{"id":25342,"date":"2011-02-11T17:45:32","date_gmt":"2011-02-11T17:45:32","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25342"},"modified":"2014-09-07T03:01:32","modified_gmt":"2014-09-07T03:01:32","slug":"queda-de-braco-entre-ministerios-garantiu-avancos-para-a-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25342","title":{"rendered":"Queda de bra\u00e7o entre minist\u00e9rios garantiu avan\u00e7os para a comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Durante as gest&otilde;es de Gilberto Gil e Juca Ferreira no Minist&eacute;rio da Cultura (MinC) um dos principais atritos foi interfer&ecirc;ncia em atribui&ccedil;&otilde;es antes reservadas somente ao &quot;vizinho&quot; Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (Minicom), resultando em intensos debates entre os dois minist&eacute;rios.<\/p>\n<p>Atualmente na coordena&ccedil;&atilde;o das confer&ecirc;ncias da Secretaria do Audiovisual (SAV) do MinC, James G&ouml;rgen defende que houve um estreitamento na rela&ccedil;&atilde;o entre os dois setores: &quot;No projeto iniciado por Gil a comunica&ccedil;&atilde;o faz parte da pol&iacute;tica cultural do pa&iacute;s, n&atilde;o era vista como alien&iacute;gena. Era preciso que os meios valorizassem os aspectos culturais&quot;.<\/p>\n<p>O Minicom, ainda dotado de atribui&ccedil;&otilde;es que envolvem maior peso pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico, teve respaldo dos empres&aacute;rios das teles e radiodifus&atilde;o para barrar as investidas do MinC. Essa situa&ccedil;&atilde;o foi percept&iacute;vel j&aacute; na primeira grande pol&ecirc;mica envolvendo o MinC e a comunica&ccedil;&atilde;o no projeto da Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav) e concomitante elabora&ccedil;&atilde;o de uma Lei Geral da Comunica&ccedil;&atilde;o Eletr&ocirc;nica de Massa, entre 2004 e 2005. O objetivo era alterar a retr&oacute;grada legisla&ccedil;&atilde;o para fortalecer todo o audiovisual brasileiro, incluindo a televis&atilde;o, via o fomento e fiscaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A proposta do MinC foi descartada, devido press&atilde;o das grades empresas de m&iacute;dia do pa&iacute;s. Tal conjuntura fez o MinC valorizar sua inser&ccedil;&atilde;o em setores progressistas da sociedade civil. &quot;Quando n&atilde;o tinha compet&ecirc;ncia especifica o papel (do MinC) era colocar o debate na rua e ser contraponto de ideias pr&eacute; estabelecidas&quot;, explica G&ouml;rgen.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JZk1Xc9CRuI\" target=\"_blank\">A leitura feita por Gil<\/a>  do cordel da TV Digital durante aula inaugural da Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o da UFRJ em 2006 foi emblem&aacute;tico quanto as diferen&ccedil;as entre os minist&eacute;rios e do movimento do MinC em buscar for&ccedil;as para n&atilde;o sofrer outras derrotas como no caso da Ancinav. Enquanto falava sobre democratiza&ccedil;&atilde;o no acesso e distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos e os impactos da digitaliza&ccedil;&atilde;o, Gil leu para plateia um cordel que pedia o investimento e ado&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o brasileiro da TV digital, al&eacute;m de chamar H&eacute;lio Costa de &quot;empres&aacute;rio bo&ccedil;al&quot; que apostava no &quot;monop&oacute;lio privado&quot;.<\/p>\n<p>O decreto da TV Digital acabou por privilegiar um padr&atilde;o estrangeiro, o japon&ecirc;s, reservando no espectro o contendo de um canal p&uacute;blico exclusivo para cultura. Entretanto, a rela&ccedil;&atilde;o entre os dois minist&eacute;rios continuou tensa. Sem inser&ccedil;&atilde;o nos meios comerciais de m&iacute;dia, a estrat&eacute;gia do MinC foi estimular ao lado da Radiobr&aacute;s e Casa Civil o I F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas em 2007 e a consequente cria&ccedil;&atilde;o da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC). Tal movimenta&ccedil;&atilde;o foi sem a presen&ccedil;a do Minicom, que havia perdido credibilidade no n&uacute;cleo do governo, pois as elei&ccedil;&otilde;es de 2006 foram marcadas pela oposi&ccedil;&atilde;o da Rede Globo, a principal parceira do Ministro H&eacute;lio Costa no decreto da TV Digital. Isolado, Costa at&eacute; tentou tumultuar o processo ao sugerir a cria&ccedil;&atilde;o de uma TV estatal ent&atilde;o avaliada em R$ 250 milh&otilde;es, mas n&atilde;o obteve sucesso.