{"id":25324,"date":"2011-02-09T15:33:08","date_gmt":"2011-02-09T15:33:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25324"},"modified":"2011-02-09T15:33:08","modified_gmt":"2011-02-09T15:33:08","slug":"creative-commons-e-um-bem-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25324","title":{"rendered":"&#8220;Creative Commons \u00e9 um bem coletivo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A licen&ccedil;a Creative Commons est&aacute; em conson&acirc;ncia com a l&oacute;gica de intera&ccedil;&atilde;o da internet, pois permite que &ldquo;o autor tenha uma licen&ccedil;a juridicamente consistente, sem que seja preciso contratar um advogado. Isso facilita, regulariza as situa&ccedil;&otilde;es, d&aacute; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica para o compartilhamento&rdquo;, defende S&eacute;rgio Amadeu, em entrevista concedida &agrave; IHU On-Line por telefone. Diferentemente da lei de direitos autorais, o Creative Commons &ldquo;pensa claramente na import&acirc;ncia de direitos reservados ao autor&rdquo; e garante que as &ldquo;obras sejam divulgadas, distribu&iacute;das, recombinadas, e deem origem a novas cria&ccedil;&otilde;es&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>O defensor e divulgador do Software Livre e da inclus&atilde;o digital no Brasil critica a postura da Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, que retirou o Creative Commons do s&iacute;tio do minist&eacute;rio. Segundo o pesquisador, a iniciativa est&aacute; na contram&atilde;o da trajet&oacute;ria hist&oacute;rica do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores em defesa da flexibiliza&ccedil;&atilde;o das legisla&ccedil;&otilde;es de propriedade intelectual. &ldquo;Aqueles que propuseram indica&ccedil;&atilde;o da ministra Ana de Hollanda esqueceram de perguntar o que ela achava sobre uma das principais &aacute;reas de proje&ccedil;&atilde;o do Brasil no mundo na gest&atilde;o do presidente Lula: a &aacute;rea de cultura&rdquo;, ironiza.<\/p>\n<p>Amadeu ressalta que a resist&ecirc;ncia a licen&ccedil;as Creative Commons est&aacute; diretamente relacionada &agrave; ind&uacute;stria da intermedia&ccedil;&atilde;o, que, antes do fen&ocirc;meno da internet, detinha os direitos autorais de diversas produ&ccedil;&otilde;es. E dispara: &ldquo;Esses aparatos de intermedia&ccedil;&atilde;o, no mundo digital, passaram a ser desnecess&aacute;rios. A intermedia&ccedil;&atilde;o mudou de local, foi para pr&oacute;pria rede. Ent&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o desse novo contexto, &eacute; necess&aacute;rio fazer acertos na lei, a qual est&aacute; longe de estar presente na proposta de reforma que foi feita pela sociedade civil.&rdquo;<\/p>\n<p>Doutor em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), S&eacute;rgio Amadeu participou da implementa&ccedil;&atilde;o dos Telecentros na Am&eacute;rica Latina e da cria&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; de Implementa&ccedil;&atilde;o de Software Livre (CISL). Tamb&eacute;m foi presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o (ITI) da Casa Civil da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e atualmente &eacute; professor na Universidade Federal do ABC (UFABC). &Eacute; autor de, entre outros, Software Livre: a luta pela liberdade do conhecimento; Exclus&atilde;o digital: a mis&eacute;ria na era da informa&ccedil;&atilde;o (S&atilde;o Paulo: Perseu Abramo, 2001); e Comunica&ccedil;&atilde;o Digital e a Constru&ccedil;&atilde;o dos Commons: Redes virais, espectro aberto e as novas possibilidades de regula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &ndash; Como o senhor avalia, a partir dos primeiros movimentos deste governo, a pol&iacute;tica de compartilhamento do governo Dilma?