{"id":25424,"date":"2011-03-16T11:57:12","date_gmt":"2011-03-16T11:57:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25424"},"modified":"2011-03-16T11:57:12","modified_gmt":"2011-03-16T11:57:12","slug":"a-midia-na-ordem-do-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25424","title":{"rendered":"A m\u00eddia na ordem do dia"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">Os &uacute;ltimos anos t&ecirc;m sido pr&oacute;digos em mudan&ccedil;as no Brasil. E elas ocorrem n&atilde;o aos saltos, mas por for&ccedil;a de uma nova hegemonia que se vai construindo, que se vai tecendo pouco a pouco, conquistando cora&ccedil;&otilde;es de mentes, e v&atilde;o se desenvolvendo, sobretudo, depois que o presidente Lula tomou posse em 2003. O que quer dizer que s&atilde;o resultado do milagre da pol&iacute;tica. Esta, no dizer de Hannah Arendt, &eacute; a &uacute;nica com possibilidades de produzir milagres, e certamente ela, ao dizer isso, n&atilde;o queria agredir aos homens e mulheres de f&eacute;, que n&atilde;o se discute.<\/p>\n<p>Temos j&aacute; outra Na&ccedil;&atilde;o, com mais autonomia, com auto-estima elevada, exercendo a sua soberania, distribuindo renda, come&ccedil;ando a enfrentar os nossos gigantescos problemas sociais. A presidenta Dilma d&aacute; sequ&ecirc;ncia, com muito vigor, ao projeto iniciado em 2003, especialmente preocupada com o combate &agrave; pobreza extrema, ainda t&atilde;o presente em nosso Pa&iacute;s. Ainda h&aacute; muito que mudar. E cito problemas que teremos que enfrentar, como o da necessidade da reforma pol&iacute;tica e o da regula&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisuais.<\/p>\n<p>&Eacute; especificamente sobre a regula&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o que pretendo me debru&ccedil;ar nesse artigo. E o fa&ccedil;o porque tenho me preocupado com isso desde h&aacute; muito, dada a minha condi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;o, militante, jornalista e professor de Comunica&ccedil;&atilde;o, e, tamb&eacute;m, pelo fato de o l&iacute;der de minha bancada na C&acirc;mara Federal, deputado Paulo Teixeira, ter me destacado para contribuir na articula&ccedil;&atilde;o da Frente Parlamentar pela Liberdade de Express&atilde;o e pelo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, ao lado de parlamentares de partidos diversos, entre os quais destaco a deputada Luiza Erundina, que sempre se dedicou &agrave; luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio estender-me muito para dizer da import&acirc;ncia dos meios audiovisuais ou da m&iacute;dia enquanto um todo, incluindo a impressa. Desde o seu surgimento em sua forma mais moderna, a imprensa ocupou um papel essencial na constru&ccedil;&atilde;o ou desconstru&ccedil;&atilde;o de hegemonias pol&iacute;ticas. E ocupou o centro tamb&eacute;m da constru&ccedil;&atilde;o de novas formas de conviv&ecirc;ncia, de exist&ecirc;ncia na humanidade. A m&iacute;dia &eacute; construtora de uma nova sociabilidade. Por isso mesmo, n&atilde;o h&aacute; Estado contempor&acirc;neo que n&atilde;o se preocupe com a regula&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, especialmente, nos tempos que vivemos, regula&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisuais.<\/p>\n<p>Como s&atilde;o essenciais &agrave; constru&ccedil;&atilde;o cotidiana da democracia, os meios audiovisuais t&ecirc;m que ser regulados pelo Estado de Direito democr&aacute;tico, como ocorre nos pa&iacute;ses de democracia considerada avan&ccedil;ada. Curioso &eacute; que no Brasil quando se fala em regula&ccedil;&atilde;o, alguns meios sentem-se agredidos, como se isso n&atilde;o fosse pr&oacute;prio do Estado democr&aacute;tico, como se isso n&atilde;o ocorresse em na&ccedil;&otilde;es civilizadas e de democracias muito mais longevas do que as nossas. &Eacute; que o uso do cachimbo faz a boca torta.<\/p>\n<p>As poucas fam&iacute;lias que controlam nossa m&iacute;dia considerada hegem&ocirc;nica acostumaram-se com uma regula&ccedil;&atilde;o completamente anacr&ocirc;nica, defasada, sem qualquer conex&atilde;o com a contemporaneidade, uma legisla&ccedil;&atilde;o inteiramente desconectada de uma sociedade midiatizada e que, por isso mesmo, n&atilde;o pode ficar &agrave; merc&ecirc; da boa ou m&aacute; vontade dos controladores privados dos meios audiovisuais. Uma sociedade midi&aacute;tica, onde os meios audiovisuais s&atilde;o impressionantemente majorit&aacute;rios, e invadem, para o mal ou para o bem, todas as classes sociais e todas as idades, n&atilde;o pode prescindir de uma legisla&ccedil;&atilde;o que d&ecirc; conta de todas as novas e impressionantes singularidades desse admir&aacute;vel mundo novo. Que regule esse mundo.<\/p>\n<p>Parece incr&iacute;vel, mas &eacute; verdadeiro: o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, institu&iacute;do pela Lei 4.117, &eacute; de 1962. Isso mesmo, n&atilde;o errei na data. &Eacute; de quase meio s&eacute;culo atr&aacute;s. Quando, por exemplo, a televis&atilde;o n&atilde;o era ainda o meio hegem&ocirc;nico. Quando as emissoras de r&aacute;dio e os jornais tinham uma extraordin&aacute;ria import&acirc;ncia. O C&oacute;digo sofreu altera&ccedil;&otilde;es em 1967, sob a ditadura militar, e naturalmente para aplainar o caminho de uma sociedade que come&ccedil;aria a viver a id&eacute;ia de um Pa&iacute;s em rede. No final de 1969, in&iacute;cio dos anos 1970, surge a Rede Globo, alcan&ccedil;ando todo o Brasil, para dar suporte pol&iacute;tico &agrave; ditadura, como todos o sabem.