{"id":25473,"date":"2011-03-31T15:56:45","date_gmt":"2011-03-31T15:56:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25473"},"modified":"2014-09-07T03:01:43","modified_gmt":"2014-09-07T03:01:43","slug":"expansao-da-banda-larga-esta-ficando-sob-responsabilidade-das-teles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25473","title":{"rendered":"Expans\u00e3o da banda larga est\u00e1 ficando sob responsabilidade das teles"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"padrao\">As medidas que o governo vem tomando para ampliar o acesso &agrave; internet no pa&iacute;s &ndash; incluindo o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) &#8211; t&ecirc;m preocupado organiza&ccedil;&otilde;es que representam os principais interessados na expans&atilde;o e melhoria do servi&ccedil;o:os cidad&atilde;os. Apesar de reconhecer avan&ccedil;os no trabalho capitaneado pelo Governo Federal, h&aacute; um entendimento de que o papel do Estado vem se enfraquecendo e que a responsabilidade pela efetiva&ccedil;&atilde;o das metas previstas est&aacute; sendo deixada nas m&atilde;os do setor privado.<\/p>\n<p>O receio de organiza&ccedil;&otilde;es de defesa do consumidor, como o Idec e a Proteste, e de grupos como o Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, vem da an&aacute;lise da realidade brasileira, em que os servi&ccedil;os de telefonia s&atilde;o todos ofertados pelo setor privado desde 1997 e ainda temos problemas como a pouca penetra&ccedil;&atilde;o do telefone fixo (42% dos domic&iacute;lios), da internet (27,4% dos lares com internet em 2009) e servi&ccedil;os de m&aacute; qualidade, com alto &iacute;ndice de reclama&ccedil;&otilde;es. Mesmo o avan&ccedil;o do celular (202,9 milh&otilde;es de linhas) n&atilde;o serve de modelo, j&aacute; que 82% dos usu&aacute;rios usam o pr&eacute;-pago e gastam em m&eacute;dia apenas R$ 5 com o servi&ccedil;o. Ou seja, mais recebem do que efetuam liga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Para essas organiza&ccedil;&otilde;es &#8211; e tamb&eacute;m outros grupos -, portanto, &eacute; fundamental que o governo proponha e execute pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que aumentem o poder regulador e fiscalizador do Estado na &aacute;rea. Uma dessas pol&iacute;ticas foi reiterada pelo Intervozes e pelo Idec, em semin&aacute;rio realizado pelo &oacute;rg&atilde;o de defesa do consumidor, nesta ter&ccedil;a-feira (29), em Bras&iacute;lia: a publica&ccedil;&atilde;o de um decreto pelo Governo Federal que transforme a banda larga em um servi&ccedil;o a ser prestado em regime p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Segundo a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT), servi&ccedil;os em regime p&uacute;blico s&atilde;o aqueles cuja exist&ecirc;ncia, universaliza&ccedil;&atilde;o e continuidade a pr&oacute;pria Uni&atilde;o compromete-se a assegurar. Eles tamb&eacute;m se submetem a princ&iacute;pios da modicidade tarif&aacute;ria. A mesma lei diz que os servi&ccedil;os considerados essenciais n&atilde;o podem ser deixados apenas para entes privados. Atualmente, apenas o telefone fixo &eacute; classificado como p&uacute;blico, embora seja operado por empresas privadas.<\/p>\n<p>Embora o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo, tenha afirmado que o tema est&aacute; em discuss&atilde;o no governo, na pr&aacute;tica, nenhum membro do governo na &aacute;rea defende essa alternativa. Para as organiza&ccedil;&otilde;es civis, isso significa que o Executivo tem abandonado a ideia e consequemente a possibilidade dessa medida criar condi&ccedil;&otilde;es para universaliza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o. O que o PNBL prop&otilde;e &eacute; a massifica&ccedil;&atilde;o da banda larga (triplicar os domic&iacute;lios com internet at&eacute; 2014).<\/p>\n<p>No semin&aacute;rio, os representantes do governo voltaram a dizer que a cria&ccedil;&atilde;o de um decreto com a mudan&ccedil;a de regime do servi&ccedil;o n&atilde;o &eacute; garantia de universaliza&ccedil;&atilde;o. Para o presidente de Telebr&aacute;s, Rog&eacute;rio Santanna, o mais importante &eacute; criar competi&ccedil;&atilde;o no setor, j&aacute; que 95% da banda larga &eacute; ofertada por cinco empresas no pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, Santanna acredita que uma a&ccedil;&atilde;o de tal porte atrasaria a implanta&ccedil;&atilde;o do PNBL.