{"id":25368,"date":"2011-02-23T14:16:31","date_gmt":"2011-02-23T14:16:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25368"},"modified":"2014-09-07T03:01:35","modified_gmt":"2014-09-07T03:01:35","slug":"lgt-e-contratos-emperram-programa-nacional-de-banda-larga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25368","title":{"rendered":"LGT e contratos emperram Programa Nacional de Banda Larga"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">A Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT) e os contratos firmados na privatiza&ccedil;&atilde;o das empresas de telefonia fixa na d&eacute;cada de 90 emperram o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). Por isso, depois de seis meses de tens&otilde;es na negocia&ccedil;&atilde;o do 3&ordm; Plano Geral de Metas e Universaliza&ccedil;&atilde;o (PGMU III), tende naufragar o desejo do Planalto de ter expans&atilde;o da infraestrutura para internet vinculada &agrave;s proje&ccedil;&otilde;es do Servi&ccedil;o de Telefonia Fixa Comutada (STFC).<\/p>\n<p>O imbr&oacute;glio come&ccedil;a com os modelos de autoriza&ccedil;&otilde;es de cada servi&ccedil;o na LGT. O STFC [telefonia fixa] &eacute; uma concess&atilde;o em regime p&uacute;blico, isso significa que a infraestrutura pertence &agrave; Uni&atilde;o e cabe aos concession&aacute;rios universalizar o seu uso dentro das metas estipuladas. J&aacute; o Servi&ccedil;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia (SCM), que inclui a Internet, segue o modelo de autoriza&ccedil;&atilde;o de regime privado, que pode ter no m&aacute;ximo metas de massifica&ccedil;&atilde;o e de qualidade da oferta. Diferente do STFC, a infraestrutura da SCM [banda larga] pertence &agrave;s empresas e n&atilde;o &eacute; tarifado, cabendo aos propriet&aacute;rios decidir pelo compartilhamento com outras empresas, como pequenos provedores e a Telebr&aacute;s.<\/p>\n<p>O problema &eacute; que parte rede de troncos do SCM &#8211; o <em>backhaul <\/em>&#8211; foi desenvolvida basicamente com recursos da STFC, tornando as empresas de telefonia fixa as principais fornecedoras do SCM no pa&iacute;s. Um emaranhado que muitas vezes infringi a Resolu&ccedil;&atilde;o N&ordm; 272 de 2001 da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), que instituiu o SCM, mas n&atilde;o determinou se o backhaul funcionaria em regime p&uacute;blico ou privado.<\/p>\n<p>Na defini&ccedil;&atilde;o utilizada no PGMU II de 2008 o <em>backhaul <\/em>&eacute; :&quot;infraestrutura de rede de suporte do STFC para conex&atilde;o em banda larga, interligando as redes de acesso ao <em>backbone <\/em>da operadora&quot;. Em setembro de 2010, j&aacute; com o PGMU III em debate, a reativada Telebr&aacute;s estabeleceu conceito t&eacute;cnico mais detalhado para o backhaul: &quot;Realiza a distribui&ccedil;&atilde;o da capacidade de tr&acirc;nsito de dados aos munic&iacute;pios vizinhos ao <em>backbone<\/em>&quot; e &quot;poder&aacute; ser de dois tipos: r&aacute;dio enlace, usando r&aacute;dios ponto-a-ponto de alta velocidade, ou &oacute;ptica em an&eacute;is metropolitanos para atendimento a grandes cidades e capitais&quot;.<\/p>\n<p>A partir destas defini&ccedil;&otilde;es, a maioria dos backhauls das operadoras se concentram na capitais do eixo sul-sudeste, segundo Fl&aacute;via Lef&egrave;vre, advogada do instituto de defesa do consumidor Pr&oacute;-Teste. Nesses locais h&aacute; grande quantidade de usu&aacute;rios, suficiente para altos lucros que financiaram o <em>bachkaul <\/em>e consequente oferta de internet em alta velocidade por pre&ccedil;os atualmente mais baratos.<\/p>\n<p><strong>P&uacute;blico x privado<\/strong><\/p>\n<p>A proposta inicial do governo no PGMU III era que as empresas teriam como uma das metas a expans&atilde;o do <em>backhaul<\/em> pelo pa&iacute;s, o que atingiria basicamente as regi&otilde;es metropolitanas. Nesses termos, o plano abria brechas para definir essa infraestrutura no regime p&uacute;blico e consequentemente tarifar e compartilhar a sua utiliza&ccedil;&atilde;o. Em resposta, as teles entraram na justi&ccedil;a sob alega&ccedil;&atilde;o de ilegalidade da proposta e refor&ccedil;o na tese de que o backhaul est&aacute; no regime privado. As empresas se valem da LGT que impede a pr&aacute;tica de subs&iacute;dio cruzado, ou seja, a reversibilidade de metas de um servi&ccedil;o para outro, neste caso do STFC para SCM &#8211; por essa l&oacute;gica, &eacute; ilegal obter pacotes conjuntos&nbsp; de banda larga e telefonia, pr&aacute;tica muito comum das operadoras.