{"id":25408,"date":"2011-03-11T12:43:26","date_gmt":"2011-03-11T12:43:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25408"},"modified":"2011-03-11T12:43:26","modified_gmt":"2011-03-11T12:43:26","slug":"estudo-sobre-pirataria-em-paises-emergentes-aponta-equivocos-no-combate-a-pratica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25408","title":{"rendered":"Estudo sobre pirataria em pa\u00edses emergentes aponta equ\u00edvocos no combate \u00e0 pr\u00e1tica no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\"><em>[T&iacute;tulo original: Estudo internacional sobre pirataria em pa&iacute;ses emergentes aponta equ&iacute;vocos no combate &agrave; pr&aacute;tica no Brasil]<\/em><\/p>\n<p>Numa conhecida propaganda de combate &agrave; pirataria no Brasil, um homem aparece pagando um camel&ocirc; por um DVD pirata com dinheiro em notas. Mas, de troco, ele recebe um punhado de balas de rev&oacute;lver. A campanha tentaria associar viola&ccedil;&otilde;es contra os direitos autorais com crimes de outra natureza e, de acordo com o estudo &quot;Pirataria de m&iacute;dia em economias emergentes&quot;, &eacute; um exemplo da inefic&aacute;cia e do atraso na forma como a ind&uacute;stria e o governo lidam com a pirataria. Com 426 p&aacute;ginas, sendo 80 delas s&oacute; sobre o Brasil, o estudo, que acaba de ser divulgado num evento em Nova York, concluiu que o combate &agrave; pirataria tem se focado mais na repress&atilde;o e nas campanhas de educa&ccedil;&atilde;o, mas deixa de lado o que seria o principal pilar para se obter resultados pr&aacute;ticos na diminui&ccedil;&atilde;o da circula&ccedil;&atilde;o ilegal de m&uacute;sica, filmes, games ou livros: o pre&ccedil;o.<\/p>\n<p>Nove organiza&ccedil;&otilde;es participaram da pesquisa, entre elas a americana Social Science Research Council e as brasileiras Instituto Overmundo e Centro de Tecnologia e Sociedade da Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas. Financiado pelo International Development Research Center, do Canad&aacute;, e pela Ford Foundation, dos EUA, o estudo come&ccedil;ou a ser desenvolvido no fim de 2006 e traz an&aacute;lises sobre &Aacute;frica do Sul, Brasil, R&uacute;ssia, M&eacute;xico, Bol&iacute;via, &Iacute;ndia e tamb&eacute;m Estados Unidos.<\/p>\n<p>Um dos principais problemas apontados pelo estudo se refere aos n&uacute;meros propagados ano a ano sobre o volume da pirataria. A quest&atilde;o &eacute; que a maioria das pesquisas realizadas &eacute; financiada pela ind&uacute;stria e, por isso, traria distor&ccedil;&otilde;es, sobretudo nas consequ&ecirc;ncias da pirataria, como desemprego e perda na arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos.<\/p>\n<p>&#8211; Fala-se que o Brasil perde dois milh&otilde;es de empregos por ano com a pirataria. &Eacute; um n&uacute;mero creditado &agrave; Unicamp, ent&atilde;o fomos &agrave; Unicamp tentar descobrir que pesquisa apontaria isso. Conversamos com as pessoas l&aacute; e descobrimos que essa pesquisa n&atilde;o existe &#8211; afirma Ronaldo Lemos, um dos coordenadores do estudo e professor visitante da Universidade de Princeton, nos EUA. &#8211; Outro dado bastante utilizado &eacute; que o Brasil deixa de arrecadar R$ 30 bilh&otilde;es por ano em impostos por causa da pirataria, e esse tamb&eacute;m &eacute; um valor sem fundamento. O grande problema &eacute; que esses n&uacute;meros s&atilde;o passados adiante h&aacute; anos, sem contesta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O estudo tamb&eacute;m questiona a metodologia das pesquisas financiadas pela ind&uacute;stria. Numa dessas, promovida pela Fecom&eacute;rcio, foram feitas perguntas como &quot;Muitos produtos piratas causam s&eacute;rios danos &agrave; sa&uacute;de. Voc&ecirc; tem consci&ecirc;ncia dessa informa&ccedil;&atilde;o?