<\/p>\n<p>Mas o argumento que parece central nessa discuss&atilde;o &ndash; e que pouco havia sido usado pelo governo at&eacute; ent&atilde;o &ndash; veio do secret&aacute;rio-executivo do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (Minicom), Cezar Alvarez. Segundo ele, poucas ou nenhuma empresa se interessaria em prestar o servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico.<\/p>\n<p>O que aconteceria se o regime do servi&ccedil;o fosse alterado era que novas licita&ccedil;&otilde;es para as empresas teriam de ser abertas. S&oacute; que elas teriam que cumprir um s&eacute;rie de obriga&ccedil;&otilde;es que as atuais operadoras n&atilde;o precisam. &ldquo;Que empresa vai querer? Vai dar licita&ccedil;&atilde;o vazia. &Eacute; ilus&atilde;o, nos termos da atual LGT, aparecer provedor nessas condicionantes&rdquo;, argumentou Alvarez, defendendo que outros instrumentos podem ser utilizados para garantir os interesses do cidad&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Outras cr&iacute;ticas<\/strong><\/p>\n<p>A advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Veridiana Alimonti, reconheceu os avan&ccedil;os propostos no PNBL, mas tamb&eacute;m destacou o que, para ela, seriam insufici&ecirc;ncias. Uma delas seria a velocidade da internet que o governo quer oferecer a pre&ccedil;os mais baixos, de 512Kbps a 1Mega. &ldquo;Pela UIT (Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) nem estamos falando de banda larga&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p>Outra cr&iacute;tica do Idec &eacute; relativa &agrave; indefini&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s na &uacute;ltima milha (o trecho que vai at&eacute; a casa do usu&aacute;rio). Tudo leva a crer que o empresa p&uacute;blica n&atilde;o vai prestar o servi&ccedil;o ao consumidor final. O decreto 7.175\/10 prev&ecirc;, no Artigo 4&ordm;, inciso IV, esta possibilidade &ldquo;apenas e t&atilde;o somente em localidades onde inexista oferta adequada&rdquo; dos servi&ccedil;os, o que &eacute; considerado pelo Instituto uma restri&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s.<\/p>\n<p>Por fim, Veridiana tamb&eacute;m avalia que a sociedade civil precisa de mais espa&ccedil;o na constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a &aacute;rea. Ela reivindica que o F&oacute;rum Brasil Conectado, onde entidades civis discutem o PNBL, n&atilde;o seja apenas mais um espa&ccedil;o de debate. Ele ainda n&atilde;o se reuniu este ano.<\/p>\n<p><strong>Recursos<\/strong><\/p>\n<p>Al&eacute;m do PNBL, que possui a&ccedil;&otilde;es em seis eixos (regula&ccedil;&atilde;o, normas de infraestrutura, incentivos fiscais, pol&iacute;tica produtiva e tecnol&oacute;gica, Telebr&aacute;s e conte&uacute;dos e aplica&ccedil;&otilde;es), h&aacute; outras defini&ccedil;&otilde;es em curso que afetam diretamente a pol&iacute;tica de expans&atilde;o de banda larga no pa&iacute;s. Uma delas est&aacute; para ser tomada na vota&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei 1.481\/07, que modifica o uso do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fust). Ele est&aacute; para entrar na pauta da C&acirc;mara a qualquer momento.<\/p>\n<p>A proposta do projeto, que conta com apoio do governo, &eacute; possibilitar o uso dos recursos do Fust (cerca de R$ 1 bilh&atilde;o por ano) pelas teles. Principalmente para que levem a banda larga para as escolas rurais (<\/span><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=25470\" target=\"_blank\">Governo pretende modificar Fust sob consenso do Congresso<\/a><span class=\"padrao\">). E se antes o governo acenava para que parte do Fundo fosse usado tamb&eacute;m pela Telebr&aacute;s, agora isso j&aacute; n&atilde;o est&aacute; mais garantido. &ldquo;Este &eacute; mais um dos cen&aacute;rios. Tem &lsquo;n&rsquo; sujeitos eleg&iacute;veis&rdquo;, disse Cezar Alvarez.