<\/p>\n<p><strong>Troca ministerial<\/strong><\/p>\n<p>Em julho de 2008 Gil deixou o MinC para voltar a priorizar a vida art&iacute;stica e familiar e passou o bast&atilde;o para Juca Fecrreira. Teoricamente a aus&ecirc;ncia do m&uacute;sico tropicalista enfraqueceria a pasta, mas Juca foi respons&aacute;vel direto pela reestrutura&ccedil;&atilde;o do MinC e tamb&eacute;m detinha experi&ecirc;ncia para lidar com a conjuntura pol&iacute;tica do segundo mandato de Lula. Assim, a Cultura aglutinou o fracassado projeto da Ancinav para influenciar temas de peso como o Grupo de Trabalho (GT) respons&aacute;vel pela proposta de reformula&ccedil;&atilde;o do Marco Regulat&oacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, o desenvolvimento do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e Projeto de Lei (PLC) n&ordm;116 (ex-PL 29).<\/p>\n<p>&quot;Contribu&iacute;mos de forma permanente nessa &aacute;rea, sob vis&atilde;o sistem&aacute;tica. N&atilde;o percebemos a comunica&ccedil;&atilde;o como mera infra-estrutura, tubos e conex&otilde;es. Mas o que &eacute; transportado, foi para o superestrutural, na disputa do simb&oacute;lico. N&atilde;o entendendo apenas como liga&ccedil;&atilde;o do interpessoal, mas tamb&eacute;m de massa, de todos os tipos&quot;, defende James G&ouml;rgen.<\/p>\n<p>No GT do Marco Legal foi discutido a possibilidade da Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine) ficar apenas com o papel de fomento e se reativar as ideias da Ancinav, de <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=25128\">fiscalizar o audiovisual<\/a> . J&aacute; no Governo Dilma Roussef o <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=25282\">parecer jur&iacute;dico do Minicom<\/a>  demarcou a tend&ecirc;ncia da fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos radiodifusores ser da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) que j&aacute; formou um GT com a Ancine a fim de criar regras espec&iacute;ficas para canais por assinatura.<\/p>\n<p>No PLC 116 o MinC intensificou o papel dos seus articuladores no Congresso para aprova&ccedil;&atilde;o. Apesar das in&uacute;meras modifica&ccedil;&otilde;es, a postura do minist&eacute;rio e tamb&eacute;m a Ancine &eacute; pela aprova&ccedil;&atilde;o imediata, fato continuado pelo gest&atilde;o de Ana de Hollanda. O maior interesse &eacute; o incentivo a produ&ccedil;&atilde;o regional e independente que ter&atilde;o cotas especificas a serem cumpridas pelas programadoras dos canais por assinatura. Vale lembrar que na Ancinav eram previstas medidas que se aproximavam desses princ&iacute;pios do antigo PL 29.<\/p>\n<p>Durante o 8&ordm; Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual (CBC) o PLC 116 foi elencado como <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=24928\" target=\"_blank\">prioridade para o setor<\/a>. Al&eacute;m das cotas na programa&ccedil;&atilde;o, a Ancine ter&aacute; elevada sua capacidade de fomento a produ&ccedil;&atilde;o. O diretor da Ancine, Paulo Alcoforado, sintetizou ao p&uacute;blico preocupa&ccedil;&otilde;es de setores do governo que rodearam o MinC: &quot;Para o produtor independente se sobressair ao lado das teles e radiodifusoras &eacute; preciso comprovar que a descentraliza&ccedil;&atilde;o movimenta a economia&quot;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MinC interferiu em temas tradicionais da comunica&ccedil;&atilde;o incluindo-a na politica cultural do governo Lula<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[350],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25342"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25342"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25342\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28221,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25342\/revisions\/28221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}