{"id":25214,"date":"2011-01-03T16:27:42","date_gmt":"2011-01-03T16:27:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25214"},"modified":"2011-01-03T16:27:42","modified_gmt":"2011-01-03T16:27:42","slug":"o-pais-o-pnbl-a-telebras-e-a-economia-cognitiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25214","title":{"rendered":"O Pa\u00eds, o PNBL, a Telebr\u00e1s e a economia cognitiva."},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Nas felizes visitas que se faz a uma biblioteca h&aacute; sempre a possibilidade de encontrar algo que nos ilumine e revele a amplitude das transforma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e sociais a que o ser humano vem passando. Na &uacute;ltima visita, deparei-me com um livro lan&ccedil;ado no Brasil, em 1993, pela editora Record, 3&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, de autoria de Alvin Toffler, <em>Powershift: as mudan&ccedil;as do poder &ndash; Um perfil da sociedade do s&eacute;culo 21 pela an&aacute;lise das transforma&ccedil;&otilde;es na natureza do poder.<\/em> Toffler &eacute;, tamb&eacute;m, autor de A Terceira Onda e O choque do futuro. O Poder, sob a &oacute;tica de Toffler, deve ser considerado como uma combina&ccedil;&atilde;o de elementos que transformam uma sociedade (coes&atilde;o), submiss&atilde;o &agrave;s regras, dinheiro (a for&ccedil;a do capital) e conhecimento (informa&ccedil;&atilde;o como ativo e valor). Na linha de entendimento do autor, se avaliarmos o conceito moderno de desenvolvimento humano em ondas, considerando que o capital era sin&ocirc;nimo de riqueza e que isto posto a trabalhar gerava produ&ccedil;&atilde;o, iremos observar que estes valores provocaram profundas transforma&ccedil;&otilde;es no modelo de sociedade em que vivemos.<\/p>\n<p>Na primeira onda, a moeda (capital) da agricultura era o metal ou qualquer outra mercadoria, o que gerava um conhecimento quase que zero, tudo era tang&iacute;vel e dur&aacute;vel, mensurado pelo vale quanto pesa, pr&eacute; alfab&eacute;tico, as palavras n&atilde;o eram gravadas. Na segunda onda, o papel impresso, com ou sem lastro de produto de base, era o valor. O que estava impresso tinha import&acirc;ncia. A moeda ainda &eacute; elemento tang&iacute;vel, a alfabetiza&ccedil;&atilde;o agora &eacute; em massa. J&aacute; na terceira onda, a moeda s&atilde;o os pulsos eletr&ocirc;nicos, trafegam instantaneamente e s&atilde;o monitorados na tela de v&iacute;deo, piscam, cintilam, o valor virtual percorre o mundo. A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; a moeda &ndash; base do conhecimento. Segundo Toffler, estamos na transi&ccedil;&atilde;o do trabalho bra&ccedil;al para o trabalho mental (cognitivo) ou trabalho que exige capacidade psicol&oacute;gica e humana. No entendimento de Alvin Toffler, t&iacute;nhamos o proletariado (trabalhador focado em produ&ccedil;&atilde;o massa), agora vemos nascer o cognitariado (trabalhador&nbsp; focado em processamento de informa&ccedil;&otilde;es), leia-se aqui um trabalhador que usa elementos integrativos que o acesso &agrave;s tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o possibilitam.<\/p>\n<p>Nessa breve contextualiza&ccedil;&atilde;o verifica-se o quanto a humanidade tem sofrido transforma&ccedil;&otilde;es nas suas rela&ccedil;&otilde;es de interesses. Uma intensa batalha se intensifica, pois os neg&oacute;cios, ou seja, os interesses econ&ocirc;micos dependem da obten&ccedil;&atilde;o e envio de informa&ccedil;&otilde;es. A infraestrutura para levar e trazer os resultados destas novas configura&ccedil;&otilde;es das rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais e pol&iacute;ticas, t&atilde;o estrat&eacute;gicas para defesa e sustentabilidade do conceito de na&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o as estradas eletr&ocirc;nicas que um pa&iacute;s precisa ter para manter a sobreviv&ecirc;ncia do modelo de Estado que disp&otilde;e. Acelerar a constru&ccedil;&atilde;o desse novo conceito de estrada, segundo Toffler, tem similarmente a mesma urg&ecirc;ncia que construir rodovias e ferrovias no s&eacute;culo XIX, quando se considerava que o destino de uma na&ccedil;&atilde;o estava ligado &agrave;s extens&otilde;es dos seus sistemas rodovi&aacute;rios e ferrovi&aacute;rios.