<\/strong><br \/>Sergio Amadeu &ndash; O governo Dilma tomou uma atitude bastante interessante a partir do Minist&eacute;rio do Planejamento, publicando uma diretiva do software p&uacute;blico que garante o uso das licen&ccedil;as do software livre e priorizando-o dentro do governo. No mesmo dia, a ministra Ana de Hollanda manda tirar a licen&ccedil;a Creative Commons do s&iacute;tio do Minist&eacute;rio da Cultura, demonstrando-se contra a pol&iacute;tica de compartilhamento do governo Lula, continuada pela presidente Dilma. A ministra Ana de Hollanda n&atilde;o percebe que o pr&oacute;prio blog da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, lan&ccedil;ado pelo ex-presidente Lula, continua com esta licen&ccedil;a e tudo indica que seu uso vai se ampliar dentro do governo.<\/p>\n<p><strong>Por quais raz&otilde;es o senhor imagina que ela retirou a licen&ccedil;a Creative Commons do s&iacute;tio do Minist&eacute;rio da Cultura?<\/strong><br \/>Ana de Hollanda quer promover um retrocesso no que se refere ao compartilhamento, &agrave;s redes digitais, &agrave; ideia de colabora&ccedil;&atilde;o. Ela &eacute; ligada ao grupo do Escrit&oacute;rio Central de Arrecada&ccedil;&atilde;o e Distribui&ccedil;&atilde;o (ECAD), que quer manter a lei de copyright do jeito que est&aacute;, ou seja, n&atilde;o quer rever os abusos e os absurdos da lei.<\/p>\n<p>Aqueles que propuseram indica&ccedil;&atilde;o da ministra Ana de Hollanda esqueceram de perguntar o que ela achava sobre uma das principais &aacute;reas de proje&ccedil;&atilde;o do Brasil no mundo na gest&atilde;o do presidente Lula: a &aacute;rea de cultura. Ela quer realizar essa invers&atilde;o de pol&iacute;tica no caso da cultura. Se vai conseguir, n&atilde;o sei, mas ela representa um retrocesso dentro de um quadro mais geral em que o governo avan&ccedil;a e outras &aacute;reas, defendendo o compartilhamento. Certamente o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a vai mandar proposta de marco civil pela internet, que garantir&aacute; a n&atilde;o criminaliza&ccedil;&atilde;o dos jovens, pelo menos na regulamenta&ccedil;&atilde;o da internet, que participam de redes P2P (&ldquo;Peer-to-Peer&rdquo;). Entretanto, na contram&atilde;o est&aacute; o Minist&eacute;rio da Cultura. Ent&atilde;o, percebo uma contradi&ccedil;&atilde;o no governo.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor acha que a iniciativa da ministra ir&aacute; repercutir no governo? Pode alterar as medidas j&aacute; adotadas no que se refere &agrave; licen&ccedil;a Creative Commons?<\/strong><br \/>O governo vai ter de decidir quem tem raz&atilde;o: se &eacute; a ministra Ana de Hollanda ou aqueles que defendem, dentro do governo, a pol&iacute;tica implantada pelo ex-presidente Lula. Em algum momento isso vai ter de ser resolvido, n&atilde;o sei quando, mas certamente haver&aacute; de se ter um acerto na pol&iacute;tica do governo.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores tem uma trajet&oacute;ria hist&oacute;rica em defesa da flexibiliza&ccedil;&atilde;o das legisla&ccedil;&otilde;es de propriedade intelectual. Quer dizer, esta luta n&atilde;o &eacute; uma iniciativa dos ativistas. O Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores tem defendido, no caso das patentes, a subordina&ccedil;&atilde;o do interesse social e a defesa da vida. No caso da pol&ecirc;mica dos f&aacute;rmacos, dos rem&eacute;dios da AIDS, no caso da propriedade intelectual, por exemplo, n&oacute;s, ativistas, n&atilde;o concordamos, resistimos