{"id":25275,"date":"2011-01-26T11:11:33","date_gmt":"2011-01-26T11:11:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25275"},"modified":"2011-01-26T11:11:33","modified_gmt":"2011-01-26T11:11:33","slug":"nao-interessa-que-termo-ou-conceito-seja-empregado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25275","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o interessa que termo ou conceito seja empregado&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O capixaba Edgard Rebou&ccedil;as se notabilizou durante a passagem pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ao integrar o Observat&oacute;rio de M&iacute;dia Regional e coordenar a Campanha Quem Financia a Baixaria &eacute; Contra a Cidadania. Atualmente ele est&aacute; de volta a terra natal, lecionando na&nbsp; Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (UFES) e j&aacute; colocou em pr&aacute;tica um Observat&oacute;rio no mesmo modelo.<\/p>\n<p><strong>A defesa do termo controle social ou p&uacute;blico deixou de ser consenso dentro das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e amea&ccedil;a ser substitu&iacute;do, caso essa tend&ecirc;ncia de revis&atilde;o predomine, o professor considera uma derrota?<\/strong><br \/>No fundo, n&atilde;o interessa que termo ou conceito seja empregado, o que &eacute; necess&aacute;rio &eacute; um entendimento de que da forma como est&aacute; &eacute; que n&atilde;o pode ficar. E me parece que h&aacute; sim uma percep&ccedil;&atilde;o, inclusive ganhando corpo fora do grupo que discute a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es, de que algo precisa ser feito em rela&ccedil;&atilde;o a pontos como a concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade de ve&iacute;culos, os custos dos servi&ccedil;os &ndash; telefonia, internet e TV por assinatura &ndash;, a qualidade dos mesmos, incluindo ai o conte&uacute;do de programas de televis&atilde;o e coberturas &ldquo;jornal&iacute;sticas&rdquo;. Se isso ter&aacute; nome de controle social ou n&atilde;o, interessa pouco, o importante &eacute; que a sociedade tenha &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o mecanismos para interferir daquilo que recebem, adquirem e usam; da mesma forma que existe o C&oacute;digo de Defesa do Consumidor. Ou algu&eacute;m ainda defenderia hoje o princ&iacute;pio de que se um a&ccedil;ougue estiver vendendo carne estragada, basta entrar no a&ccedil;ougue do lado?!<\/p>\n<p><strong>Setores intitulados de esquerda na pol&iacute;tica encamparam timidamente o termo controle social aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, hoje quase n&atilde;o mais o utilizam e at&eacute; abominam (Dilma propaga que o &uacute;nico controle &eacute; o remoto). Isso &eacute; fruto de desconhecimento, estrat&eacute;gia ou concep&ccedil;&atilde;o convergente aos empres&aacute;rios?<\/strong><br \/>Gosto muito de um soci&oacute;logo americano: Edward A. Ross. Foi ele quem mais ou menos fundou o conceito de controle social, l&aacute; no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado. Entre seus argumentos, h&aacute; tr&ecirc;s se enquadram muito bem no caso das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil. 1) Ele dizia que o controle social procura harmonizar atividades potencialmente conflitantes, verificando umas e estimulando outras. No nosso caso n&atilde;o h&aacute; nenhum tipo de verifica&ccedil;&atilde;o das atividades midi&aacute;ticas, tampouco est&iacute;mulo a que novos atores entrem no processo. 2) Que o controle social regula objetivos e a&ccedil;&otilde;es incompat&iacute;veis. Qualquer um pode ler o artigo 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o para ver que quase nenhuma das finalidades ali descritas s&atilde;o cumpridas. E por fim, mas n&atilde;o por &uacute;ltimo, 3) Que a opini&atilde;o p&uacute;blica tem um papel important&iacute;ssimo nas iniciativas de controle social. O problema &eacute; que em nossa sociedade midiatizada a opini&atilde;o p&uacute;blica foi expropriada de seus verdadeiros donos, passando a ser virtualmente exercida pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o; dessa forma, se a m&iacute;dia fala que controle social &eacute; censura os tomadores de decis&atilde;o &ndash; Executivo, Legislativo e Judici&aacute;rio &ndash; acreditam. Ou pior, fingem acreditar, e aceitam isso como sendo a voz da opini&atilde;o p&uacute;blica. Nos Estados Unidos, as ideais de Edward A. Ross deram a base para a cria&ccedil;&atilde;o das ag&ecirc;ncias reguladoras, mas isso somente ap&oacute;s o fracasso do modelo ultra-liberal com a crise de 1929. Ser&aacute; que teremos que vivenciar tamb&eacute;m uma crise, para a presidenta entender que o controle remoto n&atilde;o &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><strong>A regula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do se tornou o maior entrave para pautar o termo controle social e as reformas regulat&oacute;rias nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o na era Lula? Quais s&atilde;o os obst&aacute;culos para destravar esse debate?