{"id":25493,"date":"2011-04-06T17:26:31","date_gmt":"2011-04-06T17:26:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25493"},"modified":"2011-04-06T17:26:31","modified_gmt":"2011-04-06T17:26:31","slug":"valor-residual-dos-bens-reversiveis-seria-de-pelo-menos-r-209-bilhoes-apontam-relatorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25493","title":{"rendered":"Valor residual dos bens revers\u00edveis seria de pelo menos R$ 20,9 bilh\u00f5es, apontam relat\u00f3rios"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Desde a privatiza&ccedil;&atilde;o, as concession&aacute;rias reclamam do chamado controle &quot;patrimonialista&quot; dos bens revers&iacute;veis. No entendimento das teles, o m&eacute;todo de acompanhamento dos invent&aacute;rios usado pela Anatel seria exageradamente minucioso, exigindo das concession&aacute;rias o controle absoluto de bens desnecess&aacute;rios ao funcionamento da concess&atilde;o, como at&eacute; mesmo mesas e cadeiras. Recentemente, o secret&aacute;rio-executivo do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, C&eacute;zar Alvarez, saiu em defesa do controle &quot;estrat&eacute;gico&quot; do patrim&ocirc;nio revers&iacute;vel, dizendo que a sociedade deveria parar de exigir da Anatel o controle do &quot;fusquinha, do (computador) 386&quot;, sugerindo que os bens revers&iacute;veis seriam um conjunto de equipamentos antigos e de pouco valor.<\/p>\n<p>Acontece que o &quot;fusquinha&quot; em quest&atilde;o tem valor bilion&aacute;rio. Mesmo com todas as aliena&ccedil;&otilde;es sem aval da Anatel e transfer&ecirc;ncias imposs&iacute;veis de se rastrear, as pr&oacute;prias empresas admitem que o valor residual dos bens revers&iacute;veis seria de R$ 20,919 bilh&otilde;es. O valor residual inclui a deprecia&ccedil;&atilde;o acumulada dos bens nos &uacute;ltimos anos, deprecia&ccedil;&atilde;o esta que tamb&eacute;m &eacute; objeto de d&uacute;vidas da fiscaliza&ccedil;&atilde;o da Anatel, segundo os relat&oacute;rios internos a que TELETIME teve acesso. Apesar das empresas alegarem que o maior &iacute;ndice de deprecia&ccedil;&atilde;o aplicado foi de 20%, os fiscais encontraram diversos casos em que a taxa utilizada foi maior do que a declarada. Assim, mesmo sem considerar as vendas irregulares, o patrim&ocirc;nio revers&iacute;vel &eacute; bem mais valioso do que os R$ 20 bilh&otilde;es declarados pelas concession&aacute;rias, segundo a an&aacute;lise dos t&eacute;cnicos.<\/p>\n<p>Neste valor n&atilde;o est&aacute; inclu&iacute;da nenhuma licen&ccedil;a de uso de radiofrequ&ecirc;ncia, apesar de ser indiscut&iacute;vel a natureza p&uacute;blica do espetro e sua consequente reversibilidade. Essas licen&ccedil;as somadas representam mais alguns bilh&otilde;es para os cofres p&uacute;blicos. Por enquanto, &eacute; imposs&iacute;vel estimar o valor total das vendas e transfer&ecirc;ncias que foram feitas supostamente em desacordo com as exig&ecirc;ncias legais. Para se ter uma ideia da falta de rigor no controle do patrim&ocirc;nio, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o descobriu que uma das concession&aacute;rias at&eacute; hoje faz o acompanhamento em papel das torres instaladas no estado da Bahia e por meio de planilha geogr&aacute;fica em Minas Gerais e Esp&iacute;rito Santo. E, nos demais estados operados pela empresa simplesmente n&atilde;o h&aacute; controle algum. A empresa tamb&eacute;m teria a pr&aacute;tica de inserir &quot;centrais telef&ocirc;nicas fict&iacute;cias&quot;, ou seja, inexistentes, em sua lista patrimonial.<\/p>\n<p>Outro exemplo do descaso na produ&ccedil;&atilde;o do invent&aacute;rio est&aacute; no relat&oacute;rio de fiscaliza&ccedil;&atilde;o da Brasil Telecom. A concession&aacute;ria, que em 2008 foi comprada pela Oi, mas que teve a sua concess&atilde;o mantida separada e que, portanto, continua sujeita &agrave;s mesmas regras de reversibilidade, teria equipamentos cadastrados erroneamente no sistema, como 102 itens classificados como &quot;mesa para impressora&quot; inseridos na coluna &quot;equipamento de comuta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica&quot;, custando cada unidade R$ 1,512 milh&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Sem provid&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p>Apesar das constata&ccedil;&otilde;es da equipe de fiscaliza&ccedil;&atilde;o, pouco foi feito pelo &oacute;rg&atilde;o regulador para reverter a situa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m dos atos exigindo que as teles atualizem as listas, a Superintend&ecirc;ncia de Radiofrequ&ecirc;ncia e Fiscaliza&ccedil;&atilde;o (SRF) emitiu autos de infra&ccedil;&atilde;o e a Superintend&ecirc;ncia de Servi&ccedil;os P&uacute;blicos (SPB) instaurou processos contra as empresas. Os atos publicados em janeiro foram produzidos em parceria pela SRF e pela SPB, mas as &aacute;reas t&eacute;cnicas t&ecirc;m enfrentado dificuldades para dar sequ&ecirc;ncia ao trabalho de apura&ccedil;&atilde;o. A pr&oacute;pria realiza&ccedil;&atilde;o das fiscaliza&ccedil;&otilde;es, iniciada apenas em 2006, &eacute; um retrato de como o tema da reversibilidade dos bens &eacute; um dos grandes desafios a serem enfrentados pela Anatel.<\/p>\n<p>A demora em fazer uma fiscaliza&ccedil;&atilde;o minuciosa ocorreu por conta da aus&ecirc;ncia de diretrizes que deveriam ter sido formuladas pelo pr&oacute;prio conselho diretor da ag&ecirc;ncia no momento imediato &agrave; sua cria&ccedil;&atilde;o, em 1997. As fiscaliza&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram apenas em 2006 (oito anos ap&oacute;s a privatiza&ccedil;&atilde;o) porque foi apenas neste ano que a ag&ecirc;ncia, enfim, editou um Regulamento de Controle de Bens Revers&iacute;veis, dando aos fiscais algumas das ferramentas necess&aacute;rias para ir a campo. A Anatel agora quer alterar esse regulamento. A mudan&ccedil;a proposta pela ag&ecirc;ncia torna ainda mais flex&iacute;vel o controle dos bens. Internamente, contudo, h&aacute; quem defenda a tese de que qualquer altera&ccedil;&atilde;o futura nas regras de reversibilidade n&atilde;o pode perder de vista o passado e os eventuais preju&iacute;zos j&aacute; causados &agrave; Uni&atilde;o dentro das regras atuais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde a privatiza&ccedil;&atilde;o, as concession&aacute;rias reclamam do chamado controle &quot;patrimonialista&quot; dos bens revers&iacute;veis. 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