muito no final da rodada do Uruguai a tratar temas relativos &agrave; propriedade intelectual no &acirc;mbito da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio. Ou seja, o Brasil tem uma pol&iacute;tica de defender a criatividade e n&oacute;s sabemos que para que se possa continuar com a inventividade, a criatividade, temos que ampliar a flexibiliza&ccedil;&atilde;o desses bloqueios ao livre fluxo de conhecimento e de bens culturais, porque a base do conhecimento e a base da cultura &eacute; o pr&oacute;prio conhecimento e a cultura.<\/p>\n<p><strong>Neste caso a presidente n&atilde;o poderia ter feito uma interven&ccedil;&atilde;o, ter conversado com a ministra, como fez, por exemplo, com o Chefe da Seguran&ccedil;a Institucional, general Jos&eacute; Elito Siqueira, em outro momento?<\/strong><br \/>Ela ter&aacute; de fazer isso em algum momento, ou ent&atilde;o ela vai, vamos dizer assim, mudar a pr&oacute;pria pol&iacute;tica do ex-presidente Lula. Entretanto, os sinais dados s&atilde;o de continuidade dessa pol&iacute;tica de compartilhamento, de defesa das possibilidades de cria&ccedil;&atilde;o, da liberdade dos fluxos informacionais. Como o Minist&eacute;rio da Cultura foi o &uacute;ltimo a ter a sua dire&ccedil;&atilde;o indicada e como a presidente Dilma teve de enfrentar uma s&eacute;rie de dificuldades para a composi&ccedil;&atilde;o das comiss&otilde;es no Congresso Nacional, acredito que n&atilde;o teve condi&ccedil;&otilde;es de se debru&ccedil;ar sobre esse tema. Teremos de aguardar para ver se a ministra ir&aacute; parar s&oacute; nesse ato simb&oacute;lico ou se vai, de fato, continuar defendendo os interesses do ECAD.<\/p>\n<p><strong>O que o fato de o Minist&eacute;rio da Cultura ter tirado o selo de licen&ccedil;a Creative Commons do seu s&iacute;tio significa?<\/strong><br \/>Essa atitude cria uma inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica, uma dificuldade para poder continuar compartilhando, mas o maior fato &eacute; simb&oacute;lico. Ana de Hollanda deu um sinal para todo mundo, dizendo: &ldquo;Aqui n&atilde;o me vem com isso, eu mudei a pol&iacute;tica&rdquo;. A consequ&ecirc;ncia &eacute; principalmente pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><strong>O que Ana de Holanda representa para o Minist&eacute;rio da Cultura do Brasil?<\/strong><br \/>N&atilde;o sei. N&atilde;o a conhecia. Tanto &eacute; que, quando fizeram um texto a respeito dos riscos que representaria a nomea&ccedil;&atilde;o dela, comentei que n&atilde;o a conhecia e iria esperar para avaliar.<\/p>\n<p>Fiquei preocupado com essa a&ccedil;&atilde;o de retirar o selo; &eacute; um sinal que ela mandou de retrocesso. Agora, se ela vai representar isso ou n&atilde;o, os fatos v&atilde;o dizer. A quest&atilde;o &eacute; saber at&eacute; onde ela vai com essa postura dela. De qualquer modo, ela representa um retrocesso e nada de novo na pol&iacute;tica cultural brasileira. Nada de novo, essa &eacute; a quest&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Como voc&ecirc; avalia a lei dos direitos autorais no Brasil?<\/strong><br \/>A lei do direito autoral &eacute; arcaica, extremamente dura no sentido de ser uma das mais ruins do planeta. Ela criminaliza fotoc&oacute;pia (xerox), por exemplo; ela mudou a lei que tinha antes, retirando o direito da c&oacute;pia privada, claramente substituindo por uma ideia absurda de pequenos trechos, que nunca se sabe o que &eacute;.<\/p>\n<p>Existem v&aacute;rios pequenos acertos a serem feitos, os quais permitem que ela se torne mais moderna, compat&iacute;vel com o mundo atual, e que reconhe&ccedil;a o direito &agrave; pessoa, ao uso justo, ao uso privado de uma c&oacute;pia para fins pessoais.