{"id":25328,"date":"2011-02-10T15:56:00","date_gmt":"2011-02-10T15:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25328"},"modified":"2011-02-10T15:56:00","modified_gmt":"2011-02-10T15:56:00","slug":"criterios-tecnicos-para-outorgas-de-radio-e-tv-nao-servem-para-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25328","title":{"rendered":"Crit\u00e9rios t\u00e9cnicos para outorgas de r\u00e1dio e TV n\u00e3o servem para nada"},"content":{"rendered":"<p><em><span class=\"padrao\">[T&iacute;tulo original: Crit&eacute;rios t&eacute;cnicos n&atilde;o servem para nada]<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp; <\/p>\n<p class=\"padrao\">Em 7 de fevereiro de 1997, acontecia a primeira licita&ccedil;&atilde;o para concess&atilde;o de r&aacute;dios FM e AM e para geradoras de televis&atilde;o. Acabava assim a discricionariedade na outorga de emissoras de r&aacute;dio e TV para dar lugar a crit&eacute;rios objetivos na classifica&ccedil;&atilde;o das propostas dos interessados em prestar os servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o. Ainda que existissem brechas, mantendo vivo o clientelismo nas outorgas &ndash; mais especificamente nas concess&otilde;es de r&aacute;dios e TVs educativas e de retransmissoras de TV, que at&eacute; hoje n&atilde;o necessitam de procedimento licitat&oacute;rio &ndash; tratava-se de uma conquista hist&oacute;rica. N&atilde;o seriam mais o compadrio e o prest&iacute;gio pol&iacute;tico que definiriam para quem outorgar&iacute;amos r&aacute;dios e TVs comerciais, e sim a for&ccedil;a das propostas t&eacute;cnicas e de pre&ccedil;o apresentadas pelos concorrentes. <\/p>\n<p>Mas hoje, passados exatos 14 anos, mais uma vez podemos constatar que o Estado vem sendo sistematicamente ludibriado. O que deveria ser uma concorr&ecirc;ncia de t&eacute;cnica e pre&ccedil;o tornou-se, simplesmente, um leil&atilde;o no qual leva a outorga quem pode pagar mais. <\/p>\n<p>Das 905 licita&ccedil;&otilde;es conclu&iacute;das desde 1997 em que houve ao menos dois concorrentes, 846 foram vencidas pela empresa que apresentou a melhor oferta de pre&ccedil;o. Em 16 casos o vencedor foi o concorrente que apresentou a melhor oferta t&eacute;cnica e a melhor oferta de pre&ccedil;o. E em apenas 43 licita&ccedil;&otilde;es a proposta t&eacute;cnica foi preponderante sobre a oferta de pre&ccedil;o. <\/p>\n<p><strong>Os mecanismos<\/p>\n<p><\/strong>De acordo com os Decretos n&ordm; 1.720, de 1995, e n&ordm; 2.108, de 1996, que estabelecem as regras para as licita&ccedil;&otilde;es nas outorgas de radiodifus&atilde;o, crit&eacute;rios t&eacute;cnicos como o tempo destinado na programa&ccedil;&atilde;o a conte&uacute;dos jornal&iacute;sticos, educativos e culturais e o n&uacute;mero de programas produzidos na pr&oacute;pria &aacute;rea de presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o deveriam contar pontos na escolha de quais seriam os vencedores dos processos licitat&oacute;rios. <\/p>\n<p>Essa pontua&ccedil;&atilde;o ponderada entre t&eacute;cnica e pre&ccedil;o tinha, como objetivo primordial, impedir que o poderio econ&ocirc;mico passasse a ser o crit&eacute;rio exclusivo para a defini&ccedil;&atilde;o dos que seriam agraciados com uma outorga de radiodifus&atilde;o. A prote&ccedil;&atilde;o foi estabelecida de maneira proporcional, de modo que as propostas de pre&ccedil;o tivessem um peso maior para r&aacute;dios e TVs com grande alcance, e uma import&acirc;ncia menor para pequenas emissoras de radiodifus&atilde;o de abrang&ecirc;ncia local. No caso de r&aacute;dios em frequ&ecirc;ncia modulada e de televis&otilde;es de baixa pot&ecirc;ncia e cobertura restrita, por exemplo, o peso da proposta t&eacute;cnica seria respons&aacute;vel por no m&iacute;nimo 70% da pontua&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da aos concorrentes.<\/p>\n<p><strong>Como os mecanismos s&atilde;o burlados<\/p>\n<p><\/strong>O desequil&iacute;brio que faz com que as propostas t&eacute;cnicas tenham, na maior parte das vezes, nenhuma influ&ecirc;ncia na defini&ccedil;&atilde;o dos vencedores das licita&ccedil;&otilde;es de radiodifus&atilde;o ocorre porque o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es se deixa enganar. <\/p>\n<p>Segundo dados do pr&oacute;prio minist&eacute;rio, das 9.719 propostas t&eacute;cnicas apresentadas em procedimentos licitat&oacute;rios desde 1997, 8.812 (90,67%) alcan&ccedil;aram nota m&aacute;xima em todos os quesitos de avalia&ccedil;&atilde;o e 310 (3,19%) receberam nota entre 99 e 99,999. Na maior parte dos procedimentos licitat&oacute;rios, todos os concorrentes empataram na avalia&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, e foi a proposta de pre&ccedil;o que definiu o vencedor.&nbsp;<\/p>\n<p>Ou seja, as regras que pretendiam privilegiar crit&eacute;rios de qualidade da programa&ccedil;&atilde;o e impedir que o poder econ&ocirc;mico fosse preponderante na defini&ccedil;&atilde;o dos vencedores dos procedimentos licitat&oacute;rios s&atilde;o de um fracasso desconcertante. A proposta t&eacute;cnica virou uma simples formalidade, pela qual quase todos os concorrentes passam com nota m&aacute;xima. <\/p>\n<p>Confiantes na falta de fiscaliza&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico, cuja capacidade de acompanhamento e avalia&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o das emissoras de r&aacute;dio e TV &eacute; notoriamente deficit&aacute;ria, as empresas que concorreram em procedimentos licitat&oacute;rios prometem entregar o melhor conte&uacute;do do mundo &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Depois de vencida a licita&ccedil;&atilde;o, oferecem o que bem entendem, com uma certeza quase plena de que aquilo que pactuaram no procedimento licitat&oacute;rio n&atilde;o precisar&aacute; ser cumprido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das 905 licita&ccedil;&otilde;es conclu&iacute;das desde 1997 em que houve ao menos dois concorrentes, 93% foram vencidas por quem apresentou o maior pre&ccedil;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25328"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25328"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25328\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}