{"id":25572,"date":"2011-05-09T16:02:51","date_gmt":"2011-05-09T16:02:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25572"},"modified":"2011-05-09T16:02:51","modified_gmt":"2011-05-09T16:02:51","slug":"ministerio-trava-pnbl-e-quer-rediscutir-atuacao-da-telebras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25572","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio trava PNBL e quer rediscutir atua\u00e7\u00e3o da Telebr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Entre os avan&ccedil;os que tivemos no governo Lula, h&aacute; dois que t&ecirc;m car&aacute;ter estrat&eacute;gico para o pa&iacute;s: a nova lei para a explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal e a reativa&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s para possibilitar a universaliza&ccedil;&atilde;o da internet r&aacute;pida, atrav&eacute;s do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Este, no entanto, vem enfrentando dificuldades com a expl&iacute;cita op&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es pelo monop&oacute;lio das teles.<\/p>\n<p>Quanto ao PNBL &mdash; e, portanto, &agrave; Telebr&aacute;s &mdash; a administra&ccedil;&atilde;o do ministro Paulo Bernardo, infelizmente, at&eacute; agora n&atilde;o se diferencia daquela de seu antecessor, H&eacute;lio Costa. O &uacute;ltimo epis&oacute;dio foi a resposta do Minist&eacute;rio ao pedido de informa&ccedil;&otilde;es da Ger&ecirc;ncia de Acompanhamento de Empresas da Bolsa de Valores de S&atilde;o Paulo (Bovespa) sobre declara&ccedil;&otilde;es do ministro falando de &ldquo;ajustes&rdquo; na Telebr&aacute;s.<\/p>\n<p>Resumindo: no dia 25 de abril, no Valor Econ&ocirc;mico, o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es declarou que &ldquo;n&atilde;o &eacute; tarefa da Telebr&aacute;s disputar mercado com as teles que est&atilde;o no setor. Ela vai sair da disputa para ser uma articuladora de a&ccedil;&otilde;es. &Eacute; com isso que estamos contando&rdquo;.<\/p>\n<p>Quanto aos recursos da Telebr&aacute;s, que teve bloqueados R$ 176 milh&otilde;es de um or&ccedil;amento de R$ 226 milh&otilde;es, disse Bernardo que &ldquo;o Tesouro n&atilde;o vai liberar dinheiro se n&atilde;o h&aacute; nada projetado&rdquo; &mdash; uma estranha declara&ccedil;&atilde;o, pois a Telebr&aacute;s tem &ldquo;projetado&rdquo; para este ano levar a rede do PNBL a 1.163 cidades. Portanto, n&atilde;o &eacute; porque &ldquo;n&atilde;o h&aacute; nada projetado&rdquo; que os recursos aprovados pelo Congresso n&atilde;o s&atilde;o liberados. Ao contr&aacute;rio, &eacute; esse contingenciamento de recursos que torna invi&aacute;vel o que est&aacute; projetado.<\/p>\n<p>No mesmo dia em que foi publicada a entrevista, a Bovespa pediu &agrave; Telebr&aacute;s &ldquo;manifesta&ccedil;&atilde;o acerca da not&iacute;cia veiculada no jornal Valor Econ&ocirc;mico, edi&ccedil;&atilde;o de 25\/04\/2001, sob o t&iacute;tulo &lsquo;Telebr&aacute;s precisa de ajustes, diz ministro&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p>A Telebr&aacute;s n&atilde;o sabia de nada, pois nada havia sido discutido ou comunicado aos seus diretores. Portanto, no dia 28, encaminhou o pedido da Bovespa ao Minist&eacute;rio: &ldquo;Considerando que esta diretoria tem conhecimento desse assunto tamb&eacute;m por interm&eacute;dio da imprensa, consultamos, para os fins de responder a Bovespa, se Vossa Excel&ecirc;ncia possui informa&ccedil;&otilde;es oficiais a respeito da mat&eacute;ria&rdquo;.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o Minist&eacute;rio respondeu: &ldquo;Em virtude de contingenciamento or&ccedil;ament&aacute;rio, a Telebr&aacute;s deve rever seu cronograma de implanta&ccedil;&atilde;o de redes. Ademais, no que se refere ao retorno dos funcion&aacute;rios cedidos &agrave; Anatel, este Minist&eacute;rio recebeu solicita&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia para revis&atilde;o da data limite e est&aacute; em fase de negocia&ccedil;&atilde;o de um plano de provid&ecirc;ncias. Ainda, em face da necessidade de antecipar a implanta&ccedil;&atilde;o da rede na Regi&atilde;o Norte, os investimentos nela dever&atilde;o ocorrer em tempo diverso do inicialmente previsto. Por fim, conforme mencionado na citada mat&eacute;ria, &eacute; inten&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio rediscutir a atua&ccedil;&atilde;o de mercado da Telebr&aacute;s, a fim de diminuir projetos isolados da empresa e canalizar esfor&ccedil;os conjuntos com o setor privado para a expans&atilde;o de redes no pa&iacute;s e sua comercializa&ccedil;&atilde;o no atacado&rdquo;.<\/p>\n<p>O &uacute;nico &ldquo;projeto isolado&rdquo; da Telebr&aacute;s &eacute; utilizar a rede p&uacute;blica que j&aacute; existe para o PNBL, atrav&eacute;s de contratos com as estatais que possuem essa rede, como a Eletrobr&aacute;s e a Petrobr&aacute;s. Seu projeto, portanto, &eacute; o PNBL &mdash; todos os outros est&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o deste, portanto, n&atilde;o s&atilde;o &ldquo;isolados&rdquo;.