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante a ser mudado &ndash; mas que penso que n&atilde;o conseguiremos alterar &ndash; &eacute; o prazo de dura&ccedil;&atilde;o de uma obra sorteada pelo copyright. O argumento da lei do direito de autor &eacute; de que a garantia de prote&ccedil;&atilde;o serve para incentivar o criador. Entretanto, repare que a lei tem sido alterada, sendo estendido o prazo de prote&ccedil;&atilde;o de uma obra que era de 14 anos, para 28, chegando ao ponto de uma obra s&oacute; poder cair em dom&iacute;nio p&uacute;blico depois de 95 anos ap&oacute;s a morte do autor. No caso do Brasil, 70 anos ap&oacute;s a morte do autor. Repare que a lei vem sendo alterada e o fundamento dela desapareceu, porque se o fundamento &eacute; incentivar a cria&ccedil;&atilde;o e o criador, n&atilde;o tem sentido proteger depois de sua morte.<\/p>\n<p>Como diria Machado de Assis, n&atilde;o h&aacute; nenhum sentido, a n&atilde;o ser a prote&ccedil;&atilde;o dos interesses dos intermedi&aacute;rios que det&eacute;m a obra por contrato. A pessoa que fez um contrato passa a ser o dono da obra.<\/p>\n<p>Essas altera&ccedil;&otilde;es na lei servem muito mais para garantir a ind&uacute;stria da intermedia&ccedil;&atilde;o, do que para assegurar o direito do criador. Esses aparatos de intermedia&ccedil;&atilde;o, no mundo digital, passaram a ser desnecess&aacute;rios. A intermedia&ccedil;&atilde;o mudou de local, foi para pr&oacute;pria rede. Ent&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o desse novo contexto, &eacute; necess&aacute;rio fazer acertos na lei, que est&aacute; longe de estar presente na proposta de reforma que foi feita pela sociedade civil.<\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o a lei n&atilde;o &eacute; adequada para a internet?<\/strong><br \/>Na verdade, a internet se expandiu e criou, ao seu redor e dentro dela, uma cultura digital, uma cibercultura. Uma das caracter&iacute;sticas importantes da cibercultura &eacute; a possibilidade de recombina&ccedil;&atilde;o e de reconfigura&ccedil;&atilde;o dos objetos digitais. Exatamente por causa da internet, as legisla&ccedil;&otilde;es de direito autoral do mundo todo, est&atilde;o tentando bloquear as possibilidades criativas que a internet abriu. O que a internet fez foi desmistificar a cria&ccedil;&atilde;o. Ela separou efetivamente o conte&uacute;do do seu suporte: um v&iacute;deo, uma pel&iacute;cula, a imagem e o texto do papel, tudo isso est&aacute; liberado na rede.<\/p>\n<p>Esse processo intenso de digitaliza&ccedil;&atilde;o est&aacute; preocupando a ind&uacute;stria da intermedia&ccedil;&atilde;o, que vivia do controle das cria&ccedil;&otilde;es a partir das dificuldades de compartilhar suporte. Agora, as cria&ccedil;&otilde;es est&atilde;o digitalizadas, podem ser mixadas, recombinadas e distribu&iacute;das com muita facilidade. O mundo da escassez, que justificaria os altos pre&ccedil;os de determinadas produ&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o tem sentido na rede. Ela mudou muito as possibilidades criativas para melhor, s&oacute; que como que a ind&uacute;stria da intermedia&ccedil;&atilde;o reage, ela faz uma conta completamente absurda e equivocada, ela diz assim: &ldquo;Se as pessoas est&atilde;o ouvindo mais m&uacute;sica, muito mais m&uacute;sica do que antes, como os nossos lucros n&atilde;o aumentaram com essa intensifica&ccedil;&atilde;o?