<\/strong><br \/>Eis ai mais equ&iacute;voco conceitual alimentado pela grande m&iacute;dia, e engolido pelos tomadores de decis&atilde;o. De onde tiraram que n&atilde;o pode haver regula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do? A Constitui&ccedil;&atilde;o fala apenas de prote&ccedil;&atilde;o ao jornalismo e a manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas. E contanto que n&atilde;o firam outros princ&iacute;pios tamb&eacute;m constitucionais, como discrimina&ccedil;&atilde;o, invas&atilde;o de privacidade, preconceito e outros. E fala ainda de conte&uacute;do sim; quando est&aacute; bem claro que deve haver programa&ccedil;&atilde;o regional, independente, cultural, art&iacute;stica; quando fala da publicidade de produtos nocivos &agrave; sa&uacute;de; da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa; e ainda que devemos proteger crian&ccedil;as e adolescentes com absoluta prioridade. O que deve ficar claro &eacute; que todo jornalismo &eacute; conte&uacute;do, mas nem todo conte&uacute;do &eacute; jornalismo.<\/p>\n<p><strong>Em que grau a TV brasileira pode ser enquadrada em termos de qualidade de conte&uacute;do, no que tange o respeito aos direitos humanos?<\/strong><br \/>Temos muitos programas bem feitos na televis&atilde;o brasileira. Mas, infelizmente, esta n&atilde;o &eacute; uma regra ao longo da programa&ccedil;&atilde;o de uma mesma emissora, por exemplo. Continuam havendo v&aacute;rios desrespeitos n&atilde;o s&oacute; com quem &eacute; exposto nos programas, mas tamb&eacute;m com quem est&aacute; assistindo. E n&atilde;o venham com aquela de &ldquo;controle remoto&rdquo; como crit&eacute;rio de qualidade. O princ&iacute;pio da maximiza&ccedil;&atilde;o de lucros com a minimiza&ccedil;&atilde;o de investimentos passou a ser regra na televis&atilde;o, e n&atilde;o somente no Brasil. Dessa forma, mesmo havendo uma grande oferta de programas, o que se v&ecirc; o mais do mesmo. Sendo que o argumento &eacute; sempre do &ldquo;dar o que o povo quer&rdquo;. A&iacute; temos que resgatar aquela fala de Ariano Suassuna, citando Capiba: &ldquo;dizem que cachorro s&oacute; gosta de osso. Se s&oacute; d&atilde;o osso, como vai gostar de fil&eacute;?&rdquo;<\/p>\n<p><strong>O professor considera que houve degrada&ccedil;&atilde;o no conte&uacute;do da radiodifus&atilde;o nos &uacute;ltimos anos, por que?<\/strong><br \/>N&atilde;o se pode falar em degrada&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o h&aacute; necessariamente algo no passado que tenha sido superior ao que assistimos hoje em dia. R&aacute;dio e televis&atilde;o sempre foram usados como ve&iacute;culos ideais para o sensacionalismo, o grotesco, a mis&eacute;ria humana, enfim, para todo tipo de baixaria. H&aacute; alguns anos escrevi um artigo intitulado &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.sergiomattos.com.br\/liv_tvglobal05.html\">Desafios da televis&atilde;o brasileira na era da diversifica&ccedil;&atilde;o<\/a> &rdquo;, onde dizia que em meados dos anos 1990 o que estava em jogo era exatamente o risco da perda da qualidade e respeito internacional conquistados. Revendo com um pouco mais de aten&ccedil;&atilde;o aquelas afirma&ccedil;&otilde;es, e resgatando as fun&ccedil;&otilde;es de educar-informar-divertir da radiodifus&atilde;o, pode-se observar que no fundo, ao longo da hist&oacute;ria, foram alguns relances de boa qualidade, sobretudo em algumas miniss&eacute;ries e novelas e um ou outro programa jornal&iacute;stico.<\/p>\n<p><strong>No processo de reforma regulat&oacute;ria, &eacute; poss&iacute;vel e interessante a constru&ccedil;&atilde;o de consenso da Abert e Anj com setores organizados da sociedade civil que estiveram na Confecom?<\/strong><br \/>N&atilde;o h&aacute; consenso poss&iacute;vel. Pois os interesses s&atilde;o muito diferentes. De um lado h&aacute; o mero interesse privado, de outro o interesse p&uacute;blico. O boicote e at&eacute; sabotagem que os grandes grupos midi&aacute;ticos fizeram &ndash; e continuam fazendo &ndash; &agrave; Confecom s&atilde;o bem sintom&aacute;ticos disso. O empresariado brasileiro do setor se comporta de um modo bem patrimonialista em rela&ccedil;&atilde;o a seus interesses, algo que grupos americanos e europeus j&aacute; superaram a quase meio s&eacute;culo. N&atilde;o h&aacute; nada de errado em empresas visarem lucros, mas pela dupla caracter&iacute;stica da atividade, a responsabilidade social tamb&eacute;m tem que ocupar papel de destaque nas estrat&eacute;gias e encaminhamentos A sa&iacute;da est&aacute; na compet&ecirc;ncia dos grupos de press&atilde;o em convencerem os tomadores de decis&atilde;o que o interesse p&uacute;blico &eacute; que deve prevalecer. Sabendo que tal tarefa ser&aacute; dific&iacute;lima. Se o presidente Lula, que tinha mais de 80% de apoio popular, n&atilde;o teve peito para enfrentar os grupos midi&aacute;ticos e marcou a Confecom para os 44 minutos do segundo tempo, imaginem com o atual governo, que no primeiro dia ap&oacute;s a vit&oacute;ria eleitoral, vimos a presidenta dar entrevista nos telejornais da Globo e da Record dizendo que s&oacute; acredita em controle remoto! Devemos &eacute; desafiar o Executivo e o Legislativo a sa&iacute;rem do c&ocirc;modo papel da omiss&atilde;o e pararem de adorar a secular pol&iacute;tica da n&atilde;o pol&iacute;tica para o setor da m&iacute;dia. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Acad&ecirc;mico irreleva termo controle social e descarta consenso com empres&aacute;rios<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1481],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25275"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25275"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25275\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}