<\/p>\n<p>Vamos ser claros: o &uacute;ltimo trecho que acima grifamos significaria acabar com o PNBL. Toda a concep&ccedil;&atilde;o do plano est&aacute; em usar a rede estatal de fibras &oacute;ticas &mdash; aliada a outros meios de transmiss&atilde;o &ndash;, sob administra&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s, para romper o entrave das teles &agrave; universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga. Ou seja, est&aacute; em estabelecer uma rede alternativa &agrave; das teles, para impedir que esses monop&oacute;lios privatizados continuem estabelecendo os pre&ccedil;os que quiserem, entregando a qualidade de servi&ccedil;o que lhes d&ecirc; na telha e quebrando empresas privadas &mdash; provedores, de tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o, etc. &mdash; que s&atilde;o obrigadas a comprar no atacado a transmiss&atilde;o da Internet, inclusive para oferec&ecirc;-la no varejo aos usu&aacute;rios.<\/p>\n<p>Por isso, a atua&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s, como acontece com empresas semelhantes nos pa&iacute;ses que mais avan&ccedil;aram na universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga, &eacute; fundamentalmente &ldquo;no atacado&rdquo;, deixando o varejo (isto &eacute;, a &ldquo;&uacute;ltima milha&rdquo;, o atendimento direto ao usu&aacute;rio) para as empresas privadas. Restringir a a&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s no atacado, coloc&aacute;-la sob a rede das teles &mdash; ou, pior, dar a estas acesso &agrave; rede estatal de fibras &oacute;ticas &mdash; &eacute; fazer com que as teles monopolizem, em escala ainda maior, o atacado e o varejo, com as conhecidas consequ&ecirc;ncias: pre&ccedil;os alt&iacute;ssimos, concentra&ccedil;&atilde;o da banda larga nas &aacute;reas ricas, velocidades baix&iacute;ssimas e apag&otilde;es contumazes.<\/p>\n<p>Foi exatamente para superar essa situa&ccedil;&atilde;o que o PNBL foi criado e a Telebr&aacute;s foi reativada &mdash; porque a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; cr&iacute;tica.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo dia 27, o secret&aacute;rio de telecomunica&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, Nelson Fujimoto, na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor da C&acirc;mara, declarou que o Brasil &ldquo;tem uma banda larga cara, concentrada e lenta&rdquo;, informando que &ldquo;34% das conex&otilde;es t&ecirc;m at&eacute; 256 Kbps e somente um 1% da popula&ccedil;&atilde;o tem conex&atilde;o acima de 8 Mbps&rdquo;, velocidade que tende a ser, hoje, o padr&atilde;o internacional da banda larga, deixando para tr&aacute;s os 2 Mbps at&eacute; agora considerados pela Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (UIT). Fujimoto revelou que &ldquo;gasta-se em m&eacute;dia 4,5% do PIB com conex&atilde;o &agrave; banda larga. Nos pa&iacute;ses que j&aacute; desenvolveram a internet de alta velocidade, essa cifra &eacute; de apenas 0,5%&rdquo; (v. Converg&ecirc;ncia Digital, &ldquo;Fujimoto diz que banda larga &eacute; cara, concentrada e lenta&rdquo;).<\/p>\n<p>Com dados do IBGE, Fujimoto mostrou que &ldquo;apenas 27,4% dos lares brasileiros t&ecirc;m acesso &agrave; internet. (&hellip;) 90% da classe &lsquo;A&rsquo; t&ecirc;m conex&atilde;o em alta velocidade. Enquanto que apenas 10% da classe &lsquo;C&rsquo; atingem esse patamar&rdquo;. Segundo a pesquisa semestral da F\/Nazca sobre a Internet, a maior parte dos acessos &eacute; realizado em &ldquo;lan houses&rdquo; (31%) e apenas 27% s&atilde;o realizados no domic&iacute;lio do usu&aacute;rio.<\/p>\n<p>Isso &mdash; e outras coisas deprimentes &mdash; &eacute; o monop&oacute;lio das teles. Por isso foi necess&aacute;rio reativar a Telebr&aacute;s para realizar o PNBL, que, ressaltou Fujimoto, &ldquo;tem tr&ecirc;s dimens&otilde;es: ampliar a cobertura do servi&ccedil;o em todo pa&iacute;s, dar qualidade ao servi&ccedil;o e atacar a quest&atilde;o do pre&ccedil;o &mdash; um dos elementos, segundo ele, limitadores da expans&atilde;o da banda larga&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o &eacute; apenas ao usu&aacute;rio individual que essa situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; afetando: na &uacute;ltima quarta-feira, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o (Brasscom) divulgou os resultados de sua 5&ordf; edi&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndice Brasscom de Converg&ecirc;ncia Digital (IBCD). Entre os problemas que as empresas de inform&aacute;tica enfrentam est&aacute;: &ldquo;Na &aacute;rea de conectividade, o alto pre&ccedil;o e a baixa qualidade da banda larga s&atilde;o itens que puxam o &iacute;ndice para baixo. O custo m&eacute;dio dos pacotes de 1GB no Pa&iacute;s &eacute; de R$ 84,90 &mdash; um dos mais altos do mundo &mdash; para uma velocidade m&eacute;dia de 1,3 Mbps. Como compara&ccedil;&atilde;o, a velocidade m&eacute;dia na R&uacute;ssia &eacute; de 18,2 Mbps&rdquo;.<\/p>\n<p>E nem falamos em que as teles entregam 1\/16 da velocidade contratada &mdash; e outras indignidades.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os avan&ccedil;os que tivemos no governo Lula, h&aacute; dois que t&ecirc;m car&aacute;ter estrat&eacute;gico para o pa&iacute;s: a nova lei para a explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal e a reativa&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s para possibilitar a universaliza&ccedil;&atilde;o da internet r&aacute;pida, atrav&eacute;s do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). 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