<\/p>\n<p>Diante deste entendimento h&aacute; que se observar a magnitude e a import&acirc;ncia do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), institu&iacute;do pelo Decreto n&ordm; 7.175, de 12 de maio de 2010. Gerido pela Telebr&aacute;s, visa criar oportunidades, acelerar o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social, promover a inclus&atilde;o digital, reduzir as desigualdades sociais e regionais, gerar emprego e renda, ampliar os servi&ccedil;os de governo eletr&ocirc;nico, facilitar aos cidad&atilde;os o acesso aos servi&ccedil;os do Estado, promover a capacita&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o para o uso das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e aumentar a autonomia tecnol&oacute;gica e a competitividade brasileiras. Sendo assim, quando o Estado traz para si a coordena&ccedil;&atilde;o de um plano desta import&acirc;ncia, eleva &agrave; categoria m&aacute;xima a gest&atilde;o da rede &ldquo;neural&rdquo; do desenvolvimento da na&ccedil;&atilde;o brasileira. Toffler assegura que todos n&oacute;s somos capazes de ver e tocar um telefone ou um computador. Contudo, n&atilde;o percebemos as redes que os ligam com o mundo; estamos diante de um grande sistema nervoso da sociedade moderna.<\/p>\n<p>Para Rog&eacute;rio Santanna, Presidente da Telebr&aacute;s, o Estado brasileiro ir&aacute; fazer a diferen&ccedil;a usando a infra-instrutora de rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es que disp&otilde;e, a fim de democratizar o acesso &agrave; Internet no Brasil e contribuir para incluir milhares de cidad&atilde;os brasileiros na sociedade da informa&ccedil;&atilde;o. Santana acrescenta que temos hoje um monop&oacute;lio na &aacute;rea de telecomunica&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o tem nenhum interesse social no pa&iacute;s e &eacute; respons&aacute;vel pela atual situa&ccedil;&atilde;o. Declara que, se n&atilde;o houver concorr&ecirc;ncia, os pre&ccedil;os do acesso &agrave;s ferramentas tecnol&oacute;gicas de comunica&ccedil;&otilde;es eletr&ocirc;nicas n&atilde;o se tornar&atilde;o baixos. Assegura ainda, o Presidente da Telebr&aacute;s, que essa a&ccedil;&atilde;o deve ser iniciada pela implementa&ccedil;&atilde;o de uma infraestrutura de fibras &oacute;pticas do governo brasileiro, capaz de atender &agrave;s demandas urgentes relacionadas &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o p&uacute;blica e &agrave; transpar&ecirc;ncia dos atos governamentais. A iniciativa permitir&aacute;, tamb&eacute;m, ampliar e qualificar o governo eletr&ocirc;nico, apoiar a pol&iacute;tica de inclus&atilde;o digital, bem como introduzir a concorr&ecirc;ncia no mercado de servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>Como vemos, estamos diante de uma revolu&ccedil;&atilde;o silenciosa de valores e de gest&atilde;o do Estado. Essa nova vis&atilde;o ir&aacute; possibilitar o aperfei&ccedil;oamento, o desenvolvimento de novas habilidades e a reten&ccedil;&atilde;o de conhecimentos, oriundos dos veloc&iacute;ssimos conte&uacute;dos de informa&ccedil;&otilde;es que trafegam nas auto-estradas eletr&ocirc;nicas da economia cognitiva. Segundo Toffler, a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; o mais fluido dos recursos, e fluidez &eacute; a marca de qualidade de uma economia na qual a produ&ccedil;&atilde;o e a distribui&ccedil;&atilde;o dependem de trocas simb&oacute;licas e que funciona como um sistema nervoso sem regras bem definidas. Alvin Toffler acrescenta que o que importa para uma na&ccedil;&atilde;o a longo prazo s&atilde;o produtos de atividade mental: pesquisa cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica&#8230; educa&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho&#8230; programas de computadores sofisticados&#8230; administra&ccedil;&atilde;o mais inteligente&#8230; comunica&ccedil;&otilde;es avan&ccedil;adas&#8230; atividades financeiras eletr&ocirc;nicas. Estes s&atilde;o os atuais recursos-chaves do poder e armas importantes para produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento, geradores da economia cognitiva.<\/p>\n<p><em><strong>*Clemilton Saraiva dos Santos<\/strong> &eacute; presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Profissionais e Usu&aacute;rios das Telecomunica&ccedil;&otilde;es Brasileiras &#8211; ProTelecom<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Estamos diante de uma revolu&ccedil;&atilde;o silenciosa de  valores e de gest&atilde;o do Estado.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25214"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25214\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}