{"id":25289,"date":"2011-01-28T17:46:43","date_gmt":"2011-01-28T17:46:43","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25289"},"modified":"2011-01-28T17:46:43","modified_gmt":"2011-01-28T17:46:43","slug":"por-um-irdeb-efetivamente-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25289","title":{"rendered":"Por um Irdeb efetivamente p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\" align=\"justify\">No atual renascimento do Sistema P&uacute;blico de Comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s as TV&#39;s e r&aacute;dios estaduais cumprem um papel estrat&eacute;gico que pode e deve ser melhor aproveitado pela sociedade civil e agentes estatais. Historicamente essas emissoras t&ecirc;m alto n&iacute;vel de fragilidade e depend&ecirc;ncia frente ao Executivo, somado por baixo investimento, o que torna a valoriza&ccedil;&atilde;o da diversidade cultural o &uacute;nico trunfo, por&eacute;m de tra&ccedil;o elitista. Tal quadro favoreceu que as emissoras comerciais nos estados se tornassem as refer&ecirc;ncias no acompanhamento da vida regional, fincadas sob o &quot;coronelismo midi&aacute;tico&quot; e baixo &iacute;ndice de conte&uacute;do local.<\/p>\n<p>Na Bahia o ex-senador Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es (ACM), Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es do Governo Sarney, era a principal lideran&ccedil;a na redemocratiza&ccedil;&atilde;o e estimulou o desenvolvimento da filiada da Rede Globo, a Rede Bahia, pertencente a sua fam&iacute;lia. Os parceiros de ACM tamb&eacute;m se beneficiaram, pol&iacute;ticos do DEM-BA representam hoje 58% das concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o entregues as pol&iacute;ticos no estado segundo o projeto Donos da M&iacute;dia. Nos &uacute;ltimos dez anos outra for&ccedil;a se consolidou localmente, a TV Itapoan, afiliada da Record e vinculada a Igreja Universal do Reino de Deus.<\/p>\n<p>O Instituto de Radiodifus&atilde;o P&uacute;blica da Bahia (Irdeb) &eacute; a maior alternativa ao poderio pol&iacute;tico e religioso das emissoras comerciais no estado, mas ficou de molho por muito tempo, em conson&acirc;ncia ao panorama nacional. Nos passos para montagem do segundo governo Jaques Wagner o Irdeb se tornou alvo de diverg&ecirc;ncias sobre seu futuro. Com a cria&ccedil;&atilde;o da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o (Secom) se especula que a R&aacute;dio Educadora e TVE Bahia, os dois troncos do Irdeb, sejam incorporados a Secom e deixem a Secretaria de Cultura (Secult).<\/p>\n<p>&Eacute; salutar que tal infra-estrutura seja mais valorizada pelos atores pol&iacute;ticos estatais, mas &eacute; preciso que sociedade civil tamb&eacute;m participe desta discuss&atilde;o a fim de fortalecer e consolidar a natureza p&uacute;blica do Irdeb. &Eacute; o momento do Governo do Estado convocar Semin&aacute;rios, Consultas e principalmente um Conselho Curador com a presen&ccedil;a de organiza&ccedil;&otilde;es sociais, artistas, produtores independentes e intelectuais no intuito de fortalecer o Irdeb ao torn&aacute;-lo efetivamente p&uacute;blico e n&atilde;o estatal, como ainda &eacute;. <\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>EBC e diversidade<\/strong> <\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\">Tal medida converge a tend&ecirc;ncia nacional puxada pelo surgimento da Empresa Brasileira de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) em 2007 e a forma&ccedil;&atilde;o da Rede P&uacute;blica Nacional de Televis&atilde;o em 2010. No caso da EBC j&aacute; existe um Conselho Curador em funcionamento com membros da sociedade civil e seus &uacute;ltimos tr&ecirc;s integrantes foram indicados por uma ampla Consulta P&uacute;blica antes de serem efetivados pelo presidente da rep&uacute;blica. Enquanto isso o Conselho Curador do Irdeb &eacute; composto por membros do Executivo e um da associa&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios. J&aacute; a Rede Nacional se referencia como alternativa para o poderio das redes comerciais e tem como um dos pontos acordado pelos parceiros a forma&ccedil;&atilde;o de Conselhos sob refer&ecirc;ncia da EBC, afim de ampliar os fluxos de financiamento da Uni&atilde;o para os estados.<\/p>\n<p>Todos esses passos foram e s&atilde;o acompanhados de forma intensa pela atual gest&atilde;o do Irdeb, capitaneada pelo cineasta P&oacute;la Ribeiro. A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras P&uacute;blicas, Educativas e Culturais (Abepec), hoje presidida por P&oacute;la, &eacute; uma entidade respons&aacute;vel diretamente pela integra&ccedil;&atilde;o e fortalecimento do Sistema P&uacute;blico.