{"id":25199,"date":"2010-12-20T15:08:53","date_gmt":"2010-12-20T15:08:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=25199"},"modified":"2010-12-20T15:08:53","modified_gmt":"2010-12-20T15:08:53","slug":"rumo-do-novo-marco-regulatorio-depende-de-definicoes-no-ministerio-das-comunicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=25199","title":{"rendered":"Rumo do novo marco regulat\u00f3rio depende de defini\u00e7\u00f5es no Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A indica&ccedil;&atilde;o de Paulo Bernardo como ministro da Comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o define com clareza o tratamento que ser&aacute; dado ao debate da mudan&ccedil;a do marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es no novo governo. A pauta est&aacute; hoje sob a coordena&ccedil;&atilde;o de Franklin Martins, ministro chefe da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, que &eacute; favor&aacute;vel a um projeto que estabele&ccedil;a um rompimento com a atual estrutura do minist&eacute;rio. Embora concorde com a necessidade de reestrutura&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o, Paulo Bernardo prefere primeiro cuidar das tarefas que o levaram pra l&aacute;, ou seja, Correios e Programas de Inclus&atilde;o Digital, incluindo o Plano Nacional de Banda Larga.<\/p>\n<p>Dependendo da composi&ccedil;&atilde;o do segundo e terceiro escal&atilde;o, o tema do marco regulat&oacute;rio pode terminar &oacute;rf&atilde;o. As escolhas de quem vai ocupar a Secretaria Executiva e de quem vai coordenar a Secretaria de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Social Eletr&ocirc;nica (SSCSE) parecem ser decisivas para apontar os rumos do debate.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio aventado pela imprensa para a SSCSE, Andr&eacute; Barbosa Filho, pode n&atilde;o estar interessado em levar adiante uma discuss&atilde;o da qual pouco participou. Atual assessor da Casa Civil para radiodifus&atilde;o, Barbosa se aproximou do setor nos &uacute;ltimos anos por causa da TV digital e poderia n&atilde;o se dispor a comprar as brigas inevit&aacute;veis em um processo como este. Este <strong>Observat&oacute;rio<\/strong> buscou contato com o assessor, mas foi informado de que ele se encontra em f&eacute;rias.<\/p>\n<p>C&eacute;sar Alvarez, assessor da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica atualmente respons&aacute;vel pelos programas de inclus&atilde;o digital, trabalha para levar sua equipe para o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, mas ainda n&atilde;o definiu com o novo ministro onde eles ficariam abrigados.<\/p>\n<p><strong>Conflitos entre as empresas<\/strong><\/p>\n<p>Entre os radiodifusores, h&aacute; posi&ccedil;&otilde;es distintas sobre o assunto. Enquanto a Abert, que re&uacute;ne Globo, Record e SBT, fala apenas na necessidade de ajustes na legisla&ccedil;&atilde;o, com m&iacute;nima interfer&ecirc;ncia estatal, outras emissoras, como a Bandeirantes e RedeTV, reunidas na Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores (ABRA), colocam-se a favor de transforma&ccedil;&otilde;es mais profundas. &ldquo;O marco regulat&oacute;rio demanda uma grande revis&atilde;o para garantir a pluralidade das fontes de informa&ccedil;&atilde;o e a repress&atilde;o ao abuso do poder econ&ocirc;mico que hoje acontece&rdquo;, afirma Walter Ceneviva, vice-presidente executivo do Grupo Bandeirantes de Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Durante a I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, da qual participou ativamente, a ABRA apresentou uma proposta que limita em 50% a propor&ccedil;&atilde;o de ingressos publicit&aacute;rios de qualquer emissora no mercado de televis&atilde;o. A proposta foi aprovada e est&aacute; entre as 633 resolu&ccedil;&otilde;es da Confer&ecirc;ncia. Ceneviva ressalta, contudo, que n&atilde;o adiantam mudan&ccedil;as se n&atilde;o houver exig&ecirc;ncia do cumprimento da lei. &ldquo;&Eacute; preciso que as leis atuais e as do futuro sejam cumpridas. Hoje h&aacute; uma toler&acirc;ncia com a ilegalidade muito negativa para todos&rdquo;, ressalta.