palavra foi proferida em p&uacute;blico sobre o assunto desde a audi&ecirc;ncia realizada em outubro do ano passado e, quando se tenta contatar diretamente os relatores do projeto (os conselheiros Reynaldo Fernandes e Arthur Roquete de Macedo), a assessoria do CNE informa que os mesmos n&atilde;o querem falar sobre o assunto, pois ainda est&atilde;o analisando o projeto. Tamb&eacute;m preocupa ver tanta gente trabalhando direta ou indiretamente pela extin&ccedil;&atilde;o do curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, entre os quais o MEC e uma significativa parte da comunidade cient&iacute;fica da comunica&ccedil;&atilde;o, da qual faz parte o &quot;campo do Jornalismo&quot;, que tamb&eacute;m conta com a ader&ecirc;ncia de seu bra&ccedil;o sindical. Os interesses podem ser distintos, mas, ao que parece, atuam de forma articulada. Analisemos os fatos.<\/p>\n<p><strong>A proposta &quot;padronizadora&quot; do MEC<\/strong><\/p>\n<p>Em of&iacute;cio do dia 23 de abril de 2010 (OF. CIRC-SE\/Andifes n&ordm; 064\/2010), a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Dirigentes das Institui&ccedil;&otilde;es Federais de Ensino Superior (Andifes) enviou &agrave;s universidades um documento elaborado pela Secretaria de Ensino Superior (SESU) do MEC intitulado &quot;Referenciais Curriculares Nacionais dos Cursos de Bacharelado e Licenciatura&quot;. N&atilde;o se sabe ao certo quais universidades receberam e quantos professores realmente chegaram a tomar conhecimento do tal documento. O que sabemos &eacute; que com ele o MEC pretende: 1) limitar a menos de 100 o n&uacute;mero de cursos de gradua&ccedil;&atilde;o que poder&atilde;o funcionar no Brasil; 2) padronizar a nomenclatura dos cursos; 3) exigir que as universidades adotem curr&iacute;culos padronizados. Impressiona o poder de s&iacute;ntese e a eficiente t&eacute;cnica &quot;padronizadora&quot; do minist&eacute;rio. No documento, cada um dos noventa e poucos cursos merece exatamente uma p&aacute;gina de &quot;referenciais curriculares&quot;, divididos em quatro partes: perfil do egresso; temas abordados na forma&ccedil;&atilde;o; ambientes de atua&ccedil;&atilde;o; e infraestrutura recomendada. Cada um destes itens n&atilde;o conta com mais do que seis linhas.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o especificamente ao curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, outra surpresa: as seis habilita&ccedil;&otilde;es vigentes desde 2001 (Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Cinema, Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas, Produ&ccedil;&atilde;o Editorial e R&aacute;dio e TV) se transformam em cinco cursos isolados. Os quatro primeiros ganham &quot;independ&ecirc;ncia&quot;; Produ&ccedil;&atilde;o Editorial desaparece; e R&aacute;dio e TV passa a se chamar R&aacute;dio, TV e Internet. O questionamento quanto ao destino da habilita&ccedil;&atilde;o de Produ&ccedil;&atilde;o Editorial tamb&eacute;m se faz em rela&ccedil;&atilde;o a cursos da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o s&atilde;o habilita&ccedil;&otilde;es de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, como Produ&ccedil;&atilde;o Cultural, Estudos de M&iacute;dia, Midialogia, Educomunica&ccedil;&atilde;o, Comunica&ccedil;&atilde;o Integrada, entre outros.<\/p>\n<p>Mas porque o MEC se esfor&ccedil;a tanto para padronizar os cursos superiores e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, limitar a fun&ccedil;&atilde;o da Universidade de perceber as demandas sociais para criar cursos que atendam a estas demandas? Ser&aacute; que isso tem alguma coisa a ver com a tal da Reforma Universit&aacute;ria, com o Reuni, ou com as imposi&ccedil;&otilde;es do FMI e do Banco Mundial para nossa educa&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><strong>Interesses acad&ecirc;micos<\/strong><\/p>\n<p>A transforma&ccedil;&atilde;o das habilita&ccedil;&otilde;es em cursos isolados n&atilde;o tem fim em si mesma, ou seja, n&atilde;o significa apenas um movimento de reorganiza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o dos diferentes profissionais da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; sim um movimento pol&iacute;tico-acad&ecirc;mico, coordenado pela elite do campo acad&ecirc;mico