{"id":25225,"date":"2011-01-06T11:11:57","date_gmt":"2011-01-06T11:11:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25225"},"modified":"2011-01-06T11:11:57","modified_gmt":"2011-01-06T11:11:57","slug":"os-numeros-da-globo-lenta-decadencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25225","title":{"rendered":"Os n\u00fameros da Globo: lenta decad\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p><a name=\"more-5865\" title=\"more-5865\"><\/a><span class=\"padrao\">Altamiro Borges, <a href=\"http:\/\/altamiroborges.blogspot.com\/2011\/01\/fantastico-despenca-na-tv-globo.html\">aqui<\/a>,&nbsp;e Paulo Henrique Amorim, <a href=\"http:\/\/www.conversaafiada.com.br\/pig\/2011\/01\/05\/mesmo-com-eleicao-e-copa-jornal-nacional-desaba\/\">aqui<\/a>,&nbsp;destacam fatos que demonstram a decad&ecirc;ncia da TV Globo.<\/p>\n<p>O texto de Miro mostra que o Faust&atilde;o &ndash; em crise de audi&ecirc;ncia (e de faturamento?) &ndash; demitiu a banda de m&uacute;sicos. E que o &ldquo;Fant&aacute;stico&rdquo; enfrenta a pior crise de sua longa hist&oacute;ria.&nbsp;O Paulo Henrique relata como a audi&ecirc;ncia do &ldquo;JN&rdquo; encolheu em dez anos: o jornal apresentado por Bonner perdeu um de cada quatro telespectadores de 2000 para 2010 &ndash; s&atilde;o n&uacute;meros oficiais do IBOPE.<\/p>\n<p>S&atilde;o&nbsp;fatos. N&atilde;o &eacute; bom brigar com eles. Mas &eacute; bom analisar esse proceso com cautela.<\/p>\n<p>Quando entrei na TV Globo, em 95, o &ldquo;JN&rdquo; dava quase 50 pontos de audi&ecirc;ncia. Era massacrante. &nbsp;O &ldquo;Globo Rep&oacute;rter&rdquo; dava perto de 40 pontos.<\/p>\n<p>Em 2005\/2006, quando eu estava prestes a sair da emissora, o &ldquo;JN&rdquo; j&aacute; tinha ca&iacute;do&nbsp;pra casa dos 36 ou 37 pontos (havia dias em que o jornal local conseguia mais audi&ecirc;ncia do que o principal jornal da casa) e o &ldquo;Globo Rep&oacute;rter&rdquo;&nbsp; se segurava em torno de 30 ou 32 pontos (programa que desse menos de 30 abria crise, era preciso sustentar a marca dos 30).<\/p>\n<p>Esse tempo ficou pra tr&aacute;s. O &ldquo;JN&rdquo; j&aacute; caiu pra menos de 30 pontos. E o Globo Rep&oacute;rter hoje patina em&nbsp;24 ou 25 &ndash; dizem-me.<\/p>\n<p>O &ldquo;Jornal da Record&rdquo; dobrou de audi&ecirc;ncia. Em S&atilde;o Paulo chega a 10 pontos, em outros Estados passa dos 12 ou 13. Nas manh&atilde;s, a Globo e a Record (com o SBT um pouco atr&aacute;s) brigam pau a pau. E a Record vence em muitos hor&aacute;rios matutinos, h&aacute; meses. Aos domingos, a Globo tamb&eacute;m sofre. A grande j&oacute;ia da coroa da emissora carioca &eacute; o hor&aacute;rio nobre durante a semana: novelas+ JN.&nbsp;Nesse caso, os n&uacute;meros revelam que o dom&iacute;nio da Globo se reduz, ainda que de forma lenta.<\/p>\n<p>Muita gente espera o dia em que a Globo vai passar por uma hecatombe e deixar&aacute; de ser a Globo. Acredito que isso n&atilde;o vai acontecer: a queda ser&aacute; lenta, negociada, chorada&hellip;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A Globo poderia ter quebrado&nbsp;ali pelo ano 2000. No primeiro governo FHC, Marluce (ent&atilde;o diretora geral) tivera duas id&eacute;ias &ldquo;brilhantes&rdquo;: tomar dinheiro emprestado, em d&oacute;lar, para capitalizar a empresa de TV a cabo do grupo; e centralizar as opera&ccedil;&otilde;es&nbsp;numa &ldquo;holding&rdquo;. Ela acreditou nas previs&otilde;es do Gustavo Franco e da Miriam Leit&atilde;o, de que o Real valeria um d&oacute;lar para todo o sempre! Passada a reelei&ccedil;&atilde;o de FHC, em 98, o&nbsp;Brasil quebrou, veio a crise cambial e a Globo ficou pendurada numa d&iacute;vida em d&oacute;lar que (de uma semana pra outra) triplicou.