<\/p>\n<p>Como um c&oacute;digo desses pode dar conta dessa avassaladora presen&ccedil;a dos meios audiovisuais, agora cada vez mais miniaturizados, concentrados em min&uacute;sculos aparelhos, admir&aacute;vel mundo novo da converg&ecirc;ncia digital, que pode chegar, de uma forma ou de outra, aos mais ricos e aos mais pobres, e cuja influ&ecirc;ncia &eacute; gigantesca? N&atilde;o pode mais. Decididamente, n&atilde;o pode.<\/p>\n<p>N&atilde;o se aceita mais que um Pa&iacute;s, com tamanha diversidade social, pol&iacute;tica e cultural, com tantas vozes e discursos, t&atilde;o multifacetado, com uma cultura plural, riqu&iacute;ssima, se veja submetido a monop&oacute;lios que insistem num pobre discurso &uacute;nico, de baixo n&iacute;vel. Democratizar a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; respeitar a Constitui&ccedil;&atilde;o que veda monop&oacute;lios. Democratizar a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; dar voz a tantos atores sociais silenciados. Democratizar a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; ampliar a propriedade dos meios para al&eacute;m dos monop&oacute;lios. A democracia &eacute; que reclama isso.<\/p>\n<p>O governo Lula, na reta final ano do segundo mandato, come&ccedil;ou a discutir o problema. Teve a coragem de convocar a I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Isso mesmo, a primeira. E olhe que o Brasil realiza confer&ecirc;ncias populares uma atr&aacute;s da outra. Mas a comunica&ccedil;&atilde;o estava fora da agenda, n&atilde;o entrava na nossa pauta pol&iacute;tica. E, tamb&eacute;m, sob a dire&ccedil;&atilde;o do ex-ministro Franklin Martins, come&ccedil;ou a elaborar um anteprojeto de regula&ccedil;&atilde;o dos meios audiovisuais e o concluiu, deixando claro que n&atilde;o se iria tratar dos meios impressos. Esse anteprojeto est&aacute; nas m&atilde;os do ministro Paulo Bernardo, das Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>E esse novo marco regulat&oacute;rio, cujo conte&uacute;do ainda n&atilde;o conhe&ccedil;o, certamente ter&aacute; que discutir a concentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisuais nas m&atilde;os de poucas fam&iacute;lias, a propriedade cruzada desses meios (ou seja, diferentes meios de comunica&ccedil;&atilde;o nas m&atilde;os de um &uacute;nico grupo), o fato de tantos meios audiovisuais se encontrarem nas m&atilde;os de pol&iacute;ticos, as dificuldades para a constitui&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dios e tev&ecirc;s comunit&aacute;rias, a import&acirc;ncia do fortalecimento de um setor p&uacute;blico audiovisual a exemplo do que ocorre nos pa&iacute;ses mais desenvolvidos, a regulamenta&ccedil;&atilde;o dos artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o que asseguram, por exemplo, o respeito aos direitos humanos e a obrigatoriedade da produ&ccedil;&atilde;o regional entre tantos outros temas. Uma discuss&atilde;o, como temos defendido no in&iacute;cio das articula&ccedil;&otilde;es para a constitui&ccedil;&atilde;o da Frente Parlamentar pela Liberdade de Express&atilde;o e pelo direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, que conte com participa&ccedil;&atilde;o popular, com entidades que t&ecirc;m se dedicado a essa luta e &agrave; luta pelo respeito aos direitos humanos por parte dos meios audiovisuais, useiros e vezeiros em desrespeitar tais direitos.<\/p>\n<p>Por ser um assunto maldito, que estava fora da pauta pol&iacute;tica, ainda h&aacute; temor em tratar dele no Congresso Nacional, para al&eacute;m dos parlamentares eventualmente afinados com os lobbies dos monop&oacute;lios. A bancada do meu partido, no entanto, estar&aacute; firme nessa luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. E sei que bancadas como a do PSB, do PC do B, do PSol penso que tamb&eacute;m a do PDT, espero tamb&eacute;m que do PV e de outros partidos, dever&atilde;o de dedicar a essa luta. Tor&ccedil;o e luto para que toda a base aliada do Governo da presidenta Dilma se una em torno do novo marco regulat&oacute;rio quando ele chegar &agrave; C&acirc;mara Federal. Nossa bancada j&aacute; est&aacute; nessa luta. Quem sabe faz a hora, n&atilde;o espera acontecer. <\/p>\n<p class=\"padrao\"><em><strong>Emiliano Jos&eacute;<\/strong> e deputado federal (PT\/BA).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pa&iacute;s, com tamanha diversidade social, pol&iacute;tica  e cultural, com tantas vozes e discursos, n&atilde;o pode se submeter aos monop&oacute;lios.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1503],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25424"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25424\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}