{"id":25349,"date":"2011-02-15T17:21:40","date_gmt":"2011-02-15T17:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25349"},"modified":"2011-02-15T17:21:40","modified_gmt":"2011-02-15T17:21:40","slug":"por-uma-regulamentacao-da-internet-democratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25349","title":{"rendered":"Por uma regulamenta\u00e7\u00e3o da internet democr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Iniciado em outubro de 2009, o governo brasileiro atrav&eacute;s do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, lan&ccedil;ou uma consulta p&uacute;blica para discutir a regulamenta&ccedil;&atilde;o da internet no pa&iacute;s. Segundo a assessoria da Secretaria de Assuntos Legislativos, setor respons&aacute;vel por coordenar a consulta, o objetivo era&nbsp; regulamentar os direitos dos que usam a internet.<\/p>\n<p>Ao t&eacute;rmino das suas primeira e segunda fase, foram cerca de 2000 contribui&ccedil;&otilde;es, entre coment&aacute;rios, e-mails e refer&ecirc;ncias propositivas em sites. Isto criou um ante-projeto de Lei, que aguarda na Casa Civil para ser enviado ao Congresso para aprova&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Desde o in&iacute;cio sabia-se dos gargalos que o debate iria enfrentar: guarda de logs,&nbsp; responsabiliza&ccedil;&atilde;o de provedores e, talvez o mais pol&ecirc;mico de todos, a retirada e monitoramento de conte&uacute;dos de sites, blogs, etc.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso ter clareza de que este &uacute;ltimo ponto versa sobre o que as democracias modernas sempre defenderam: a liberdade de express&atilde;o e a livre circula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos. Qualquer legisla&ccedil;&atilde;o que de alguma forma venha restringir estes direitos, que s&atilde;o pilares centrais de um Estado que se diz democr&aacute;tico, deve ser veementemente repelida e combatida de forma sistem&aacute;tica, com ampla mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil.<\/p>\n<p>Posturas como a do site Amazon.com que em 2009 deletou de forma remota algumas das edi&ccedil;&otilde;es digitais de livros &ndash; e-books &#8211;&nbsp; dos aparelhos Kindle de leitores que haviam comprado os t&iacute;tulo, n&atilde;o condiz com a atual estrutura em que se encontra a sociedade mundial.<\/p>\n<p>Ora, o problema todo, &eacute; que&nbsp; as edi&ccedil;&otilde;es eletr&ocirc;nicas dos livros j&aacute; tinham sido adquiridas pelos consumidores. Isso j&aacute; eliminaria qualquer incid&ecirc;ncia da empresa sobre os produtos. A empresa utilizou um acesso remoto, atrav&eacute;s de rede sem fio.<\/p>\n<p>A postura do site, que &eacute; uma das maiores lojas de vendas on line do mundo, deixou os consumidores furiosos e gerou ondas de irrita&ccedil;&atilde;o online. Em sua defesa, a empresa alegou que os livros foram adicionados &agrave; loja Kindle por uma empresa que n&atilde;o detinha os direitos autorais.<\/p>\n<p>No final do ano de 2010, tivemos o emblem&aacute;tico caso do site Wikileaks, que sofreu dura repress&atilde;o do governo americano por ter divulgado documentos que embaixadas americanas espalhadas no mundo enviaram para a Casa Branca. Os documentos datam do per&iacute;odo de 1966 a fevereiro de 2010. Em seu bojo, poucas informa&ccedil;&otilde;es relevantes.<\/p>\n<p>O site foi imediatamente tirado do ar e seu fundador, Julian Assange, v&iacute;tima de uma arma&ccedil;&atilde;o que o incriminava por crimes de abusos sexuais. No fundo, a acusa&ccedil;&atilde;o era pretexto do governo americano para prender o jornalista australiano.<\/p>\n<p>Este ato demonstrou que o Estado que se auto declara como modelo de democracia mundial n&atilde;o tem habilidade para lidar com a liberdade de express&atilde;o e com a livre circula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos na internet.<\/p>\n<p>Mas os Estados Unidos n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s que de forma intransigente e autorit&aacute;ria pro&iacute;be a livre circula&ccedil;&atilde;o da&nbsp; informa&ccedil;&atilde;o na rede mundial de computadores e apela para a censura quando se sente amea&ccedil;ado pela internet.