<\/p>\n<p>A d&iacute;vida era da TV a cabo mas, como Marluce e os geniais irm&atilde;os Marinho tinham centralizado as opera&ccedil;&otilde;es na holding, contaminou todo o grupo. A Globo entrou em &ldquo;default&rdquo;. Quebrou tecnicamente. Poderia ter virado uma Varig. Mas conseguiu (sabe-se l&aacute; com quais acordos e press&otilde;es pol&iacute;ticas) equalizar a d&iacute;vida.<\/p>\n<p>Quando saiu da crise, em meados do primeiro mandato de Lula, a Globo (o jornalismo) estava j&aacute; sob os ausp&iacute;cios de Ali Kamel &ndash; o Ratzinger. Ele conduziu a empresa para a direita: contra as cotas nas universidades, contras as pol&iacute;ticas de combate ao racismo (&ldquo;N&atilde;o somos racistas&rdquo;, diz), contra o Bolsa-Fam&iacute;lia. O grande p&uacute;blico n&atilde;o percebe isso de forma racional. Mas&nbsp;(mesmo que de forma despolitizada) sente que a Globo ficou contra todos os avan&ccedil;os sociais dos &uacute;ltimos 8 anos. Lentamente, foi-se criando uma antipatia no p&uacute;blico. Ouve-se por a&iacute;: a Globo n&atilde;o fica do lado do pov&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que um fen&ocirc;meno novo surge nas grandes cidades, como S&atilde;o Paulo.&nbsp;Nas padarias, restaurantes populares, pontos de t&aacute;xi, era comum ver televisores ligados sempre na Globo. Isso h&aacute; 7 ou 8 anos. Acabou. De manh&atilde;, especialmente, a programa&ccedil;&atilde;o da Record e do SBT (e &agrave;s vezes tamb&eacute;m dos canais a cabo) entra nas padarias, ocupa os lugares p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Essa &eacute; uma mudan&ccedil;a simb&oacute;lica.<\/p>\n<p>Mas &eacute; bom n&atilde;o brigar com outro fato:&nbsp;boa parte do p&uacute;blico segue a ter&nbsp;admira&ccedil;&atilde;o e carinho pela progama&ccedil;&atilde;o da Globo. E h&aacute; motivos pra isso, entre eles a&nbsp;qualidade t&eacute;cnica.&nbsp;A ilumina&ccedil;&atilde;o, a textura da imagem, o cuidado com o bom acabamento. Tudo isso a Globo conseguiu manter &ndash; apesar de muitos trope&ccedil;os aqui e ali.<\/p>\n<p>Fora isso, apesar de toda cr&iacute;tica que fa&ccedil;amos (e eu aqui fa&ccedil;o muito) ao jornalismo global, &eacute; bom n&atilde;o esquecer que na TV da fam&iacute;lia Marinho&nbsp;h&aacute; sim &oacute;timos profissionais, gente s&eacute;ria que tenta (e muitas vezes consegue) fazer bom jornalismo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Esse capital &ndash; qualidade t&eacute;cnica &ndash; a turma do Jardim Bot&acirc;nico tem conseguido manter. O que n&atilde;o ajuda: a pol&iacute;tica editorial, adotada por exemplo durante a posse de Dilma. Ironias desmedidas, falta de compreens&atilde;o do momento hist&oacute;rico e uma arrog&acirc;ncia de quem se acha no direito de &ldquo;ensinar&rdquo; como Dilma deve governar. A seguir nessa toada, a decad&ecirc;ncia ser&aacute; mais r&aacute;pida&hellip;<\/p>\n<p>E o que mais pode entornar o caldo por l&aacute;? Grana.