da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. Esta elite atuou na cria&ccedil;&atilde;o da maioria das entidades cient&iacute;ficas do campo no pa&iacute;s e, nos &uacute;ltimos anos, vem batalhando pela afirma&ccedil;&atilde;o do pesquisador brasileiro e latinoamericano perante a comunidade acad&ecirc;mica internacional do setor, historicamente hegemonizada pelos &quot;falantes&quot; do ingl&ecirc;s e do franc&ecirc;s (n&atilde;o por acaso estes idiomas concentram a maior parte da bibliografia mundial do campo da comunica&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o exigidos na maioria dos cursos de mestrado e doutorado em comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil).<\/p>\n<p>No entanto, este processo de afirma&ccedil;&atilde;o internacional depende, e muito, de movimenta&ccedil;&otilde;es nacionais. Para ser mais claro e objetivo, depende de financiamento p&uacute;blico. Financiamento &eacute; um problema para a pesquisa cient&iacute;fica em pa&iacute;ses subdesenvolvidos e s&oacute; se consegue com o crescimento do reconhecimento, do prestigio, da import&acirc;ncia. Haja vista o que ocorre na maioria das universidades brasileiras, onde as ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas e exatas, sobretudo a medicina, a engenharia e a inform&aacute;tica, recebem muito mais recursos que as ci&ecirc;ncias humanas. Deste cen&aacute;rio nada favor&aacute;vel surge um projeto de financiamento p&uacute;blico da pesquisa cientifica em comunica&ccedil;&atilde;o com o objetivo de trazer reconhecimento internacional a este campo: tirar o curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do &quot;guarda-chuva&quot; das Ci&ecirc;ncias Sociais Aplicadas e transform&aacute;-lo num novo &quot;guarda-chuva&quot;. Assim, na concep&ccedil;&atilde;o destes pesquisadores, a transforma&ccedil;&atilde;o das habilita&ccedil;&otilde;es em cursos isolados se tornou indispens&aacute;vel.<\/p>\n<p><strong>O &quot;campo do Jornalismo&quot;<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; como negar que os maiores entusiastas da transforma&ccedil;&atilde;o da habilita&ccedil;&atilde;o de Jornalismo em curso isolado s&atilde;o as entidades autodenominadas como integrantes do &quot;campo acad&ecirc;mico-profissional do Jornalismo&quot;. Para a Fenaj (jornalistas), o FNPJ (professores) e a SBPJor (pesquisadores), o Jornalismo j&aacute; amadureceu suficientemente para ser al&ccedil;ado do limbo comum dos objetos de estudo para a pomposa seara dos campos acad&ecirc;micos. At&eacute; um mestrado espec&iacute;fico em Jornalismo, da UFSC, estas entidades e seus dirigentes j&aacute; ajudaram a criar.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; como negar a rela&ccedil;&atilde;o entre a principal bandeira do movimento sindical dos jornalistas e o processo de reforma das Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso. &Eacute; vis&iacute;vel que a luta pela obrigatoriedade do diploma para o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o fez com que a elite dos sindicalistas do Jornalismo investisse num processo de (super)valoriza&ccedil;&atilde;o do curso, como se n&atilde;o houvesse vida inteligente antes de seu tardio surgimento no Brasil, em meados da d&eacute;cada de 1940. Como se n&atilde;o tivesse havido jornalismo de qualidade em nosso pa&iacute;s antes da igualmente tardia obrigatoriedade do diploma, institu&iacute;da por decreto em 1969. E mais, como se n&atilde;o houvesse graves problemas no processo de forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais &quot;diplomados&quot;, como cursos sem estrutura laboratorial adequada e com corpo docente mal preparado, al&eacute;m dos conhecidos problemas do mercado de trabalho, que n&atilde;o se resolveram com diploma. Os principais representantes deste campo acreditam que a resolu&ccedil;&atilde;o destes problemas se dar&aacute; aumentando o status do curso, incentivando cada vez mais jovens a optar por esta carreira, e restringindo o exerc&iacute;cio profissional aos possuidores do diploma universit&aacute;rio. Uma concep&ccedil;&atilde;o, no m&iacute;nimo, burguesa da profiss&atilde;o e da sociedade.