&rdquo; Ent&atilde;o, eles pensam que est&atilde;o perdendo bilh&otilde;es. Entretanto, repare que a maioria dos jovens s&oacute; baixou aquela m&uacute;sica porque ela estava dispon&iacute;vel gratuitamente. Segundo, os internautas nunca ouvem a maior parte das m&uacute;sicas que baixam; eles ouvem um trecho e nunca mais voltam a essa m&uacute;sica. Se as pessoas tivessem que pagar pelas m&uacute;sicas, elas n&atilde;o as baixariam.<\/p>\n<p>O mundo digital est&aacute; acenando para a possibilidade de acessarmos uma diversidade inimagin&aacute;vel de conte&uacute;dos. Existe uma oferta de m&uacute;sicas e de bandas &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o das pessoas, algo que n&atilde;o existia h&aacute; alguns anos. Isto faz com que aquela grande ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica tenha efetivamente a concorr&ecirc;ncia de milhares de m&uacute;sicas que est&atilde;o na rede. Essa concorr&ecirc;ncia, portanto, essa diversidade cultural tem tomado a audi&ecirc;ncia de cantores e bandas lan&ccedil;ados por gravadoras. Essa &eacute; a realidade.<\/p>\n<p><strong>Podemos dizer que a licen&ccedil;a Creative Commons, da forma como est&aacute; se desenvolvendo e sendo utilizada, gera uma cultura da economia do conhecimento?<\/strong><br \/>N&atilde;o. Penso que gera uma cultura do compartilhamento, uma cultura que pensa claramente na import&acirc;ncia de direitos reservados ao autor, mas que garantam que determinada obra possa ser divulgada, distribu&iacute;da, recombinada, e de origem a novas cria&ccedil;&otilde;es. &Eacute; o reconhecimento de que a base da cultura &eacute; a pr&oacute;pria cultura, que &eacute; um bem coletivo: isso &eacute; licen&ccedil;a Creative Commons. Ela permite que o autor tenha uma licen&ccedil;a juridicamente consistente, sem que seja preciso contratar um advogado. Isso facilita, regulariza as situa&ccedil;&otilde;es, d&aacute; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica para o compartilhamento. &Eacute; muito importante a licen&ccedil;a Criative Commons.<\/p>\n<p>Algumas pessoas argumentam que a ministra Ana de Hollanda retirou o s&iacute;mbolo da Creative Commons porque ele pertence a uma organiza&ccedil;&atilde;o norte-americana e n&oacute;s devemos defender o nacionalismo. Fizeram uma confus&atilde;o propositada e equivocada do nacionalismo com uma licen&ccedil;a de compartilhamento.<\/p>\n<p>Se voc&ecirc; entrar agora no s&iacute;tio da rede Al Jazeera, que de norte-americana n&atilde;o tem nada, ver&aacute; que eles disponibilizam seus conte&uacute;dos com Creative Commons. Isso, para mim, basta. O argumento anterior &eacute; usado pelo ECAD.<\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; o impacto econ&ocirc;mico que teremos com a flexibiliza&ccedil;&atilde;o dos direitos autorais?<\/strong><br \/>O impacto econ&ocirc;mico &eacute;, primeiro, fortalecer novas cria&ccedil;&otilde;es, ou seja, redistribuir mais os recursos da riqueza da cultura, garantir o surgimento de modelos de neg&oacute;cios compat&iacute;veis &agrave;s redes digitais. Teremos muito a ganhar consolidando o modelo de compartilhamento.<\/p>\n<p><strong>Na realidade atual brasileira, qual a fun&ccedil;&atilde;o do ECAD?<\/strong><br \/>O ECAD &eacute; uma entidade opaca, sem transpar&ecirc;ncia, baseada no modelo industrial, no controle dos canais de acesso aos bens culturais. O mercado n&atilde;o quer saber da licen&ccedil;a Creative Commons; ele quer cobrar tudo, porque ele j&aacute; &eacute; uma estrutura que tem vida pr&oacute;pria, que n&atilde;o tem nada a ver com a cria&ccedil;&atilde;o. Ele montou sua burocracia e a burocracia quer sobreviver; ela sobrevive na intranspar&ecirc;ncia. Essa &eacute; a realidade. O ECAD vai a festinhas de anivers&aacute;rio cobrar as m&uacute;sicas que s&atilde;o