{"id":25522,"date":"2011-04-19T15:59:42","date_gmt":"2011-04-19T15:59:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25522"},"modified":"2011-04-19T15:59:42","modified_gmt":"2011-04-19T15:59:42","slug":"brasil-esta-entre-os-paises-com-as-piores-leis-de-direitos-autorais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25522","title":{"rendered":"Brasil est\u00e1 entre os pa\u00edses com as piores leis de direitos autorais"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Ao lado de pa&iacute;ses como Jap&atilde;o, Egito e Reino Unido, o Brasil tem um dos piores regimes de direitos autorais do mundo. A conclus&atilde;o &eacute; da IP Watchlist 2011, um levantamento sobre direito autoral e propriedade intelectual feita pela Consumers Internacional &#8211; federa&ccedil;&atilde;o que congrega entidades de defesa do consumidor em todo o mundo, incluindo o Idec.<\/p>\n<p>A iniciativa analisa o grau de liberdade dos pa&iacute;ses em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; propriedade intelectual. O Idec participou do trabalho fazendo o relat&oacute;rio sobre a situa&ccedil;&atilde;o no Brasil. O trabalho leva em conta quest&otilde;es como as possibilidades trazidas pela legisla&ccedil;&atilde;o autoral para o acesso dos consumidores a servi&ccedil;os e produtos culturais, exce&ccedil;&otilde;es e limita&ccedil;&otilde;es para usos educacionais das obras, preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio cultural, acessibilidade, adapta&ccedil;&atilde;o da lei aos novos modelos digitais e utiliza&ccedil;&atilde;o privada dos bens culturais.<\/p>\n<p>A lista dos dez pa&iacute;ses pior colocados neste ano tem o Jap&atilde;o em primeiro lugar, como o pa&iacute;s com as piores leis, seguido pelo Egito, Z&acirc;mbia, Brasil &#8211; na quarta posi&ccedil;&atilde;o -, Argentina, Tail&acirc;ndia, Qu&ecirc;nia, Reino Unido, Jord&acirc;nia e Chile. Em 11 diferentes &aacute;reas analisadas, como uso educacional, uso liter&aacute;rio e liberdade para compartilhar e transferir informa&ccedil;&otilde;es, nenhum dos 24 pa&iacute;ses analisados alcan&ccedil;aram a nota m&aacute;xima. Mais de dois ter&ccedil;os deles receberam a pontua&ccedil;&atilde;o mais baixa em pelo menos uma dessas &aacute;reas. Confira aqui a &iacute;ntegra do levantamento.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio da CI destaca que os pa&iacute;ses em desenvolvimento s&atilde;o os que possuem as leis mais prejudiciais ao consumidor. Uma das cr&iacute;ticas feitas &eacute; a puni&ccedil;&atilde;o excessiva prevista aos consumidores considerados infratores da lei quando realizam tarefas cotidianas como, por exemplo, transferir arquivos de um equipamento para o outro, para uso pessoal. Por outro lado, n&atilde;o h&aacute; qualquer puni&ccedil;&atilde;o prevista aos fornecedores que cerceiam os direitos do consumidor.<\/p>\n<p>&quot;Que tipo de puni&ccedil;&atilde;o recebe o propriet&aacute;rio dos direitos autorais que interfere nos direitos do consumidor a ponto de impedi-lo de fazer uma c&oacute;pia para backup ou para estudo? A resposta &eacute; que em todos os pa&iacute;ses observados, n&atilde;o h&aacute; qualquer san&ccedil;&atilde;o ao propriet&aacute;rio dos direitos autorais&quot;, aponta o relat&oacute;rio. O levantamento cita ainda que as reformas planejadas para a Lei de Direitos Autorais no Brasil pode ser uma das primeiras a prever uma solu&ccedil;&atilde;o real para os consumidores, cujos direitos s&atilde;o obstru&iacute;dos pelos fornecedores. A proposta &eacute; coibir qualquer pr&aacute;tica que impe&ccedil;a o exerc&iacute;cio dos direitos do usu&aacute;rio.<\/p>\n<p>O advogado do Idec, Guilherme Varella, que contribuiu com o levantamento, lembra que o Brasil havia ficado na s&eacute;tima posi&ccedil;&atilde;o no estudo de 2010, caindo agora para a quarta, o que demonstra um retrocesso no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o dos direitos autorais. Isso teria ocorrido ap&oacute;s o governo dar manifesta&ccedil;&otilde;es claras de que n&atilde;o vai mais rever sua lei de direito autoral (Lei 9.610\/98).