<\/p>\n<p>Vimos o mesmo acontecer recentemente no Egito, durante as manifesta&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o que pedia a sa&iacute;da do presidente Hosni Mubarak, que h&aacute; 30 anos dirige o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Os protestos, raros no pa&iacute;s, tiveram suas origens de mobiliza&ccedil;&atilde;o pela internet, por meio de uma p&aacute;gina no Facebook. Os organizadores, que prometiam manter a mobiliza&ccedil;&atilde;o at&eacute; a queda do governo, diziam protestar contra a tortura, a pobreza, a corrup&ccedil;&atilde;o e o desemprego. Os organizadores vinham usando tamb&eacute;m o Twitter para mobilizar as manifesta&ccedil;&otilde;es, mas o servi&ccedil;o de acessoa &agrave; rede foi bloqueado pelas autoridades. Mesmo assim, o primeiro-ministro, Ahmed Nazif, afirmou que o governo est&aacute; comprometido com a liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p>Exemplos de posturas como as descritas acima devem sim servir para um prop&oacute;sito: o de que a regulamenta&ccedil;&atilde;o da internet no Brasil deve respeitar acima de tudo o princ&iacute;pio da liberdade de express&atilde;o e a livre circula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos, possibilidade peculiar da rede mundial de computadores. O contr&aacute;rio disso, representa seguir o rumo da contram&atilde;o da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Na primeira Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o, realizada em dezembro de 2009, que contou com delegados da sociedade civil, do poder p&uacute;blico e do setor empresarial, ficou clara a posi&ccedil;&atilde;o destes setores em rela&ccedil;&atilde;o ao tema. A resolu&ccedil;&atilde;o, aprovada de forma consensual, foi o posicionamento oficial da 1&ordf;. Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao Marco Civil da Internet:<\/p>\n<p>&ldquo;Aprova&ccedil;&atilde;o de lei que defina os direitos civis nas redes digitais que inclua, mas n&atilde;o se limite, a garantir a todos os cidad&atilde;os:<\/p>\n<p>1 &ndash; O direito ao acesso &agrave; Internet sem distin&ccedil;&atilde;o de renda, classe, credo, ra&ccedil;a, cor, orienta&ccedil;&atilde;o sexual, sem discrimina&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica ou cultural;<\/p>\n<p>2 &ndash; O direito &agrave; acessibilidade plena, independente das dificuldades f&iacute;sicas ou cognitivas que possam ter;<\/p>\n<p>3 &ndash; O direito de abrir suas redes e compartilhar o sinal de internet, com ou sem fio;<\/p>\n<p>4- O direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-vigiada.<\/p>\n<p>Qualquer marco regulat&oacute;rio que venha de encontro ao que foi aprovado na 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, deve ser encarado como uma afronta a liberdade de express&atilde;o e a livre circula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos.<\/p>\n<p>Refor&ccedil;ar este ponto chave no debate da regula&ccedil;&atilde;o da internet do Brasil deve ser uma tarefa de todas e todos os brasileiros.<\/p>\n<p>N&atilde;o queremos empresas entrando em nossos sistemas e apagando arquivos, e muito menos ser preso por fazer divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o. Afinal, a sociedade merecer e deve ser informada.<br \/><em><br \/><strong>Marcos Urup&aacute;<\/strong> &eacute; jornalista, advogado e associado ao Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Qualquer legisla&ccedil;&atilde;o que de alguma forma venha  restringir <\/span><span class=\"padrao\">a liberdade de express&atilde;o e a livre circula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos<\/span><span class=\"padrao\"> deve ser veementemente repelida.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[363],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25349"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25349\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}