<\/p>\n<p>Antes de sair da presid&ecirc;ncia, Lula conseguiu a retirada dessas a&ccedil;&otilde;es na justi&ccedil;a, como pr&eacute;-requisito para retomar o di&aacute;logo. Na volta das negocia&ccedil;&otilde;es em 2011 o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es continuou a bater na tecla que o <em>backhaul<\/em> poderia ser inclu&iacute;do no PGMU III porque no processou que culminou no leil&atilde;o da Telebr&aacute;s em 1998 foi permitida &agrave;s empresas de STFC a licen&ccedil;a para oferecer o Servi&ccedil;o de Rede e Transporte de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (SRTT), apta a transportar sinais de voz e dados, o que se adequa para internet. Posteriormente o SRTT foi convertido em SCM, em 2001.<\/p>\n<p>Desta forma, as empresas j&aacute; praticam o subs&iacute;dio cruzado desde origem em 1998, quando fatiaram o Sistema Telebr&aacute;s com direito a licen&ccedil;a do SRTT. Depois utilizaram os recursos oriundos das metas de universaliza&ccedil;&atilde;o do STFC para expandir a banda larga &#8211; por isso &eacute; comum ter acesso &agrave; internet na mesma empresa de telefone fixo no Brasil. Tal situa&ccedil;&atilde;o foi endossada pelo PGMU II e bem aceito pelas teles, quando o <em>backhaul <\/em>foi incorporado &agrave;s metas de universaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A diferen&ccedil;a &eacute; que agora a infraestrutura de telefonia fixa j&aacute; foi praticamente conclu&iacute;da, n&atilde;o interessando aos empres&aacute;rios fazer novos investimentos deste car&aacute;ter e ainda serem pass&iacute;veis de incorpora&ccedil;&atilde;o &agrave;s metas do PNBL sob regime p&uacute;blico. Pra completar, as teles desejam que recursos do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fust) sejam utilizados para o desenvolvimento de <em>backhaul <\/em>sob car&aacute;ter privado, o que tamb&eacute;m &eacute; ilegal e foi vetado pelo governo.&nbsp; O Fust s&oacute; pode ser disponibilizado para telefonia fixa, por ser de regime p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Travado na infraestrutura no PGMU III, o governo tenta endossar novos caminhos para o PNBL, em especial regular a oferta de internet no atacado por cerca de R$ 30,00 com velocidade m&eacute;dia de 500 kbps. Outro caminho imediato foi liberar a Telebr&aacute;s para comercializar a banda larga no varejo com a licen&ccedil;a para o SCM por tempo indeterminado, publicada no Di&aacute;rio Oficial do dia 21 de fevereiro.<\/p>\n<p><strong>Alternativas<\/strong><\/p>\n<p>Em 2008 o Instituto Pr&oacute;-Teste entrou com a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica para regulamentar o <em>backhaul <\/em>como regime p&uacute;blico. No PGMU III o instituto classificou o Acesso Individual Classe Especial (AICE) de ilegal e ris&iacute;vel &#8211; o AICE &eacute; o telefone fixo social que o novo PGMU pretende ofertar por R$ 15,00. Flavia Lef&egrave;vre apelida a proposta do governo no PGMU III de um &quot;puxadinho&quot;, dotado de muita fragilidade jur&iacute;dica, e acredita que o melhor caminho &eacute; reaver o contrato de privatiza&ccedil;&atilde;o e a LGT.<\/p>\n<p>J&aacute; Veridiana Alimonti, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), defende que a revis&atilde;o do setor deve ser acompanhada da defini&ccedil;&atilde;o de Marco Legal para internet, no qual o servi&ccedil;o da banda larga deve ser em regime p&uacute;blico, com metas de universaliza&ccedil;&atilde;o desvinculadas da telefonia fixa. Outro ponto central para o Idec &eacute; aumentar a competi&ccedil;&atilde;o no setor com o fortalecimento dos pequenos provedores.<\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\">Leia Mais: <\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=25372\">Embates do ICMS e da privatiza&ccedil;&atilde;o das teles s&atilde;o retomados no PNBL <\/a><\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24957\">PGMU III pode atrapalhar o Programa Nacional de Banda Larga <\/a><\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24936\">Telefone fixo por at&eacute; R$ 15 &eacute; chamariz de plano de universaliza&ccedil;&atilde;o <\/a><\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Empresas tendem ganhar batalha contra PGMU III que as tornam descomprometidas de expandir e compartilhar o <em>backhaul<\/em> <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1072],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25368"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25368"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28225,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25368\/revisions\/28225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}