<\/p>\n<p><strong>Projeto &uacute;nico<\/strong><\/p>\n<p>Sem projeto concreto que se contraponha, ou pelo menos que se apresente como alternativa, ao projeto do MEC, entidades que foram protagonistas da &uacute;ltima reforma curricular do curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, aprovada em 2001, acabaram ficando &agrave; margem do processo. A Intercom, a mais importante institui&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de comunica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se envolveu nas discuss&otilde;es tanto como h&aacute; dez anos, ou melhor, se envolveu, mas apenas por meio da atua&ccedil;&atilde;o particular de alguns de seus dirigentes na comiss&atilde;o de especialistas do MEC, como o pr&oacute;prio presidente da comiss&atilde;o, o not&aacute;vel professor Jos&eacute; Marques de Melo, fundador e conselheiro da Intercom. J&aacute; a Comp&oacute;s, que representa os cursos de mestrado e doutorado em comunica&ccedil;&atilde;o, fez uma discuss&atilde;o aprofundada e divulgou um documento em que faz algumas cr&iacute;ticas ao projeto do MEC. No entanto, a entidade n&atilde;o demonstrou interesse em pressionar o governo a paralisar o atual processo. A posi&ccedil;&atilde;o das outras entidades acad&ecirc;micas varia entre algo parecido com a Intercom e a Comp&ocirc;s e a completa indiferen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Com este quadro, a &uacute;nica voz dissonante, claramente exposta tanto por meio de posicionamentos p&uacute;blicos como tamb&eacute;m nas audi&ecirc;ncias convocadas para discutir o projeto, vem da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (Enecos). Durante o ano de 2010, a Enecos promoveu a campanha &quot;Somos Todos Comunica&ccedil;&atilde;o Social&quot;, na qual incentivaram os estudantes de Comunica&ccedil;&atilde;o Social de todo o pa&iacute;s a debater sua forma&ccedil;&atilde;o e avaliar a qualidade do ensino ofertado por suas faculdades. Al&eacute;m disso, a entidade publicou documentos criticando a proposta da comiss&atilde;o de especialistas e apontando suas principais diverg&ecirc;ncias com o documento do MEC. Estas cr&iacute;ticas e diverg&ecirc;ncias tamb&eacute;m foram apresentadas nas audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas realizadas no Rio de Janeiro, em 2009, e em Bras&iacute;lia, em 2010, para debater o assunto junto &agrave; sociedade. No entanto, ainda n&atilde;o foi apresentado, por nenhuma entidade, um projeto que acabe com o status de proposta &uacute;nica do documento chancelado pelo MEC.<\/p>\n<p><strong>Em defesa do curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/strong><\/p>\n<p>Longe de querer esgotar o assunto e apresentar um projeto acabado para ocupar este vazio, apresentamos aqui uma argumenta&ccedil;&atilde;o em defesa do curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Em primeir&iacute;ssimo lugar, ressaltamos que nenhuma das propostas que dizem respeito &uacute;nica e exclusivamente ao que acontece dentro das universidades, como curr&iacute;culos, laborat&oacute;rios e professores, ter&atilde;o sentido se o mundo e o mercado de trabalho continuarem exatamente como est&atilde;o. &Eacute; mais do que urgente lutarmos por outro modelo de sociedade, menos capitalista e mais socialista, pela efetiva democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es, pela constru&ccedil;&atilde;o de um grande e eficiente sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m das lutas espec&iacute;ficas dos trabalhadores como redu&ccedil;&atilde;o da jornada sem redu&ccedil;&atilde;o nos sal&aacute;rios, fim do ass&eacute;dio moral, sal&aacute;rios dignos, mais benef&iacute;cios e mais empregos. Neste sentido, &eacute; imprescind&iacute;vel a unidade dos trabalhadores da comunica&ccedil;&atilde;o, desde os gr&aacute;ficos at&eacute; os blogueiros, passando por jornalistas, fot&oacute;grafos, ilustradores, publicit&aacute;rios, cineastas, call centers e todos os demais. N&atilde;o perceber a grande influ&ecirc;ncia que os problemas do mundo e da profiss&atilde;o exercem sobre o processo de forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais &eacute; simplesmente n&atilde;o compreender por completo a quest&atilde;o em discuss&atilde;o.