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos quatro anos, P&oacute;la teve ao seu lado o contexto nacional e posi&ccedil;&atilde;o do Governador de que a r&aacute;dio e a TV p&uacute;blica da Bahia devem ser geridos com independ&ecirc;ncia. Dessa forma a gest&atilde;o atual teve a guarita da Secult para dar maior credibilidade as informa&ccedil;&otilde;es veiculadas na grade de programa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, intensificou o papel de valoriza&ccedil;&atilde;o da diversidade e pluralidade, em especial pela ado&ccedil;&atilde;o da faixa Negra na r&aacute;dio, a transmiss&atilde;o do carnaval Ouro Negro na TV e recentemente o programa Liberdade Religiosa, refer&ecirc;ncia nacional para substituir o tom proselitista pelo ecum&ecirc;nico nas emissoras p&uacute;blicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">J&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual se protagonizou pelo fomento e difus&atilde;o a produ&ccedil;&atilde;o independente e local, cumprindo um papel pouco comum das emissoras comerciais. Atuando em parceria com a Diretoria de Audiovisual (Dimas), o investimento no audiovisual saiu de R$ 256 mil em 2006 para quase R$ 7 milh&otilde;es em 2009. Por&eacute;m apenas R$ 250 mil foram destinados para pilotos de programa de TV. Pouco, levando em considera&ccedil;&atilde;o que a TVE &eacute; a emissora que mais valoriza a produ&ccedil;&atilde;o local na Bahia, reservando 14,78% da programa&ccedil;&atilde;o, segundo levantamento do Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\"><strong>Financiamento<\/strong> <\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\">A contribui&ccedil;&atilde;o do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social para o F&oacute;rum de TV&#39;s P&uacute;blicas em 2009 cita que: &quot;A pol&iacute;tica de financiamento deve permitir que as emissoras mantenham uma programa&ccedil;&atilde;o de qualidade e fa&ccedil;am frente &agrave;s emissoras comerciais, a partir da ado&ccedil;&atilde;o de novos modelos de neg&oacute;cio baseados em redes solid&aacute;rias de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, com forte participa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o independente&quot;. Ou seja, est&aacute; em jogo um potencial inestim&aacute;vel da TV p&uacute;blica em dinamizar a economia local, tendo o DOC-TV a grande refer&ecirc;ncia na concatena&ccedil;&atilde;o da cadeia produtiva do audiovisual, dando a televis&atilde;o o protagonismo na difus&atilde;o.<\/p>\n<p>Pois bem, falta muito para o Irdeb se firmar como refer&ecirc;ncia &agrave;s emissoras comerciais na Bahia. A gest&atilde;o efetivamente p&uacute;blica tamb&eacute;m deve ser acompanhada de modelo de financiamento que inclua um fundo com or&ccedil;amento perene, protegido das mudan&ccedil;as quadrienais do executivo e abastecido por um percentual superior a 15% das receitas publicit&aacute;rias do governo, ainda balizadas pela audi&ecirc;ncia. Situa&ccedil;&atilde;o que faz o maior anunciante do mercado publicit&aacute;rio local, o governo do estado, beneficiar as emissoras comerciais tradicionalmente constitu&iacute;das pelas pr&aacute;ticas do &quot;coronelismo midi&aacute;tico&quot;, adicionadas pelo poder emergente dos evang&eacute;licos e neopentencostais. Diga-se de passagem, muitas dessas emissoras comerciais s&atilde;o viciadas em violar os direitos humanos, em especial nos programas policialescos transmitidos a luz do dia.<\/p>\n<p>O processo de valoriza&ccedil;&atilde;o da TV p&uacute;blica tamb&eacute;m passa pela valoriza&ccedil;&atilde;o humana. Por isso, a abertura de concursos e plano de cargos e sal&aacute;rios se faz necess&aacute;ria pois os trabalhadores lotados no Irdeb foram historicamente entregues a pr&oacute;pria sorte, sem cursos devidos de especializa&ccedil;&atilde;o, tratados como velharias t&eacute;cnicas, como as deixadas pelas gest&otilde;es anteriores. No levantamento do Sindicado dos Trabalhadores em R&aacute;dio, TV e Publicidade (Sinterp) para campanha salarial de 2011, os ordenados dos concursados do Irde chegam a margear a metade do piso das emissoras comerciais.<\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\"><strong>Comunit&aacute;ria<\/strong> <\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\">Enxergar a comunica&ccedil;&atilde;o e cultura como setores desvencilhados do desenvolvimento socioecon&ocirc;micos de um estado tradicionalmente paup&eacute;rrimo como a Bahia &eacute; outro estigma que tem sido desconstru&iacute;do pela emissora p&uacute;blica-estatal. &Eacute; da atual Secom e da R&aacute;dio Educadora a responsabilidade de tocar o programa Ondas Livres voltado para o comunicador comunit&aacute;rio atendendo as resolu&ccedil;&otilde;es das Confer&ecirc;ncias de Cultura e Comunica&ccedil;&atilde;o. O Ondas Livres, se for realizado na sua inteireza, envolve forma&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o de um portal para os comunicadores comunit&aacute;rios do estado realizarem interc&acirc;mbios de conte&uacute;dos e experi&ecirc;ncias de sustentabilidade.