<\/p>\n<p>&quot;A LDA passou por processo de reforma no ano passado, com consulta p&uacute;blica aberta &agrave; participa&ccedil;&atilde;o popular, depois de seis anos de debate intenso, conduzido pelo Minist&eacute;rio da Cultura. O anteprojeto de lei que reforma a LDA iria para o Congresso Nacional com um texto muito avan&ccedil;ado, que equilibrava a prote&ccedil;&atilde;o dos autores com o interesse p&uacute;blico de acesso &agrave; cultura&quot;, afirmou Varella. &quot;Nesse novo governo, o Minist&eacute;rio da Cultura recuou da reforma e n&atilde;o se mostra favor&aacute;vel &agrave; flexibiliza&ccedil;&atilde;o da lei&quot;.<\/p>\n<p>A LDA ainda permite o DRM (digital rights management), um sistema de gerenciamento digital que restringe a utiliza&ccedil;&atilde;o de produtos que o consumidor adquire legitimamente no mercado. Pela lei, as empresas podem colocar essa &quot;trava tecnol&oacute;gica&quot; em um CD ou DVD e este tocar apenas em um aparelho de som e n&atilde;o em outro. O DRM tamb&eacute;m restringe o n&uacute;mero de c&oacute;pias privadas. A lei, assim, vai contra princ&iacute;pios b&aacute;sicos do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, que protege direitos como a liberdade de escolha do consumidor e a lealdade nas rela&ccedil;&otilde;es de consumo.<\/p>\n<p><strong>Educa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil se mant&eacute;m entre os pa&iacute;ses com a pior nota no quesito possibilidades educacionais. Isso se d&aacute; pelo fato da lei autoral n&atilde;o permitir a c&oacute;pia para uso educacional ou cient&iacute;fico. Os livros cient&iacute;ficos brasileiros s&atilde;o extremamente caros. Muitas vezes, seus autores j&aacute; receberam pelas obras, atrav&eacute;s de bolsas e sal&aacute;rios, como ocorre com as universidades p&uacute;blicas, e mesmo assim os estudantes n&atilde;o t&ecirc;m direito de tirar uma c&oacute;pia desses livros para fins unicamente de estudo, sem finalidade comercial.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, segundo o advogado do Idec, h&aacute; uma a&ccedil;&atilde;o ostensiva da ind&uacute;stria reprogr&aacute;fica no Brasil contra copiadoras de livros. &quot;Pela lei, as copiadoras podem tirar c&oacute;pias de &quot;pequenos trechos&quot; de obras, ainda que n&atilde;o se especifique o que s&atilde;o pequenos trechos. Algumas organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m intimidado propriet&aacute;rios de copiadoras e coagido seus funcion&aacute;rios a n&atilde;o tirar c&oacute;pias nem de pequenos trechos, infringindo direitos dos alunos e desses profissionais&quot;, apontou Varella.<\/p>\n<p>No mais, ainda na quest&atilde;o educativa, a LDA n&atilde;o permite nem a digitaliza&ccedil;&atilde;o de obras. Assim, livros raros, n&atilde;o mais editados, podem apodrecer em estantes de bibliotecas sem que nada possa ser feito. O mesmo vale para as cinematecas. Filmes antigos, livros importantes que comp&otilde;em o patrim&ocirc;nio cultural e educacional brasileiro, podem se perder por inconsist&ecirc;ncia dessa lei.<\/p>\n<p><strong>LDA e Internet<\/strong><\/p>\n<p>Foi reaberta no Congresso a discuss&atilde;o do Projeto de Lei 84\/99, a chamada Lei Azeredo. O PL prev&ecirc; o monitoramento dos usu&aacute;rios pelos provedores de internet e a permiss&atilde;o para que cortem sua conex&atilde;o em caso de conduta suspeita de viola&ccedil;&atilde;o de direitos autorais. A linha &eacute; a mesma das leis da Fran&ccedil;a e Espanha, prevendo a interven&ccedil;&atilde;o direta na esfera individual dos consumidores. Por aqui, o movimento de cultura digital batizou o PL de AI-5 Digital, em refer&ecirc;ncia ao famigerado ato institucional da ditadura militar, que cassou direitos civis e pol&iacute;ticos, em 1968.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ranking da Consumers International mostra que Brasil est&aacute; atr&aacute;s apenas  do Jap&atilde;o, Egito e Z&acirc;mbia quanto &agrave;s leis que mais restringem direitos do  consumidor no acesso a servi&ccedil;os e produtos culturais. Levantamento foi  feito com contribui&ccedil;&atilde;o do Idec<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[179],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25522"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25522"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25522\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}