{"id":25278,"date":"2011-01-27T11:35:05","date_gmt":"2011-01-27T11:35:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25278"},"modified":"2011-01-27T11:35:05","modified_gmt":"2011-01-27T11:35:05","slug":"convergencia-de-midias-leva-governo-a-desistir-de-veto-a-propriedade-cruzada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25278","title":{"rendered":"Converg\u00eancia de m\u00eddias leva governo a desistir de veto \u00e0 propriedade cruzada"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O governo vai abandonar o debate sobre a proibi&ccedil;&atilde;o da propriedade cruzada nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o por estar convencido de que o desenvolvimento tecnol&oacute;gico tornou a discuss&atilde;o obsoleta. O conceito de converg&ecirc;ncia das m&iacute;dias, que consolidou o tr&aacute;fego simult&acirc;neo de dados e notici&aacute;rios em todas as plataformas &#8211; da impressa &agrave; digital -, p&ocirc;s na mesa do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo, um projeto de concess&atilde;o &uacute;nica. Propriedade cruzada &eacute; o dom&iacute;nio, pelo mesmo grupo de comunica&ccedil;&atilde;o, de concess&otilde;es para operar diferentes plataformas ( TV, jornal e portais).<\/p>\n<p>A invers&atilde;o do processo, que estudava a proibi&ccedil;&atilde;o da propriedade cruzada e agora a consolida, partiu da constata&ccedil;&atilde;o de que os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o hoje t&ecirc;m num s&oacute; portal seus notici&aacute;rios de jornal, r&aacute;dio e televis&atilde;o, na maioria dos casos funcionando num mesmo ambiente f&iacute;sico e virtual, com aproveitamento de toda produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos.<\/p>\n<p>O conselheiro da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), Jo&atilde;o Resende, considera a concess&atilde;o &uacute;nica &quot;inevit&aacute;vel&quot; para ser discutida e implementada num prazo de cinco anos. Isso imporia na sua avalia&ccedil;&atilde;o uma reforma na pr&oacute;pria Anatel, que hoje trata os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de forma isolada.<\/p>\n<p>O minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es ainda defende a extens&atilde;o aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o digital (portais) do limite de 30% de capital estrangeiro que hoje vigora para jornais, r&aacute;dio e televis&atilde;o.<\/p>\n<p>A orienta&ccedil;&atilde;o da presidente Dilma Rousseff &eacute; priorizar as quest&otilde;es objetivas que pressionam o mercado e trabalhar o projeto de regulamenta&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia em ritmo que privilegie sua qualidade e consist&ecirc;ncia. &quot;O projeto vai andar sem pressa e sem contamina&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica&quot;, disse ao Estado uma fonte do governo.<\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a de estrat&eacute;gia corresponde &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o de que o governo do ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva foi tumultuado por sucessivas tentativas de tornar concretas propostas pol&ecirc;micas, como o Conselho Federal de Jornalismo, com a pretens&atilde;o de &quot;orientar, disciplinar e fiscalizar o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o do jornalista&quot;. Trazia ainda a proposta de um novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es que viabilizasse san&ccedil;&otilde;es aos ve&iacute;culos que infringissem as regras do Conselho.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m sem a&ccedil;odamento que possa causar danos pol&iacute;ticos ao governo, as mudan&ccedil;as incluir&atilde;o gradativamente o cumprimento da norma constitucional que veda a concess&atilde;o de emissoras de r&aacute;dio e TV a parlamentares.<\/p>\n<p>Sutilezas na interpreta&ccedil;&atilde;o dessas regras flexibilizaram-nas de tal forma que se tornou comum a figura do parlamentar empres&aacute;rio de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O ministro Paulo Bernardo j&aacute; exp&ocirc;s publicamente sua posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; deten&ccedil;&atilde;o de outorgas de r&aacute;dio e TV por parlamentares, mesmo consciente de que as dificuldades s&atilde;o grandes nessa dire&ccedil;&atilde;o. &quot;&Eacute; mais f&aacute;cil fazer um impeachment do presidente do que cassar uma concess&atilde;o&quot;, disse o ministro em entrevista ao Estado no &uacute;ltimo dia 3.<\/p>\n<p>Grande parcela de parlamentares usa &quot;laranjas&quot; como titulares de emissoras de sua propriedade. Bernardo j&aacute; teria admitido essa fragilidade, mas a alega&ccedil;&atilde;o do governo &eacute; que o minist&eacute;rio se baseia em documentos p&uacute;blicos para conceder a outorga. A vis&atilde;o hoje, no minist&eacute;rio, &eacute; que a Pol&iacute;cia Federal e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico s&atilde;o inst&acirc;ncias preparadas para investigar se houve m&aacute; f&eacute; no processo de concess&atilde;o.<\/p>\n<p>Administradas &agrave; parte essas quest&otilde;es, o governo abre caminho para a&ccedil;&otilde;es mais objetivas como deseja a presidente. &Eacute; nesse contexto que o ministro assinou conv&ecirc;nio ontem transferindo &agrave; Anatel a tarefa de exercer a fiscaliza&ccedil;&atilde;o no campo das telecomunica&ccedil;&otilde;es no territ&oacute;rio nacional.<\/p>\n<p>Objeto hist&oacute;rico de disputa entre a ag&ecirc;ncia e o minist&eacute;rio, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o foi sempre uma fic&ccedil;&atilde;o porque este &uacute;ltimo, com s&oacute; 270 t&eacute;cnicos, n&atilde;o disp&otilde;e de quadros suficientes para a demanda. J&aacute; a Anatel tem 1,3 mil funcion&aacute;rios especializados. A legisla&ccedil;&atilde;o estabelece que a fiscaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; do minist&eacute;rio, mas pode ser delegada.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo vai abandonar o debate sobre a proibi&ccedil;&atilde;o da propriedade cruzada nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o por estar convencido de que o desenvolvimento tecnol&oacute;gico tornou a discuss&atilde;o obsoleta. 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