<\/p>\n<p>Mesmo entre os associados da Abert h&aacute; diverg&ecirc;ncias relevantes. O SBT publicou comunicado oficial no dia 14 em que afirma que &ldquo;para estimular a competi&ccedil;&atilde;o e garantir a pluralidade da informa&ccedil;&atilde;o e dos conte&uacute;dos &eacute; necess&aacute;rio que existam mecanismos para o controle, de fato, da propriedade cruzada, especialmente para evitar forma&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lios e\/ou oligop&oacute;lios&rdquo;. O alvo &eacute; claro, e a declara&ccedil;&atilde;o &eacute; um sinal de que a discuss&atilde;o do novo marco regulat&oacute;rio pode acirrar essas diferen&ccedil;as internas &agrave; associa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Refor&ccedil;o da pauta<\/strong><\/p>\n<p>Entre os atores da sociedade civil interessados na mudan&ccedil;a do marco regulat&oacute;rio, a expectativa &eacute; que o debate avance em 2011 e provoque mudan&ccedil;as concretas no setor. Para Celso Schr&ouml;der, Coordenador-geral do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), o marco regulat&oacute;rio precisa ser ousado e n&atilde;o pode se configurar como uma acomoda&ccedil;&atilde;o de press&otilde;es de corpora&ccedil;&otilde;es e organiza&ccedil;&otilde;es patrimonialistas. &ldquo;O novo ministro e sua equipe devem se dedicar a articular essa pol&iacute;tica para o futuro, tratando a comunica&ccedil;&atilde;o como pol&iacute;tica de Estado&rdquo;, diz Schr&ouml;der. &ldquo;O novo marco regulat&oacute;rio &eacute; a oportunidade para fazer isso. O governo tem legitimidade, ambiente e as ferramentas necess&aacute;rias e precisa enfrentar esse debate&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>Em novembro, a Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social realizou um semin&aacute;rio sobre converg&ecirc;ncia de m&iacute;dias comparada que demonstrou a exist&ecirc;ncia de regula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do na maioria das democracias europeias. &ldquo;O semin&aacute;rio desmontou o discurso contra a regula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz Schr&ouml;der. O evento comparou as diferentes estrat&eacute;gias que est&atilde;o sendo usadas para tratar o tema das comunica&ccedil;&otilde;es, e demonstrou uma tend&ecirc;ncia de se tratar conjuntamente telecomunica&ccedil;&otilde;es e radiodifus&atilde;o. De fato, as fronteiras entre esses dois setores est&atilde;o cada vez mais turvas tanto para o mercado quanto para o usu&aacute;rio.<\/p>\n<p>Para Jonas Valente, do coletivo Intervozes, a condu&ccedil;&atilde;o da reforma do marco regulat&oacute;rio &ldquo;&eacute; uma tarefa central e deve ser encarada, a exemplo do que aconteceu na Argentina, dentro de um amplo processo de consulta p&uacute;blica e mobiliza&ccedil;&atilde;o&quot;. Valente destaca ainda o desafio de re-estatizar o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, parafraseando o professor da Universidade de Bras&iacute;lia, Murilo Ramos. &ldquo;Isso significa torn&aacute;-lo novamente um instrumento do Estado, e n&atilde;o das empresas, para formular o conjunto das pol&iacute;ticas do setor, bem como para implantar parte substancial dela&rdquo;. Schr&ouml;der aponta na mesma dire&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o pode ser um minist&eacute;rio menor, apenas com fun&ccedil;&otilde;es cartoriais&rdquo;, diz o coordenador do FNDC.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dependendo das escolhas de Paulo Bernardo de seu secretariado, novo marco regulat&oacute;rio pode n&atilde;o sair<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[323],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25199"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}