<\/p>\n<p>Para Jo&atilde;o Brant, integrante do Intervozes, embora pare&ccedil;a positivo, esse projeto cria uma distor&ccedil;&atilde;o no modelo, ao destinar verbas p&uacute;blicas para as empresas privadas fazerem seus investimentos e lucrar com isso. &ldquo;&Eacute; uma transfer&ecirc;ncia de patrim&ocirc;nio&rdquo;, criticou Brant. Na vis&atilde;o dele, se a banda larga fosse prestada em regime p&uacute;blico n&atilde;o haveria necessidade do projeto, j&aacute; que a lei original do Fust destina seus recursos apenas a servi&ccedil;os deste tipo.<\/p>\n<p><strong>Universaliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>No bojo das negocia&ccedil;&otilde;es do Plano Geral de Metas de Universaliza&ccedil;&atilde;o (PGMU III), a Telebr&aacute;s tamb&eacute;m perdeu a oportunidade de ela mesma levar redes para as &aacute;reas rurais do pa&iacute;s, por meio da utiliza&ccedil;&atilde;o da faixa de 450Mhz, ideal para este tipo de servi&ccedil;o. Como parte do acordo, o governo pretende entregar a faixa para as teles, indo de encontro ao que pretendia a pr&oacute;pria Telebr&aacute;s, que chegou a formalizar o pedido ao Minicom. Mais um ponto para as teles.<\/p>\n<p>Ainda no PGMU III, que tem de ser fechado at&eacute; o dia 2 de maio, o governo perdeu outra disputa com as teles. O entendimento inicial do Minicom era que nele tamb&eacute;m poderiam constar metas de amplia&ccedil;&atilde;o da rede de internet (backhaul) pelas teles. N&atilde;o foi o que aconteceu. As empresas chegaram a entrar na Justi&ccedil;a contra o governo e, no fim das contas, ganharam a batalha.<\/p>\n<p>A advogada e consultora da Proteste, Fl&aacute;via Lef&egrave;vre, concorda que as redes de internet n&atilde;o devem entrar no PGMU III porque elas realmente n&atilde;o podem ser vinculadas aos contratos de telefonia fixa. &ldquo;N&atilde;o s&atilde;o essenciais nem necess&aacute;rias para a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o objeto dos contratos de concess&atilde;o, gerando por isso custos injustific&aacute;veis a serem repassados para tarifa (art. 81, da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; LGT) tornando a telefonia fixa inacess&iacute;vel para os cidad&atilde;os de baixa renda, violando os princ&iacute;pios da modicidade tarif&aacute;ria e universaliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos&rdquo;, explica Fl&aacute;via, em texto publicado em seu blog.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, ela acredita que o governo se equivocou ao anunciar que, em troca da desobriga&ccedil;&atilde;o das metas de backhaul no Plano, vai esperar que as teles fa&ccedil;am propostas para presta&ccedil;&atilde;o da banda larga em melhores condi&ccedil;&otilde;es de velocidade e pre&ccedil;o. A advogada classificou como ing&ecirc;nua a posi&ccedil;&atilde;o do governo.<\/p>\n<p>&ldquo;Se o Governo pretende de fato levar adiante com algum sucesso o PNBL, vai ter de fazer a li&ccedil;&atilde;o sozinho: fortalecer a Telebr&aacute;s, criando uma subsidi&aacute;ria espec&iacute;fica para operar as redes de troncos p&uacute;blicas, apropriadas indevidamente pelas concession&aacute;rias que as exploram em descompasso com o interesse p&uacute;blico e regulamentar os servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o de dados para ent&atilde;o licit&aacute;-los, respeitando os princ&iacute;pios da moralidade, efici&ecirc;ncia e da impessoalidade, a fim de estabelecer condi&ccedil;&otilde;es equilibradas para todos os agentes de mercado que se interessarem (n&atilde;o faltar&atilde;o interessados, tenho certeza) pela sua explora&ccedil;&atilde;o comercial, de acordo com o art. 37 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal&rdquo;, arremata a advogada, em seu mesmo texto.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Governo argumenta que poucas ou nenhuma empresa se interessaria em prestar o servi&ccedil;o de internet caso ele seja classificado como regime p&uacute;blico<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1429],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25473"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25473"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28235,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25473\/revisions\/28235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}