&quot;. A mesma pesquisa deu origem &agrave; campanha &quot;Brasil sem pirataria&quot;, de 2010, cujo slogan era &quot;Aqueles que compram produtos piratas pagam com suas vidas&quot;.<\/p>\n<p>&#8211; As campanhas s&atilde;o apelativas. Dizer que a pirataria mata &eacute; uma maneira de associar consequ&ecirc;ncias e problemas. Mas as consequ&ecirc;ncias de um download na internet s&atilde;o diferentes das consequ&ecirc;ncias da falsifica&ccedil;&atilde;o de medicamentos &#8211; afirma Oona Castro, diretora-executiva do Overmundo e uma das coordenadoras do estudo. &#8211; A gente acaba fazendo um debate com problemas distintos, de natureza diferente, mas que s&atilde;o tratados da mesma forma.<\/p>\n<p>A defini&ccedil;&atilde;o de pirataria pelo acordo Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights (Trips), um tratado internacional da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), refere-se apenas &agrave; viola&ccedil;&atilde;o de direitos autorais. Isso &eacute;: pirataria n&atilde;o teria rela&ccedil;&atilde;o com medicamentos, pe&ccedil;as de carro, roupas ou cigarros. Mas existe um senso comum em associar pirataria a qualquer viola&ccedil;&atilde;o de patente, seja de propriedade intelectual, seja de contrafa&ccedil;&atilde;o de rem&eacute;dios.<\/p>\n<p>Com isso, o estudo &quot;Pirataria de m&iacute;dia em economias emergentes&quot; aponta que a ind&uacute;stria procuraria induzir a sociedade tanto em pesquisas quanto em campanhas. &quot;O termo &eacute; indefinido, e frequentemente usado intencionalmente para confundir distin&ccedil;&otilde;es importantes entre os tipos de uso n&atilde;o remunerado de certos produtos&quot;, diz o documento final.<\/p>\n<p>&#8211; O Projeto Escola Legal, por exemplo, que &eacute; voltado para estudantes e &eacute; promovido pela C&acirc;mara Americana de Com&eacute;rcio (Amcham), tem uma defini&ccedil;&atilde;o generalizada de pirataria, fala que ela financia o crime organizado e diz que &eacute; uma amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a p&uacute;blica &#8211; afirma Oona.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, o Brasil tem aumentado seus esfor&ccedil;os desde os anos 1990 tanto nesse processo de educa&ccedil;&atilde;o da sociedade (campanhas e pesquisas) quanto na repress&atilde;o. Ronaldo Lemos lembra que os n&uacute;meros de batidas, apreens&otilde;es e sites fechados aumenta ano a ano. Mas lamenta que n&atilde;o se abaixem os pre&ccedil;os:<\/p>\n<p>&#8211; Nossa pesquisa mostra que o principal problema &eacute; econ&ocirc;mico. A diferen&ccedil;a de pre&ccedil;os &eacute; brutal. At&eacute; pouco tempo atr&aacute;s, uma faixa de m&uacute;sica era vendida pela internet no Brasil por US$ 2, enquanto que nos EUA, onde o poder aquisitivo &eacute; bem maior, ela custa US$ 0,9. Com uma diferen&ccedil;a t&atilde;o grande como essa, voc&ecirc; simplesmente exclui grande parte dos consumidores do mercado. O pre&ccedil;o praticado &eacute; destinado apenas a uma fatia pequena de popula&ccedil;&atilde;o. Os outros acabam caindo na pirataria. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; a mesma em todo o mundo. <\/span><\/p>\n<address><\/address>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[T&iacute;tulo original: Estudo internacional sobre pirataria em pa&iacute;ses emergentes aponta equ&iacute;vocos no combate &agrave; pr&aacute;tica no Brasil] Numa conhecida propaganda de combate &agrave; pirataria no Brasil, um homem aparece pagando um camel&ocirc; por um DVD pirata com dinheiro em notas. Mas, de troco, ele recebe um punhado de balas de rev&oacute;lver. 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