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; latente possibilidade de extin&ccedil;&atilde;o do curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, volto ao segundo par&aacute;grafo deste artigo. &Eacute; leg&iacute;timo, embora haja controv&eacute;rsias, a reivindica&ccedil;&atilde;o de &quot;independ&ecirc;ncia&quot; de qualquer habilita&ccedil;&atilde;o. O Cinema j&aacute; a conquistou em 2006 e as Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas tamb&eacute;m est&atilde;o em processo semelhante. Muito em breve ser&aacute; a vez de Publicidade e Propaganda, R&aacute;dio e TV e Produ&ccedil;&atilde;o Editorial (este &uacute;ltimo, se n&atilde;o for extinto pelos amargos &quot;Referencias Curriculares Nacionais&quot; do MEC). No entanto, estamos propondo a manuten&ccedil;&atilde;o do curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, como op&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, para os que n&atilde;o se identificarem com os cursos espec&iacute;ficos, e como op&ccedil;&atilde;o profissional, para as diversas fun&ccedil;&otilde;es, atribui&ccedil;&otilde;es e habilidades as quais os cursos espec&iacute;ficos n&atilde;o conseguir&atilde;o contemplar.<\/p>\n<p>&Eacute; s&oacute; nos debru&ccedil;armos atentamente ao atual mercado de trabalho da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o, mesmo com todas as defici&ecirc;ncias que tem, e veremos que boa parte (prefiro n&atilde;o me arriscar a dizer que s&atilde;o a maioria, embora eu acredite mesmo que seja) dos profissionais atua em algo que n&atilde;o pode ser rotulado como Jornalismo, Publicidade ou Cinema, por exemplo. S&atilde;o produtores de m&iacute;dia, analistas de m&iacute;dias sociais, assessores de comunica&ccedil;&atilde;o, &quot;marketeiros virais&quot;, educomunicadores, entre tantas outras denomina&ccedil;&otilde;es. Lembro-me de um professor que, ao questionar a burocracia dos diplomas, explicava que no mercado de trabalho s&atilde;o muito poucos os que se formam com um &quot;r&oacute;tulo&quot; (curso) e trabalham neste mesmo r&oacute;tulo durante toda a vida p&oacute;s-universit&aacute;ria. E isso &eacute; t&atilde;o verdade que a maioria dos jornalistas j&aacute; fizeram outra coisa na vida que n&atilde;o pode ser considerado Jornalismo.<\/p>\n<p>Para os que consideram esta realidade da profiss&atilde;o o resultado da precariza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o de jornalista, sugiro uma reflex&atilde;o: qual &eacute; a melhor forma de se combater a precariza&ccedil;&atilde;o? Defendendo um duvidoso fortalecimento da forma&ccedil;&atilde;o profissional (digo duvidoso, pois apenas o curso espec&iacute;fico e a obrigatoriedade do diploma n&atilde;o mudam em nada a qualidade da forma&ccedil;&atilde;o) ou lutando pelo cumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, contra o ass&eacute;dio moral que assola as reda&ccedil;&otilde;es, por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que criem empregos qualificados para os jornalistas e pela democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o? Qual caminho parece mais eficiente? Bom, na d&uacute;vida, porque n&atilde;o seguirmos os dois?<\/p>\n<p>V&aacute;rias propostas concretas para melhorar os cursos de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, sugest&otilde;es sobre curr&iacute;culo, laborat&oacute;rios, est&aacute;gio, corpo docente etc, poderiam ser elencadas. Mas n&atilde;o &eacute; este o prop&oacute;sito deste artigo. Limitamos-nos a defender a import&acirc;ncia social, acad&ecirc;mica, pol&iacute;tica e profissional dos cursos de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. N&atilde;o sei se conseguimos atingir o objetivo. De qualquer forma, o que importa &eacute; o debate. Vamos a ele?<em><strong><\/p>\n<p>Jean Oliveira <\/strong>&eacute; estudante de Comunica&ccedil;&atilde;o Social\/Jornalismo na Facha-RJ, estagi&aacute;rio nos departamentos de Comunica&ccedil;&atilde;o do Sindipetro-RJ e da CUT-RJ e ex-coordenador da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (Enecos).<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o dever&aacute; votar em breve, proposta que transforma a habilita&ccedil;&atilde;o de Jornalismo em um curso  espec&iacute;fico, desvinculado da &aacute;rea de Comunica&ccedil;&atilde;o  Social<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25611"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25611\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}