{"id":25609,"date":"2011-05-18T16:27:55","date_gmt":"2011-05-18T16:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25609"},"modified":"2014-09-07T03:01:51","modified_gmt":"2014-09-07T03:01:51","slug":"imprensa-brasileira-ignora-estatuto-da-igualdade-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25609","title":{"rendered":"Imprensa brasileira ignora Estatuto da Igualdade Racial"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O Estatuto da Igualdade Racial aprovado em julho 2010 passa por processo de invisibilidade e oposi&ccedil;&atilde;o dos meios impressos brasileiros. Essa foi uma das conclus&otilde;es do primeiro relat&oacute;rio da pesquisa Faces do Brasil, apresentada em Salvador no &uacute;ltimo dia 13 de maio, dia da aboli&ccedil;&atilde;o. O material coletado &eacute; de 12 jornais e cinco revistas entre os meses de outubro e dezembro de 2010. At&eacute; o momento a sistematiza&ccedil;&atilde;o se balizou por 506 mat&eacute;rias sobre ciganos, povos ind&iacute;genas e negros.<\/p>\n<p>O projeto &eacute; parceria entre a organiza&ccedil;&atilde;o Omi-D&ugrave;d&uacute; e o grupo Etnom&iacute;dia da Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal da Bahia (Facom\/UFBA). O professor e jornalista Fernando Concei&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m da Facom &eacute; o coordenador do projeto.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio contextualiza conquistas institucionais e pol&iacute;ticas dos grupos &eacute;tnicos estudados p&oacute;s-redemocratiza&ccedil;&atilde;o (1985), por&eacute;m, segundo a coordena&ccedil;&atilde;o, no campo midi&aacute;tico tal avan&ccedil;o n&atilde;o &eacute; repercutido, configurando &ldquo;uma vis&atilde;o negativamente estereotipada sobre os afrodescendentes e outros grupos sociais etnicamente discriminados&rdquo;.<\/p>\n<p>No geral as legisla&ccedil;&otilde;es sobre grupos &eacute;tnico-raciais ocupam apenas 13,4% do total avaliado. J&aacute; as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas s&atilde;o citadas em 20,6% das mat&eacute;rias. Os temas predominantes s&atilde;o de fundo cultural. No conte&uacute;do recortado, a abordagem a popula&ccedil;&atilde;o negra &eacute; predominante (71,7%), seguido dos ind&iacute;genas (26,8%) e ciganos (1,5%). Por&eacute;m, conforme a localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica ou perspectiva de distribui&ccedil;&atilde;o, os ve&iacute;culos modificam o enfoque &eacute;tnico.<\/p>\n<p><em>O Estado de S. Paulo<\/em> costuma expor o temas &eacute;tnicos-raciais em seu editoriais, ou atrav&eacute;s de carta de leitores, ambos de cunho contr&aacute;rios a pautas como o Estatuto, a titula&ccedil;&atilde;o de terras quilombolas, os conflitos na constru&ccedil;&atilde;o de Belo Monte e pol&ecirc;mica sobre o livro de Monteiro Lobato, Ca&ccedil;adas de Pedrinho.<\/p>\n<p>O baiano <em>A Tarde<\/em> alcan&ccedil;ou o destaque quantitativo com 87 mat&eacute;rias sobre a tem&aacute;tica, por&eacute;m, reservadas ao &acirc;mbito cultural e dentro de tend&ecirc;ncia nacional de n&atilde;o posicionar a pauta em condi&ccedil;&atilde;o de manchete. J&aacute; o <em>Di&aacute;rio do Nordeste<\/em> de Fortaleza &eacute; apontado como o jornal que mais prioriza as leis no conte&uacute;do.<\/p>\n<p>Em O <em>Liberal<\/em> do Par&aacute; os povos origin&aacute;rios t&ecirc;m maior destaque qualitativo, os demonstrando de forma positiva enquanto benefici&aacute;rios para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, em especial as cotas na universidade federal. No caso do <em>Zero Hora<\/em> de Porto Alegre as reservas ind&iacute;genas s&atilde;o abordadas explicitamente como entraves para o desenvolvimento econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>Quanto aos povos ciganos a invisibilidade dos meios ao segmento provocou a exce&ccedil;&atilde;o de analisar como os jornais brasileiros abordaram a pol&iacute;tica do governo franc&ecirc;s em rela&ccedil;&atilde;o aos mesmos.<\/p>\n<p><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro per&iacute;odo escolhido &eacute; convergente com os debates da sucess&atilde;o do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva e enfocam cinco pontos: pol&iacute;ticas de a&ccedil;&atilde;o afirmativa; cotas; Estatuto da Igualdade Racial; viol&ecirc;ncia expl&iacute;cita contra juventude de comunidades perif&eacute;ricas; e implementa&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o que trata da inclus&atilde;o de conte&uacute;dos pedag&oacute;gicos sobre a contribui&ccedil;&atilde;o negro-ind&iacute;gena na hist&oacute;ria do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A metodologia &eacute; centrada em crit&eacute;rios jornal&iacute;sticos como posicionamento da mat&eacute;ria dentro do ve&iacute;culo, utiliza&ccedil;&atilde;o de fotografias e fontes selecionadas. O resultado final se dar&aacute; com dados de at&eacute; julho de 2011 e acrescentar&aacute; mais 5 jornais e uma revista.<\/p>\n<p><strong>Cr&iacute;ticas<\/strong><\/p>\n<p>Joc&eacute;lio Telles de Souza, diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) da UFBA, ao analisar os dados apresentados destacou que o estatuto &eacute; um divisor de &aacute;guas, at&eacute; no jornalismo, e que alguns ve&iacute;culos d&atilde;o espa&ccedil;o, mas muitos assumem o lado de &quot;oposi&ccedil;&atilde;o feroz&quot;. Joc&eacute;lio tamb&eacute;m aponta que a representatividade geogr&aacute;fica do relat&oacute;rio d&aacute; elementos para avaliar o preconceito regional e a constitui&ccedil;&atilde;o das elites pelo pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Para o relat&oacute;rio final, Joc&eacute;lio sugeriu que fossem aperfei&ccedil;oados os dados qualitativos que a pesquisa aponta em rela&ccedil;&atilde;o aos estere&oacute;tipos e preconceito, assim como as defini&ccedil;&otilde;es sobre os grupos estudados e porque a exclus&atilde;o de outros que habitam o pa&iacute;s.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Leia Mais:<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24777\">Estatuto da Igualdade Racial &eacute; t&iacute;mido ao abordar comunica&ccedil;&atilde;o<\/a> &nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo analisou mat&eacute;rias que abordam temas raciais publicadas em jornais e revistas de diferentes estados brasileiros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[317],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25609"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25609"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28245,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25609\/revisions\/28245"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}