<\/p>\n<p>A comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria ainda &eacute; o regime de concess&atilde;o mais criminalizado no pa&iacute;s. O problema ainda &eacute; de maior responsabilidade federal, por&eacute;m nada impede que os governos estaduais assumam pol&iacute;ticas que beneficiem esse setor. A Bahia ainda det&eacute;m a maior popula&ccedil;&atilde;o rural nacional, com 4,5 milh&otilde;es de habitantes conforme aponta o IBGE de 2003. Fora a parab&oacute;lica e seus conte&uacute;dos do eixo Rio-S&atilde;o Paulo, a r&aacute;dio comunit&aacute;ria (Radcom) &eacute; muitas vezes o &uacute;nico meio de comunica&ccedil;&atilde;o para realizar campanhas educativas e dar informes essenciais para o dia a dia dessas comunidades. Cabe ent&atilde;o ao Irdeb ser o g&eacute;rmen no desenvolvimento de pol&iacute;ticas para Radcom, por ser a maior infra-estrutura p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o da Bahia, tamb&eacute;m dotada de maiores h&aacute;bitos que evitam atrelamento pol&iacute;tico da informa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria ao poder estatal.<\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\"><strong>Digitaliza&ccedil;&atilde;o<\/strong> <\/p>\n<p class=\"padrao\" align=\"justify\">Ao ser dotado de efetiva participa&ccedil;&atilde;o social e maiores recursos f&iacute;sicos e humanos, o Irdeb tende a se preparar para intensas transforma&ccedil;&otilde;es da TV Digital que podem o credenciar a outro patamar no cen&aacute;rio local e nacional. O decreto do Sistema Brasileiro de Televis&atilde;o Digital (SBTVD) de 2006, reservou as emissoras p&uacute;blicas quatro canais: I) Cultura; II) Cidadania; III) Educa&ccedil;&atilde;o; IV) Executivo.<\/p>\n<p>Caso o governo do estado n&atilde;o opte por um Operador de Rede pr&oacute;prio, existe a possibilidade real de ficar subordinado ao Operador nacional e praticamente perder a faixa o espectro que lhe pertence. Caso contr&aacute;rio pode transformar o sinal da TVE em mais tr&ecirc;s canais locais e desafogar os interesses do Executivo das finalidades educativas e culturais. Sem contar que em muitos pa&iacute;ses o espectro &eacute; utilizado no provimento de internet em alta velocidade, enfim, um bem que n&atilde;o pode ser desperdi&ccedil;ado aleatoriamente, como a faixa de espectro de Ondas Curtas (OC) que pertencia ao Irdeb e foi perdida por desuso dos governos anteriores &#8211; as OC t&ecirc;m utiliza&ccedil;&atilde;o militares, comerciais e civis, com alcance internacional, s&atilde;o as faixas que permitiam os r&aacute;dios mais antigos captarem programas em espanhol, ingl&ecirc;s e franc&ecirc;s.<\/p>\n<p>Assim, antes de se preparar para o futuro tecnol&oacute;gico, o Irdeb continua com problemas s&eacute;rios do &quot;passado&quot;. Correm nos discursos dos atuais gestores que as torres de transmiss&atilde;o do Irdeb eram utilizadas pela Rede Bahia em diversas cidades, quando Jaques Wagner venceu o pleito de 2006. Pra completar, o sinal do Irdeb costumeiramente estava fora do ar, enquanto a filiada da Globo em pleno funcionamento. Al&eacute;m de resolver esse embrulho, Wagner assumiu o compromisso de revitalizar e criar novas torres para o sinal chegar em todas as regi&otilde;es do estado. O problema &eacute; que cabe a Secretaria de Infra-Estrutura (Seinfra) cuidar destas torres e at&eacute; o fim de 2009 isso era papel de um gestor do PMDB, que pouco mobilizou a empreitada.<\/p>\n<p>Independente pra qual Secretaria o Irdeb fique vinculado &eacute; necess&aacute;rio que os gestores assumam o compromisso de potencializar essa estrutura. Torn&aacute;-lo efetivamente p&uacute;blico com a convoca&ccedil;&atilde;o de um novo Conselho Curador &eacute; o primeiro passo para dar maior legitimidade ao Irdeb, fazendo com que a sociedade sinta-se integrante dele e n&atilde;o como mais uma ferramenta a&nbsp; servi&ccedil;o daqueles que est&atilde;o no poder, seja qual for a origem ou pr&aacute;tica pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><em><strong>Pedro Carib&eacute;<\/strong> &eacute; jornalista, rep&oacute;rter do Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, associado do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e integrante do Centro de Comunica&ccedil;&atilde;o, Democracia e Cidadania da Facom\/UFBA<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instituto de radiodifus&atilde;o baiano continua sem Conselho Curador com presen&ccedil;a da sociedade civil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25289"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25289\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}