<\/p>\n<p>A Globo tem custos alt&iacute;ssimos de produ&ccedil;&atilde;o. Quem conhece de perto o Projac diz que aquilo &eacute; uma f&aacute;brica de boas novelas e miniss&eacute;ries, mas tamb&eacute;m uma f&aacute;brica de desperd&iacute;cio. Empresa familiar, que cresceu demais. Cada naco dominado por um diretor, como se fosse um feudo. At&eacute; hoje a Globo conseguiu manter essa estrutura porque ficava com uma por&ccedil;&atilde;o gigante das verbas p&uacute;blicas de publicidade (isso mudou com Lula\/Franklin) e com uma por&ccedil;&atilde;o enorme da publicidade privada: o BV &ndash; b&ocirc;nus em que a ag&ecirc;ncia &eacute; &ldquo;premiada&rdquo; pela Globo se concentrar seus an&uacute;ncios na emissora &ndash; explica em parte essa &ldquo;m&aacute;gica&rdquo;; outra explica&ccedil;&atilde;o &eacute; que a Globo detem (detinha!?) de fato fatia avassaladora da audi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Com menos&nbsp;audi&ecirc;ncia, as ag&ecirc;ncias (ou as empresas anunciantes, atrav&eacute;s das ag&ecirc;ncias) podem pressionar para que o valor dos an&uacute;ncios caia. Se isso acontecer, a Globo vai virar um elefante branco. Imposs&iacute;vel manter aquela estrutura verticalizada se a grana encurtar.<\/p>\n<p>Qual o limite que a Globo suporta? Dif&iacute;cil saber. Mas&nbsp;dispensa da banda do Faust&atilde;o &eacute; um indicador de que a &aacute;gua pode estar subindo r&aacute;pido.<\/p>\n<p>Outro problema s&eacute;rio: o risco de perder a transmiss&atilde;o do futebol, ou de ter que pagar caro demais para mant&ecirc;-lo.<\/p>\n<p>Tudo isso est&aacute; no horizonte. E mais: a entrada das teles no jogo. O Grupo Telef&ocirc;nica, por exemplo,&nbsp;fatura dez vezes mais que a Globo. Como concorrer? S&oacute; com regula&ccedil;&atilde;o do mercado, assegurando nacos para os propriet&aacute;rios nacionais.<\/p>\n<p>Ou seja: a Globo &ndash; que &eacute; contra a regulamenta&ccedil;&atilde;o (&ldquo;censura&rdquo;, eles bradam) por princ&iacute;pio &ndash; vai ter que pedir &aacute;gua, vai ter que negociar alguma regula&ccedil;&atilde;o pra conter os estrangeiros. E a&iacute; pode entrar tamb&eacute;m a regula&ccedil;&atilde;o que interessa &agrave; sociedade: crit&eacute;rios para concess&otilde;es, e tamb&eacute;m para evitar o lixo eletr&ocirc;nico e os abusos generalizados na TV. Regula&ccedil;&atilde;o, como em qualquer pa&iacute;s civilizado. At&eacute; aqui a Globo tentou barrar&nbsp;esse debate. Mas vai ter que aceit&aacute;-lo agora, porque ficou mais fr&aacute;gil.<\/p>\n<p>De minha parte, n&atilde;o tor&ccedil;o pra que aconte&ccedil;a nenhuma &ldquo;hecatombe&rdquo;, nem que a Globo quebre. Mas para que fique menos forte, e que o mercado se divida.<\/p>\n<p>Parece que &eacute; isso que est&aacute; pra acontecer. Seria saud&aacute;vel para o Brasil.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Globo tentou barrar o debate sobre a nova regula&ccedil;&atilde;o, mas vai ter que aceit&aacute;-lo agora, porque ficou mais fr&aacute;gil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1468],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25225"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25225"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25225\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}