tocadas. &Eacute; rid&iacute;cula a situa&ccedil;&atilde;o. Precisamos de uma estrutura de distribui&ccedil;&atilde;o da renda, da dissemina&ccedil;&atilde;o ou da veicula&ccedil;&atilde;o de bens culturais que seja adequada, transparente. Dever&iacute;amos ter outra estrutura, efetivamente transparente na distribui&ccedil;&atilde;o dos frutos da cria&ccedil;&atilde;o, nos frutos econ&ocirc;micos da cria&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>O Brasil &quot;invadiu&quot; o Orkut e &eacute; o pa&iacute;s onde o Facebook mais cresceu na Am&eacute;rica Latina, al&eacute;m de ser um dos principais atuantes no Twitter. Como o senhor v&ecirc; nosso pa&iacute;s no cen&aacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o digital no mundo?<\/strong><br \/>O Brasil &eacute; um pa&iacute;s que tem uma cultura tradicional, popular muito afeita ao relacionamento. Por isso que a presen&ccedil;a brasileira nas redes sociais &eacute; muito grande. O brasileiro tamb&eacute;m tem uma cultura muito criativa, que durante muito tempo foi entendida como negativa &ndash; chamada, inclusive, de cultura da gambiarra. Mas, se for analisar, toda a cria&ccedil;&atilde;o importante no mundo digital &eacute; uma grande gambiarra, &eacute; uma recombina&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o para enfrentar um problema com os c&oacute;digos que est&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A cultura popular brasileira &eacute; muito pr&oacute;xima do que vem a ser ou do que s&atilde;o os tra&ccedil;os mais importantes da cibercultura. O Brasil um pa&iacute;s que mal come&ccedil;ou a usufruir das redes.<\/p>\n<p>O que falta ainda para o Brasil &eacute; dar um salto no sentido de aplica&ccedil;&otilde;es massivas, aplica&ccedil;&otilde;es que partam daqui e sejam implantadas pelos outros pa&iacute;ses. A dificuldade brasileira &eacute; a l&iacute;ngua inglesa, que domina a rede.<\/p>\n<p>Acredito que, na presen&ccedil;a da nossa cultura, a digitaliza&ccedil;&atilde;o das nossas pr&aacute;ticas culturais, dos movimentos culturais, vai encantar cada vez mais o planeta e vai ampliar a diversidade cultural que temos no pa&iacute;s. O Brasil tem um campo muito aberto no mundo digital e, insisto, ele mal come&ccedil;ou.<\/p>\n<p><strong>Na sua avalia&ccedil;&atilde;o, quais devem ser as prioridades do Minist&eacute;rio da Cultura?<\/strong><br \/>Continuar a pol&iacute;tica administrada pelo ex-ministro Gilberto Gil, aplicar mais recursos e projetos digitais. Criar incentivos n&atilde;o s&oacute; ao cinema, mas &agrave; digitaliza&ccedil;&atilde;o, &agrave; ind&uacute;stria de games. Deveria se ampliar muito fortemente o uso de softwares culturais livres por parte dos movimentos, dos pontos de cultura.<\/p>\n<p>Outra prioridade seria colocar mais recursos nos pontos de cultura, abrir mais editais de projetos com incentivo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do que existe no pa&iacute;s. &Eacute; preciso entender como n&oacute;s podemos usar mais tecnologias abertas, colocar mais tecnologias livres &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos produtores e criadores culturais do pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os aparatos de intermedia&ccedil;&atilde;o, no mundo digital, passaram a ser  desnecess&aacute;rios por isso &eacute; necess&aacute;rio fazer acertos na lei.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1489],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25324"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25324"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25324\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}